quinta-feira, novembro 27, 2008

Quando as palavras não saem...

Não sei se vos costuma acontecer, mas a mim de vez em quando dá-me uma "pancada" tão forte que não consigo fazer mais nada a não ser ficar em silêncio. Normalmente acordo assim e quando procuro razões pessoais para me sentir dessa forma, raramente encontro uma resposta.
Parece que no meu coração há uma dor do tamanho do mundo, que a minha garganta se aperta e se falar rebenta, chega a doer verdadeiramente. Será da lua nova? Nunca a senti desta forma, mas sinceramente nunca fiz essa obsrevação, isto é, se quando me acontecem estas "crises" coincide com esta fase da lua. Ficarei atenta.
Se fazem meditação talvez esta imagem vos possa ajudar a compreender o que tão rudemente tento explicar. Quando fazemos fusão com o Universo e nos sentimos unos, há um sentimento de plenitude que abunda o nosso coração, hoje o que tenho é o extremo oposto. A melhor imagem que consigo dar para tentar explicar a quem tem de lidar comigo nestes dias é que sinto o peso do Universo em mim. Serei por hoje Atlas e suportarei sem lamentos esse peso. Como não me apetece falar mas apenas ficar, ficam as palavras de um poeta que simplesmente amo.

Introdução ao Canto

Ergue-te de mim,
substância pura do meu canto.
Luz terrestre, fragrância.
Ergue-te, jasmim.

Ergue-te, e aquece
a cal e a pedra,
as mãos e a alma.
Inunda, reina, amanhece.

Ao menos tu sê ave,
primavera excessiva.
Ergue-te de mim:
canta, delira, arde.

Eugénio de Andrade

Num dia de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, Santa Margarida de Sabóia e de Saquiel, Regente da Energia de Júpiter
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