sábado, maio 31, 2008



A Gnose permite-te que saibas de um Deus desconhecido e remoto em relação a este mundo, um Deus em exílio face a uma criação falsa que, em si mesma, constituiu uma queda. Tu, em ti próprio, ao conheceres e seres conhecido por este Deus alienado, chegarás a compreender que originalmente o teu eu mais profundo não fazia parte da Criação-Decaída, mas que remonta até a um tempo arcaico antes do tempo, quando esse eu mais profundo integrava uma plenitude que era Deus, um Deus mais humano do que qualquer outro venerado desde então.


Harold Blomm, in Augúrios do Milénio- A Gnose dos Anjos, dos Sonhos e da Ressurreição


Num dia de Saturno e do Arcanjo Cassiel, da Visitação da Nossa Senhora e de Santa Petronilha

sexta-feira, maio 30, 2008

Limpeza do Coração

Abbott Handerson Thayer


Hoje, dia do Amor, recebo mais uma prenda valiosa. Estou felicíssima, pois é muito bom quando estamos em contacto com o nosso Anjo, que para mim é o mesmo que dizer, comigo própria.
Há muito tempo que tenho um sonho recorrente (ora, cá está mais um tema que ainda não abordei, em breve, talvez), ou seja, um sonho que repetidamente tenho. A mensagem deste sonho era sempre a mesma, daí ser recorrente, mas eu não conseguia compreendê-la. Como cedo aprendi que quando não compreendemos as coisas devemos aceitá-las e não gastar muita energia no assunto, porque só depois de as aceitarmos é que as podemos compreender, foi o que fiz. Assim, hoje chegou até mim essa compreensão tão importante.

O sonho é o seguinte, eu estou, durante a noite escura, envolta de seres malignos, fantasmas e possessões, nada mais assustador para mim, mas no sonho eu fico sempre tranquila. A forma que eu tinha de os combater era abrindo o meu coração e emanar de lá de dentro uma energia poderosa de Amor, só assim os vencia. Os cenários e as entidades vão sendo diferentes, mas a acção é sempre a mesma. Isto perturbava-me pois eu não gosto nada dessas coisas, e , em verdade, até tenho algum medo, e por isso ficava confusa com os sonhos. Não compreendia o que me estava a ser transmitido, até hoje!

Hoje fez-se luz! Compreendi que o que o meu Anjo me andava a tentar dizer durante os sonhos, sim porque eles têm sempre significados e são na maioria das vezes os diálogos que temos com o nosso Mestre. A mensagem, agora que a compreendi, é até bem simples. Todos os nossos inimigos, obstáculos, medos, dores, enfim, todas as partes menos positivas na nossa vida devem ser enfrentados com Amor. Dentro de nós, no nosso lindo coração, existe uma luz, a nossa Luz Interior, como já o referi na partilha Amor, é também aí que residem as nossas qualidades, os nossos defeitos, todo o nosso passado, todas as acções que realizámos, todos os pensamentos que tivemos, todas as palavras que dissemos, assim, quanto mais limpo e em harmonia ele estiver, mais força tem essa Luz.
Então, e porque às vezes no sonho eu não conseguia combater essas entidades, percebo que quando isso me acontece é porque preciso de limpar o meu coração, para que a minha Luz Interior se possa expandir e chegar aos locais onde houver obscuridade, como qualquer Mago deverá tentar fazer.
O que me leva à necessidade de publicar o exercício de meditação que utilizo, na esperança de me não esquecer de o fazer semanalmente, mas também para que os meus visitantes me possam prendar com outros melhores.
Sempre que me apetece, ou tenho a disponibilidade mental para o fazer, fecho os olhos e imagino um ecrã de cinema. Aí deixo que apareçam as imagens da minha vida que estou a precisar de ver. Sempre o meu coração se sobressalta é porque ali está alguma coisa que não está correcta. Paro a imagem e observo, vejo-me e sou um juiz a analisar os meus actos, palavras ou pensamentos. Depois reflicto sobre o que me levou a fazer o que fiz e vejo o que deveria ter feito. Depois deste processo o coração fica sereno e eu também.
Este exercício é muito produtivo pois ajuda a eliminar o lixo que vamos guardando no coração e que nos impede de despertar a nossa Luz Interior.

Num dia de Vénus, do Anjo Anael e de São Nereu

Os dias de contacto com o Anjo da Guarda

Abbott Handerson Thayer


Há coisas tão giras! A história por detrás deste livro que mencionei ontem é muito engraçada, tão engraçada que me apetece escrever sobre isso. Esta situação é engraçada porque me vem mostrar a sincronia que existe no Universo, foi-me oferecida uma peça que faltava no meu puzzle, e que parece encaixar na perfeição.

Foi isto que me aconteceu: livre de empecilhos recomecei o meu Caminho, estamos sempre a recomeçar, que bom! Fui até à Fnac comprar uns livros que há algum tempo tinha em mente para adquirir, sim porque tudo aquilo que aqui escrevo vem de estudos que faço em livros, não julguem que ando para aí a absorver o que os outros dizem e depois debito como se fosse meu. Apesar de já ter feito um curso de meditação, um de magia e outro de espargiria, não posso dizer que é daí que vem o meu conhecimento.

 Sempre fui autodidacta, começando por descobrir a verdade que havia em mim, como já expus noutro texto, depois comecei por estudar o tarot, mas sempre sozinha e desde então que não paro, pois o conhecimento é algo que considero importante. Mas tudo isto para dizer que aqui tudo é fruto de trabalho árduo, de estudo, de gestão do meu tempo com o dos que amo, de disciplina e de dedicação e que sempre que escrever algo de outra pessoa, a fonte será mencionada, sempre que utilizar palavras ou expressões de outra pessoa, também o direi. Aqui o que existe é humildade em aceitar as coisas que não sei e autoconfiança para assumir aquilo que sei.

Mas como estava a dizer, fui comprar um livro, decidida a trazer um da esotérica Helena Blavatsky, venho de lá com mais um de Haziel, ainda por cima sobre Angeologia!!! A razão para isto ter acontecido parece-me clara como deixei de me alimentar do conhecimento de outra pessoa, este livro veio-me direitinho para às mãos. Desta forma milagrosa, percebi que para mim e para o caminho que me propus a trilhar, é importante não manter um contacto tão próximo com outras pessoas esotéricas, pois poderei acabar por me castrar na minha vontade de Conhecer, ou que tenho de ficar alerta para esse tipo de situações, pois não é por causa de uma má experiência que vou abandonar os outros. Relembrei também que as verdades dos outros não têm de ser as minhas porque a minha capacidade de compreensão é única pois parte do somatório das minhas experiências que mais ninguém teve.

O bendito livro, Comunicar Com o Seu Anjo da Guarda, é extremamente interessante e nele descobri que temos à nossa disposição 5 dias por ano em que o contacto com o nosso Anjo da Guarda é mais forte do que habitualmente. Atenção, não quer dizer que nos outros dias do ano não seja, mas estes serão os dias exclusivamente dedicados a nós e ao nosso Anjo Pessoal.

Cada dia tem um anjo e consequentemente no nosso dia de nascimento obtemos o anjo que rege esse dia. Este Anjo é aquele que nos vai acompanhar toda a vida, pelo menos enquanto assim o desejarmos.
Haziel justifica estes 5 dias através de uma teoria sobre a multiplicação dos 72 anjos por cinco (os cinco dias) que dá um total de 360, ou seja, os graus existentes numa circunferência e, por conseguinte, na roda zodiacal. Obtendo assim uma divisão por signos e por dias do ano, faltam os tais cinco dias (365 é o total de dias num ano) que são os que o Anjo dedica ao seu Protegido. No outro dia falei do pentagrama e cá está ele outra vez representado pelos 5 dias de contacto com o nosso Anjo. Este pentagrama está sempre a evoluir na sua significação.

Descobri então sobre mim que tenho um Anjo que está disponível para me ajudar sempre mas que cinco vezes por ano posso contactá-lo que ele estará lá, mais forte que nunca! Fiquei muito feliz, pois apesar de sentir que tenho uma boa ligação com o meu Anjo, fico mais descansada por saber que o posso mimar e inundar de Amor num dia em que ele é só meu. (Reparem na necessidade de Posse, ai este Ego! Estou a brincar...)

Bom, depois disto registo aqui a Invocação aos seis Anjos de Carneiro, para me dar energia intensa e fortalecer o meu desejo de renovação, pois ainda há muita coisa para deitar para o lixo, pois o maldito coração está magoado mas a mente não o deixa carpir as mágoas, dilemas...

Invocação aos Anjos de Carneiro:



Anjos de Fogo, que iluminais sem queimar, ofereço-vos o meu canto, o meu louvor, ao mesmo tempo que me inclino para pedir a vossa ajuda.
Penetrai com as vossas Essências de Vontade intensa, pois desejo provar os frutos, maravilhosos, saborosos, de uma acção concertada.
Fazei-me encontrar a boa semente pois desejo, acima de tudo, ardentemente, semear, plantar, cultivar, para poder colher a mais bela ceifa: a paz e a prosperidade espiritual e material.
Ámen

Será escusado dizer que considero este livre importante para se ter, pois através dele poderemos chegar com alguma facilidade, pois Haziel escreve sempre muito fluidamente, ao nosso Anjo Tutelar.

Num dia de Vénus, do Arcanjo Anael e de São Fernando

quinta-feira, maio 29, 2008

O Anjo Tutelar

Hoje, um dia especial que dedico ao estudo, estava a ler o livro de Haziel Comunicar com o Seu Anjo da Guarda e deparei-me com uma parte que considero muito importante, por isso vou transcrevê-la para aqui para que facilmente a possa ler e reler sempre que me apetecer, para que se entranhe em mim e faça luz.

Segundo a Tradição Hermética, o Conhecimento esotérico (o conhecimento lógico e essencial sobre o real funcionamento do Mundo) é concedido pelos Anjos às pessoas emancipadas, capazes de agir por si mesmas, que não dependem de nenhuma seita, de nenhum dogmatismo. Antigamente, era necessário o Ensinamento de um Mestre; era preciso fazer parte de um grupo. Na verdade, avançava-se aparentemente muito depressa. É como quando se reúnem muitos carvões em brasa: o calor aumenta e a chama luminosa pode saltar, mas afinal, muito rapidamente, tudo fica reduzido a cinzas. Pelo contrário, o fogo de uma vela pode acender milhares de outras sem perder o seu brilho. É assim que a Chama Luminosa do Anjo da Guarda pode acender a nossa própria Luz. A parte elevada, espiritual, divina, de que somos portadores, deve tornar-se activa pela acção material, pelo estudo e pela Oração, pois é então que o Anjo da Guarda (tendo em vista os nossos actos/e as nossas orações) nos orienta para o sucesso espiritual e material.

Posto isto, ficou compreendido porque é tão importante manter um contacto directo com o nosso Anjo da Guarda, pois ele é acima de tudo o Mestre que insistentemente procuramos fora, mais uma vez me confronto com esta máxima: Não procures fora, aquilo que está dentro. O Homem é um Microcosmo (o que o pentagrama representa tão bem) e por isso é um espelho, um reflexo, de tudo o que existe no Macrocosmo. Assim, tudo aquilo que vejo no exterior é uma manifestação do que reside no meu interior.

Às vezes isto é difícil, pois faz-nos ver coisas que preferíamos não ver, por exemplo, quando encontramos alguém que não gostamos por isto ou por aquilo, esses defeitos estão inevitavelmente dentro de nós. O que me faz pensar, serei mentirosa? É que recentemente percebi que o que me estava a incomodar acima de tudo era a mentira, a falsidade, terei esses defeitos em mim?
Não me parece pois foi uma coisa que experimentei em pequena, os meus pais com as suas proibições fizeram-me mentir e quando cresci comecei a compreender a gravidade dessa atitude e por isso deixei de o fazer. Quando mentimos, não estamos só a quebrar o elo de confiança que estabelecemos com alguém, mas também, isto para mim é mais importante ainda, estamos a criar uma realidade paralela àquela que aconteceu. Quando eu verbalizo alguma situação estou a dar corpo aos meus pensamentos, estes são uma das partes iniciais da criação, por isso se eu mentir sobre alguma coisa estou a alterar a ordem correcta do Universo, posso ainda estar a criar um mundo paralelo onde isso aconteceu e que me poderá ser cobrado mais tarde. Esta matéria é um pouco complicada e um dia dissertarei mais sobre ela, o poder criador que o Homem tem e que tão mal utiliza.
Assim, não me parece que eu tenha esse defeito. Então, e porque as coisas nem sempre são tão lineares quanto isso, este reflexo serviu para afirmar ainda mais que aquilo que desejo é a Verdade, que dentro de mim não há mentiras e que o meu caminho é na sinceridade e honestidade, que não desejo criar outras realidades senão aquelas que atrai para mim.

Num dia de Júpiter, de Saquiel e de São Teodósio

Objectos para rituais

Esta semana andei a fazer varinhas mágicas e por isso lembrei-me de escrever sobre o objectos essenciais para realizar rituais. Ora cá vai!
Conforme já foi referido no texto sobre o pentagrama, os quatro elementos devem estar presentes em qualquer realização mágica, pois eles são os constituintes de toda a matéria que nos rodeia, sendo representados por objectos que se colocam nos pontos cardeais correspondentes. A saber:
a Varinha Mágica, representando o Ar, a Oriente; a Faca, representando o Fogo, a Sul; a Taça da Água, evidentemente representando esse elemento, a Ocidente e, por último, o Disco, representando a Terra, a Norte.
Em cada desses pontos cardeais temos os elementos e as Energia Divinas que os regem, assim: a Oriente o Arcanjo Rafael, a Sul o Arcanjo Miguel, a Ocidente o Arcanjo Gabriel e a Norte o Arcanjo Anael. Cada um merece um espaço especial e em breve sairão textos sobre cada um deles.
Contactar e compreender estes elementos e Entidades é fundamental para que os rituais adquiram cada vez mais força, mas também para que dentro de nós, o templo cósmico por excelência, crescam as suas qualidades e aos poucos seja cada vez menos necessário objectos à nossa volta, pois quanto maior compreensão das coisas tivermos menos necessidade de haver matéria física teremos.
Por agora foi o que me apeteceu escrever, já é tarde e amanhã tenho de me levantar cedinho pois as obrigações não perdoam, por acaso até nem é verdade, gosto muito do que faço e nem sempre é uma obrigação, aprendo muito com as crianças, estão sempre a chamar-me à atenção e não me deixam desviar um milímetro que seja, o que eu agradeço.

Num dia de Júpiter e do Arcanjo Saquiel, de São Máximo e de Santa Maria Madalena de Pazzi

quarta-feira, maio 28, 2008

As Fadas e os Elementais

Há uns tempos atrás foi-me parar às mãos um livro que se revelou bastante útil, As Forças Vivas da Natureza de Haziel, embora este autor seja mais conhecido pelos seus estudos e publicações sobre Angeologia, também tem livros editados sobre Cabala, Tarot, Astrologia, e sobre este belo tema que infelizmente cada vez mais está remetido para os contos de crianças como fazendo parte de um imaginário e não da realidade. O que de facto é uma pena, pois se conseguíssemos voltar a aprender a conectarmo-nos com esses nossos Irmãos teríamos direito a uma vida muito mais feliz, pois eles estão ao nosso serviço para nos ajudar a reconquistar a felicidade que merecemos, mas só se a mereceremos. Para tal deveremos ultrapassar o simples nível biológico e dar vida ao Espírito. Haziel diz-nos que:

(...) devemos aprender a conhecer e a discernir o verdadeiro, a admirar o belo, a respeitar e a praticar o bem, a bondade. Isto é a civilização: uma educação baseada na honestidade e na gentileza.

Isto para mim foi muito importante pois é aquilo que tento fazer todos os dias, sim tento pois às vezes cometemos erros e o que faço é pedir-me perdão, reconhecer o erro e tentar não voltar a cometê-lo.
Mas o que me levou a adquirir e ler este livro não tinha a ver com isso, eu andava a tentar fazer umas meditações e afirmações diárias para aprender a dominar as quatro energias constituintes do Planeta Terra a saber: a Terra, a Água, o Fogo e o Ar. Estas energias estão presentes em todo o lado e, claro, dentro de nós também, daí a importância de serem dominadas. Era “urgente” para mim aprender a controlá-las, a dominá-las para me dominar a mim, pois cada elemento está associado a uma parte de nós próprios, na mesma ordem que anteriormente: o corpo (Éter Químico), as partes líquidas (Éter Vital), a Vontade (Éter Luz) e o Espírito (Éter Reflector).

Aquilo que anteriormente expus veio como bónus, pois o que pretendia era apenas conhecer as Fadas e os Elementais que governam cada elemento. Este livro ensinou-me, ou relembrou-me (depende da perspectiva), que a Natureza está de facto viva e que sempre que desejar ela lá está para me dar respostas, materializando-se nas Fadas, Gnomos, Ondinas, Salamandras e Sílfides, basta que eu as queira ver. As Fadas são as regentes que se dividem em três categorias: Rainha, Princesa e Dama, sendo elas as responsáveis pela organização das coisas na Terra. Cada uma delas me poderá prestar serviço, para uma solução a curto prazo pedirei ajuda às Salamandras, regentes do Fogo; para uma solução a médio prazo, questões de alguma durabilidade, pedirei ajuda às Ondinas; para uma solução a longo prazo, um problema que se arraste há muito tempo e que a sua solução passe por levar algum tempo, pedirei ajuda às Sílfides, os Gnomos servem para me ajudar todos os dias, pedindo-lhes que me ordenem os átomos e me tornem saudável.
As Advocações às Forças Vivas da Natureza são orações muito fortes que, acreditem, nos ajudam a alcançar os nossos objectivos, por isso aconselho vivamente este livro, que se encontra escrito de uma forma bonita e acessível, mesmo a quem nunca antes tinha ouvido falar destas Forças e Poderes.
Acrescento ainda que podem ser utilizados no início dos Rituais, pois aprendi com o José Medeiros a no início de cada ritual fazer uma oração aos Elementais, que se encontram neste livro, e acreditem que é completamente diferente, pois a casa fica cheia, e se for no exterior ainda é mais impressionante.
Posto isto, desejo que os Gnomos vos sejam favoráveis, que as Ondinas vos purifiquem, que as Salamandras vos mantenham activos e que as Sílfides vos levem os Ventos das Vozes dos Mestres Antigos.
Deixo-vos com uma Oração às Fadas do Ar, que regem os nossos pensamentos de ordem prática:

Fadas mágicas, aladas é para vós que eu elevo a minha Advocação:
Insuflai em mim o Ar do Espírito (chamado em grego pleuma e em hebraico rhua) para que o saber, o conhecimento e a ciência penetrem em meu foro interior.
Fadas da inteligência prática, ajudai-me a gir, em todo o momento, em todo o lugar com bondade e com discernimento; utilmente com sabedoria.
Num dia de Mercúrio, do Arcanjo Rafael e de São Justo

O Pentagrama

O Pentagrama, também conhecido pela Estrela de Cinco Pontas, é desde sempre associado aos ritos, estando presente no centro do altar, mas afinal o que significa?
A simbologia do pentagrama é algo que considero difícil de descortinar, é uma das chaves que abre as Portas dos Planos Superiores, cujo seu acesso é difícil porque pode ter várias interpretações. Como sempre a riqueza dos símbolos é exactamente essa, a de se ir alterando conforme a nossa consciência e conhecimento vão despertando, as portas podem ser sempre as mesmas e as chaves também, tudo depende da perspectiva.
O pentagrama já foi estudado por muitos esotéricos famosos, que escreveram rios sobre o seu significado; contudo, para mim torna-se difícil de dizer o que é mesmo esse símbolo tão poderoso e enigmático, talvez porque ainda não saiba mais do que aquilo que ele simboliza no ritual. Tentarei aqui falar um pouco sobre o que neste momento sei, claro, tudo sobre a prespectiva dos Rituais.
O Pentagrama é uma chave que se utiliza nos Rituais para abrir as portas de acesso ao Plano Espiritual. Simboliza os quatro elementos unidos pela Vontade do Mago, estando cada um num vertice, começando da esquerda para a direita: Água, Fogo, Terra, Ar e o último, que está em cima, Espírito. O Espírito é a Vontade, a Intenção que o Mago coloca nos seus trabalhos, que dominando os elementos que constituem a parte física deste mundo, consegue ou não atingir os seus objectivos.

Existem dois pentagramas e normalmente aquele que está virado para baixo associa-se à Magia Negra, aquela que pretende lidar apenas com este Plano Denso e não se religa ao Plano do Espiritual. O que se encontra com a ponta virada para cima associa-se à Magia Branca. Vamos esclarecer que nada disto para mim faz sentido, isto é aquilo que normalmente se diz. Para mim a Magia é algo neutro e dependendo de quem a manipula teremos então essa diferença entre Mago que opera com as Forças e Poderes dos Planos Superiores ou o Mago que opera com as Forças e Poderes do Plano Denso. O Pentagrama permite-nos adquirir diversos resultados dependendo da orientação que se lhe dê.

Para mim faz mais sentido nomear cada um segundo essa orientação. Se o pretendermos utilizar numa perspectiva de evolução, colocá-lo-emos com o vértice para cima, mostrando que o Caminho é ascendente, que pretendemos estabelecer contacto e pedir a ajuda das Entidades Superiores. Todavia, poderemos querer fazer um percurso involutivo, preferindo manter um contacto com as Entidades de Baixo Astral, cujo seu objectivo é evoluir a qualquer custo, para tal basta colocá-lo com o vértice para baixo, mostrando que o Caminho é dirigido à parte densa, ao que está em baixo.
O Pentagrama pode ser também utilizado para outras evocações, como por exemplo do nosso Anjo da Guarda. Este símbolo é de facto poderosíssimo e quem o conhecer e dominar terá acesso a Planos que nunca antes imaginou existir. É por esta razão que ele se encontra sempre no centro do Altar, para abrir a porta da Comunicação.
Para melhor compreendermos o pentagrama devemos estudar os seus significados e depois fazer muitas meditações, separar o trigo do joio e criar o nosso próprio vocabulário sobre este símbolo, a nossa própria forma de comunicar com esta chave.

Num dia Mercúrio, do Arcanjo Rafael e de São Germano de Paris

terça-feira, maio 27, 2008

Teorias e Filosofias


A vida é uma viagem experimental, feita involuntariamente. É uma viagem do espírito através da matéria, e, como é o espírito que viaja, é nele que se vive. Há, por isso, almas contemplativas que têm vivido mais intensa, mais extensa, mais tumultuariamente do que outras que têm vivido externas. O resultado é tudo. O que se sentiu foi o que se viveu. Recolhe-se tão cansado de um sonho como de um trabalho visível. Nunca se viveu tanto como quando se pensou muito.


Bernardo Soares, in Livro do Desassossego

Esta reflexão do heterónimo de Fernando Pessoa fez-me sentir vontade de falar um pouco sobre as teorias, filosofias e princípios que regem a minha vida.
Desde muito cedo que senti que este mundo em que vivemos não poderia ser a totalidade, que era quase obrigatório que houvesse algo mais para além deste corpo físico. Sempre senti que dentro de mim havia uma essência que nada tinha a ver com apenas matéria.
Lembro-me que desde miúda os meus pais me achavam estranha, pois a minha forma de encarar a vida era completamente diferente das suas e à medida que fui crescente fui ficando cada vez mais estranha, mas nunca me impediram de ser quem sou e por isso estou-lhes eternamente grata.
A minha mãe é uma pessoa cheia de fé, mas nunca foi muito praticante, acredita em Deus, como uma força que está exterior e que sempre a pode ajudar. O meu pai, por sua vez, é um homem muito católico, com todos os dogmas bem aceites e inquestionáveis, apesar de não ser praticante. Desta junção nasci eu, uma pessoa que, como a minha mãe, tem uma grande fé numa entidade Criadora do Universo, mas que não sinto necessidade de lhe chamar Deus. Aquilo que diverge da minha mãe é que essa entidade para mim não está fora, mas dentro, essa entidade é aquilo que sempre senti desde criança que crescia dentro de mim, uma força e uma crença fora do normal. Do meu pai retirei a parte do rigor, do prestar homenagem e do sentir necessidade de me manter em contacto com essa parte divina.
Depois de compreender o que cada um me transmitiu, era a altura de criar o meu próprio diálogo com essa parte religiosa, religiosa no sentido de religar. Assim, surgiu uma pessoa que vive a vida da forma como a sente, interiormente, que deseja ardentemente conhecer a sua parte divina, pois eu sempre disse que sou um Ser Espiritual a viver uma experiência física.
O que quer isto dizer? Acredito, e por isso pode sempre ser questionado pois baseia-se em sentir e não em pensar, que Eu sou uma Energia que não é deste mundo, que todos somos Seres Espirituais que noutro espaço decidimos que precisávamos ainda de evoluir, de melhorar as nossas qualidades, e que por sermos essencialmente energia necessitávamos de "descer" a um mundo completamente físico onde pudéssemos ser colocados à prova e fazer as nossas aprendizagens. Ou seja, este Plano onde nos encontramos é como se fosse uma escola onde cada um está a tentar passar o ano, até atingir o grau que melhor lhe convir.
Por ter esta visão sobre o funcionamento do mundo, cedo me foi parar às mãos a Cabala, essa Escola que tão bem ensina sobre o Caminho que o Ser Divino deve percorrer para poder regressar de volta à Casa do Pai. Na Cabala encontrei a justificação para muitas das coisas que sentia e que não sabia bem de onde vinham, mas também não podia acreditar que era apenas eu a pensar dessa maneira. Depois, e aqui pode parecer que há contradições, acredito que apesar de termos traçado algum plano para esta vida, poderemos sempre fazer outras escolhas. Como por exemplo, quando saiu de manhã para ir para o trabalho, sei que há vários percursos que me podem levar até ao meu destino, independentemente daquele que eu escolher, vou parar o carro à frente do trabalho. Assim é também no caminho que defini. Se eu souber o que quero fazer, poderei sempre escolher a via que mais se adequa, a mais longa, a mais curta, a mais bonita, a mais deserta...enfim, as hipóteses são inúmeras, aquilo que podemos e temos de fazer são escolhas. Estas escolhas têm de ser conscientes, eu não posso deixar-me guiar seja pelo que for e conduzir a minha vida toda assim, pois no final do caminho somos sempre nós os responsáveis pelo que acontecer. Se no fim sou eu que vou prestar contas sobre o passar ou não de ano, então tenho de reger a minha vida de acordo com a minha consciência.
Ao longo do caminho, vamos tendo despertares e alguns sinais que nos podem colocar no caminho que decidimos.
As coincidências, esse tema tão batido, são para mim os sinais que o meu subconsciente envia para o exterior para me alertar sobre as escolhas que tenho de fazer. Quando me deparo com uma situação que considero uma coincidência, ou melhor sincronia, fico alerta para ver o que está a escapar à minha compreensão e o que devo aprender com isso. A sincronia, no meu ponto de vista, acontece quando não estamos muito centrados, sintonizados com o nosso Eu Interior, pois se isso acontece é porque não sei o que ando a fazer. Claro, que em tudo há excepções, mas sinceramente se eu souber o que quero e para onde quero ir, estou em contacto com o meu subconsciente e este não tem necessidade de me enviar recado por outro. Ora a jeito de comparação seria a mesma coisa que estar com uma pessoa todos os dias e depois saber notícias sobre ela através de outros, algo não estaria bem, certo?
Assim, no início do percurso temos imensos sinais exteriores mas depois a sua regularidade vai diminuindo, pois quanto mais em contacto estou menos necessidade tenho de ser alertada. Claro, temos aquelas confirmações, isto é, às vezes as ditas sincronias podem servir apenas para confirmar que estamos a fazer o correcto.
Há ainda uma quantidade de outras teorias, mas o texto já vai longo e falarei sobre isso numa segunda parte.

Num dia de Marte, do Arcanjo Samael e de São Agostinho da Cantuária

Júpiter em Capricórnio

Desde 18 de Dezembro de 2007 que estamos a passar por uma óptima conjuntura astrológica, pois o planeta da expansão, do crescimento, do optimismo, da sorte e da fortuna está no signo Capricórnio, o signo que exige resultados mesuráveis e que é bastante céptico em relação a conceitos não provados.
Portanto, isto fará com que as ideias fantásticas, que muitas vezes não nos levam a lugar algum, fazendo-nos andar a sonhar acordados, caiam por terra. O que poderemos então fazer para beneficiar deste aspecto astrológico, que rumo poderá a minha vida levar se eu tiver em conta este Júpiter em Capricórnio? Os projectos que foram planeados, programados e bem delimitados nos seus objectivos conseguirão encontrar o rumo certo. Terão de ter sido bem planeados pois esta é a característica mais forte que Capricórnio nos dá. A persistência, também uma das qualidades de Capricórnio, o que nos beneficia ainda mais, pode ajudar-nos a ultrapassar os obstáculos, sempre que estivermos esclarecidos sobre os nossos objectivos e os métodos para os atingir.
As nossas crenças, dado que a Júpiter também é associada a forma que temos de encarar a religião, poderão aqui ganhar terreno, isto é, deixarem de ser apenas ideias e opiniões para passarem a ter acções concretas a apoiá-las. A tendência para se ser menos egoísta também poderá ser enaltecida por esta conjuntura, fazendo com que os nossos códigos éticos tenham em perspectiva a comunidade e não apenas o indivíduo. Este aspecto chama-nos ainda a atenção para a atracção que se pode manifestar por líderes poderosos, onde o comportamento autocrático poderá ser justificável. Contudo, dar o nosso poder de decisão aos outros cegamente, torna-nos mais fracos colectivamente. Cada um de nós é um líder com uma perspectiva e sabedoria únicas que pode contribuir grandemente para o nosso bem-estar comum.

Júpiter ficará em Capricórnio até 5 de Janeiro de 2009, por isso ainda temos tempo de reajustar os planos feitos anteriormente. Vamos lá colocar os nossos projectos a funcionar, aproveitando a energia do Benfeitor Júpiter e o espírito pragmático de Capricórnio.

Todas as informações aqui fornecidas são baseadas em leituras que faço sobre astrologia, algumas partes já são reintrepetações minhas e por isso possíveis de estarem erradas, pois eu de astrologia sei muito pouco. Contudo, como o conhecimento destas conjunturas me tem ajudado a levar a minha vida a melhor porto, considero que é relevante colocá-las aqui, registá-las para que não me esqueça. Assim sendo, se virem que algo poderá estar mal interpretado, por favor digam, e desde já um muito obrigada por me enriquecerem.

Num dia de Marte, de Samael e de São Agostinho da Cantuária

segunda-feira, maio 26, 2008

Duras aprendizagens

Depois de ter estado várias semanas em meditação profunda sobre alguns acontecimentos da minha vida, eis que hoje parece ter sido possível encontrar a luz.
A Segunda-feira, dia de Lua, é sempre propícia para estas conclusões.
Ultimamente estive envolta de situações que me deixaram "deprimida" (não será este o melhor termo, mas é o que sai), fizeram com que a carta do Tarot A Lua se entranha-se em mim, fui assim envolvida por uma meia luz que não me permitia ver claramente o que se passava, pois a luz da lua serve apenas para revelar as partes misteriosos, o inconsciente das pessoas. Como sempre a solução é o mergulhar dentro de nós e, assim, através de um esforço pessoal, consegui que essa luz fosca da Lua se torna-se na luz brilhante e incandescente do Sol. Com a carta O Sol consegui trazer luz às trevas que me envolviam e todos as situações enubladas se dissiparam. Mas, inevitavelmente, depois destes dois estados surge O Julgamento - o juízo sobre as nossas atitudes. Com esta carta consegui compreender que nem sempre fui correcta, que tenho coisas que devo limar urgentemente, que estamos todos a fazer o nosso percurso e que todos erramos. Contudo, houve coisas às quais não consegui trazer luz, primeiro porque dependem de compreender as intenções dos outros e depois porque estão fora do meu controlo. Assim só me resta uma coisa a fazer, pedir perdão. Não quero pedir perdão aos outros pois isso seria estar a fugir do meu caminho, o perdão tem de começar por mim, tenho de me perdoar pelas atitudes que tive para poder ficar em paz comigo.
Quero pedir perdão por me ter permitido passar por coisas desnecessárias, coisas que me fizeram mal, pois poluiram o meu Ser Interior, claro que das duras aprendizagens saiem coisas boas, mas isso exige de mim muita energia e torna-se cansativo. Eu acredito que poderemos aprender as lições sem sofrer, não sinto necessidade de dor para me sentir viva.
Fazendo constantemente o exercício de que os outros são de alguma forma um espelho de mim, fui-me forçando a experimentar coisas diferentes, que normalmente não faria. Tentei agir de outra forma para não cometer os erros do passado, mas infelizmente o tiro saiu mesmo pela culatra e rebentou nos meus olhos, turvando a minha própria visão de mim mesma - o que é inaceitável.
Eu sou uma pessoa humilde, que tem consciência das suas capacidades mas também das suas limitações. Desejo ardentemente conhecer-me, saber quem sou para que conscientemente me possa dar aos outros. Sou uma pessoa que quando ama se entrega por completo, sem limitações, que não sabe ver os limites que separam o Amar do Desejar. Esta minha dificuldade, tem-me colocado desde sempre perante pessoas interessadas naquilo que lhes posso oferecer, ao invés daquilo que sou. Inicialmente tudo corre bem, as filosofias de vida são as mesmas, as partilhas são puras, a ligação fortalece-se. Contudo, com o desenrolar da vida, as coisas vão-se começando a revelar e os problemas das pessoas vêm ao de cima, todos temos os nossos problemas. Sou uma boa ouvinte, as pessoas à minha volta consideram-me sensata e por isso pedem a minha opinião sobre as suas dificuldades, contudo quando as coisas se mantém sempre na mesma, quando começo a ver que afinal a pessoa não quer ser ajudada ou não quer sair do marasmo em que se colocou, deixo de ser paciente e de ter sequer vontade de ouvir, quem me conhece sabe que isto é verdade. Quando isto acontece eu começo a sentir que a minha liberdade está em causa, e a liberdade do outro também pois quem sou eu para exigir que faça alguma coisa. Conforme já disse, eu sou humilde e apenas sei que nada sei, às vezes nem as respostas para a minha vida eu sei quanto mais para a dos outros. A minha resposta a esta situação é a fuga. Isto acontece-me frequentemente, todos os meus amigos e familiares sabem que eu não consigo lidar bem com isto, que sei perfeitamente que cada um decide o que fazer com a sua vida, mas a partir do momento em que me envolvo não desligo com facilidade, gasto a minha energia toda se for preciso a ajudar essa pessoa, mas quando me deparo com o facto de que sou só eu a fazê-lo, e como não sei lidar com isso, ausento-me.
Depois há outros problemas com os quais me deparo. Eu sou verdadeiramente apaixonada por aprender, por saber, por conhecer, mas acima de tudo por mim própria. Amo-me de tal forma que sou sempre verdadeira comigo e, como um primo meu costuma dizer em tom de brincadeira, sou fiel a mim própria. E isto parece que tem sido um problema, pois não sou facilmente dominada, posso me deixar iludir e manipular até um determinado ponto, mas quando decido que chega, chega. Esta confiança em mim, faz com que os outros me rotulem de indiferente, fria, egoísta...e por aí fora.
É então que chego à parte desejada de me pedir perdão. Desta vez eu fui longe demais, não ouvi os meus sensores, até isso eu deixei de lado, não me fui fiel. Permiti que através de críticas pisassem o meu Eu Interior e propus-me passar por situações que sabia que me poderiam magoar, para respeitar os sentimentos dos outros em vez dos meus próprios. Mas sinceramente deixei de me preocupar pois quem me conhece sabe que isso é mentira, e não se deixam levar pelas mentiras dos outros.
Deixei, e isto também tem acontecido com alguma regularidade, que as opiniões dos outros entrassem em mim e me fizessem questionar tudo, pois a humildade é uma qualidade mas em excesso é estupidez. Da primeira vez entraram num campo precioso da minha vida, o meu relacionamento amoroso, e desta vez entraram noutro, no meu Conhecimento de mim própria. Enfim, duras aprendizagens mesmo!
Por tudo isto eu me quero pedir perdão, quero afirmar aqui que não permitirei que isso volte a acontecer, que não colocarei os meus sentimentos em causa, que não me auto-mutilo mais pelas críticas e opiniões dos outros, que revelaram apenas que pretendiam subjugar a minha Vontade à sua.
Isto torna-se vital neste momento, pois tenho de aprender que a Amizade nada tem a ver com o caminho espiritual de cada um, e que não é por partilharmos afinidades espirituais que temos de ser amigos, ou porque as não partilhamos que não podemos ser amigos.
Enfim, espero que tenha sido desta vez que a lição esteja aprendida, não que me tenha custado a abandonar a situação, pelo menos isso ficou mais fácil, o que mais me custou foi a violentação de me ter ofuscado e permitido pisar.
Perdão! Peço também desculpa por ter de colocar estas coisas aqui, mas infelizmente sinto que preciso de libertar esta mágoa para que não se torne num sentimento menos bom!
Obrigada meu Anjo da Guarda por me teres acordado, por estares sempre comigo e por seres quem és.
Obrigada aos meus amigos, à minha Irmã e ao meu Amor por terem sido pacientes e me deixarem passar por isto sozinha, pois infelizmente há coisas que temos de aprender mesmo sozinhos.

Num dia que não é um dia, num tempo que não é um tempo

Mercúrio em Gémeos

Este texto está a ser recuperado de um outro espaço que se encontra encerrado, mas considerando que é importante e que é uma coisa feita por mim com Amor e dedicação, decidi publicá-lo aqui, reutilizando as aprendizagens antigas.

Ora, para dar continuidade à materia sobre Astrologia, essa Arte tão importante que nos ajuda a descobrir quem somos, de onde viemos e para onde vamos, aqui está mais uma conjuntura astrológica a acontecer.
Desde 2 de Maio e até 10 de Julho, Mercúrio, o planeta da comunicação, entrou num dos seus signos residentes, Gémeos (sendo o outro Balança), o que nos fará abrir as portas da mente para a flexibilidade, a clareza e a objectividade. Se a isto quisermos acrescentar o Ar fresco que Gémeos nos pode oferecer, qui ça, voltaremos a aprender a ser jovens outra vez, pois a curiosidade deste signo poder-nos-á levar a seguir esse caminho, interessante sem dúvida.
Gémeos é um signo que normalmente é caracterizado como difícil, pois a sua forma lógica e fria de se distanciar das situações emocionais complicadas, onde os seus sentimentos podem ser exaltados, leva os outros por vezes a catalogá-lo facilmente como insensível. Contudo, em todos os defeitos há sempre uma virtude, em toda a impureza há energia, e assim poderemos beneficiar com esta característica.

Consequentemente, parece-me que as comunicações vão ser muito mais favorecidas, o dom da palavra estará no ar, acessível a todos os que a quiserem aproveitar, por isso, se há conversas que devem ser guiadas pela razão e não pela emoção, será agora a melhor altura. Gémeos é ainda um signo muito curioso e interessado por tudo, o que nos pode dar um empurrão naquela actividade que há algum tempo queríamos experimentar mas não sabíamos como.

Todavia, não há bela sem senão, temos a questão da hiperactividade mental característica deste signo de Ar, se não tivermos cuidado com essa energia e, principalmente se não soubermos doseá-la com realismo, nos próximos meses poderemos ser impulsionados para diversas actividades e variadíssimos temas que no fim poderão não nos interessar.

Não obstante, um borbulhar de ideias pode ser sempre interessante, por isso é melhor apontá-las e ver quais sobram depois de uma semana, um mês, ou mais, poderá encontrar aí alguma coisa útil depois desta fase passar. Nesta fase, mantermo-nos no caminho que estipulámos poderá às vezes ser árduo, mas não vamos desistir, basta estar atento e reflectir se é aquilo que queremos ou não, escolher!

Uma última chamada de atenção, não nos vamos esquecer que este é o Deus que serve de ligação entre o Homem e o Divino, mas também é muitíssimo conhecido pelas suas traquinices e rasteiras, assim, cuidado, porque os factos nem sempre nos revelam sabedoria, não é por nós acharmos que as coisas são assim, que faz com elas sejam mesmo. É verdade que somos cocriadores da nossa realidade, mas quando se trata de situações com os outros eles também o são. Há que viver as coisas para que elas se entranhem em nós, passando assim a ser conhecimento de causa, cuidado com as partidas de Mercúrio!

A juntar a esta conjuntura temos Vénus que também entrou neste signo, e o Sol pois estamos em Gémeos neste momento. Assim, será uma altura para estarmos conscientes das dificuldades que este signo nos pode transmitir mas também das suas muitas qualidades.
Para a ilustar, escolhi esta imagem de um pintor, Josfra Bosschart, de propósito. Reparem na quantidade de símbolos que ela contém. Descubram-nos e partilhem-nos.

Num dia de Lua, do Arcanjo Gabriel e de São Filipe de Neri

domingo, maio 25, 2008

Melodia da Semana III

Ora cá está, mais uma semana que se inicia. Esta semana que se passou tivemos como sugestão uma música mais energética para nos dar pica para enfrentar a semana, no que me diz respeito funcionou, foi uma semana muito activa.
Para esta que começa proponho algo mais calmo e mais introspectivo, para que se possa fazer um mergulho dentro de mim, depois de momentos criativos é sempre importante termos uma pausa, desfrutar do que fizemos e recarregar as baterias.

All I Need de Radiohead (a minha banda preferida desde sempre), é a música que me vai acompanhar no mergulhar nas profundezas do meu ser esta semana, pois será contemplativa mas intensa, aquilo que preciso para entrar dentro dos meus arquivos mais remotos.

Claro, esta música é-me dedicada, a mim e ao meu Anjo!

Uma óptima semana para todos!
Que o Amor e Beleza estejam sempre entre nós!

Vénus em Gémeos

Ontem Vénus, o planeta do Amor e da Beleza, entrou em Gémeos, o signo da Comunicação por excelência, e aqui permanecerá até 18 de Junho.

Ora cá vou eu tentar compreender o que significa esta conjuntura astrológica, como me poderei sintonizar com ela e que aprendizagens quero retirar.
Nas questões amorosas poderei esperar expressar-me de forma mais correcta do que o normal, poderei também esperar que os ventos do Amor soprem em qualquer direcção tornando várias perspectivas possíveis. Tudo isto porque Gémeos me oferecerá uma perspectiva mais racional sobre os aspectos negativos das minhas relações, tornando possível afastar a emoção que por vezes distorce a realidade das situações. É mais fácil discutir questões relacionais se estivermos calmos e reflectidos e não de forma impulsiva e emocional.

Esta altura também vai ser óptima para recuperar alguns estudos que até aqui se revelara difíceis, pois Gémeos é regido por Mercúrio e é um signo de Ar, regido pelas Sílfides, as regentes do Saber e da Sabedoria. A grande manobra exigida é saber controlar a insatisfação de Gémeos, não me permitindo andar a saltar de actividade em actividade. Assim, parece-me que terei de manter um pulso firme na trajectória que definir nos meus estudos.
Vénus é o planeta que nos dá também a nossa relação com o prazer e estando aliado a Gémeos vão ser umas boas semanas sem dúvida. Se aproveitar toda a capacidade de voar e de me divertir que Gémeos me oferece, vou poder desfrutar de todas as diversões que estejam à minha disponibilidade, a questão será encarar essas diversões como isso mesmo e não como testes, pois senão poderei ficar desiludida comigo própria, pois poderei não chegar a terminar nada daquilo que começar.

Mas o melhor deste aspecto será sem dúvida a capacidade que me vai ser oferecida de colocar de lado todas as velhas regras sobre quem sou, do que gosto, do que não gosto, sendo-me possível escolher mais livremente quem quero ser. A vida é uma grande cornucópia de sabores e de diversidade que servem para me acordar, mas também para me confortar, assim, será uma excelente altura para me livrar de regras sociais e de estética também, pois Vénus também nos dá o sentido da Beleza.
O Amor, a Beleza, a Alegria, a Felicidade, o Conforto, todos esses conceitos sociais e estéticos serão reavaliados nesta fase que poderá ser tão proveitosa.

Ficam aqui então alguns dos aspectos que poderemos retirar desta conjuntura tão essencial, Vénus é um dos Planetas, para mim, mais importantes, que mais mexem com o nosso interior.

Num dia de Sol, do Arcanjo Miguel e de São Zenóbio

Encantamentos

Os encantamentos são mais uma das matérias que desejo falar, primeiro porque tudo o que me rodeia está envolto dessas correntes de encantamento e depois porque estive em contacto directo com alguém que o usava e nem se apercebia, pelo menos assim o espero.
Quando faço uma pesquisa pela Net rapidamente me apercebo que se compara o feitiço com o encantamento, talvez sejam ambos derivados da mesma, contudo para mim não representam a mesma coisa. A única coisa que os une é que ambos pertencem à magia, aquilo que os separa são as intenções, e isso em Magia é tudo!

Um feitiço é algo que é feito, realizado por um iniciado, alguém que sabe manipular a energia e por conseguinte realizar actos mágicos, que respeita as Leis. Um encantamento é feito por qualquer pessoa que não precisa de saber nada sobre magia, nem se ter iniciado, e que desconhece as Leis.
Assim, um iniciado na Arte nunca fará um encantamento, pois esse apenas servirá para iludir, enganar, encantar alguém ou algo. Um iniciado realizará feitiços para atrair para si protecção na saúde, no amor, no trabalho, em casa, enfim, em todo o lado, para que o seu Caminho seja limpo e a sua mente clareada.

É de extrema importância que esta diferença seja feita, pois um encantamento parece-me que é algo errado, será manipular energias no mau sentido, na dita magia negra; enquanto que os feitiços serão realizados com consciência de que só poderemos atrair o que nos estiver destinado e não mais. O encantamento acaba por iludir e criar uma realidade paralela àquela que seria desejada, um feitiço abre as portas da realidade que de alguma forma estava oculta.
Assim, neste espaço falaremos apenas de feitiços que se podem utilizar e jamais de encantamentos, mesmo que fossem para nos ajudar a livrar de inimigos, de situações desagradáveis.

Coloco aqui um que nos pode ajudar a abrir o chakra do plexo solar ou que nos pode despertar para a energia de Samael, recebendo assim força e coragem para enfrentar os obstáculos, pois não é contornando-os ou fingindo que eles não existem que conseguiremos fazer o nosso caminho, mas sim enfrentando-os.


Feitiço para Coragem e Confiança


Objectivo: invocar coragem, aumentar a auto-estima e a autoconfiança para lidar com situações difíceis.

Materiais necessários: uma opala (pedra preciosa), que pode ser num anel, fio ou só mesmo a pedra, e uma vela vermelha.

Método: Relaxe inspirando profunda e suavemente e ao expirar vigorosamente imagine todas as tensões e medos a saírem do seu corpo e da sua mente. Repita até se sentir calmo. Acenda a vela vermelha e fixe a sua chama. Pegue na pedra e segure-a com força, sinta a energia da pedra a sair das suas profundezas e a colocar dentro de si toda a coragem e força necessárias para lidar com a situação que tem em mente. Respire esta energia as vezes necessárias até se sentir plena de autoconfiança. Pegue na pedra e coloque-a perto da chama da vela, dizendo:
Forças cósmicas, acima e abaixo,
Venham em meu auxílio e ajudem-me a saber,
A encontrar, buscar, olhar para dentro,
Superar inseguranças que se alojam.
Peço-lhes que agora entrem nos meus sonhos
E realizem os meus desejos de auto-estima.
Que eu agora tenha coragem em tudo o que fizer.
Deixe o meu poder pessoal brilhar agora.
Focalize toda a sua atenção para a pedra e para a vela. Repita o feitiço mais duas vezes. Enquanto realiza este ritual, visualize-se a ficar cheio, repleto dessa energia vermelha de coragem e de acção, sinta o poder pessoal a crescer, a fortalecer. Sinta-se a ser uma pessoa corajosa e forte, determinada e segura.
Quando sentir que é suficiente, guarde a pedra no bolso, se for um anel ou fio coloque-o e apague a vela com os dedos, recolhendo a energia da chama (atenção, as velas nunca se devem apagar com o sopro, pois a vela é o elemento Fogo e o sopro o Ar, e são duas energia opostas, podendo desfazer tudo o que se criou antes). Guarde a vela e acenda-a sempre que precisar de reforçar essa energia.

Os rituais, mais uma vez volto a referir, devem ser feitos com uma intenção clara, objectiva. O que se pretende com este ritual é despertar as qualidades do Guerreiro Marte ou do Poderoso Samael e desenvolvê-las em nós, para nos guiar e ajudar neste Combate diário contra nós próprios, pois os medos e as dúvidas são criadas por nós e não pelos outros. São estes medos que nos tornam mais fracos e as dúvidas que nos afastam do caminho, por isso devem ser eliminados, enfrentados e dominados.

Num dia de Sol e do Arcanjo Miguel, de São Gregório e de São Urbano Papa

sábado, maio 24, 2008

A máxima do Mago

Existe um exercício que nos é transmitido no início do caminho, uma meditação sobre a máxima do mago.

Aprende a máxima do mago e medita sobre ela: ousar, querer, saber e calar.

É uma daquelas frases que durante toda a vida nos acompanha e vai mudando de significado assim como nós vamos mudando de visões. Esta máxima, ao longo do meu percurso, já sofreu várias interpretações. Como sempre vou escrevendo o que ela significa para mim. Então, hoje foi este o significado que consegui extrair desta frase chavão.

Ousar é ter coragem para mudar as circunstâncias, não ter medo, não ser hipócrita e ser responsável por todos os meus actos e pensamentos. Ousar é escolher e ser justa comigo própria nessa escolha, sabendo as minhas limitações. Ousar é o primeiro passo, aquele que temos de dar enquanto em frente ao precipício. É o passo da Fé.

Querer é acreditar em mim, é desejar sem medos, é ter essa coragem de desejar e de lutar pelos meus desejos. Querer é acreditar na abundância do Universo e não ter medo de viver. Querer é desejar, é a Vontade inicial que nos pode levar ao conhecimento de nós próprios.

Saber é conhecer-me a mim mesma antes de tudo, o que quero ser e fazer. Saber é também amar e fazer o bem, isto é, o que é certo para agir com honestidade e justiça. Saber é o conhecimento adquirido através da própria experiência e não da dos outros.

Calar é manter a boca fechada antes, durante e depois de agir. Calar é proteger a minha fé e convicções e respeitar os desejos alheios. Calar é deixar que a semente germine dentro de nós, é proteger o tesouro das mãos alheias, dos olhos cobiçosos e dos ávidos das vidas dos outros. Calar é fazer a energia perdurar dentro e não fora.

De todas as acções, a que me é mais difícil é sem dúvida o Calar. Claro, senão não tinha um blog onde escrevo e exponho tudo o que faço e pelo que passo. Mas este calar é mais do que isso, não é o simples contar o que se faz, é divulgar os Trabalhos da Arte que se realizam, estes devem sempre ser mantido em segredo, ou então, ter consciência da proporção em que me é permitido divulgar.
Atenção, isto não quer dizer que as pessoas nos possam querer mal e desejem desfazer o que fizemos, se bem que esses também os há. Não, este calar é mesmo apenas para não dispersar uma energia que semeamos dentro do nosso ser. Imagine-se isto desta forma, há uma semente pequena, onde a vamos plantar? Num vaso pequeno ou num grande? Claro que no grande a semente vai demorar mais tempo a desenvolver-se pois vai necessitar de mais força e energia para extrair da terra os seus alimentos, enquanto que no pequeno estará tudo mais concentrado. Como sempre, o essencial é viver as coisas, passar pelas situações de forma a que a informação transmitida possa passar a conhecimento. E foi o que me aconteceu, foi preciso as situações acontecerem, as pessoas certas aparecerem para desvendar o verdadeiro significado do Calar.

Por tudo isso agradeço às pessoas que me ajudaram a aprender, que me ajudaram a lidar melhor comigo própria, a me conhecer melhor e a definir o que realmente quero para a minha vida, a todas elas o meu obrigada.

Num dia de Saturno, do Arcanjo Cassiel e de São Simeão, o Jovem

Rituais

Hoje apetece-me divagar sobre os meus motivos para me encontrar no Caminho da Arte.
O que me leva a realizar rituais, o que me trazem esses rituais, o que me mudaram, o que me aconteceu desde que os iniciei?
Não faz muito tempo que tudo isto era apenas parte de um folclore enorme de criança, onde as bruxas e as fogueiras de meia-noite eram vistas como algo extinto, consignadas a um pequeno canto da minha imaginação. Um dia, engraçado como é sempre um dia, o Tarot (a minha grande paixão) abriu-me as portas à Cabala e, uns tempos depois, a Cabala abriu-me as portas à Arte. Quando comecei este caminho não sabia muito bem o que era, sabia que era bonito e que me sentia muito bem a fazê-lo e que também não me estava afazer mal, como uma das minhas leis é exactamente essa, desde que não me faça mal experimento tudo, continuei. Fiz a minha auto-iniciação e comecei a descobrir coisas novas.
Quando comecei a participar em rituais era apenas para me colocar em reverência perante os Criadores do Universo, o Pai/Mãe, oferecendo a minha energia de gratidão para que a Ordem do Cosmos fosse restabelecida. Mas, como sempre foi do meu génio ser curiosa, comecei a estudar e a descobrir mais sobre a Magia, fui estudando e percebendo que os Rituais de Consagração serviam também para me colocar em sintonia com essa Ordem Cósmica e que a minha energia não deveria apenas ser utilizada daquela forma mas também para me ajudar a mim própria.
Assim, os rituais ganharam um maior significado para mim e surgiu a decisão consciente de me iniciar neste caminho. Com estes foram surgindo outros, os ditos rituais menores, que servem para nos ajudar a limpar o Caminho, a dissipar as Trevas que se encerram em nós próprios e a clarear a mente para que nos tornemos nos co-criadores da nossa própria vida e por consequência do Universo.
Hoje, sinto que os rituais me ajudaram a descobrir realmente quem sou e quem quero ser, cada vez que me sento para preparar os materiais e coloco a minha criatividade canalizada para um único fim, sinto que o meu coração se abra em direcção à Consciência do Amor. Descobrir as minhas qualidades e capacidades e colocá-las todas ao serviço de um propósito, é uma das coisas mais interessantes que poderemos realizar nesta vida, ou noutras, claro! Os rituais fazem sentido sim, não para atingir algo mas para simplesmente comungar da Energia Cósmica e para me libertar desta densidade, tudo o que advém disso é natural, não forçado.

Num dia de Saturno, de Cassiel e de Santa Afra

A Lua



Tendo um blog dedicado à Arte, era quase uma incongruência não reservar um breve texto à Deusa que tanto acompanha as minhas tarefas – A Lua.
Não será necessário falar muito, pois todos a conhecemos, alguns melhor, outros pior mas o que verdadeiramente interessa é que a reconhecemos sempre, pois ela está lá no alto céu a acompanhar-nos enquanto o Sol mergulha nas Profundas Águas da Noite. Enquanto o pai se ausenta, ela vem e protege-nos.
A Lua, a Dama da Noite tem várias faces e, como todas as coisas que habitam o Universo, tem um lado negativo e outro positivo. O seu lado positivo é a lua em Crescente, que o mago/feiticeira utiliza para dar força aos seus trabalhos, para aumentar a energia das coisas, começa no terceiro dia da Lua Nova e termina com a Lua Cheia. Porém, o lado negativo também é utilizado pelo mago, pela feiticeira, pela bruxa, para diminuir o efeito de determinados trabalhos, para reduzir a energia de algo, esta fase vai desde o terceiro dia de Lua Cheia e termina com a Lua Nova. Tudo o que está presente no cosmos deve ser utilizado e por conseguinte até os lados negativos podem e devem ser utilizados, tudo dependerá da nossa capacidade de transmutar o mau em bom para nós.
Este processo pelo qual a Deusa passa e nos mostra todos os meses, é o seu processo de renovação, a sua capacidade de morrer e reviver a cada 28 dias. Ela é a Jovem, a Dama e a Anciã, tudo durante um único mês, e nós perdemos anos a pensar que nunca mais crescemos, e quando crescemos desejamos voltar a trás pois não queremos envelhecer, de facto ela há coisas bizarras.
Se há algo que deveremos aprender com ela é exactamente essa capacidade de morremos a cada dia que passa, para mais facilmente renascermos para algo melhor, mas também é ela que controla o nosso subconsciente, as nossas emoções, as nossas motivações e os nossos processos de pensamento, por isso será, com esta consciência, importantíssimo acompanhar os seus ciclos, saber quando posso beneficiar da sua energia e quando não posso, ou quando devo transmutá-la.
Por último, temos a Lua Cheia e a Lua Nova que são as outras duas fases da lua, ambas duram 3 dias e o segundo dia é quando expõem mais poder. A Lua Cheia é óptima para celebrarmos a vida que nos rodeia, homenageando os deuses e os nossos guardiães, pois a energia está no auge, atingindo o seu apogeu. A Lua Nova por sua vez é ideal para fazermos projectos, aproveitando a força que está a germinar dentro da Deusa, contudo um alerta para fazerem correctamente os cálculos, não vão apanhar a deusa Negra Lilith e sair o tiro pela culatra, mas sobre isso falaremos noutra altura.
Por ora é tudo, que a deusa vos seja favorável e que o seu brilho vos revele os seus segredos.

Num dia de Saturno, de Cassiel e de Nossa Senhora Auxiliadora

sexta-feira, maio 23, 2008

Círculo Mágico

Os rituais devem ser sempre iniciados pelo encerramento do Círculo Mágico e terminados com a sua abertura. O que é isto? Para que serve? Como se faz? São apenas algumas das perguntas que imediatamente nos invadem a cabeça.
Pouco ou nada sei sobre isso, pelo menos não tenho em mim informação retirada de livros ou de cursos ou de pessoas. Aquilo que sei parte da experiência que tenho em fazê-los e da intenção que coloco quando os crio.

Um círculo mágico é traçado com a varinha mágica, instrumento criado por nós para nos ajudar na realização dos Rituais. Elevamos a varinha acima da cabeça, apontando-a para Oriente, e visualizamos uma luz que sai da sua ponta. Quando esta luz estiver bem presente na nossa mente, começamos a traçar um círculo que vai encerrar o espaço onde iremos fazer os trabalhos da Arte, tudo lentamente, para que possamos ter a certeza de que está a ser correctamente executado. Este círculo inicia-se sempre a Oriente, passando pelo Sul, Ocidente, Norte e de volta ao Oriente, onde unimos as duas pontas desse fio de luz encerrando assim o círculo de protecção. O braço que tem a varinha faz esse percurso, mas o mais importante é mentalmente visualizarmos essa luz a percorrer esse espaço, pois a intenção é que um círculo de luz nos envolva para nos proteger.
Quando o círculo fica completo deveremos imaginar que a sua parte superior se vai estender para cima até um ponto no Universo, formando assim um cone. Do Universo invocamos a Entidade Criadora e as suas qualidades de Amor para que o ritual se cumpra segundo a Sua Vontade.
Assim que isto estiver concluído poderemos ter a certeza de que nada nos poderá atingir e que toda a energia por nós invocada permanecerá dentro desse círculo que criámos.
No fim do trabalho realizado deveremos proceder à abertura do círculo, fazendo da mesma forma que no encerramento, mas com o percurso inverso, isto é, começar no Oriente, passar por Norte, Ocidente, Sul e de volta a Oriente, recolhendo a luz que da primeira vez libertámos.

No caso de se realizar um ritual no exterior, este círculo deverá ser acompanhado de um físico, criado com a ajuda de pedras. A importância de criar um círculo real com as pedras é a de dar força física a uma intenção nossa, as pedras, símbolo da Terra, ajudar-nos-ão a manter a energia dentro desse espaço.

Num dia de Vénus, do Arcanjo Anael e de São Basílio

quinta-feira, maio 22, 2008

Oração de São Francisco de Assis

Quem me conhece achará esta mensagem algo bizarra, mas este Santo, que descobri recentemente, ganhou um significado tão grande que não posso evitar dedicar-lhe aqui um espaço especial.
Num daqueles dias em que me disponibilizei para estar com as pessoas que já não estão constantemente a caminhar comigo, mas que de todas as formas ainda fazem parte do meu Caminho, fui desperta por um transeunte. Este chamava-me vigorosamente para entrar na Igreja da Nossa Senhora dos Mártires em plena Baixa, uma capela que já há muito tempo conheço mas onde nunca me tinha disponibilizado para entrar.
Em verdade, o senhor não me chamava a mim, mas às senhoras que o acompanhavam e que seguiam à minha frente. Contudo achei aquela situação bizarra e fiquei alerta, eis senão quando, duas outras senhoras, que nada tinham a ver com a situação, confirmam que de facto eu deveria entrar, dizendo que realmente valia a pena ir ver a bendita Igreja.
Ora, isto era Sábado, dia de Cassiel, só poderia dar numa entrar directa aos meus arquivos pessoais.
A igreja é de facto muito bela, arquitectónica e energeticamente falando. É uma das mais antigas da Baixa, foi mandada construir por Dom Afonso Henriques dedicada aos cruzados franceses, ingleses e alemães (os benditos Mártires) que morreram na tomada de Lisboa aos Mouros em 1147. Depois do terramoto de 1755, foi reconstruída de raiz e a autoria do projecto é de Reinaldo Manuel dos Santos, conferindo à Igreja um estilo neo-barroco.
Quando entrei fui invadida por um sentimento de paz, coisa que raramente me acontece nas igrejas, bom, também é verdade que há muito tempo não entrava numa. Mas isso agora não interessa nada, continuando... Descobri algumas estátuas muito belas e um quadro em especial, o de São Francisco, que não reconheci. Foi a pessoa que me acompanhava que me esclareceu sobre a identidade de tal figura tão calma e bonita, mas acima de tudo tão familiar. Ao olhá-la foi como se estivesse a olhar para algo familiar que há muito não via, como quando acontece com aquelas pessoas que olhamos, sabemos que conhecemos mas não reconhecemos imediatamente de onde é. Quando regressei a casa, fiz uma pequena pesquisa na Internet (ah, esse lugar cheio de oportunidades) e fiquei a conhecer um pouco sobre a sua história, uma amiga também me deu umas dicas, acima de tudo alertou-me para o facto de haver dois. Depois de estar um pouco mais informada, era altura de meditar e ver o que de facto me estava o Universo a enviar para a minha vida. A identificação foi imediata, não que esteja a comparar o meu pequeno percurso com o seu, mas havia algumas coisas que me fizeram de facto ligar a este santo em particular. A sua dedicação à Natureza, fiquei a saber que foi o primeiro a se preocupar com as questões ecológicas, os sentimentos que ele pregava de amor e paz e, claro, também com a questão de termos materialmente o que nos é suficiente, pois nem a pobreza nem a riqueza são virtudes.
Foi assim que através de pessoas que nem conheço, descobri algo muito importante sobre mim própria, mostrando que de facto não estamos isolados e que todos fazemos parte do mesmo Caminho. Para completar esta situação, no dia antes de fazer um ritual de consagração do meu Guardião da Casa e o meu pessoal (a lua cheia de Maio é sempre ideal para consagrações), encontrei a caminho para o trabalho uma estatueta de São Francisco, fiquei felicíssima, pois normalmente estas estátuas não me agradam, mas esta era muito bonita, simples e calorosa.
Foi sem dúvida uma semana interessante. Por tudo isto, decidi colocar aqui a oração que lhe é dedicada, se bem que gosto mais da Oração da Paz que lhe é atribuída, mas cujo autor é anónimo.
Aqui ficam então as duas orações.

Oração a São Francisco de Assis

Glorioso São Francisco, Santo da simplicidade, do amor e da alegria.
No céu contemplais as perfeições infinitas de Deus.
Lançai sobre nós o vosso olhar cheio de bondade.
Socorrei-nos em nossas necessidades espirituais e corporais.
Rogai ao nosso Pai e Criador que nos conceda as graças que pedimos por vossa intercessão, vós que sempre fostes tão amigo dele.
E inflamai o nosso coração de amor sempre maior a Deus e aos nossos irmãos, principalmente os mais necessitados.
São Francisco de Assis, rogai por nós.


Ámen.


Oração da Paz atribuída ao Santo

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre,
Fazei que eu procure mais:
Consolar, que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
É perdoando que se é perdoado,
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

Ámen.

Num dia de Júpiter, de Saquiel e de Santa Helena

quarta-feira, maio 21, 2008

Conquista-me

Hoje sonhei com lilases
No teu corpo
Suspensos
Em mim
Na pele
corriam as cores
E na face
Um riso de jasmim
Hoje eu sonhei
que sonhava
e no sonho
dizia:
“Vem doce jardineiro
ao teu jardim”
Abro p’ra ti minha flor
Borboleta ousada entrando
Em mim
Suspendo sobre as casas
Minhas asas cheirando a alecrim
Banho-me em profundo mel
Carrocel de mãos alisando
Um corpo
Que o sonho
Diz meu
Sonho-te
e estás em mim
jardineiro e jardim
um ao outro deleitando
Banhando-te com as flores
Dos amores saindo de teu peito
Conquista-me
Contorna-me
Aprofunda-te
Em mim.
Apetece-me
Tua pele
Saboreio-te
Levemente
E és anis.

Risoleta Pedro


Num dia Mercúrio, de Rafael e de São Venâncio

O Amor

Hoje é dia de Vénus, e como uma amiga minha costuma dizer, é o dia do Amorzinho! O que me fez parar para pensar no verdadeiro significado desse termo tão vasto - o Amor.
Amor é uma palavra tão utilizada, mas que na maioria das vezes nem sabemos muito bem o que isso significa, ou melhor, temos definições que podem andar perto do que realmente é essa coisa tão vital para a nossa vida, sentimo-lo, apesar de não ser um sentimento. Sim, o Amor não é um sentimento, como sempre julgámos, pois os sentimentos existem dependendo de outra coisa e o Amor existe por si só. O Amor não se mede em termos de posse, não é possível dizer amo-te porque és minha mulher, meu filho, minha amiga, o Amor é omnipresente e por isso não pode estar preso a ninguém, nem a nada.
O Amor é algo que existe, sempre existiu e existirá sempre, independentemente de tudo.
O Mago tem como tarefa descobrir o Amor que reside dentro de si. Inicialmente começamos por o ver como uma pequena centelha que reside no nosso Coração, à medida que o vamos despertando, começa a aumentar e fica parecido com uma chama. Quando essa luz interior desperta nas suas capacidades plenas, a chama torna-se em fogueira que arde sem se ver, como disse Camões. Este Amor, quando desperto, faz nos ver o Mundo através dessa cadeia de ligação que nos une uns aos outros, faz-nos entender que somos de facto todos um, e que esse Um é o Amor.
Se houve alguma lição que Jesus nos deixou, para mim a mais importante de todas, foi exactamente esta, amai-vos uns aos outros. Quando nos Amarmos a nós próprios poderemos começar a amar os outros pois o Amor não está fora, mas dentro de nós.
Esta visão do amor foi-me incutida por uma pessoa maravilhosa que acompanhou o meu crescimento, disse-me sempre:

Enquanto não te amares a ti, não poderás amar mais ninguém.

Na altura a frase fazia pouco sentido, pois amar estava associado a gostar de alguém, mas agora que sou mais madura e que começo a compreender o Mundo, vejo que este Amar é o despertar de mim própria, é aquilo que vai possibilitar que eu me entregue aos outros na plenitude do meu ser.

Uma última reflexão é-me exigida, pois acho que durante grande parte da minha vida andei a enganar-me a mim própria. Sempre pensei que tinha de ajudar os outros, que a minha missão passaria por essa vertente, porém hoje, e cada vez mais, compreendo que isso era apenas fuga da minha vida. Como posso eu querer ajudar os outros se não me conheço a mim, que poderei eu dar se não sei do que sou capaz, que amor posso oferecer se não sei o que tenho dentro de mim? Poderei então dizer que colocar a minha descoberta interior acima de tudo e de todos não é um acto egoísta mas sim bastante altruísta, pois só depois de saber quem sou poderei dar e ajudar os outros plenamente, sem interesses ou arrogâncias.
Posto isto, é importante relembrar que não escrevo com a intenção de ajudar ninguém que não eu, que este blog serve apenas para medir os meus conhecimentos e a minha capacidade de expressão, que isto sirva para ajudar alguém será um efeito colateral.

Num dia de Vénus, do Arcanjo Anael e de São Pedro Celestino

Alquimia

Quando, pela Alquimia Espiritual, nos tornarmos como Cristo, o Senhor da Vida, seremos imortais, libertar-nos-emos do nosso pai Samael e da nossa mãe Eva e a morte não mais terá poder sobre nós.
Max Heindel, Freemasonry and Catholicism, 1919

Muito se tem dito e feito sobre esta Arte - Alquimia. Palavras como transmutação, casamento místico, purificação, estão-lhe directamente associadas. Contudo, parece-me que ainda pode haver em algumas mentes equivocadas quanto ao verdadeiro trabalho da Alquimia. Esta não é utilizada para transmutar metal em ouro, pois o material sobre o qual a Arte trabalha é o próprio Eu, e assim sendo, o metal serei Eu ainda impura que através de vários processos de limpeza me transformarei no meu Eu Crístico, ou o Ouro.

A Alquimia, como qualquer outra grande Arte, serve para me ajudar a melhor me conhecer e por conseguinte só terá os resultados que eu quiser que ela tenha, pois quanto maior for o empenho, tanto maior será a Obra.

Este assunto, como qualquer outro, é vasto e não será num pequeno parágrafo como este que tudo se dirá sobre esta Arte. O que aqui foi dito é apenas uma breve introdução, deixo-vos com a citação de Heindel para refectir.


Num dia de Mercúrio e do Arcanjo Rafael e de São Manços

terça-feira, maio 20, 2008

Hino a Pã

Vibra do cio subtil da luz,


Meu homem e afã
Vem turbulento da noite a flux
De Pã! Iô Pã!
Iô Pã! Iô Pã! Do mar de além
Vem da Sicília e da Arcádia vem!
Vem como Baco, com fauno e fera
A ninfa e sátiro à tua beira,
Num asno lácteo, do mar sem fim,
A mim, a mim!
Vem com Apolo, nupcial na brisa
(Pegureira e pitonisa),
Vem com Artémis, leve e estranha,
E a coxa branca, Deus lindo, banha
Ao luar do bosque, em marmóreo monte,
Manhã malhada da âmbrea fonte!
Mergulha o roxo da prece ardente
No ádito rubro, no laço quente,
A alma que aterra em olhos de azul
O ver errar teu capricho exul
No bosque enredo, nos nós que espalma
A árvore viva que é espírito e alma
E corpo e mente - do mar sem fim
(Iô Pã! Iô Pã!),
Diabo ou deus, vem a mim, a mim!
Meu homem e afã!
Vem com trombeta estridente e fina
Pela colina!
Vem com tambor a rufar à beira
Da Primavera!
Com frautas e avenas vem sem conto!
Não estou eu pronto?
Eu, que espero e me estorvo e luto
Com ar sem ramos onde não nutro
Meu corpo, lasso do abraço em vão,
Áspide aguda, forte leão
-Vem, está vazia
Minha carne, fria
Do cio sozinho da demonia.
À espada corta o que ata e dói,
Ó Tudo-Cria, Tudo-Destrói!
Dá-me o sinal do
Olho Aberto,
E da coxa áspera o toque ereto,
E a palavra do Louco e do
Secreto,
Ô Pá! Iô Pã!
Iô Pá! Iô Pã Pã! Pã! Pã! Pã,
Sou homem e afã:
Faze o teu querer sem vontade vã,
Deus grande! Meu Pã!
Iô Pã! Iô Pã! Despertei na dobra
Do aperto da cobra.
A águia rasga com garra e fauce;
Os deuses vão-se;
As feras vêm. Iô Pã! A matado,
Vou no corno levado
Do Unicornado.
Sou Pã! Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã!
Sou teu, teu homem e teu afã,
Cabra das tuas, ouro, deus, clara
Carne em teu osso, flor na tua vara.
Com patas de aço os rochedos roço
De solstício severo a equinócio.
E raivo, e rasgo, e roussando fremo,
Sempiterno, mundo sem termo,
Homem, homúnculo, ménade, afã,
Na força de Pã.
Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã! Iô Pã!
Mestre Therion


Num dia de Marte, do Arcanjo Samael e de São Bernardino de Sena

segunda-feira, maio 19, 2008

Fernando Pessoa e o Sol

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo.
Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Alberto Caeiro

Sempre adorei este poema do heterónimo de Fernando Pessoa e hoje percebo melhor porquê. Este poema para mim reflecte muito bem a lâmina do Tarot XIX- O Sol. Nesta carta a lição a retirar é que o mundo já não é um ensinamento, que depois de todas as provas o Herói pode finalmente desfrutar da alegria de viver, de um mundo interior pleno e calmo. Enquanto que na carta anterior, A Lua, o herói começava ligar-se ao seu Eu Interior aqui a ligação é completa. Esta carta mostra-nos que o objectivo da nossa viagem é o de nos voltarmos a religar com o Cosmos, limpando todas as ideias formatadas de divisão, de dualidade, de isolamento, para podermos finalmente aproveitar a vida como fazíamos quando éramos crianças naquelas tardes de sol típicas das férias, em que partíamos à aventura pelo simples facto de ser uma aventura e sem interesses no que poderíamos descobrir.
As duas crianças nesta carta mostram-nos exactamente isso, elas estão a brincar naturalmente por baixo do Sol, que as banha com a sua energia. O facto de termos aqui duas crianças não é obviamente um pormenor, mas sim um símbolo que nos pode ajudar a compreender parte da viagem.
A criança é o que nos liga ao nosso Eu, quem tiver o seu Jardim Secreto, o Jardim da Primavera, como eu lhe chamo, sabe perfeitamente como é a sua criança. Quando começamos a crescer, faz parte do processo começarmos a definir o nosso Ego, e à medida que o vamos fazendo, a criança vai-se ofuscando. Numa segunda fase da nossa vida, depois de termos colocado a nossa marca no exterior e dominado o Ego, voltamo-nos para dentro e partimos na busca da criança perdida, pois ela já existia antes e existirá depois de nos irmos, ela é e sempre será, por isso se torna fundamental que a reconheçamos.

Esta separação que é feita é extremamente importante pois é sempre necessário separar o corpo do espírito, compreendendo cada um separadamente, para depois em consciência poder voltar a uni-los. Só assim poderá surgir a harmonia do casamento místico dos opostos.

Quanto ao Sol, que dá o seu nome à carta, ele representa a esperança que temos na Ordem do Cosmos. Todas as noites nos despedimos dele, mas sabendo que de manhã quando acordarmos tudo estará em ordem, o Sol terá voltado da sua Viagem pelo Mar Nocturno e já estará alto no firmamento, irradiando a sua energia vital para que possamos crescer e viver.

Este astro foi e sempre será adorado pelo Ser Humano exactamente pela sua importância para a vida neste Planeta. Assim, esta carta pressupõe uma iluminação por parte do herói, mas como Buda disse:

Todos os seres nascem iluminados, mas é preciso uma vida inteira para descobri-lo.
O Sol traz-nos a luz ao pensamento e à vida, ele mostra-nos que nós deveremos ser o centro do nosso mundo e que com a presença do muro, que nos protege, mostra também que ele está dentro de nós e que poderemos sempre irradiar a nossa luz interior para o exterior, mas isso só poderá ser possível se soubermos bem quem somos.

Num dia de Lua, do Arcanjo Gabriel e de São Ivo

O Caminho e o Desapego

Há algum tempo atrás escrevi, noutro espaço, uns textos sobre o tema desapego. Hoje, e porque felizmente vamos crescendo interiormente, apeteceu-me divagar mais sobre esse tema tão importante e considerado nesta via esotérica como a base necessária para a nossa evolução aqui no Plano Manifestado.

Primeiramente convém expor o que é para mim uma via esotérica, o que é essa palavra Caminho tão utilizada e, por vezes, mal interpretada. A Via, o Caminho, é uma trajectória que conscientemente o Ser Humano, em determinado momento da sua vida, decide percorrer. Claro, que o verbo percorrer é uma acção, mas esta acção não é algo que se manifesta no exterior, esta acção é um movimento para o interior.
O Caminho é o percurso que Eu faço no conhecimento deste ser Espiritual a viver neste mundo Físico, mas que tem a ver única e exclusivamente com um mergulhar dentro de mim próprio, é o meio que encontro para cada dia que passa me conhecer melhor, para não chegar ao fim da minha vida e me sentir só, vazia, com falta de algo, independentemente de estar ou não rodeada de outras pessoas.

É aqui que entra esse tema tão mencionado O Desapego. O que significa? Tenho de me isolar dos outros? Viver separadamente? Ser independente e não ter relacionamentos? A todas estas perguntas a resposta é negativa.
O desapego é uma técnica simples de nos desligarmos emocional, mental e espiritualmente de pessoas ou situações, para que tudo o que estiver à nossa volta possa ser apenas com base em sentimentos verdadeiros de puro Amor Incondicional.

Quando vivemos, estamos, amamos ou sentimos com interesse em algo nunca poderemos crescer interiormente. Os relacionamentos com o exterior devem ser baseados em actos de vontade consciente, em sentimentos de desinteresse e não porque determinada situação me dá este ou aquele lucro, porque determinada pessoa me pode ajudar nisto ou naquilo. Estas relações têm de ser saudáveis, têm de ter por base apenas o desejo simples e a vontade de estar com esta ou aquela pessoa e não visando atingir com ela isto ou aquilo.
Quando as relações se manifestam num determinado nível de dependência a coisa não pode continuar por muito tempo, pois, não só nos estaremos a alimentar dessa energia pouco positiva para o nosso desenvolvimento pessoal, como também estaremos a contribuir para que a carga negativa que envolve o Planeta Terra aumente, dificultando ainda mais a evolução de todos os Seres Vivos.

Quantos empregos, relações afectivas, passatempos, entre outras coisas, temos que não estão a funcionar correctamente, que apenas nos desgastam e não nos deixam evoluir para um nível melhor de nós próprios. Quanta energia gastamos diariamente a desenvolver projectos que não nos estão a levar a lado nenhum, mas que por variadíssimas razões persistimos em levá-los até um fim. São nestas situações que deveremos utilizar a técnica do desapego, pois aí seremos confrontados com o tipo de ligação que temos com esse projecto. Se este tiver as suas bases bem assentes no Amor, nada acontecerá, mas se mantivermos uma dependência a nível, por exemplo, de identificação, assim que cortarmos o cordão amarelo, a nossa mente clarifica e percebemos imediatamente que aquilo já não faz sentido. O que nos leva então à parte final desta dissertação, o porquê de não termos apegos.

Não estar dependente de nada nem de ninguém, deixa-nos mais conscientes de quem somos, pois todas as decisões, escolhas, acções serão tomadas tendo em conta o percurso individual que cada um estipulou para si. Se por causa de um casamento eu fico impossibilitada de fazer o meu Caminho, não me estarei a condicionar e a desculpabilizar utilizando esse relacionamento? Se por causa de um curso feito que me dá determinada saída profissional eu me sentir miserável, mas insistir dizendo que é apenas aquilo que sei fazer, não estou apenas a camuflar o meu receio de abandonar algo e partir para uma situação desconhecida? Se por causa de um amigo me vou tornando em algo que não quero, mas em prol da amizade decido fazer concessões e afastar-me cada vez mais de mim, não deverei abandonar a amizade se ter medo do que os outros possam pensar de mim?
Enfim, serão tantas as situações em que nos deixamos levar pelos laços que quando paramos para nos olharmos no espelho poderemos não nos reconhecer. Contudo, e que isto vos fique bem claro, os relacionamentos são importantes e não somos uma ilha isolada dos outros, mas esses relacionamentos só podem fazer sentido se não tiverem outros interesses além do da evolução espiritual e do bem-estar de Todos.

Depois disto, deixo-vos uma meditação que recentemente me foi transmitida e que já utilizei e fez milagres.
É uma meditação para se fazer durante oito dias:

1º dia – visualizar que do umbigo sai um cordão feito de sete cordas das cores dos chakras (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, violeta e branco). Procurar o cordão vermelho e cortá-lo.
2º dia – visualizar novamente o cordão e ver o resto da corda vermelha que se manteve dentro de nós. Pegar nesse resto da corda e puxá-la suavemente, invocar uma fogueira de chama violeta onde se queima esse resto. Cortar a corda laranja.
3º dia - visualizar novamente o cordão e ver o resto da corda laranja que se manteve dentro de nós. Pegar nesse resto e puxá-la suavemente, invocar a fogueira de chama violeta e queimar a corda. Cortar a corda Amarela.
4º dia – proceder exactamente como no dia antes, mas retirando o resto da corda amarela e cortando a verde.
5º dia - proceder exactamente como no dia antes, mas retirando o resto da corda verde e cortando a azul.
6º dia - proceder exactamente como no dia antes, mas retirando o resto da corda azul e cortando a violeta.
7º dia – puxar e queimar o restante da corda violeta e cortar a corda branca.
8º dia – retirar o resto da corda branca e invocar a chama violeta que queima a corda e depois entra pelo umbigo e vai a cada buraco que ficou sarar as feridas. No fim poderemos visualizarmo-nos completamente envolvidos pela luz violeta.

William Merritt Chase

Acreditem que depois desta meditação apenas restará o que for melhor para vós e tudo o que for negativo será eliminado. Imaginem este exercício como uma peneira que filtra a areia do ouro. Esta minha partilha surge da minha própria experiência, onde vos posso dizer, com a maior sinceridade, que mantenho com os meus amigos e com a minha vida uma relação saudável de puro amor e dessinteresse. Para todos os meus Amigos eu sinto apenas Amor e Respeito. As relações que mantenho com pessoas que se dedicam ao Caminho de forma mais aberta, isto é, que se dizem esotéricas são coisas completamente diferentes, aqui tenho e continuo a ter problemas, pois é-me difícil aceitar destas pessoas incoerências, tenho de desenvolver a minha tolerância, eu sei! O problema nem está tanto aí, o problema está quando a bota não bate com a perdigota. Hum...é algo que tenho mesmo de aprender, mas que me está ser difícil. Se tu que estiveres a ler, tiveres algo que possas partilhar, agradeço, pois todas as ajudas neste campo serão bem-vindas.

Num dia da Energia da Lua, do Arcanjo Gabriel e da Santa Prudenciana
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