terça-feira, setembro 30, 2008

Anjo Samael

Ontem nos meus estudos descobri um texto muito interessante que me fez pensar muito, por isso hoje vou transcrevê-lo para aqui, para partilhar e para eu o ir lendo de vez em quando para ver se entra melhor.
O texto tinha a ver com o Anjo Samael, título desta partilha, que é o meu Guardião da Casa, ao ler o texto fiquei um pouco preocupada pois dizia que este anjo era o mesmo que Satã e Lúcifer, que os hebreus chamam-no de Samael, os ocidentais de Satã e os latinos Lúcifer. Como podem imaginar fiquei um pouco confusa, não por ter este anjo como Guardião, mas pela minha ignorância sobre o assunto, afinal que escolha fiz eu, que Anjo convidei para proteger o meu Lar.
Todos os nomes querem dizer o mesmo "Anjo da Luz" e por essa razão este é o meu Guardião da Casa, mas ao relacioná-lo com Lúcifer, achei que era demasiado forte para mim e para a minha casa. Por isso pus-me a pensar e infelizmente ainda não cheguei a nenhuma conclusão, com o tempo talvez.
Depois disto encontrei este excerto que achei delicioso no livro Dogma e Ritual de Alta Magia de Éliphas Lévi, e passo a citar:

O Lúcifer da Cabala não é um anjo maldito e fulminado, é o anjo que ilumina e que regenera queimando; é para os anjos de paz o que o cometa era para as tranquilas estrelas das constelações da primavera. A estrela fixa é bela, radiante e calma; ela respira os celestes aromas e olha com amor as suas irmãs (...) e caminha solenemente, sem sair do lugar que lhe é determinado entre as sentinelas da luz. Contudo, o cometa errante, todo ensanguentado e desgrenhado, acorre das profundezas do céu; precipita-se através das esferas tranquilas, como um carro de guerra entre as fileiras de uma procissão de vestais; ousa afrontar a espada flamejante dos guardas do sol, e, como uma esposa apaixonada que procura o esposo sonhando pelas suas noites de viuvez, penetra até ao tabernáculo do rei dos dias, depois foge, exalando os fogos que o devoram e arrastando após si um longo incêndio (...)

Entretanto as irmãs estrelas, com medo deste cometa, decidem tentar convencê-lo a ser como elas, a ficar quieto e fixo num determinado lugar, aliciando-o com a sua beleza e dizendo-lhe que se tornaria mais belo se o fizesse.
Mas Samael responde-lhe:

Não creias, ó minha irmã, que posso errar ao acaso e perturbar a harmonia das esferas; Deus traçou o meu caminho como o teu, e se a minha carreira te parece incerta e vagabunda, é porque os teus raios não poderiam estender-se tão longe para abarcar o contorno da elipse que me foi dada por carreira. A minha cabeleira inflamada é o fanal de Deus; sou o mensageiro dos sóis e fortaleço-me nos seus fogos para os partilhar no meu caminho aos novos mundos que não têm ainda bastante calor, e aos astros envelhecidos que têm frio na sua solidão. Se me afadigo nas minhas longas viagens, se sou uma beleza menos atractiva do que a tua, se o meu enfeite é menos virginal, não deixo, por isso mesmo, de ser, como tu, um nobre filho do céu! Deixa-me o segredo do meu destino terrível, deixa-me o espanto que me rodeia, amaldiçoa-me, se não podes compreender-me: não deixarei, por isso, de realizar a obra que me foi imposta e continuarei a minha carreira sobre o impulso do sopro de Deus. (...)
Fica, pois, sossegada, bela estrela fixa, não quero tirar a tua luz tranquila; pelo contrário, esgotarei por ti a minha vida e o meu calor. (...) Sabe que no templo de Deus ardem fogos diferentes, que lhe dão glória; tu és a luz dos candelabros de ouro, e eu a chama do sacrifício: realizemos os nossos destinos!

Considero este texto de uma beleza rara, que nos mostra de forma diferente este Anjo da Luz que tantos temem por o não compreender. Além disso é também um texto que nos lembra que todos temos os nossos caminhos e que as formas de chegar até Deus e cumprir as nossas missões são diferentes, e o diferente não é melhor ou pior, é apenas diferente.

Num dia de Marte, de Samael e de São Jerónimo
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