sexta-feira, setembro 19, 2008

Camões segundo Torga

Neste dia tão belo e ainda sobre o efeito do espectáculo na Regaleira, redescubro estes poemas de Miguel Torga sobre o nosso poeta maravilhoso Luís de Camões. Decido, então, fazer esta partilha de mais umas saciantes poesias deste médico versátil que me acompanhou durante estes tempos.
Camões
Nem tenho versos, cedro desmedido,
Da pequena floresta portuguesa!
Nem tenho versos, de tão comovido
Que fico a olhar de longe tal grandeza.

Quem te pode cantar, depois do Canto
Que deste à pátria, que to não merece?
O sol da inspiração que acendo e que levanto
Chega aos teus pés e como que arrefece.

Chamar-te génio é justo, mas é pouco.
Chamar-te herói, é dar-te um só poder.
Poeta dum império que era louco,
Foste louco a cantar e louco a combater.

Sirva, pois, de poema este respeito
Que te devo e professo,
Única nau do sonho insatisfeito
Que não teve regresso!

Na Gruta de Camões

Tinhas de ser assim:
O primeiro
Encoberto
Da nação.
Tudo ser bruma em ti
E claridade.
O berço,
A vida,
O rastro
E a própria sepultura.
Presente
E ausente
Em cada conjuntura
Do teu destino.
Poeta universal
De Portugal
E homem clandestino


Num dia de Vénus e de Anael, de São Januário e de Santa Constança
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