segunda-feira, novembro 10, 2008

Mais uma vergonha para as Religiões

Foi desconcertante ontem à noite ver na televisão a notícia da luta entre os monges gregos ortodoxos e os arménios que teve lugar na Sagrada Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, aquando do início das celebrações da Santa Cruz. Pelo que se pôde ver nas imagens os monges gregos ortodoxos e os arménios entraram numa luta a sério, aquilo quase parecia o fim de um jogo Porto Benfica, empurrando-se mutuamente, deitando as imagens sagradas ao chão e chegando mesmo aos socos. As razões, até ao momento, ainda não são conhecidas, mas, na minha opinião, sejam quais for não têm justificação.
Acabada de chegar de um fim-de-semana de retiro cinematográfico, onde muito se discutiu por haver opiniões divergentes, deparo-me com um insólito destes. Pergunto-me: porque queremos que todos pensem e ajam da mesma forma que nós? Que sentimento está por detrás da Vontade de partilharmos as mesmas convicções? O que nos move nessas discussões? Será apenas a gratificação da partilha ou estará secretamente o nosso Ego a querer converter os outros? Por que razão quando alguém não concorda connosco ficamos incomodados?
A todas estas perguntas poderão surgir respostas diferentes, dependendo do nosso nível de consciência, mas uma coisa é certa, ninguém pode afirmar ter a Verdade Única, a Certeza Absoluta, pois cada um tira as suas conclusões de acordo com o Tamanho do seu Próprio Mundo. As nossas experiências vão-nos condicionando ou libertando, depende do uso que cada um lhes dá, mas de qualquer modo elas vão-nos restringindo a mente, por cada janela que abrimos interiormente mais luz entra na nossa mente, mas há sempre mais janelas ao lado e atrás, que não abrimos e outras pessoas já o fizeram, por isso, essas pessoas terão Verdades diferentes das minhas. Contudo, quando queremos partilhar com alguém algum assunto temos de ter o nosso espírito aberto para tudo o que dali advier. Se eu vou entrar numa conversa apenas para debitar os meus pensamentos e não dou espaço sequer ao que o outro diz para entrar e fazer sentido em mim, não vale a pena, para isso foram criados os monólogos que, graças a Deus, não precisam de um ouvinte.

Assim, por que razão monges, pessoas espiritualmente iluminadas, regressam aos instintos animalescos de sobrevivência para defender as suas crenças/opiniões? Se estes ícones da religião reagem assim perante a adversidade como poderão os comuns mortais reagir de outra forma?
Fiquei abismada com este acontecimento que, ao que tudo demonstra, já não foi a primeira vez que aconteceu, nas passadas celebrações do Domingo de Ramos, mais uma vez estes monges entraram em luta pelas suas convicções.
Que mundo é este, onde tanto se luta e fala da paz em termos religiosos, e depois acontecem estas coisas em lugares sagrados? Onde está a lição aprendida de devolver a outra face quando somos agredidos? Onde está o respeito pelo ritual que se estava a iniciar?

O mundo fica mais triste quando estes exemplos saem em nome da Religião!
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