quarta-feira, novembro 26, 2008

Nós e as dependências

A semana passada estive com um grupo de amigas que já não via há muito tempo e como consequência hoje apetece-me dissertar sobre este tema. Até que ponto são os outros dependentes de nós.
Como todos vivemos em sociedade e de acordo com os seus princípios, uns mais do que outros, acabamos por estar envolvidos com várias pessoas. Mesmo se no dia-a-dia mantemos um muro, eu prefiro chamar-lhe de bolha, à nossa volta acabamos sempre por estar a ser influenciados e influenciarmos os outros. Não me refiro ao influenciar negativo, aquele que pode condicionar as decisões de cada um, mas sim ao influenciar positivo de partilhar e ajudar os outros. Não obstante, com estas pessoas conseguimos estabelecer limites, conseguimos fazer com que elas entendam que a partir de ali não podem passar, se essa for a nossa vontade.
É nos relacionamentos familiares, porém, que as coisas se torna menos claras e, por conseguinte, mais difíceis. É mais fácil estipular essas barreiras com pessoas com quem não tenhamos estabelecido relações emocionais mais fortes. Quando nos envolvemos emocionalmente com alguém parece que os muros se vão desfazendo e quando queremos voltar, por qualquer razão pessoal, a colocá-los a tarefa parece impossível. Impossível porque estamos sempre a pensar que não queremos magoar ninguém, desejamos voltar a ter a nossa Liberdade mas sem que o Outro se magoe.
Muitas vezes consideramos que esta pessoa ou aquela estão dependentes de nós, precisam da nossa ajuda. Estaremos certos? Por experiência própria sei que ao longo da vida vamos assumindo papéis, papéis esses que por vezes se tornam penosos, mas que como os decidimos representar não queremos desistir. Contudo, também compreendi, por experiência própria que quando assumimos esses papéis estamos a impedir que outra pessoa próxima de nós o possa desempenhar.

Por exemplo, na educação de um filho os pais desempenham sempre algum papel, umas vezes um outras vezes o outro, em minha casa o Pai sempre foi o severo, o autoritário, e a Mãe a compreensiva, aquela que tentava sempre dar a volta às situações. A pergunta que faço é a seguinte: Se um dia a Mãe decidisse deixar de ser a compreensiva e passar a ser também ela a autoritária, o que aconteceria? Para bem do equilíbrio natural existente nas relações, o Pai iria ser "obrigado" a desempenhar o papel do compreensivo, trocavam os papéis e o equilíbrio regressava.
Creio que em todas as relações podemos verificar isso, sejam elas de que instância for, há sempre alguém num grupo que desempenha um papel, mas isso não quer dizer que os outros não o possam desempenhar também, apenas se criaram esses hábitos.
Esta é na verdade a palavra-chave deste assunto, o Hábito. Habituamo-nos a ser assim e a esperar que o outro assim seja e quando algo não corre dessa maneira ficamos desorientados, acontece o desequilíbrio.
O que me leva ao início e às minhas amigas. Quando queremos mudar algo em nós, mudar um papel que estamos a desempenhar e não estamos com capacidade para o suportar mais, devemos compreender que haverá alguém, para o bem do equilíbrio do grupo, que irá assumir esse papel. Que afinal ninguém é insubstituível e que todos somos capazes de fazer o que os outros fazem, não há nada que não se consiga quando a relação estabelecida tem por base o Amor. Se mesmo com esta consciência não conseguirmos tomar a decisão, outra pergunta deverá orientar a nossa mente: São eles que dependem de mim ou eu que dependo deste papel?
Na minha família eu sempre fui a ovelha ronhosa, até ao dia em que a minha irmã decidiu desempenhar esse papel, eu naturalmente acabei por perder o "direito" a esse papel e assumir o seu oposto, para o equilíbrio familiar.
Mas atenção, nem sempre essa mudança ocorre em nós de forma consciente, pois o Universo tem formas de trabalhar que por vezes, senão mesmo na maioria das vezes, nos é desconhecida.

Num dia de Santa Delfina, São Conrado e de Rafael, Regente da Energia de Mercúrio
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