quinta-feira, julho 31, 2008

Ritual das Colheitas

Hoje é dia de festa!!!

Antes de começar a falar sobre o ritual em si, convém mais uma vez explanar um pouco sobre a origem dos rituais. Os rituais, apesar de serem dedicados ao Deus e à Deusa ou ao Pai e à Mãe, não deixam de ser pagãos, na medida em que se está a prestar homenagem a entidades que nada têm a ver com o Deus Único da Igreja.

Estes rituais, que através das Tradições Antigas chegaram até nós, são uma representação clara do que foi dito. Este, em particular, é dedicado ao Deus Sol, ao deus Lugh da tradição Celta, e à Mãe Terra, os celtas chamavam-lhes deusas do milho.

Em tempo antigos, a sobrevivência do homem dependia completamente da Natureza e obviamente que se respeitavam os ciclos naturais da Terra. Cada coisa acontecia em conformidade com esses ciclo e, por isso, era necessário homenagear e prestar culto aos deuses, para que estes lhes fossem favoráveis. Este ritual mantém ainda essa tradição, vamos ainda hoje prestar homenagem ao Deus por ter sido bondoso connosco, vamos também agradecer pela energia que nos enviou durante este Verão, pois o Deus está a perder o seu vigor. Por outro lado, vamos também agradecer à Mãe Terra por nos dar o solo para que tudo aconteça.

Pessoalmente vou agradecer ao Deus pela Luz que me deu durante estes meses, por ter emanado a sua Força sobre mim sempre que dela precisei, à Mãe agradeço-lhe a Firmeza e a Bondade de ter sido tão benévola e frutífera para mim.

Este ritual das colheitas simboliza ainda o início do período em que vamos poder verdadeiramente colher aquilo que andámos a semear antes. Este é o momento indicado para rever a nossa vida, pois vamos colher coisas boas e menos boas, mas a aprendizagem é feita assim mesmo, no bom e no mau. Hoje, por exemplo, fui obrigada a ouvir um homem no trânsito a insultar-me com um ódio tão grande que me deixou triste, eu não precisava ouvir aquilo, não precisava de ser insultada por um desconhecido, mas infelizmente aconteceu.
O que fiz? Antes de me deixar ir pelo sentido de Justiça e responder-lhe, inspirei fundo e percebi que aquele homem está no seu próprio caminho e só consegue ser assim. Eu, que julgo estar desperta para o outro mundo, não posso ser assim e, por isso, segui em frente no meu caminho e deixei-o ir à sua vida com um "Bom dia!" desejado do fundo do coração. As coisas más servem para aprendermos, seja no mais grave dos problemas como nas coisas insignificantes do dia-a-dia.
Deixo então o ritual que se deve realizar na noite de 31 de Julho para 1 de Agosto. Para o fazer precisam de uma vela branca, pão e vinho, além de todo o material normal nos rituais.
Depois de se fechar o círculo mágico e se fazer a abertura (invocação das entidades para protecção), acende-se a vela branca dentro da taça grande do fogo. Faz-se uma saudação para Oriente e diz-se:

Senhor da Luz, ao te ligares à Grande Mãe, fizeste girar a Grade Roda do Tempo, criando mais um ciclo de morte e de renascimento, germinando as sementes, produzindo vida em abundância e amadurecendo as colheitas.
Hoje é um dia grande, pois foi cumprido um ciclo que nos traz a plenitude da abundância e do conhecimento.

Coloca-se o pão sobre o pentagrama e com a mão direita por cima, a esquerda ao nível dos ombros com a palma virada para Oriente, para captar energia, diz-se:

Senhor da Luz, abençoa este alimento ritual, símbolo da morte e da ressurreição.
Partir um bocado de pão e dizer:
Como o pão da vida, para que se cumpra o ciclo anual. Com ele renascerá a luz do amor nos corações e serão abertas as Portas do Conhecimento.
Comer o pão e dizer:
Bendito seja o mistério da vida que existe em cada semente. Senhor da Luz, que a colheita seja abundante e o alimento do corpo seja suficiente para todos os homens.
Consagrar o vinho, da mesma forma que se fez para o pão. Dizer:
Senhor da Luz, abençoa este alimento ritual, símbolo da Espírito e da Conhecimento.

Beber um pouco de vinho e dizer:

Senhor da Luz, fizemos em nós o casamento místico do pão e do vinho. Que ele nos traga a tua bênção e nos auxilie a percorrer o Bom Caminho que conduz ao conhecimento.


Fazer uma meditação sobre o sentido da vida.

Terminar o ritual por agradecer às entidades convocadas, ritual de encerramento, e abrir o círculo mágico.
in, Rituais Antigos para um Mundo Novo – Manual de Magia de José Medeiros

O ano passado tive uma experiência única que foi maravilhosa. Como passei o dia inteiro em jejum, devido a uma má disposição enorme, quando comi o pão fui levada para searas e acompanhei todo o processo de criação do pão, desde a concepção da semente ao pão que estava na minha boca. Com o vinho a mesma coisa, foi mágico! Este ano, estou a tentar fazer outra vez jejum, para que o casamento alquímico seja mais perceptível. Amanhã talvez escreva algo sobre o ritual, talvez.

Num dia de Júpiter, de Saquiel e de Santo Inácio de Loyola

quarta-feira, julho 30, 2008

Saudosismo

Hoje apetece-me apenas falar do meu lugar preferido de todo o nosso país - Sintra.
Esta serra sempre foi um lugar mágico para mim, desde criança aliás. Se os meus pais me perguntassem onde queria ir, imediatamente ouviam como resposta Sintra, ou por vezes Mafra (ao pão com chouriço, claro!). Sempre disse que se tivesse possibilidades era aí que viveria, bem no coração da Serra, impossibilitada por questões financeiras, contento-me em ver a Serra da rotunda do meu bairro. Todas as noites quando passo na rotunda, sinto se a serra está calma ou agitada, olho e vejo a chave a recordar-me todos os votos feitos por mim e para mim, relembro-me do Caminho e da Magia. Descrever a Serra é algo vão, por muito que me conseguisse exprimir jamais igualaria os vários escritores de renome que o fizeram. Por isso deixo aqui três citações sobre o tema de três grandes referências pessoais, que a meu ver descrevem bem o mistério e a beleza que envolve a serra.
Isto faz-me pensar que estou a sentir uma certa ressaca, tenho de lá ir dar uma volta. Em verdade é algo que aconselho a todos, fazer qualquer um dos percursos pedestres assinalados é uma experiência única, não só espiritualmente como também fisicamente. O corpo entra de uma forma quotidiana e sai em sintonia com o Universo, a Serra é mesmo mágica, experimentem!

E, nas serras da Lua conhecidas
Subjuga a fria Sintra, o duro braço.
Sintra onde as Náiades escondidas
Nas fontes, vão fugindo ao doce laço:
Onde Amor as enreda brandamente,
Nas águas acendendo fogo ardente

Luís de Camões, Os Lusíadas (Canto III, estrofe 56)

[…] Todos os caminhos vão dar a Sintra. […] O viajante toma o que primeiro vem, desce os degraus irregulares que se embrenham na mata, as áleas profundas, e entra no reino do silêncio […]
José Saramago, in Viagem a Portugal

Quem nunca saiu de Lisboa viaja no infinito no carro até Benfica, e, se um dia vai a Sintra, sente que viajou até Marte.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego

Num dia de Mercúrio e de Rafael, de Santa Donatila e de Santa Máxima

terça-feira, julho 29, 2008

Carregar, encantar e conferir poder

Já tenho falado dos catalisadores que podemos e devemos utilizar nos rituais mágicos. Contudo, nunca é demais lembrar que esses mesmos catalisadores em si não tem poder até o mago lhes conferir o poder que deseja. Para que tal aconteça é necessário ter conhecimento de como o fazer e esta técnica faz parte daquelas básicas que o mago deve dominar, de forma a facilmente conseguir o que pretende.
Carregar, encantar ou conferir são sinónimos do mesmo acto, ou seja, todos eles significam o acto de passar o poder para o objecto para que este adquira as qualidades que o mago pretende. Vou apenas utilizar o verbo carregar para não fazer muita confusão.
Para carregar um objecto com poder basta agarrá-lo e através das mãos enviar-lhe toda a energia que se pretende. Esta acção deve ser realizada durante o maior tempo possível, o mago deve visualizar a energia a sair pelas mãos e a ser enviada para o objecto. Semanalmente pode-se realizar esta técnica, por exemplo, com cristais. Os cristais podem ser uns bons catalisadores que podemos utilizar diariamente para nos equilibrar, conferir força, autoconfiança, ou qualquer outra qualidade que necessitemos.
A técnica de carregar pode ainda ser realizada através do chakra de poder em vez das mãos. Coloca-se o objecto na nossa frente e depois de termos invocado a energia para o nosso chakra de poder, enviamo-la através do chakra de poder para o objecto.
Esta técnica é bastante simples, mas nem por isso menos importante. Quando utilizamos catalisadores num ritual, seja ele velas, pedras ou símbolos, estes devem ter a nossa energia e devemos carregá-los com o poder da intenção que pretendemos, acreditem que é completamente diferente comprar uma vela e colocá-la assim mesmo no altar do que carregá-la primeiro.

Num dia de Marte e de Samael, de Santa Marta e de Santa Beatriz

segunda-feira, julho 28, 2008

Rituais Egípcios

No último ritual que realizei apercebi-me de que não tinha ainda falado da cultura egípcia e considero isso uma falha enorme, mas há sempre tanto para falar que por vezes coisas mais pessoais ficam para trás. Assim é com este assunto. A cultura egípcia faz parte de mim, do meu passado, e por isso hoje apetece-me partilhar dois rituais simples que nos foram transmitidos pelos nossos Mestres Antigos.

Há dois aspectos muito importantes no nosso Caminho, aspectos que se se encontrarem em harmonia fazem com que o resto prossiga sem dificuldades, são a nossa auto-estima e a nossa situação profissional e material. Quando acreditamos em nós e temos as condições necessárias para realizar a Grande Obra, não há nada nem ninguém que nos possa parar. Contudo, por vezes, e num mundo cada vez mais em depressão económica, torna-se difícil de conseguir manter este equilíbrio. Se a profissão não estiver bem traz consigo a nossa auto-estima para baixo, assim torna-se necessário o conhecimento destes dois rituais que partilho para sempre que for necessário realizar.


Para aumentar a auto-estima vamos fazer um pedido ao deus Rá, o deus do sol, mas podem substituí-lo pelo deus Marte, Ares, ou qualquer outro a quem atribuam as qualidades de coragem, força e determinação. Pode aidna ser substituído pelo Arcanjo Miguel. Este ritual deve ser realizado ao ar livre, de dia de preferência, numa terça-feira ou domingo.
Num dia com a Lua em crescente, vá a um lugar calmo; leve consigo um espelho pequeno e um saquinho com pétalas de girassol. Ao chegar ao local, pense em todas as suas qualidades e, olhando para o espelho, diga:

Rá, que comandas o mundo e simbolizas o sol, envia-me poder, força e criatividade. Faz brilhar os meus talentos e elimina os meus pontos negativos.

Em seguida, jogue as pétalas sobre a sua cabeça e siga em frente sem olhar para trás. O espelho pode ser sempre utilizado, se bem que eu prefiro ter um espelho específico para os rituais e apenas o utilize nessas ocasiões.

Para se realizar material e profissionalmente vamos fazer um pedido ao deus Anúbis, apesar de ser considerado o deus dos mortos, ele foi em tempos associado a Hermes, é também o mediador entre o céu e a terra e por isso é-lhe dirigida esta prece. Pode ser substituído por outro qualquer deus que seja mensageiro e privilegie as negociações, como Mercúrio. Pode ainda ser substituído pelo Arcanjo Rafael. Este ritual deve ser realizado em casa, ou no local de trabalho. Vai precisar de um pouco de algodão, um punhado de areia e uma pirâmide pequena. Sobre uma mesinha coloque a pirâmide no centro, a areia à volta e o algodão na ponta da pirâmide. Imagine que tudo que deseja está a ser realizado, que se vai realizar com certeza e diga:

Anúbis! Dá-me sabedoria, senso de justiça e paciência.
A frase deve ser dita 3 vezes. Deite a areia e o algodão no lixo e use a pirâmide na mesinha ao lado da sua cama.

Depois dos rituais realizados é sempre necessário não nos esquecermos de acreditar naquilo que pedimos e sair para a rua fazendo com que os pedidos aconteçam, se precisa de emprego não pode ficar em casa à espera que lhe caia a oportunidade no colo, mas sair e procurá-la convencido de que vai acontecer.

Num dia de Lua e de Gabriel, de São Inocêncio e de São Vitor

domingo, julho 27, 2008

Melodia da Semana XII

Ora cá está mais uma semana que começa e com ela mais uma escolha de música. Tenho mantido algum padrão nessa escolha, sendo que a música da semana tem servido para me manter alerta de algo que pretendo conquistar na semana que se inicia. Hoje, contudo, apetece-me sair desse padrão, afinal as mudanças têm que ser implementadas.
Escolho esta música pelo simples facto de ser uma das que mais gosto, é sensual, envolvente, misteriosa e muito rica em movimentos. No fim de a ouvir durante uma semana inteira, vou ver que acontecimentos provocou em mim, deixando assim que a própria música me penetre e actue, ao invés de ser sempre eu a escolher a música com um determinado objectivo.
Aqui fica então a escolha I Was a Lover de TV on the Radio, mais uma banda fenomenal. Em palco criam um ambiente interessante e o seu cantor está sempre a enviar energia para a audiência, é de facto interessante vê-los ao vivo.
Enjoy!

Num dia de Sol e de Miguel, de São Pantaleão e de São Cunegundes

sábado, julho 26, 2008

Mudanças interiores

Esta semana foi intensa em todos os aspectos e nos últimos dias não tenho tido muito tempo para escrever, hoje recupero essa falta. Nunca pensei que me fosse fazer tanta falta ter tempo para divagar neste meu espacinho especial, às vezes somos assim surpreendidos.
As últimas semanas foram de facto muito intensas, vivi coisas de forma interior muito fortes, que me fizeram pensar, reflectir, meditar, sonhar, acreditar, e depois de tudo isso, crescer, mudar.
Uma das primeiras coisas que mudou em mim foi a forma de sentir e de pensar sobre as vidas passadas.
Nas semanas que se antecederam coloquei aqui uns textos sobre esse assunto e, na altura, afirmei que não tinha importância saber quem fui, mas sim quem sou nesta vida. Hoje, depois de muitos acontecimentos que se passaram, mudo a minha opinião. Até aqui, acreditava, pela minha experiência, que as Vidas Passadas não tinham interesse a não ser se revelassem dificuldades nesta vida, ou seja, se eu tivesse medos, dúvidas, impedimentos que não fossem justificáveis através desta vida. Porém, hoje compreendo que como sou mais do que este corpo, as minhas experiências de outros tempos, outros espaços, têm uma influência directa sobre quem actualmente posso ser. Compreender, ou trazer à luz da mente, as várias experiências que já vivi podem-me ajudar a definir melhor quem quero ser neste presente. Se o meu passado imediato influencia quem sou actualmente, como pode o mesmo não acontecer com o passado mais remoto. A minha essência esteve sempre lá, é essa essência que está a tentar evoluir e, por conseguinte, as suas vidas passadas mostram-me o seu caminho, podendo ajudar-me a compreender melhor qual a tarefa a que me destinei nesta vida. Assim, resta-me dizer “Que bom, eu não estagnar nas minhas certezas. Que bom é este desejo de me conhecer, pois ele é o meu motor de avanço. Que bom é eu nunca parar de me questionar e de questionar o mundo à minha volta, só na dúvida pode surgir a resposta para a próxima pergunta.” As restantes mudanças não podem ser qualificáveis ou quantificáveis, apenas sei que advieram de muitas experiências que ocorreram durante duas semanas. Uma dessas mudanças ocorreu da própria mudança de mentalidade que sofri ao compreender o assunto anterior, ao ter descoberto a porta que me dá acesso a esse mundo, tão difícil de encontrar, e ao seu Guardião.
Logicamente e seria ignóbil da minha parte, já para não dizer ingrato e falso, a mudança advém em grande parte do ritual de Sírio realizado na passada quarta-feira, numa hora de Mercúrio e com a Lua em Peixes. Este Ritual vincou ainda mais em mim o meu comprometimento em seguir este Caminho que eu própria escolhi, abrindo as vias que até agora poderiam estar encerradas por falta de visão própria ou fé.
A juntar a esta experiência veio o livro A Sacerdotisa de Avalon de Marion Zimmer Bradley e Diana L. Paxson, que me abriu uma janela dentro da minha alma e uma porta na minha mente, ajudando-me a aumentar a minha capacidade de compreensão sobre a evolução das Religiões.
Foram de facto duas semanas muito intensas, em viagens exteriores e interiores, mas na maioria das vezes não se precisa de sair de casa para se fazerem as maiores viagens.
Por toda esta evolução interior, obrigada!

Num dia de Saturno e de Cassiel, de Santa Ana e de São Rafael

sexta-feira, julho 25, 2008

Um dia fora do Tempo

Hoje não me apetece escrever sobre nada em particular, é um dia diferente para mim e não me apetece nada. Desejo apenas fazer referência a que no ano 306 o Imperador Romano do Ocidente, Constâncio Cloro, morre e o seu filho, Constantino I, é aclamado pelos militares de Imperador, tornando-se no homem que mudou a história religiosa do mundo. Enquanto que sua mãe Helena se transforma em Nobilíssima Dona.
Oitocentos e três anos depois, nasce em Portugal D. Afonso Henriques, mas tudo isto acontece depois de por volta de 44, o apóstolo São Tiago Maior, ter sido mandado decapitar pelo Rei da Judeia, Herodes Agripa.

Hoje celebra-se esse apóstolo e o seu martírio.

Num dia de Vénus e de Anael.

quinta-feira, julho 24, 2008

Reflectindo com Pessoa(s)

Hoje tenho de marcar este dia, em que não é um dia dentro do tempo segundo os Maias, e fazer a referência a esse grande poeta e pensador, místico e educador que é Fernando Pessoa. Esta situação fez parte da reflexão do fim da página de ontem. Por a achar bela copiei para a postar numa outra oportunidade, mas depois de umas revelações, percebi que foi por mais do que apenas a achar bela que a desejei publicar.
Aqui fica então como marco da sintonia em que me encontro com o Universo e os seus participantes, mas também, e acima de tudo, com o meu mestre. No fim, a cereja no topo do bolo. Um dia feliz!

O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.
Fernando Pessoa

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

Ricardo Reis

Num dia de Júpiter e de Saquiel, de Santa Cristina e São Boris

quarta-feira, julho 23, 2008

Ritual de Sírio


Sírio é a estrela mais brilhante no céu nocturno e pode ser vista por toda a Terra. Não será de estranhar que os antigos egípcios gostassem de a homenagear e criaram santuários de propósito para que a luz desta estrela pudesse entrar quando o sol se começa a levantar.
Sírio é símbolo da luz interior que um iniciado deve manter acesa durante todo o seu percurso e o ritual que se realiza neste dia tem como objectivo pedir à Grande Deus e ao Deus que favoreçam o crescimento espiritual. Pessoalmente deveremos aproveitar para definir o caminho para a Grande Obra e neste dia especial em que termina o ano, segundo o calendário lunar dos Maias.

Para realizar o ritual que se encontra em Rituais Antigos para um Mundo Novo – Manual de Magia de José Medeiros, necessitámos de três fitas de 40 cm, uma vermelha, uma branca e uma preta, uma vara, uma vela branca e incenso de mirra.
Depois de abrirmos o círculo mágico e de realizarmos o ritual de abertura, amarramos as três fitas na ponta da vara. Acendemos a vela e queimamos o incenso. Dizer:

- Que esta luz seja o símbolo da minha luz interior, que procura o meu caminho espiritual.

Traçamos as três fitas enquanto meditamos sobre o caminho espiritual e a transmutação interior. Fazemos uma oração pedindo ajuda para a realização dos três caminhos paralelos: o do Amor, do Poder e da Sabedoria.

- Não sucumbirei ao desejo antes de me purificar e o purificar na luz da Razão e na força do Amor.

- Não sucumbirei à Razão sem a temperar com o fogo do entusiasmo e a ternura do sentimento.

- Não sucumbirei ao sentimento se não for capaz de activar a chama do crescimento, a compreensão mental do que possa simplificar e a aprendizagem que possa representar.

- Que as forças sagradas da Grande Mãe me auxiliem a dominar a paixão, os sentimentos incontrolados e me conduza no Bom Caminho.

Amarrar as três fitas, no fim da trança. Separar, em seguida, a trança da vara, atando-as igualmente.
Realizar o ritual de encerramento e abrir o círculo mágico.

A trança que se realiza deverá ser pendurada num lugar visível para nos relembrar dos votos que fizemos e do compromisso de percorrer um caminho espiritual.

Num dia de Mercúrio e de Rafael, de São Apolinário e de São Libório

terça-feira, julho 22, 2008

A Sacerdotisa de Avalon

Ando a ler um livro, ou melhor dizendo, a devorar um livro que ofereci a uma amiga e que agora ela mo emprestou. Como não poderia deixar de ser, e porque o livro me diz muito em termos pessoais, decidi deixar aqui algumas passagens para mais tarde recordar.
Esta passagem tem a ver com a iniciação de Helen, em latim, Eilan, o seu nome em Avalon.

Vieram buscar-me à hora tranquila após a meia-noite, quando apenas aquelas que faziam a vigília à Deusa estavam acordadas. (...)
– Não tentes ver – disseram-me ao ouvido, num sussurro severo. - Os teus pés seguem o caminho de um futuro que não podes conhecer. Deves percorrer este caminho sem olhar para trás para a tua infância, confiando na sabedoria daqueles que já o percorreram, para que te guiem. Compreendes? (...)
– Nua vieste ao mundo – disse a mesma voz áspera que falara antes. - Nua terás de fazer a passagem para a tua nova vida. (...)

– Chegaste ao templo da Grande Deusa. Para que saibas, ela toma tantas formas quantas toma a feminilidade, e, no entanto, é singular e
suprema. Ela é eterna e imutável, e, no entanto, apresenta-se-nos com uma forma diferente em cada estação. É virgem, para sempre intocada e pura. É Mãe, a Fonte de tudo. Ela é a antiga Sabedoria que perdura para além do túmulo. Eilan, filha de Rian, estás pronta para aceitá-la em todas as Suas formas? (...)
– Assim seja... – foi o murmúrio de assentimento de todo o círculo, e senti que começava a descontrair-me. (...)
– Eu sou a flor que desabrocha do ramo – disse a Donzela (...) – Eu sou o crescente que coroa o céu. Eu sou a luz do Sol que cintila na onda e a brisa que arqueia as ervas novas. Homem algum jamais Me possuiu, e todavia sou o fim de todos os desejos. Eu sou a Caçadora e a Sabedoria Sagrada. Espírito da Inspiração e Senhora das Flores. Olha para a água e nela verás o meu rosto espelhado, porque Me pertences...
– Eu sou o fruto que cresce nos ramos. Eu sou a Lua cheia que governa o céu [diz a Dama]... Eu sou o Sol em todo o seu esplendor, e o vento quente que amadurece o grão. Entrego-me na altura e na estação própria, e produzo Abundância. Eu sou a Amante e Mãe, dou à luz e devoro, Eu sou a amante e a amada, e um dia pertencer-Me-ás... (...)
– Eu sou a noz que pende do ramo sem folhas [diz a Mulher Sábia] (...) Eu sou o quarto minguante, cuja foice colhe as estrelas. Eu sou o Sol quando está no poente, e o vento frio que prenuncia as trevas. Estou madura de anos e de sabedoria; vejo todos os segredos para além do véu. Eu sou a Bruxa e Rainha das Colheitas, Feiticeira e Sábia, e um dia tu hás-de pertencer-Me... (...)
– Que a água que é o sangue da Senhora te purifique - ergueram-se um murmúrio de vozes, enquanto as outras jovens as imitavam - Que a água arraste consigo todas as manchas. Que dissolva tudo o que oculta o teu verdadeiro eu. Mantém-te imóvel e deixa a água acariciar o teu corpo, porque da água que é o ventre da Deusa estás a renascer. (...)
– Ergue-te agora; Eilan, purificada e brilhante, revelada em toda a tua beleza. Ergue-te e toma o teu lugar entre nós, Donzela de Avalon!
Esta é uma das descrições de iniciações mais lindas que já li. Obviamente que é romanceada e que está elevada ao máximo, mas não deixa de ser possível de realizar e de se tornar ainda mais bela.

Num dia de Marte, de Samael e de Santa Maria Madalena

segunda-feira, julho 21, 2008

Reencontro com as Origens...

Este fim-de-semana estive longe do meu lar, mas senti-me quase como se estivesse mais perto de mim mesma. Andei fora a fazer uma escapadinha e por causa de um concerto acabei por ir parar a Guimarães, ao berço da nossa Nação.
Em verdade creio nunca lá ter estado antes apesar de os meus pés parecerem reconhecer aquela terra como sempre lá estivessem. Não dá muito bem para explicar a turbilhão de sensações e emoções que esta cidade me provocou, mas de uma coisa eu tenho a certeza, algo dentro de mim mudou profundamente.
A noite de recepção não poderia ter começado melhor e a cidade disse-me, à sua maneira, para eu me preparar para tudo o que ela me iria mostrar, para preparar o meu corpo físico para deixar a magia entrar em mim.
No sábado bem pela manhã subi à Penha e deixei-me guiar pelas subidas, descidas, desvios, círculos, transversais de caminhos possíveis por aquela terra forte e aromática. Em cada desvio havia uma gruta à nossa espera, mas foi na do Santo Elias que o mais inesperado aconteceu, algo que ainda hoje olhando para as fotos não consigo desvendar. Caminhando o caminho fui sempre encontrando novidades e umas atrás das outras as situações foram acontecendo, todas elas imprimindo em mim uma ligeira mudança de consciência.Na cidade os pés indicavam o caminho como se soubessem onde pretendiam ir e facilmente todos os pontos a ver foram encontrados, por vielas fui encontrando alguns mestres com algumas mensagens, mas a verdadeira descoberta seria feita na Igreja de São Francisco que apenas se encontrava aberta para um casamento. Quando o casamento saiu aproveitámos para entrar por um pouco, o sacristão, um senhor amável, deu-nos ainda um brinde, abriu-nos as portas da sacristia. É impossível descrever a energia daquele lugar, a quantidade de riqueza que ali se encontrava enclausurada, mas o mais estranho foi a fonte de água que ali se encontrava, uma água pura e cristalina que corria para uma concha, não fosse a modernização de lhe colocar uma torneira. O que aqui se passou é pura e simplesmente indescritível.
A noite foi passada nos Passos do Concelho com bons amigos, boa comida, bom vinho e boa conversa.No domingo aproveitámos e fomos ao Paço dos Duques e mais uma vez nos deixámos deslumbrar por tanta força energética e simplicidade ao mesmo tempo. O quarto das armas foi onde mais me senti puxada pelo plexo sacro, algo ali me indicava lembranças remotas de outra vida e outro tempo. Mas o caminho continuou e seguimos para o Campo da Ataca, só em Portugal se poderia encontrar algo assim. Uma fabulosa obra de arte no meio de campos agrícolas, a representar uma das batalhas de que deram origem a Portugal!
Estar no castelo foi uma experiência também única, subir à Torre, que serviu de prisão durante grande parte da nossa história, foi fácil, o difícil foi descer! Mas tudo se consegue.
Este fim-de-semana terminou com um banho purificador nas águas de Peniche, algo que era necessário para poder continuar o caminho, pois as recordações que vieram comigo foram tantas que se não me banhasse jamais conseguiria largar o que vivi.

Num dia de Lua e de Gabriel, de São Praxedes e de São Daniel

domingo, julho 20, 2008

Melodia da Semana XI

Esta semana a escolha é mais do que óbvia.
Depois de ter tido a oportunidade de assistir a The National no berço da nossa Nação, num cenário mais lindo do que seria possível imaginar, seria impossível não escolher uma música desta bela banda. Depois de passar a arcada do Centro Cultural Vila Flor, nada me indicava o espectáculo de cenário com que me iria deparar. A lua bem alta estava no seu máximo, à minha direita o Castelo e a atrás o santuário iluminado da Penha, era tudo tão belo e quase onírico que não pude deixar de me descalçar e estar em união e gratidão com a Mãe.
Quando a banda chegou e começou a fazer a sua magia, os Elementais foram chamados. Primeiro surgiram os gnomos ao som da bateria, forte e bem marcada, rodearam o palco e estavam muito contentes com a festa. As Sílfides não resistiram quando o violino rebentou numa explosão de sons e emoções, e invadiram o espaço com uma brisa quente deixando o público ainda mais a sentir-se em casa. As Salamandras e as Ondinas surgiram da mistura dos sons da voz do cantor, já sob o efeito do álcool e das guitarras, dos aplausos do público e de todo os bons sentimentos que emanámos. Foi um momento único em que a comunhão dos intervenientes permitiu que a magia acontecesse.

Fake Empire do álbum Boxer é a música que me vai ajudar a lembrar os momentos passados neste fim-de-semana fora do normal, onde recarreguei as baterias como nunca, onde me foi permitido fundir com a Natureza que permitiu a este pequeno, mas grande País que adoro, começar.

Num dia de Sol e de Miguel, de São Elias e de Santa Margarida

sábado, julho 19, 2008

Um sonho em Avalon

Dois poemas que reflectem o meu estado de alma, a minha busca do momento. Os Dois poemas foram encontrados na Net mas a única referência a um autor é Riversong, que eu desconheço. Os poemas, porém são fantásticos!
Amei!

Dream

I walk along halls made of mirrors and glass,
Down staircases that are impossibly twined,
Searching for something that I may have lost;
Something I know it's important I find.
Windows I gaze through show only reflections,
I tread on the ceiling, I glide through the walls.
Not a sound do I hear but the sound of my passing;
The corridors echo my silent footfalls.
I press on relentlessly, endlessly, knowing
The goal of my quest to be nearly at hand
Through an Escher-like madhouse of half-finished thoughts
That seemingly has no beginning or end
I wake in the morning to see the sun rising
The memory fading as quick as the moon
'Til all I recall is the vaguest impression
That I had awakened too soon.



The Road To Avalon


"Can you tell me the way to Avalon?"
If you've the strength and will to reach it, child.
I searched once for that land in eons gone;
The way is hard to find, the path grown wild.

If you traverse the Road to Anywhere
On through the Wood of Dreams, then you will see
The end of all you've ever known, and there
The moonbeam bridge that spans the midnight sea.

If still you seek to reach the Misty Isle
Set foot upon that arch and do not stray
Nor pause to rest, but carry on awhile
To where enchanted twilight meets the day.

But here I failed Avalon to find:
Take heed; as you go, never look behind.
Num dia de Saturno e de Cassiel, de Santa Justa e de Santa Rufina

sexta-feira, julho 18, 2008

Invocar e enviar Poder Mágico

Para começar é necessário definir o que é o Poder Mágico, só sabendo do que se está a falar se poderá invocar e enviar. O Poder Mágico é a energia que Mago invoca e molda para seu uso, para os seus objectivos.

Conseguir invocar o Poder Mágico é de uma utilidade extrema para o Mago, seja em que momento for, eu por exemplo invoco o Poder Mágico do meu Nome quando me sinto a ser atacada e impossibilitada de reagir ou quando estou a precisar de me concentrar em alguma coisa. Mas quando nos referimos a invocar a energia para questões de rituais estamos simplesmente a relembrar que tudo neste Universo é constituído por energia, moléculas.

Quando o Mago pretende invocar as energias de algo à sua volta apenas está a aumentar o campo vibratório do objecto. Por exemplo, quando utilizamos catalisadores durante um ritual temos a consciência de que esse objecto não tem poder em si, é apenas quando o mago invoca o poder que lhe conferiu antes do ritual que este poderá ajudá-lo no seu trabalho.

Então, invocar energia é simples, basta aceitar que tudo tem um campo vibracional e com essa consciência aumentar a vibração e utilizar a energia que se produziu. Depois de invocar essa energia o Mago deve concentrá-la no seu chakra de poder, ou num sítio dentro de si. Ao centralizar a energia o Mago está a moldar essa energia com a sua e dessa forma a aumentar o seu poder.

Depois de centralizar a energia, devemos visualizá-la a sair em direcção ao objectivo pretendido. Eu visualizo a energia a sair pelo meu chakra, mas há quem o veja a acontecer através dos seus dedos de poder, ou da varinha mágica. Mais uma vez, o que interessa não é por onde a energia sai, mas sair. É sempre aconselhável realizar um gesto que acompanhe uma intenção, mesmo se a Magia actua no plano astral, em primeiro lugar estamos a realizá-la no plano físico e é por isso importante que se aja de acordo com o que se pretende.
Quando se treina esta técnica devemos no fim ter em atenção se o nosso nível energético ficou equilibrado, pois pode acontecer que ao expulsar a energia se faça em excesso, mas nada que a prática não resolva.
Esta técnica deverá ser praticada pelo menos duas vezes por semana, de forma a ser melhor dominada. Quando o Mago tiver esta técnica dominada, poderá com rapidez invocar e enviar o poder mágico a seu bel-prazer.

Num dia de Vénus e de Anael, de Santa Marinha e de São Frederico

quinta-feira, julho 17, 2008

Vidas Passadas

Nestes últimos dias tem-me vindo a ser dado observar e reflectir sobre uma questão pertinente. Na passada semana, através de uma conversa com um amigo, fui desperta para o tema dos arquivos e de aceder a vidas passadas. Na sexta fiquei a pensar sobre a meditação de ir aos arquivos e a sua importância e por isso a publiquei no sábado.
Na segunda, durante mais conversa interessante sobre estes temas, percebo que a questão ainda está activa e uma colega diz-me que sabe desde criança qual a sua vida passada anterior. Pela sua experiência ela compreende alguns dos medos que nesta vida tem e está a conseguir ultrapassá-los. A forma como o está a fazer não foi possível ser partilhada, dado a quantidade de pessoas envolvidas na conversa o tema foi levado para outro lado.
Contudo, acredito que talvez não fosse assim tão importante perceber isso, pois ontem numa conversa, são sempre muito produtivas estas conversas, acabei por perceber que o melhor será criar um ritual específico para aceder às vidas passadas e compreender o que houver para compreender.
Mas ainda não acabou por aqui, hoje telefona-me outra amiga e depois de muito tempo ao telefone é-me sugerido ler o livro, que eu própria lhe ofereci, pois a recordação da vida passada que eu lhe conto fá-la lembrar a sacerdotisa de Avalon.
É verdade, há muito tempo atrás numa meditação guiada, surgiu-me uma recordação da minha vida anterior. Pouca coisa consegui ver, se bem se lembram, já vos disse que eu gosto pouco de ir aos Arquivos, acho inútil saber quem fui noutras vidas, acreditado que o importante é saber o que sou nesta. Todavia, acontece que eu tenho uma questão para resolver e sei perfeitamente, ou seja, sei no meu coração que isto não vem desta vida, mas de vidas passadas, não de uma mas de muitas. Lá está, é tão forte nesta vida por ter sido uma prova de outras vidas não superada, mas esta vez estou pronta para a enfrentar.
Assim, tornou-se importante para mim ir aos meus Arquivos, com a intenção de ver esta questão apenas. Como estava a dizer, nessa vida eu vi-me, enquanto essência, é claro, a chegar a uma ilha de noite no meio da bruma. Sai do barco e fui por túneis até uma torre, subi as escadas e comecei à pressa a arrumar os livros antigos (grimoires), mas fui surpreendida por uns homens que me vinham prender. Não consegui ver mais nada.
Muito tempo depois, em conversa com uma amiga, é mesmo importante partilharmos as coisas com os outros, eles às vezes ajudam-nos a encontrar a resposta, recebi informações que me ajudaram a contextualizar essa visão no tempo de Avalon, mais propriamente falando, com Morgana. É óbvio que não ando para aí a pensar que fui a Morgana, mas compreendi que no Caminho da Magia que escolhi fazer, que noutras vidas já fiz, tenho de manter em mente o Arquétipo que ela representa, que tenho em mim as suas capacidades e que posso desenvolver as suas qualidades.
Enquanto escrevi estas linhas e pensava na amiga que me ajudou a encontrar esta porta, veio-me à cabeça as últimas coisas por que passámos juntas. Percebo agora que há de facto algo a compreender sobre uma vida passada com ela, não tenho qualquer ideia sobre o que será mas sei que temos umas visões de uma vida passada que se aproximam, que ela pode ser o cavaleiro com as notícias que chega a casa e eu posso ser a mulher que ela vê a subir as escadas. É por isto que eu não gosto de ir aos Arquivos, uma pessoa fica um pouco confusa com tanta informação.
Depois de tanta coisa a acontecer a mostrar-me que é o momento para ir aos Arquivos e trazer luz às visões que eu já conheço, só me resta trabalhar um ritual para o fazer.
Porquê um ritual? Simplesmente porque nesse espaço sagrado as minhas meditações são mais profundas, ou melhor dizendo, o meu ego entra menos em conflito. Tudo o que se passa dentro de um círculo sagrado é sagrado e por isso não há espaço para dúvidas, medos ou egos mal comportados.

Que assim seja!
Num dia de Júpiter, de Saquiel e de Santo Aleixo

quarta-feira, julho 16, 2008

arte de inventar personagens


Pomo-nos bem de pé, com os braços muito abertos
e olhos fitos na linha do horizonte
Depois chamamo-los docemente pelos seus nomes
e os personagens aparecem

in manual de prestidigitação, Mário Cesariny

Cesariny é sempre uma lufada de ar diferente para mim e hoje surpreende-me outra vez. O seu poema nada mais é do que uma técnica para contactar com os Anjos.
Em cabala é ensinada uma técnica para contactar com os pontos cardeais de um círculo mágico que começa exactamente por nos colocarmos em pé, de braços bem abertos e a fitar o horizonte do ponto cardeal que pretendemos. Oriente, veremos e contactaremos com Rafael, Sul com Miguel, Ocidente com Gabriel e Norte com Uriel. Basta de facto chamá-los e as personagens aparecem.
Que lindo!

Num dia de Mercúrio e de Rafael, de Nossa Senhora do Carmo e de São Sisenando

terça-feira, julho 15, 2008

Feitiço para protecção

Todos nós ao longo da vida vamos sentindo que há momentos em que precisamos mais de atenção dos nossos protectores, ora por estarmos mais cansados e por isso nos tornamos mais vulneráveis, ora por simplesmente não conseguirmos compreender as coisas à nossa volta.
Todos sabem que há jóias que podemos utilizar como símbolos de protecção, quem não recebeu em bebé um cordão de ouro com uma medalhinha ou uma figa? Quem não utiliza um anel como símbolo de uma união? Quem não tem uma determinada cor, roupa, pedra, que utiliza quando se sente mais frágil? Todos, ao certo, têm uma forma de se sentirem protegidos e é precisamente sobre isso que hoje me apetece escrever.
Há um tempo atrás comprei uma medalha com uma simbologia que me diz muito e consagrei-a num ritual a uma determinada entidade para ser protegida. Desde aí que todos os dias uso essa medalha, mas com o passar do tempo fui sentindo que era necessário recarregá-la de energia, mas o ritual que eu fazia para a consagração não fazia sentido, visto ela já se encontrar consagrada. O que eu precisava era de um ritual onde conseguisse recarregar as energias do amuleto.
Foi assim que surgiu um feitiço na minha vida, que todos os dias de limpeza da casa faço para reforçar os meus amuletos. Então uma vez por mês, aquando da limpeza espiritual da casa, faço o seguinte:
Em frente ao altar pego no amuleto com a mão esquerda e na taça da água, depois de ter sido consagrada com o sal, vou deitando água sobre o amuleto enquanto digo:




Elementos da Terra e da Água

Retornem àquele triplicado

O que me enviou

A menos que eu tenha chamado

Estou, a partir deste dia, protegida

Pelos espíritos da força e do poder.

Depois disto limpo o amuleto com um pano branco e limpo, seguro-o nas mãos durante um tempo enquanto falo com a entidade a quem o consagrei, renovando as intenções de protecção.

Para mim fazer isto uma vez por mês é suficiente mas pode-se fazer sempre que se achar necessário, à noite sempre com lua em crescente ou cheia.

Apetece-me ainda deixar uma citação de um dos Santos do Dia.

Não basta a leitura sem a unção, não basta a especulação sem a devoção, não basta a pesquisa sem maravilhar-se; não basta a circunspecção sem o júbilo, o trabalho sem a piedade, a ciência sem a caridade, a inteligência sem a humildade, o estudo sem a graça.
São Boaventura

Num dia de Marte e de Samael, de São Henrique Imperador e de São Vladimiro

segunda-feira, julho 14, 2008

Centralizar e Equilibrar

Dando continuidade ao texto sobre as técnicas básicas que um mago deve dominar para realizar magia, chegamos ao centralizar e equilibrar a energia à nossa volta, outras duas técnicas bastante essenciais no Caminho da Magia.

Nunca é demais explicar que para manipular a energia à nossa disposição, o Mago necessita de estar em perfeito equilíbrio, pois as melhores práticas de magia surgem da capacidade de absorver a energia à volta e homogeneizá-la com a sua. Para que tal seja possível, os nossos centros energéticos devem estar em perfeito equilíbrio, onde o fluxo da energia vital não é parado.

As definições destas duas técnicas são simples, equilibrar significa ter os centros energéticos abertos e em pleno funcionamento, para que possamos ser um veículo perfeito de energia mágica, e centralizar significa mobilizar a nossa consciência ou centro de poder, para um determinado ponto dentro de nós.
Estas duas técnicas são vitais no processo de realização de rituais, para quem já os realiza percebe a sua importância. É exigido ao sacerdote, durante um trabalho mágico, que seja um canal de comunicação entre os participantes e o divino, mas também que saiba direccionar a energia invocada, antes, durante e depois. Assim, torna-se evidente a necessidade, no caminho da arte, de dominar a técnica de centralizar a energia.

Porém, é necessário fazer uma chamada de atenção, nunca se pode centralizar sem antes equilibrar. O nunca é um pouco forte, mas o que pretendo dizer é que para uma boa centralização ocorrer é obrigatório que o corpo esteja equilibrado. Se houver um bloqueio, uma carência em determinado chakra, a energia invocada para ser centralizada e enviada para o objectivo, acaba por ficar retida dentro de nós, impossibilitando que esta siga o caminho a que foi destinada.

Para equilibrar os chakras costumo utilizar uma técnica que serve também para limpar a aura. Imaginem um arco-íris à vossa frente e entrem nele. Primeiro sintam a energia que vos rodeia, a sua densidade, o seu calor, a sua cor, o seu cheiro. Depois inspirem essa energia com todo o vosso corpo, visualizando a sua cor a ser absorvida por todos os vossos poros. Por último, vejam o vosso chakra a abrir e ficar iluminado pelo brilho da sua cor, vejam-no no tamanho correcto (que varia de pessoa para pessoa), a rodar para o lado correcto (de acordo com a marcha do ponteiro do relógio se colocado sobre vós), com uma velocidade agradável. Não se esqueçam que os chakras são um vórtice de energia e devem rodar para a direita com alguma velocidade, se assim não acontecer é porque estão desequilibrados, mas atenção estes aspectos mudam de pessoa para pessoa, por isso é vital que conheçam bem os vossos chakras. Repitam o procedimento anterior para cada chakra, começando obviamente no vermelho e terminando no branco. Quando terminarem, registem todas as impressões que sentiram.

Para centralizar costumo fazer um exercício de relaxamento através da inspiração. Inspiro e expiro durante alguns minutos pausadamente, sinto os meus chakras a abrir plenamente e levo a minha respiração ao ponto que desejo, normalmente ao meu chakra de poder. Ai centro toda a minha atenção nesse chakra, sinto-o a rodar mais rapidamente e aumentar o seu tamanho. Quando sinto que tenho a energia centralizada nesse ponto, envio-a para o objectivo que pretendo. A centralização serve como veículo de envio de energia, que noutro dia falarei mais aprofundadamente, devendo terminar com a visualização da energia a sair do chakra e a deixá-lo de forma correcta, ou seja, sem mais nem menos energia do que a necessária.

Se a intenção for apenas praticar esta técnica, o envio da energia pode ser feito para o centro da Terra, de forma ajudá-la a curar as suas inúmeras feridas, ou para algum dos vossos projectos ou desejos.
Esta técnica, bem como a da visualização, deverá ser feita com regularidade não necessitando de ser diariamente, mas pelo menos três vezes por semana. Dominar estas duas técnicas é meio caminho para a eficácia dos nossos trabalhos de magia.

Num dia de Lua, de Gabriel e de S. Boaventura

domingo, julho 13, 2008

Melodia da Semana X

Depois de um fim-de-semana revitalizante no campo, onde houve tempo e disponibilidade para conversas, filmes, muitos bons filmes, músicas e reflexões, desejo começar esta semana fazendo uma homenagem a um dos filmes da minha vida, Magnolia do grande Paul Thomas Anderson.
A escolha foi difícil pois a banda sonora é riquíssima, sendo cada faixa melhor do que a outra, mas pensando que a música iria servir como preparação para uma semana de decisões e de provas inevitáveis, a tarefa acabou por ser mais fácil.

Save Me de Aimee Mann é a música desta semana, uma mensagem que envio ao meu subconsciente e ao Universo, esperando que tudo corra bem.

Num dia de Sol e de Miguel, de São Anacleto e de São Turiano

sábado, julho 12, 2008

Meditação para Aceder aos Arquivos Pessoais

Hoje dia de Saturno e de Cassiel é óptimo para meditar e ir aos nossos Arquivos. Assim, decidi partilhar a meditação que costumo utilizar para poder aceder ao meu Livro Pessoal e fiquei com mais vontade ainda por ter descoberto o vídeo de ontem e por causa de uma conversa com um amigo.

Vamos criar o nosso espaço pessoal propício para fazermos uma viagem a um tempo que não é um tempo e, por isso, pode ser preciso muito tempo ou não, estejam disponíveis para o que tiver de ser.
Comecem por escolher um lugar onde não possam ser incomodados, onde se sintam confortáveis. Vejam se têm perto tudo o que possam precisar, como uma manta se tiverem frio, uma almofada para as costas, um incenso de mirra, música relaxante, a luz adequada, enfim, tudo o que necessitam para que o vosso Subconsciente se prepare para relaxar e poder falar convosco. É muito importante que façam o início de uma meditação um ritual, pois a vossa mente ao ver-vos fazer esses gestos fica imediatamente preparada para o estado de meditação. Se conseguirem juntar a este estado um gesto que apenas utilizem para meditar, será melhor ainda, pois estejam em que sítio estiverem, bastará fazer o sinal e conseguem alterar a vossa consciência. Somos uns animais de hábitos, façamos uso de isso!
Antes da meditação em si, fique um tempo com os olhos no vago. Inspire e expire da forma que mais lhe convir e comece a procurar identificar o espaço que está à sua volta. Sinta a cada ciclo completo de respiração ficar mais relaxado, mais leve. Demore o tempo necessário nesta fase para aclamar a sua mente, no mínimo é aconselhável 10 minutos.
Quando se sentir pronto, feche os olhos e visualize uma bolha de luz branca a descer do céu. Esta bolha vai cair suavemente sobre si e envolvê-lo com a sua luz branca de protecção. A partir de aqui poderá começar a fazer o seu exercício de energização, ficando descansado que se encontra protegido. Se ainda não tiver um exercício de energização, posso sugerir um muito simples. Visualize um tubo de luz branca a descer do céu e a envolvê-lo completamente. Essa luz vai entrar em todo o seu corpo, purificando-o, libertando todos os esquemas de pensamentos e atitudes negativos. Quando sentir ou vir que os seus chakras estão limpos, alinhados e abertos, pode seguir para a meditação.

Veja-se num espaço que lhe agrade, numa bela paisagem. Observe tudo o que tiver para observar, veja tudo o que estiver a acontecer. De repente surge uma pequena nuvem e pára ao pé de si. Suba para a nuvem e deixe-a levar ao seu templo cósmico. Quando lá chegar, desça da nuvem e agradeça a viagem, se tiver outra forma de ir para o seu templo, não se sinta obrigado a utilizar esta.
Veja o seu templo: as duas colunas à entrada e a porta, os degraus e todos os outros pormenores que possam haver. Entre no templo e dirija-se ao altar. Procure à sua volta uma entrada, um alçapão, uma porta secreta, uma janela, enfim, algo que o possa levar para outro lado. Se não encontrar peça ajuda ao seu eu Superior, ao seu Anjo da Guarda, ao seu Mestre, enfim, a quem quiser e com quem se sentir melhor.
Quando encontrar a entrada desça as escadas que estavam ocultas. É importante que as escadas sejam a descer, pois estamos a ir aos nossos Arquivos, ao nosso Chakra Akashico.
Quando chegar ao fim das escadas veja a enorme biblioteca que se estende à sua frente, explore-a. Atenção não mexer em nada! Quando se sentir pronto peça pelo seu livro pessoal e apenas o seu livro.
Se sentir vontade leia-o. De trás para a frente, veja nessas páginas os seus dias mais recentes e depois deixe-se ir. Quando tiver terminado devolva o livro e volte pelas mesmas escadas, entre no seu templo e feche a porta. Agradeça a quem o ajudou e à porta estará a nuvem à sua espera para o levar de volta à paisagem. Na paisagem reflicta sobre tudo o que viu ou sentiu, se tiver visto algo que não compreende peça ajuda, fale com o seu Anjo da Guarda e retire as suas dúvidas.
Depois, comece a inspirar levemente e a recuperar a consciência. Não se esqueça de apontar tudo no seu Livro das Sombras ou noutro lugar que reserve para escrever os seus assuntos mais íntimos.

Esta meditação resulta muito bem comigo, mas devo confessar que não foi à primeira que consegui ler o livro, mas porque eu própria boicoto a meditação. Não sei bem para que me servirá saber o que fui noutras vidas, prefiro saber quem sou e quem quero ser. Contudo, há alturas em que é quase obrigatório compreender determinados comportamentos e atitudes da nossa personalidade à luz do nosso passado e para tal utilizo a meditação que partilho.
Como sempre nada melhor do que experimentar a receita que vos deixo e depois com a prática fazer-lhe as mudanças que acham necessárias, pelo menos é assim que faço. Esta meditação foi-me transmitida num curso e depois de a fazer algumas vezes, fui a modificando, de forma a que se ajuste às minhas necessidades.
Desejo-vos uma boa meditação e deixo-vos um último conselho, peçam para ver apenas aquilo que neste momento precisam, pois há coisas que ainda podemos não precisar e ao vê-las podemos estar a prejudicar-nos.

Num dia de Saturno e de Cassiel, de São Nabor e de São Gualberto

sexta-feira, julho 11, 2008

O Templo de Salomão

Encontrei este video e achei-o delicioso, por isso decidi publicá-lo aqui. Mostra-nos o Templo de Salomão, como deveria ser. As imagens são envolventes, qui ça aproveitem para utilizar este templo como um exemplo para construirem o Vosso Templo.

Num dia de Vénus e de Anael, de São Bento e de São Pio

quinta-feira, julho 10, 2008

Os Relacionamentos


Nestes últimos dias tenho estado a observar as pessoas que me rodeiam e os relacionamentos destas, como interagem uns com os outros, que tipo de apegos têm e onde sacam energia, se sacam. Tem sido uma tarefa engraçada, curiosa até. Esta observação é feita aos que me são próximos, mas também aos que por variadíssimas razões se cruzam comigo. É óbvio depois da observação mergulho dentro de mim e vejo o que essas relações reflectem sobre mim, pois se estou a ver para algo será.

Então, tenho chegado a algumas constatações.
No meu local de trabalho, apercebi-me de uma situação cómica. Há uma colega minha que manipula outra da forma que quer e lhe agrada, chegando a fazê-lo só pelo gozo que lhe dá ver a outra na defensiva e com grandes problemas de auto-confiança. É claro que eu também acho engraçado, pois após tanto tempo de convívio a outra ainda não aprendeu a defender-se e a compreender que o que a outra quer é irritá-la, deixá-la aborrecida e por conseguinte sacar-lhe energia.

Ontem, durante um jantar de convívio voltei a aperceber-me desta situação, com outras pessoas. É inevitável que me debruce sobre esta questão e veja se isto se reproduz na minha vida. E a conclusão é simples, sim! Por vezes gosto de brincar e picar algumas pessoas que sei que são facilmente irritáveis, contudo quando o faço não pretendo retirar energia da pessoa, mas apenas brincar com ela. Não obstante, percebi que posso deixar o outro a sentir-se mal, posso aumentar a sua energia de falta de confiança e por isso vou estar mais atenta para não voltar a reproduzir esta situação. Vou ter de arranjar outra forma de brincar com as pessoas.
Mas esta situação também pode ser vista sobre o papel da colega que se deixa manipular, pois são duas pessoas que se encontram a permitir que aquilo aconteça e, por tal, ambas têm a sua quota-parte na responsabilidade.

A colega que se deixa manipular representa um papel, o papel da vítima e quando o faz também ela está a sacar energia. A que goza saca energia directamente da gozada, mas a gozada retira energia dos que estão à sua volta e sentem pena por ela. No que diz respeito a este papel não me revejo nele, sou mais facilmente a controladora do que a vítima, por isso fui obrigada a pensar no meu círculo de relacionamentos e ver se há alguém com estas tendências. Logicamente, durante o dia vamos representando vários papéis, mas à semelhança do que acontece com os elementos, que estão presentes em todas as coisas, há sempre um que predomina.

Estas catalogações aprendi-as há muito tempo quando li o livro de James Redfield Profecia Celestina, aí aprendi que nos relacionamentos há sempre pessoas e momentos em que tentamos retirar a energia do outro. O intimidador é aquele que através do medo se impõe, a vítima é aquela que nos fazem sentir culpados de tudo o que lhes acontece, a indiferente é aquela que se afasta e não quer saber, que se mantém no mistério, e a interrogadora a que tenta saber tudo o que se passa para poder encontrar algo de errado e criticar.

Quanto ao papel do intimidador, já assumi que por vezes, apesar de não ser essa a intenção, posso acabar por o desempenhar, mas não a colocando ou infligindo medo nas pessoas, bem pelo contrário, a intenção é que elas se riam delas próprias e percebam que somos todos humanos, cheios de defeitos e maus feitios, mas bom com diz o provérbio “De boas intenções está o inferno cheio”.

A vítima não me encaixa, sou demasiado activa e consciente da minha responsabilidade para poder jogar esse jogo. Porém, acredito que possam haver alturas em que esteja no limiar de me queixar e de ser vítima. O papel da indiferente foi o que joguei durante toda a minha infância com os meus familiares, ausentava e ninguém sabia o que se passava comigo. Hoje em dia posso admitir que para algumas pessoas continuo a ter essa posição, mas como me estou a aperceber que é uma forma de lhes tirar energia vou rectificar. A posição que mantenho é mais na perspectiva de defesa do que ataque, mas como aprendi que não tenho de me defender de nada, vai ser mais fácil corrigir esta situação.

Por último, temos a inquiridora. Para mim esta é a mais difícil de analisar pois eu tenho esta posição perante a vida, perante tudo e todos. Terei de me explicar melhor para poder discernir melhor. As perguntas são algo que fazem parte de mim, só no questionamento pode surgir o conhecimento, por isso faço-me muitas perguntas e também aos outros, pelo menos àqueles que julgo me puderem ajudar a encontrar as respostas. As perguntas que faço são sobre mim e sobre a minha vida e nunca sobre os outros, não ando para aí a sacar energia perguntando como vão as vidinhas miseráveis ou aparentemente boas para encontrar defeitos e ver a minha melhor.

Eu faço perguntas, mas apenas sobre mim, retirando obviamente aquelas que são de boa educação, como estás? Está tudo bem? Como está a correr determinado assunto? Enfim, aquelas que servem apenas para mostrar que nos interessamos o suficiente, mas não demais. Houve uma altura em que me foi colocado à frente esta questão, lá está pela minha forma de encarar a vida. Na altura não percebi que talvez pudesse estar a fazer a outra pessoa pensar e sentir isto, mas como essa não era a minha intenção não o poderia ver. Hoje, contudo compreendo e posso até admitir que era de facto isso que se estava a passar, mas essa não é quem eu sou.


Então, constato que todos nós, em determinados momentos da vida ou do dia, podemos facilmente cair nestes esquemas energéticos e que a melhor forma para o evitar é manter em mente que a fonte de energia é inesgotável. Manter uma ligação constante com a fonte de luz, fazendo uma ligação mental com a energia vital, é a solução para deixarmos de procurar fora o que está dentro.
Só assim, parece-me, poderemos trilhar o Caminho do Meio.

Num dia Júpiter e de Saquiel, de Santa Amélia e de Santa Verónica de Juliani

quarta-feira, julho 09, 2008

Visualização

Como tenho vindo a referir a magia faz parte do nosso dia-a-dia, ela está presente em todas as coisas que nos cercam. Porém, quando falamos em Arte de Magia não estamos só a falar dessa magia que nos rodeia. A Arte Mágica é quando conscientemente decidimos utilizar a magia que nos rodeia em prol dos nossos objectivos.
Para tal é fundamental dominarmos algumas técnicas, pois para podermos ser bem sucedidos nas nossas intenções deveremos utilizar os meios ao nosso dispor de forma eficiente e rápida. Para podermos alcançar as altas técnicas de magia, precisamos dominar as básicas, não podemos esperar dominar a arte de caminhar sem antes dominar o nosso equilíbrio fundamental para a desenvolver.
Assim, falarei de seis técnicas básicas de magia, aquelas que se encontram na base, daí o adjectivo básica, de todo a Magia.
Hoje, e para que o texto não se torne fatigante e com demasiada informação, falarei apenas da técnica de visualização, pois muita informação pode tornar-se contraproducente.
A técnica mais importante que um mago deve dominar é a capacidade de visualização. Esta técnica consiste em ser capaz de ver com a mente e não com os olhos. Tendo como princípio que tudo o que desejamos para nós começa a ganhar forma no campo astral primeiro, torna-se fundamental que consigamos ver esse desejo a ganhar forma na nossa mente, para depois os podermos trazer para o campo físico. Visualizar é tão simples quanto isto, ao criar uma imagem na minha mente estou a dar forma ao meu desejo no campo astral e a tornar possível que esse desejo se manifeste no campo físico. Este é o princípio por detrás de todas as afirmações que fazemos, ao criar essa energia estou a criar essa realidade, ou seja, só depois de ver com a mente poderei ver com os olhos físicos. Além desta questão, podemos justificar a importância desta técnica na construção de uma mente treinada, e como diz o velho adágio "Para uma mente treinada nada é impossível".
Sustentar esta técnica em termos de magia é fácil, basta excluir todos os pensamentos e manter durante o maior tempo possível a imagem do que desejamos. Se à imagem acrescentarmos o maior número de sentidos possível, mais eficiente esta se torna, pois quanto maior for a nossa ligação com uma imagem real, mais força esta terá. Para testarmos as nossas capacidades de visualização poderemos começar por alguns exercícios simples, tais como:
Exercício simples
Sente-se num sítio confortável e onde não seja interrompido. Observe tudo o que o rodeia e escolha um objecto. Focalize a sua atenção nesse objecto e feche um pouco os olhos, sem os fechar completamente. Observe e registe todos os pormenores do objecto, cor, textura, formato, peso, depois pense no porquê desse objecto estar nesse lugar. Se conseguir focalizar a sua atenção durante mais de 5 minutos sobre este assunto, terá conseguido realizar a técnica de visualização, pois durante todo esse tempo só pensou nesse assunto, sem deixar a sua mente pensar em outra coisa.
Com um maior grau de dificuldade
Volte a sentar-se num sítio confortável e onde não possa ser interrompido. Feche os olhos e acalme-se, inspirando e expirando o necessário para se colocar relaxado. Projecte na sua mente um objecto, podendo ser o mesmo do exercício anterior. Dê forma a esse objecto, lembre-se de todos os detalhes, a cor, a textura, o formato, o peso, a razão pela qual está naquele lugar, como veio ali parar, tudo o que tiver a ver com o objecto. Mais uma vez se conseguir manter a sua mente ocupada com este objecto e apenas com este objecto durante pelo menos 5 minutos, estará no bom caminho para avançar na técnica e ir fazendo exercícios mais complexos.
Qualquer meditação que se faça é já uma forma de visualização desenvolvida, mas deveremos ter em atenção que por vezes na meditação temos liberdade para divagar e voar para campos diferentes, enquanto que na visualização o que se pretende é que não dispersemos, que mantenhamos uma imagem, um objectivo, um desejo, durante o maior tempo possível. Tudo para que durante os nossos rituais, feitiços, possamos estar única e exclusivamente a pensar e visualizar os nossos objectivos.
Eu acho esta técnica muito importante e por vezes é-me difícil de conseguir estar só a pensar numa coisa, pois os meus pensamentos são indisciplinados, surgem e impõem-se de qualquer forma. Porém, e porque considero isto importante, tenho treinado todos os dias para desenvolver esta técnica. Todos os dias realizo um exercício de visualização, além de outro que depois falarei. O empenho com a Arte tem de ser diário, só com disciplina e prática diária poderei alcançar o que pretendo.

Num dia de Mercúrio e de Rafael, de São Cirilo e de São João de Colónia

terça-feira, julho 08, 2008

A Arte na transmissão de conhecimento

Ora para hoje reservo-me uma pequena delícia, ir aos meus arquivos e falar daquilo que conheço, as coisas que me foram transmitidas através de mensagens subliminares na infância e que ainda hoje fazem muito sentido.
O cinema, a música, a literatura, a banda-desenhada, a pintura, são artes que aprecio verdadeiramente, todavia, essas artes para mim têm de ser subversivas, têm de pertencer a uma sub-cultura com a qual me identifico.
Assim, no cinema encontro como corrente preferida o filme de género (principalmente o de terror), aquele que normalmente toda a gente foge por achar vão e inútil. Na música prefiro a independente, onde sei que o que motiva é a Arte pela Arte e não a questão financeira. Na literatura gosto de ficção científica e muitos outros temas, mas sou exigente com a aprendizagem. Porém, o que todas estas artes tão diferentes à partida têm de ter em comum é que falem sobre a Vida, que me ensinem algo de valioso que eu não possa experimentar de outra forma.
O cinema é o mais imediato, aquele que utiliza quase todos os meus sentidos, que me coloca dentro da experiência sem grandes dificuldades. Neste aspecto, fica justificado a minha preferência pelo cinema de terror, pois este é um ponto valioso para se aprender sobre o ser humano, quer seja pela análise dos medos, quer seja pelos fantasmas que assombram as pessoas, são sempre (quando é um filme de qualidade) pontos de partida para analisar esse bicho que é o ser humano e em última instancia os meus próprios medos.
Através da literatura posso viver outras realidades, mas aqui começa o percurso a ficar mais pessoal, já é a minha visão do que o autor descreve e não tão imediato como no cinema (imagem em movimento). Na literatura gosto de algo que me envolva, algo que me bata forte e por isso, algumas vezes acontece que começo um livro e não o consigo acabar, esperando na prateleira que o dia certo apareça.
Com a música afunilamos ainda mais a experiência e colocamo-nos no campo completo do interior, daí que as minhas preferências recaiam na música intimista e minimalista. A música é daquelas coisas tão pessoais que nem dá para explicar, os sons ecoam dentro e libertam sensações e emoções que desconhecíamos existir dentro de nós. É uma Arte fabulosa.
Mas bom, tudo isto para falar sobre a banda desenhada. Esta arte, tão mal vista pela generalidade das pessoas, alguns considerando-a como coisas para crianças e outros como coisas para adultos que não crescem, enfim, cada um sabe de si!
Para mim a banda-desenhada, os famosos comicbooks são uns utensílios magníficos de aprendizagem, como as artes anteriores mencionadas, aliás, basta ver que é comum a 7ª Arte recorrer a esta para fazer filmes.

E é exactamente sobre isso que hoje me apetece falar, sobre a adaptação ao cinema do comic Hulk. Não irei falar sobre o filme de Louis Leterrier pois ainda não o consegui ver todo, aconteceu um insólito durante o visionamento no cinema, uma sintonia muito interessante, e ainda não me decidi a voltar lá, mas hei-de fazê-lo, pelo menos assim espero. O que me apetece hoje é apenas falar sobre o que esta personagem, também muito mal amada pelas pessoas, representa.
Hulk é um homem normal como todos nós, mas que tem um problema grave, ao contrário de nós quando se irrita descontrola-se e deixa sair para fora o monstro que há em si. A única forma de se controlar é através da mulher que o ama, que pelo simples olhar o acalma e o faz voltar a si, em estado normal, isto é.
O que me leva a perguntar, e se fossemos todos assim? Se não fossemos capaz de esconder as nossas irritações? Se à mínima coisa que alguém fizesse ou dissesse, o monstro ficasse à solta? Como seria esse monstro? Quem seria capaz de o dominar? Seria o Amor suficiente para nos colocar no estado normal?
Com o Hulk aprendi que as memórias do passado podem ter esse efeito, que os sentimentos recalcados de uma infância podem dar força a esse monstro que se esconde dentro de cada um. Com o Hulk, cedo aprendi que as coisas que não conseguimos controlar mais tarde acabarão por nos controlar a nós. Desta forma, relembrei que a força está de facto dentro e que o poder de controlar tem de vir de nós e não dos outros. O filme que me ajudou em muito a conseguir desvendar estas questões da personagem foi o do magnífico Ang Lee, onde a sua visão sensível coloca em perspectiva a brutalidade e ao mesmo tempo fragilidade de Hulk. Ang Lee é um dos cineastas mais versáteis que existe e cada vez que coloca as suas mãos num projecto, haverá com toda a certeza muita sensibilidade e visão pessoal, nada menos se espera de tão fabuloso artista.
Nesta história tão simples, mas com tantas camadas de interpretações, ainda consegui relembrar que o controlo da respiração e, por conseguinte do plexo solar, pode-nos ajudar a controlar a Ira.
Depois de tudo isto, resta desabafar como é bom conseguir ver a Beleza em todas as coisas, mesmo naquelas em que aparentemente nada existia.

Num dia de Marte, de Samael e de São Procópio

segunda-feira, julho 07, 2008

As pistas e as respostas no Caminho do Equilíbrio

Para hoje reservo uma citação que me surgiu na altura certa. E depois desta citação vou divagar um pouco sobre as coincidências que eu prefiro chamar de sintonias.

Os que buscam nunca se perdem, porque o espírito está sempre a guiá-los
O mundo do espírito está sempre a oferecer pistas aos que buscam;
as pessoas comuns chamam a estas pistas coincidências

Para um mago não há coincidências:
qualquer acontecimento ocorre para expor outra camada da alma
O espírito quer conhecê-lo. Para aceitar o seu convite é preciso ter confiança
Quando procurar, comece no seu coração – a gruta do coração é o lugar da verdade.
in O caminho do Mago de Deepak Chopra

Depois de uma semana muito confusa, onde quase não conseguia ver a luz ao fundo do túnel, recebi esta mensagem e fiquei mais tranquila.
Todos os acontecimentos da nossa vida nos servem de pistas, eu acredito nesta verdade, ela ecoa dentro de mim e faz luz, por isso a aceito como verdade. Os pequenos acontecimentos da semana, como o do cantoneiro que já falei, serviram para me colocar de novo em sintonia com esta verdade. Ao princípio não lhe prestei uma atenção especial, julguei ter percebido a mensagem e coloquei-o em correspondência com a mensagem que retirei do filme Speed Racer, mas a verdade foi que o meu coração não ficou satisfeito com essas pequenas aquisições e em vez de rejubilar ia ficando cada vez mais vazio. Fazia tanto tempo que não sentia esse vazio, que no início não o consegui compreender, a mente ficava cada vez mais confusa e não descodificava as pistas que me iam surgindo. Bateu tão forte que não me deixou outra solução senão ir dentro de mim e carpir esta mágoa, mesmo não sabendo de onde vinha.
Entreguei-me à desolação, decidi não mais resistir e mergulhar dentro da dor. Carpi todas as mágoas, os olhos verteram toda a água necessária, a garganta rebentou de tanta dor, provocada pela quantidade de sapos engolidos, o corpo perdeu as forças, e no fim, a alma saiu revigorada.
Uma das minhas filosofias é acreditar que só eu sei as respostas para a minha vida e partindo deste princípio, raramente peço ajuda, seja a pessoas amigas, seja às entidades protectoras. Acredito também que devo deixar as pequenas coisas a meu cargo e não sobrecarregar o meu anjo da Guarda ou o meu Guardião Pessoal com pequenas coisas. Acreditei que o que se passava comigo era uma pequena coisa, insignificante até, uma tensão pré-mestrual, por exemplo, e por isso não pedi ajuda.

Quando me dispus a entregar ao sentimento, aconteceu algo maravilhoso! Na minha frente surgiu o meu Guardião Pessoal e falou comigo, com a sua ajuda compreendi o que me estava a acontecer e percebi que tudo me tinha levado àquele momento para eu o conhecer. Foi um momento mágico como há muito não presenciava.
Tudo isto para reflectir sobre as coisas que nos acontecem na vida, nada é por acaso, não há coincidências, tudo tem uma razão de ser, e essa razão é simples, encaminhar-nos na vida que escolhemos.
Todas as acções na vida têm uma consequência, é o tal efeito de borboleta que nos ensina que por mais pequena e insignificante que seja a acção as consequências podem ser enormes. Assim, tudo o que nos acontece advém do Karma que semeamos. Se tivermos tido uma boa acção, colhemos no futuro coisas boas, é o Bom Karma; se tivermos tido más acções, colheremos maus acontecimentos, é o Mau Karma. Claro que isto do Bom e Mau Karma será relativo, até o Mau Karma servirá para nos colocar no Bom Caminho, tudo dependerá da forma como o aceitarmos. O problema é que este Karma nem sempre vem no momento em que realizamos as más acções, por vezes vem quando já nos esquecemos do que fizemos e assim torna-se difícil de compreender o que está a acontecer. Portanto, é aqui que entra o nosso Anjo Guardião. Ele sabe perfeitamente por que nos está a acontecer determinada coisa, ele tem a resposta quando nós não a conseguimos encontrar.
Agora atenção, depois de sabermos que tudo tem uma consequência, temos de começar a ter mais atenção no que fazemos, pois creio que o Karma atacará em proporção à consciência que revelamos ter das coisas.
É importante para qualquer caminho que decidamos fazer ter esta regra em mente, pois temos de ter em mente que só há um responsável por tudo o que acontece na nossa vida, nós próprios.

Num dia de Lua e do arcanjo Gabriel, de Santa Pulquéria e de São Cláudio

domingo, julho 06, 2008

Melodia da Semana IX

Ora cá está mais uma escolha para a semana. Em verdade vos digo que esta semana foi das mais difíceis que já tive, apesar de ter andado muito ocupada as coisas dentro de mim não estiveram muito bem. O mais difícil é conseguir compreender o porquê de tanta agitação!
Creio que esta semana abri as portas das minhas emoções, o meu fogo interior que há algum tempo andava a ser ofuscado pela água em excesso que há em mim, talvez não tenha sido capaz de lidar com isso ou simplesmente tenha havido à minha volta uma quantidade de circunstâncias que me colocaram neste ponto, não sei!
O que sei é que não quero continuar e algo tenho de fazer para alterar esta situação, portanto, para esta semana pretendo ir mais longe e tentar fazer o casamento alquímico dentro de mim. Para tal evoco a Energia dos magníficos The Kills, lembrando o dia mágico que tive e que terminou na Casa da Música, com um dos momentos mais altos Last Day of Magic.
Hoje é um dia mágico vou deixar a história da Santa do dia, quem me conhece saberá porquê.
Nascida em Corinaldo, no centro de Itália, era de família pobre, numerosa e camponesa, mas muito temente a Deus. Com a morte do pai, Maria Goretti, com os seus, foram morar num local perto de Roma, sob o mesmo teto de uma família composta por um pai viúvo e dois filhos, sendo um deles Alexandre. Aconteceu que este jovem por várias vezes tentou seduzir Goretti, que ficava em casa para cuidar dos irmãozinhos. E por ser uma menina temente a Deus, sua resposta era cheia de maturidade: "Não, não, Deus não quer; é pecado!" Santa Maria Goretti, certa vez, estava em casa e em Deus, por isso quando o jovem, que era de maior estatura e idade, tentou novamente seduzi-la, Goretti resistiu com mais um grande não. A resposta de Alexandre foram 14 facadas. O martírio desta adolescente, de apenas 12 anos, foi a causa da conversão do jovem assassino, que depois de sair da cadeia esteve com as 400 mil pessoas, na praça de São Pedro na ocasião da canonização desta santa, e ao lado da mãe dela, que o perdoou também. Santa Maria Goretti manteve-se uma menina pura e santa por causa do seu amor a Deus, por isso na glória reina com Cristo. (texto adaptado de Santo do Dia).

Aproveitem a semana!

Num dia de Sol e do Arcanjo Miguel, de Santa Maria Goretti

sexta-feira, julho 04, 2008

As Aprendizagens da Semana

Depois da aprendizagem com o cantoneiro, eis que surgiu a minha vez.
Estava com a minha mãe à espera de uma consulta, marcada para as 2 horas, e já passavam 40 minutos e ninguém dizia nada. A minha mãe estava em jejum, pois o exame assim o exigia, desde as 5 horas da manhã. Ela começou a queixar-se e as pessoas que estavam na sala também, lembrei-me do que tinha escrito aqui e decidi fazer algo. Fui à recepção perguntar a razão de tal demora, pois na sala não havia nenhuma funcionária. As recepcionistas foram super prestáveis e, depois de telefonarem às colegas, explicaram-me que o médico estava atrasado do almoço, mas que as colegas do piso superior deveriam de dar uma explicação aos utentes. Depois disto, que não demorou mais de 7 minutos, quando subi a minha mãe já estava a ser atendida, incrível. Achei um exagero que o médico tivesse de se ausentar para almoçar enquanto as utentes estavam em jejum para fazer o exame, mas em vez de refilar tomei medidas.
Depois desta cena, lembrei-me do filme que fui ver no fim-de-semana passado. Os Irmãos Wachowski, após o místico The Matrix, decidiram realizar um filme mais soft, mas nem por isso menos místico. Speed Racer, conta a história de uma família envolvida nas corridas de carros, que após o dramático acidente do filho mais velho, procuram continuar com a sua vida nas corridas. Speed é um rapaz fenomenal, não só nas corridas como também na vida social. Este rapaz vai ter de descobrir o seu caminho, livrando-se do fantasma do seu irmão e encontrando quem quer ser. O filme conta-nos, de uma forma bastante simples, o percurso do herói, como se encontra nas cartas de Tarot, ele é o Mago, pois tem todas as capacidades para as corridas desde a infância. O seu irmão é o Louco, símbolo daquilo que ele pretende atingir. O pai é o Imperador, simbolizando toda a estrutura material, física, ele é quem constrói os carros, a mãe a Imperatriz, uma mulher segura do que pretende e que se encontra como somatório do marido e do filho e, por último, a namorada a Sacerdotisa, ela está lá desde sempre ao seu lado, lembrando-o e acreditando nele. Spees vê-se perante uma escolha (Os Enamorados) e tem de decidir. O Carro está obviamente explícito no carro que ele conduz, que curiosamente tem o número 5. E as referências vão por aí fora, o Diabo, no empresário que promete toda a segurança financeira, mas que no fundo os quer é prender e manipular, enfim, o leque é vasto e basta ver o filme para compreender que os Irmãos Wachowski foram mais uma vez bem longe na sua mensagem. A juntar à mensagem forte temos também imagens fortes, nas cores e nos símbolos, sem dúvida muito bem realizado.
Todavia, a parte mais interessante é mesmo a final, quando nos é oferecido uma dança mística bem ao jeito da carta O Mundo, onde Speed se revela e nos ensina que não importa o que o Mundo é actualmente, o importante é fazermos o que julgamos correcto e, obviamente, o que somos capazes.
Esta é a verdadeira mensagem que retiro do filme, todos temos um papel na história do Universo, temos de descobrir qual é de forma a melhorarmos este mundo onde vivemos. Se cada um cumprir a sua parte, será mais fácil de colocar as coisas de volta ao sítio certo.
Foi uma aprendizagem muito interessante, principalmente porque nesta altura estou, mais uma vez, a repensar a minha vida profissional. Obrigada Wachowski, por relembrarem as pessoas, e em particular a mim, desta lição tão simples, mas por vezes tão difícil de assimilar.

Num dia de Vénus e do Arcanjo Anael, de Santa Isabel Rainha de Portugal e de São Ulrico
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