quarta-feira, agosto 27, 2008

Denúncia

Acuso-te, Destino!
A própria abelha às vezes se alimenta
Do mel que fabricou…
E eu leio o que escrevi
Como um notário um testamento alheio.
Esvazio o coração, cuido que me exprimi,
E vou a olhar o poço, e ele continua cheio!

Acuso-te e protesto.
É manifesto
Que existe malvadez ou má vontade!
Com a mais humilíssima humildade,
Requeiro, peço, imploro…
Mas trago às costas esta maldição
De sofrer com razão ou sem razão,
E de não ter alívio nas lágrimas que choro!

Miguel Torga

Depois da viagem pelo Norte Português senti uma enorme vontade de relembrar este autor, que tão bem sabe descrever o nosso país e a nossa cultura. Este poema é escolhido pelo seu significado tão intenso e reflexo de mim.

Num dia de Mercúrio e de Rafael, de Santa Mónica e de São Rufo
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