terça-feira, setembro 30, 2008

Anjo Samael

Ontem nos meus estudos descobri um texto muito interessante que me fez pensar muito, por isso hoje vou transcrevê-lo para aqui, para partilhar e para eu o ir lendo de vez em quando para ver se entra melhor.
O texto tinha a ver com o Anjo Samael, título desta partilha, que é o meu Guardião da Casa, ao ler o texto fiquei um pouco preocupada pois dizia que este anjo era o mesmo que Satã e Lúcifer, que os hebreus chamam-no de Samael, os ocidentais de Satã e os latinos Lúcifer. Como podem imaginar fiquei um pouco confusa, não por ter este anjo como Guardião, mas pela minha ignorância sobre o assunto, afinal que escolha fiz eu, que Anjo convidei para proteger o meu Lar.
Todos os nomes querem dizer o mesmo "Anjo da Luz" e por essa razão este é o meu Guardião da Casa, mas ao relacioná-lo com Lúcifer, achei que era demasiado forte para mim e para a minha casa. Por isso pus-me a pensar e infelizmente ainda não cheguei a nenhuma conclusão, com o tempo talvez.
Depois disto encontrei este excerto que achei delicioso no livro Dogma e Ritual de Alta Magia de Éliphas Lévi, e passo a citar:

O Lúcifer da Cabala não é um anjo maldito e fulminado, é o anjo que ilumina e que regenera queimando; é para os anjos de paz o que o cometa era para as tranquilas estrelas das constelações da primavera. A estrela fixa é bela, radiante e calma; ela respira os celestes aromas e olha com amor as suas irmãs (...) e caminha solenemente, sem sair do lugar que lhe é determinado entre as sentinelas da luz. Contudo, o cometa errante, todo ensanguentado e desgrenhado, acorre das profundezas do céu; precipita-se através das esferas tranquilas, como um carro de guerra entre as fileiras de uma procissão de vestais; ousa afrontar a espada flamejante dos guardas do sol, e, como uma esposa apaixonada que procura o esposo sonhando pelas suas noites de viuvez, penetra até ao tabernáculo do rei dos dias, depois foge, exalando os fogos que o devoram e arrastando após si um longo incêndio (...)

Entretanto as irmãs estrelas, com medo deste cometa, decidem tentar convencê-lo a ser como elas, a ficar quieto e fixo num determinado lugar, aliciando-o com a sua beleza e dizendo-lhe que se tornaria mais belo se o fizesse.
Mas Samael responde-lhe:

Não creias, ó minha irmã, que posso errar ao acaso e perturbar a harmonia das esferas; Deus traçou o meu caminho como o teu, e se a minha carreira te parece incerta e vagabunda, é porque os teus raios não poderiam estender-se tão longe para abarcar o contorno da elipse que me foi dada por carreira. A minha cabeleira inflamada é o fanal de Deus; sou o mensageiro dos sóis e fortaleço-me nos seus fogos para os partilhar no meu caminho aos novos mundos que não têm ainda bastante calor, e aos astros envelhecidos que têm frio na sua solidão. Se me afadigo nas minhas longas viagens, se sou uma beleza menos atractiva do que a tua, se o meu enfeite é menos virginal, não deixo, por isso mesmo, de ser, como tu, um nobre filho do céu! Deixa-me o segredo do meu destino terrível, deixa-me o espanto que me rodeia, amaldiçoa-me, se não podes compreender-me: não deixarei, por isso, de realizar a obra que me foi imposta e continuarei a minha carreira sobre o impulso do sopro de Deus. (...)
Fica, pois, sossegada, bela estrela fixa, não quero tirar a tua luz tranquila; pelo contrário, esgotarei por ti a minha vida e o meu calor. (...) Sabe que no templo de Deus ardem fogos diferentes, que lhe dão glória; tu és a luz dos candelabros de ouro, e eu a chama do sacrifício: realizemos os nossos destinos!

Considero este texto de uma beleza rara, que nos mostra de forma diferente este Anjo da Luz que tantos temem por o não compreender. Além disso é também um texto que nos lembra que todos temos os nossos caminhos e que as formas de chegar até Deus e cumprir as nossas missões são diferentes, e o diferente não é melhor ou pior, é apenas diferente.

Num dia de Marte, de Samael e de São Jerónimo

segunda-feira, setembro 29, 2008

Dia do Arcanjo Miguel

Hoje é um dia muito especial, é o dia em que muita gente se une e comemora São Miguel Arcanjo.
Apetece-me falar um pouco sobre o que esta Força significa para mim, porém, inevitavelmente terei de dizer que apesar da Igreja Católica e a maioria dos seus crentes utilizarem este Anjo para os proteger das ciladas, dos demónios e dos inimigos, Miguel para mim é muito mais do que isso.
Primeiro, não é um Anjo da Igreja Católica, é uma energia poderosa que desde tempos imemoriais tem vindo a ajudar a humanidade na sua evolução, pelo menos é assim que eu entendo a palavra Anjo, que desde cedo existe ao dispor de quem dele quiser ajuda e que pode assumir qualquer forma.
Segundo, não é aquele Anjo severo, demolidor e cheio de rigor que tantos querem transmitir; mas, em defesa poderemos dizer que a Energia assume a Força e Características que cada um mais precisa, talvez por isso exista tanta gente a ver o Miguel como um punidor, talvez essas pessoas se achem pecadoras e que necessitam dele para as Salvar. Não estou a julgar nada nem ninguém, cada um tem as suas tarefas para ultrapassar e as suas arrestas para limar neste Caminho Espiritual, todos estamos a tentar chegar a algum lado, que nem sempre é o mesmo para todos!
Eu vejo Miguel como uma Força, uma Fonte de Energia inesgotável que está próximo da Verdadeira Fonte de Luz, uma Entidade que é doce e quente, que me ajuda a ultrapassar as minhas dificuldades dando-me coragem e força de actividade, que me ajuda a ser Verdadeira, eliminado as mentiras da minha vida, a ilusão, que através do seu Fogo Demolidor eu posso queimar todas as minhas impurezas e das cinzas restabelecer-me. Em verdade, é assim que eu vejo Miguel, o Anjo regente do Fogo.
Acho que isto dos Anjos é uma experiência que se vive dentro de cada um e que não basta contentarmo-nos com o que lemos ou ouvimos os outros falar, é preciso conhecê-los pessoalmente, sentir dentro de nós essa energia para melhor a reconhecermos, sabermos bem em que momentos ela está mais próxima, como a chamar e como lhe agradecer. Assim, hoje vou deixar o Ritual de Contacto que utilizo sempre que necessito ou quero simplesmente conversar com Miguel, sim, utilizo um ritual para isso. Às vezes é importante dedicar-lhes toda a nossa atenção e mesmo se estamos habituados a conversar diariamente com eles no nosso dia-a-dia não quer dizer que uma vez ou outra não lhes possamos fazer uma festa diferente.
Começo por tomar um banho de imersão, preparar o espaço onde faço os meus rituais normalmente e depois digo as seguintes palavras:

Que desde um Ponto de Luz na mente do Criador Desça a Luz às mentes dos homens e à Terra. Que desde um ponto de amor no coração do Criador, Desça amor aos corações dos homens. Que desde o centro onde a Vontade do Criador é conhecida, Desça a Energia e guie as pequenas vontades dos homens, No propósito que os Mestres conhecem e servem. Que no centro a que chamamos a raça dos homens, Que se realize o plano de Amor e de Luz E feche a porta onde se encontra o mal. Que a Luz, o Amor e o Poder restabeleçam o Plano Divino sobre a Terra, hoje e por toda a Eternidade.
Ámen! Ámen! Ámen!

Depois fecho o círculo mágico invocando:
a Oriente o Arcanjo Rafael, vejo o Oriente encher-se de luz amarela e o Anjo de asas abertas; a Sul o Arcanjo Miguel, vejo o Sul encher-se de luz vermelha e o Anjo de asas abertas a tocarem nas do Rafael; a Ocidente o Arcanjo Gabriel, vejo o Ocidente encher-se de luz azul e o Anjo de asas abertas a tocarem nas de Miguel e por último a Norte o Arcanjo Uriel, vejo o Norte encher-se de luz verde e o Anjo de asas abertas a tocarem nas de Rafael e de Gabriel.
Permaneço no centro deste círculo e faço uma vénia a cada um dos Anjos, sentindo-me relaxada e muito protegida, viro-me para o Anjo com que quero falar e faço-o. Neste caso viro-me para o Sul e falo com Miguel. A Miguel posso sempre recorrer para pedir conselhos sobre as acções que devo tomar, se determinada atitude que tive foi a correcta ou não, se alguém me mentiu ou se eu menti a alguém. Posso também contar apenas com ele para desabafar ou para pedir conforto, o fogo é sempre reconfortante. Por vezes pode acontecer não o ver e apenas sentir a sua energia, quando assim é gosto de fazer algo diferente e apenas ficar sentada a bater palmas em sintonia com o meu batimento cardíaco para lhe agradecer a sua ajuda e apoio. Miguel gosta muito de música e eu gosto de lhe agradecer dessa forma.
Para desfazer o círculo faço na mesma ordem e despeço-me, vendo ou imaginando a energia a desaparecer.
Fica aqui esta partilha que espero poder ajudar alguém a descobrir um pouco mais sobre como contactar com esta energia tão poderosa, mas lembrem-se não há receitas perfeitas, o importante é experimentar e ver como funciona na sua cozinha.

Num dia de Lua e de Gabriel, dia de São Miguel Arcanjo

domingo, setembro 28, 2008

Melodia da Semana XXI

Esta semana foi algo intensa, plena em emoções e complexa também. Consegui finalmente organizar as minhas coisas e creio poder começar a desfrutar de momentos de maior calma e produtividade, retomar actividades que estão paradas e ter tempo para os meus amigos e familiares que me estão a requisitar a atenção. Foi sem dúvida uma semana muito boa para meu crescimento e conhecimento interior.

Esta semana temos uma situação bizarra pois vou colocar uma música que já escolhi antes, porquê? A música que escolho para esta semana é Blue Angel de Antony & the Johnsons do álbum homónimo, porque na semana em que a utilizei para as minhas meditações diárias consegui alcançar algo que esta semana vou querer repetir. Com esta melodia encontrei o meu Fogo Interior e amanhã é dia do Arcanjo Miguel e por isso quero lá voltar, fazer um ritual especial para isso e usar esta música. Digamos que esta semana faço um hommage a Miguel.

Ficamos então mais uma vez com esta música para ouvir e desfrutar ao máximo a energia de protecção que ela nos pode transmitir.

Num dia de Sol e de Miguel, de São Venceslau e de São Bernardino

sábado, setembro 27, 2008

Dia de São Cosme e São Damião

Hoje é o dia em que estes dois santos gémeos faleceram pela sua fé, não renegaram as suas crenças mesmo perante a morte, por essa razão a Igreja celebra o dia, para relembrar os fiéis da necessidade de seguirmos as nossas crenças e de não nos deixarmos dissuadir daquilo em que acreditamos.
Contudo, a minha visão é menos arrojada.
Estes dois mártires do século IV d.C., mártires porque na altura o monoteísmo ainda não era uma realidade e adorar apenas um deus era proibido e punido (é parecido com algo que também já ouvimos falar, não é?), eram médicos muito honrados e bem vistos pelos outros. Não cobravam dinheiro pelos seus tratamentos mas transmitiam os ensinamentos de Jesus aos seus pacientes. Eram tão crentes e fervorosos que essas qualidades aliadas a um bom profissionalismo os tornavam capazes de realizar actos milagrosos.
As semelhanças entre estes dois mártires e os deuses Castor e Pólux, não podem ser esquecidas, mas sobre isso falarei outra vez.
Encontrei uma oração que me parece manter a energia do que se pretende transmitir com estes Irmãos, uma oração que pode ser utilizada para a cura do corpo e da alma, para o equilíbrio dos opostos.

São Cosme e Damião, que por amor a Deus e ao próximo vos dedicastes à cura do corpo e da alma de vossos semelhantes, abençoai os médicos e farmacêuticos, medicai o meu corpo na doença e fortalecei a minha alma contra a superstição e todas as práticas do mal. Que a vossa inocência e simplicidade acompanhem e protejam todas as nossas crianças. Que a alegria da consciência tranquila, que sempre vos acompanhou, repouse também no meu coração. Que a vossa protecção conserve o meu coração simples e sincero, para que sirvam também para mim as palavras de Jesus: "Deixai vir a mim os pequeninos, porque deles é o Reino do Céu".
São Cosme e Damião rogai por nós. Ámen.

Num dia de Saturno e de Cassiel

Vénus em Escorpião

No passado dia 23, o planeta Vénus entrou no signo de Escorpião, fazendo com que as nossas emoções e expressões mudassem completamente, o que acontecerá até dia 18 de Outubro.
Escusado será dizer que a maioria das pessoas achará que este é um período difícil, pois normalmente associam más características ao signo de Escorpião, como a frieza, a insensibilidade, características essas que não se adequam com a doce e bela Vénus.

Mas, se o que nos interessar for saber quais as raízes dos nossos interesses amorosos, o que está por detrás daquilo que consideramos belo, se essas forem algumas das nossas perguntas, então este período será ideal. Escorpião não nos vai deixar contentar com o simples Belo, ele far-nos-á procurar a razão pela qual consideramos este belo e o outro não, ele quererá saber as raízes daquela emoção, não ficará apenas a deleitar-se com o que se sente, mas a analisar o que sente para melhor o poder compreender. Com Escorpião não há superficialidade, tudo vai ser visto através de uma lente muito grossa. Tudo será vivido com muita intensidade, sem a necessidade do que é politicamente correcto ou de nos contermos. O desafio será seguir os nossos instintos, pois Escorpião é um ás a ensinar-nos a voltarmo-nos para dentro.

Uma outra situação possível é proceder à análise do que damos e recebemos, pois Escorpião é um signo de relações, mesmo se por vezes não parece, ele está sempre lá preocupado com as emoções. Assim, o período pode ser benéfico para analisarmos as relações que mantemos, o que damos, o que recebemos, sem a camada de ilusão a que nos habituámos, mas cuidado, não libertem o ciúme e a possessividade que há no Escorpião, façam a analise sem considerações pessoais, senão podem cair na armadilha de experienciar essas características. Fica um conselho de alguém que convive com muitos escorpiões, aproveitem esta oportunidade para trocar a harmonia do exterior pela verdade do interior, deixem de representar papeis e vivam a vossa verdade, aproveitem que o Universo estará propício para isso, ou seja, será mais fácil fazê-lo neste momento.

Pessoalmente já estava a sentir este momento a chegar e nem me tinha apercebido, foi uma semana cheia de emoções e de questões interiores para resolver. Agora que sei que Escorpião está em Vénus, vou utilizar essa energia e remodelar o meu interior, isto é, analisar emoções à luz do que me é essencial ou importante, fazer uma fogueira e queimar, aproveitando a Fénix do Escorpião para que dessas cinzas possam nascer outros sentimentos mais saudáveis.

É também um bom momento para retomar alguma actividade que tivesse ficado para trás por alguma razão, as actividades artísticas estão beneficiadas neste período.
A todos vós desejo dias de boas aprendizagens e de verdades interiores.

Num dia de Saturno e de Cassiel, de São Cosme e São Damião

sexta-feira, setembro 26, 2008

Grito

Ora, nem a propósito encontro um poema de Miguel Torga (sim, ainda este poeta), que exprime muito bem a fase pela qual ando a passar. Mesmo se já me sinto melhor, apetece-me marcar este acontecimento. Aqui fica, então, acompanhado pelo belo quadro de Munch.

Ah, mãos que não moldais o desespero!
Versos que não dizeis quanto eu preciso,

Como um cego, indeciso
Entre a força da inércia
E o desejo instintivo
De movimento,
Assim é o meu instável sofrimento,
Ou todo motivado, ou sem motivo.
Quero e não quero, dou-me a cada instante
E recuso-me logo, amedrontado.
Inconstante,
Oscilo como um vime vertical, diante
Das brisas e rajadas do meu fado.

Ardo nesta fogueira de tristeza
Que não sei quem acende a cada hora.
Sei que a minha alma chora
Como débil criança
Que tem medo da noite que a rodeia.
Noite cerrada e cheia
De pesadelos.
A sorte, a bruxa, a urdir a sua teia
Com a vida apertada nos novelos.

Num dia de Vénus e de Anael, de Santa Justina e de São Nilo

quinta-feira, setembro 25, 2008

Exprimindo emoções

Ai, ai... isto hoje está complicado para os meus lados. Chegando ao fim do dia, e quase da semana, não posso deixar de exprimir as minhas ideias sobre como andamos nós a exprimir as nossas emoções.
Depois de alguns acontecimentos bizarros, atitudes incorrectas de algumas pessoas comigo, respostas ríspidas da minha parte, cobranças de gestos que não foram realizados, enfim, depois de muita confusão, tenho de fazer a seguinte pergunta:
Será assim tão difícil exprimir de forma correcta as nossas emoções?
Aquilo que sinto hoje é que andamos todos muito confusos e quando deixamos que seja a cabeça (o mental) a governar as nossas decisões, acabamos por ter resultados nebulosos que se manifestam em gestos de cobrança, inquisição ou simples indiferença.
Será assim tão difícil de dizer à outra pessoa "Tenho saudades tuas e sinto a tua falta, gostava que me ligasses mais vezes?" Se um amigo me disser isto, creio que não me vou sentir mal, pois sei que ele está apenas a expressar as suas próprias emoções, mas se me disser "Então, não ligas, não dizes nada!?!" a minha reacção não será a mesma.
Estarei eu errada de considerar estas duas situações completamente diferentes, sendo a primeira saudável por ser sincera e a segunda pouco saudável por se tornar numa cobrança?
Por que razão continua a ser mais fácil colocar a tónica no que o outro não fez, ou pior, deveria ter feito? Por que razão consideramos que os outros têm de saber quando precisamos deles se quando falamos dizemos que está tudo bem? Por que razão não somos sinceros uns com os outros?
Em defesa de todas as situações, posso compreender que há coisas que quando acontecem pela primeira vez não sabemos muito bem como lidar com elas e que por essa mesma razão temos atitudes estranhas, diferentes daquilo que seria o correcto, acabando por magoar as pessoas que gostamos. Todavia, há que ser reflectido e perceber que fizemos asneira e tentar remediar. Um erro depois de feito não pode ser apagado, mas podemos sempre evitar cometê-lo outra vez, fazendo assim uma verdadeira aprendizagem.

Será assim tão difícil conseguir isto? Conseguir ser melhor e aprender com os erros?
Aprender a exprimir as nossas emoções é, para mim, de uma importância vital. Primeiro porque elas devem ser expressas de forma saudável, para não criar emoções reprimidas ou deturpadas, para evitar magoar os outros, algo que às vezes é demasiado fácil. Segundo, porque as emoções são para ser exteriorizadas, partilhadas com aqueles que nos rodeiam, para podermos criar relações estáveis e honestas. Por último, e esta para mim é muito importante, porque o nosso coração deve estar saudável, livre, desinibido, para melhor sermos nós próprios.
Posto isto, urge fazer um mea culpa pois ontem tive uma atitude pouco saudável, não por estar a omitir o que sinto, mas por não ter sido capaz de dizer que estava preocupada com a outra pessoa pois era tudo muito novo para mim, fiquei desarmada e sem saber o que fazer. Hoje já pedi desculpa e já reflecti sobre as minhas acções, creio que se voltasse a acontecer não faria o que fiz, o que por si só já é um grande avanço.
Agora, espero estar aqui presente para remediar o erro, pois acreditem, fizemos algo muito grave, apodrecemos um sentimento com tanta preocupação mal direccionada. Em vez de ajudar, prejudicámos, fica a lição aprendida: não oferecer ajuda a quem não a pediu!!!

Num dia de Júpiter e de Saquiel, de São Firmino e de Santa Aurélia

quarta-feira, setembro 24, 2008

Emoções à flor da pele

Desde o dia do equinócio, aliás, desde bem cedo tenho andado a sentir-me muito emotiva, mais do que o normal, com uma sensação de me apetecer ficar quieta, sem fazer nada, dormir e estar quieta.
É verdade que a estação mudou, a Roda da Vida girou e com ela as nossas próprias emoções vão variando, mas desta forma tão significativa, nunca me tinha acontecido. É verdade que estamos a entrar num tempo de repouso em que tudo à nossa volta morre para renascer com outra força na Primavera, mas mais uma vez digo, sentir isso assim tão rapidamente? Também é verdade que no ritual é pedido que se sinta prazer em viver as nossas emoções, o que ajuda, e muito, a que elas estejam tão activas e vivas.
É verdade ainda que há muitos factores à minha volta que podem justificar este meu estado de estar e não estar ao mesmo tempo, todavia, há aqui algo, mais forte talvez do que isto, que me está a passar ao lado e, sinceramente, não estou a gostar nada.
A minha partilha surge, primeiro, para expulsar este pensamento e estas sensações da minha alma, mas depois também tem como razão pedir ajuda. Quem sabe se há alguém que, ao ler estas palavras e já tenha passado por isto, me consiga explicar o que se pode estar a passar comigo. Eu já tentei, ainda não desisti de procurar, mas sei que tenho limitações e que por vezes os outros podem perceber melhor o que se passa, talvez pelo distanciamento da situação, não sei. Mas fica aqui o apelo, se alguém quiser partilhar uma experiência por que tenha passado parecida, ou não, faça o favor pois todas as ajudas contam.
Desde já um muito obrigada.

Num dia de Mercúrio e de Rafael, de Nossa Senhora das Mercês e de São Geraldo

terça-feira, setembro 23, 2008

Ritual de Equinócio de Outono

Como prometido aqui fica a partilha do ritual que realizei ontem, dia de Lua com a lua em Caranguejo e numa hora de Mercúrio.
Objectivo: obter os frutos da terra. Propiciar as vindimas. Equilibrar a luz e as trevas. Abrir as Portas dos Planos.

Materiais necessários: cálice com vinho, pão, folhas de videira, de hera, espigas de trigo, três velas (branca, vermelha e verde).

Momento adequado: primeira noite de Outono ou na primeira Lua Cheia com o Sol em Balança.

1 - Círculo Mágico.
2 - Abertura.
3 - Ritual:

Colocar as velas em volta da taça, no altar: a verde a norte, com as espigas de trigo; a branca a oriente, com as folhas de hera e a vermelha a sul com as folhas de videira.

Colocar o pão e o vinho sobre o pentagrama e dizer:
- O equilíbrio foi atingido. A luz e as trevas encontram-se. O que está em baixo começa a subir, o que está em cima começa a descer. A Roda da Vida muda de ciclo e aproxima os Planos. Que este Templo seja o Ovo Cósmico em que o Pai e a Mãe se encontram para gerar a Trindade Divina.
Acender a vela verde e dizer:
- Que esta luz e este trigo, símbolos da Grande Mãe, iluminem e auxiliem este ritual. Grande Mãe, Senhora da Vida e da Abundância, concede-nos colheitas fartas que nos garantam o alimento do corpo e permite-me encontrar a beleza ao longo do Caminho. Desperta em mim o amor e a alegria de sentir e viver as minhas emoções.
Saudar o Oriente. Acender a vela vermelha e dizer:
- Que esta luz e esta videira, símbolos do Grande Pai, iluminem e auxiliem este ritual. Grande Pai, Senhor da Vida e da Abundância, concede-nos vindimas fartas que nos garantam o alimento do espírito e dá-nos a força necessárias para vencer o Bom Combate. Desperta em mim a consciência e o poder de sentir a Energia e cumprir a minha missão nesta vida.
Saudar o Oriente. Acender a vela branca e dizer:
- Que esta luz e estas folhas de hera, símbolos de pureza e do eterno movimento da Roda da Vida, iluminem e auxiliem este trabalho da Arte. Luz da Pureza, Porta dos Planos, Santo Graal, onde se encontram a Grande Mãe e o Grande Pai no eterno casamento dos opostos e ligação dos planos, concede-nos a Sabedoria necessária para percorrer o Bom Caminho e ajudar quem de mim necessitar, para lhe restabelecer o equilíbrio do corpo e despertar a consciência do Espírito.
Saudar o Oriente. Erguer o pão com a mão esquerda e tocar-lhe com a vara, segura na mão direita.
Dizer:
- Grande Mãe, Senhora da Lua e dos Trabalhos da Arte, eu te consagro este pão, fruto da Terra para alimento do corpo.
Saudar o Oriente. Erguer a taça com o vinho com a mão esquerda e tocar-lhe com a vara, segura na mão direita. Dizer:
- Grande Pai, Senhor do Sol, eu te consagro este vinho, fruto da Terra para alimento do Espírito.
Saudar o Oriente. Comer um pouco do pão e beber um pouco do vinho.
Dizer:


- Que a união do pão com o vinho desperte em mim a união dos contrários, me dê o equilíbrio necessário para cumprir a minha missão neste Plano e me garanta o sustento físico para que eu possa percorrer em segurança o Bom Caminho.
Saudar o Oriente e dizer:


- Energia Primordial, Pai/Mãe do Universo, tu que és e estás em tudo, desperta em mim o poder de comunicar com os Planos e ter acesso aos Arquivos do Conhecimento. Ajuda-me a libertar as minhas emoções e a viver de acordo com os ciclos da Natureza. Que o Grande Espírito me guie no Bom Caminho e os Mestres me ajudem a vencer o Bom Combate. Dá-me força para lutar, Sabedoria para vencer e Amor para perceber a beleza da Vida.
Que assim seja.
4 - Encerramento.
5 - Abertura do Círculo.

in Rituais Antigos para um Mundo Novo - Manual de Magia, José Medeiros

Num dia de Marte e de Samael, de São Lino e de Santa Tecla.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Equinócio de Outono

Como é de conhecimento público o Outono chegou hoje às 16:44 e, por isso mesmo, esta noite é uma noite de festa. Hoje é um dia muito especial para mim, é mais um término de ciclo. A Roda da Vida rodou e hoje é último ritual que realizo. Assim, apetece-me fazer um balanço deste ano ritualístico, além de ser um dia ideal para isso, visto que hoje o dia e a noite estão em equilíbrio.
Foi um ano que se iniciou com uma conclusão, de situações e pessoas que faziam parte da minha Caminhada, num espaço mágico muito especial. Foi um ano em que me afirmei enquanto indivíduo a percorrer um caminho sozinha, apesar de estar com outras pessoas à minha volta. Foi um ano em que me predispus a deixar que as coisas, fossem elas o que fossem, chegassem à minha vida e aprendi com todas elas, algumas permanecem outras nem por isso. Abri as portas a pessoas novas e fechei capítulos do meu livro. Cresci muito, hoje sinto-me bastante diferente da pessoa que era o ano passado, creio não cometer mais os mesmos erros, mas continuo a cometer outros, não sou perfeita. Em matéria de rituais e de magia, creio também ter trilhado um caminho giro, pelo menos sinto-me bem com tudo o que fiz. Realizei todos os rituais, alguns só, outros acompanhada, mas todos eles de forma consciente sobre o que Eu pretendia.
Chegando a este dia, creio estar a realizar aquilo que me propus e de forma, para mim, correcta, pelo menos a minha vida exterior assim mo mostra.
Estou contente comigo mesma, perdoo-me tudo o que fiz de errado, pois tenho a consciência tranquila de que fiz o que fui capaz e sempre que me apercebi de que estava a fazer algo errado, remediei. Estou feliz!
Portanto, creio estar preparada para realizar o ritual logo à noite, para pedir o equilíbrio e para que cada vez mais me sinta em sintonia com o Universo, com a Roda da Vida, para melhor poder aproveitar esta experiência terrena. Peço hoje à noite acesso aos Planos e aos Arquivos do Conhecimento, para que neste novo ciclo, onde as trevas ocupam a maior parte do dia, Eu possa continuar o meu Caminho.
Hoje não me apetece escrever o ritual, fá-lo-ei amanhã.

Num dia de Lua e de Gabriel, de São Maurício e de Santa Emérita

domingo, setembro 21, 2008

Melodia da Semana XX

Chegámos à vigésima semana e apetece-me comemorar!!! Iupi!!!

As bandas que são escolhidas, são obviamente bandas do meu agrado, não precisam de conter uma mensagem esotérica basta que consigam alcançar determinados objectivos que tenho. As músicas dessas bandas são na maioria das vezes escolhidas pelo seu título ou pela energia que me transmitem. As escolhas são geralmente fáceis, mas para esta semana não o está a ser.
Como disse, quero comemorar as 20 semanas de existência deste projecto, que sinceramente considero estar à altura do que me propus, mas não consigo ficar satisfeita com apenas uma música. As bandas que deveriam animar este acontecimento são óbvias, mas, e ainda não sei bem porquê, não as consigo imaginar nesta ocasião.
Depois de muito pensar e escolher, encontrar e procurar outra vez, escolho para esta semana algo improvável - Nitin Sawhney. Este artista como o nome revela, tem descendências indianas e vive na Grã-Bretanha e compõe músicas que se assemelhem a esta amálgama de culturas de que todos hoje somos alvo. As misturas que Sawhney compõe são harmoniosas, elegantes e por mais contrastantes que sejam os dois tipos de música, o final é sempre positivo.
Assim, e crendo que também eu tenho conseguido fazer algo parecido com isto, misturar as aprendizagens e fazer algo novo, diferente para mim, a escolha acaba por se revelar mais fácil.
Para esta semana, que acolhe o Outono, ficamos, então, com The Search do álbum Philtre.

Num dia de Sol e de Miguel, de São Mateus e de Santa Efigénia

sábado, setembro 20, 2008

A Faca ou Athame

Faz algum tempo que iniciei o tema sobre os objectos ritualísticos, mas com a variedade de assuntos por que me tenho debruçado nunca mais voltei a falar sobre eles. Contudo, são a base de qualquer ritual e precisam de ser esclarecidos, pelo menos para mim eles são importantes. A introdução foi feita antes e por isso não vou perder muito mais tempo a fazê-la, se quiserem ler basta clicar aqui e serão direccionados para o texto.
A Faca, ou como algumas tradições lhe chamam, o Athame representa o elemento Fogo, sendo que está directamente relacionado com o masculino. Neste ponto convém mencionar que em algumas tradições Wicca a Faca representa o Ar e é utilizada para realizar todas as actividades relacionadas com este elemento. Porém, na Tradição que me iniciei foi-me mostrado que a Faca deveria representar o elemento Fogo não para se ser diferente dos outros mas porque só o Fogo pode vergar, manipular e modificar o metal que constitui a Faca. Esta razão parece-me suficiente para a aceitar como verdadeira, deixando assim a Varinha, que dança ao sabor do Vento, para o elemento Ar.
A Faca ao representar o Fogo deverá estar colocada a Sul, o ponto cardeal que lhe corresponde e deverá ter uma lâmina de duas faces, isto é, não deverá ser plana. Os dois gumes que a Faca contém simbolizam os dois caminhos que se podem trilhar, mas que será na união dessas duas faces que se deverá percorrer o Caminho.
Nas lojas de apoio a esta Tradição poderão encontrar várias Facas para todos os gostos, mas eu considero que é sempre melhor ser o Mago a construir os seus objectos, pelos menos o que for possível. Ao construir os seus objectos, o Mago está-lhes a transmitir a sua energia, a criar algo que lhe agrada ou simplesmente a construir o que for capaz, aproveitando momentos astrológicos especiais poderão ainda os objectos adquirir características especiais. Enfim, não há melhor objecto do que aquele forjado pela nossa Vontade e Dedicação.
A minha Faca tem um cabo de madeira que eu própria construi com restos de uma caixa de fruta, por ser uma madeira mais frágil é mais fácil de manipular. A lâmina foi retirada de uma espada miniatura (não era muito fácil ser eu a forjá-la, mas se pudesse tê-lo-ia feito) e encaixada no tal cabo que eu construi e que pintei de preto, para melhor armazenar a minha energia.
Foi um dos momentos mais belos que já tive neste Caminho da Magia e a minha faca mostra mesmo isso, a minha Beleza e a minha Dedicação.

Num dia de Saturno e de Cassiel, de São Eustáquio e de São Socior

sexta-feira, setembro 19, 2008

Camões segundo Torga

Neste dia tão belo e ainda sobre o efeito do espectáculo na Regaleira, redescubro estes poemas de Miguel Torga sobre o nosso poeta maravilhoso Luís de Camões. Decido, então, fazer esta partilha de mais umas saciantes poesias deste médico versátil que me acompanhou durante estes tempos.
Camões
Nem tenho versos, cedro desmedido,
Da pequena floresta portuguesa!
Nem tenho versos, de tão comovido
Que fico a olhar de longe tal grandeza.

Quem te pode cantar, depois do Canto
Que deste à pátria, que to não merece?
O sol da inspiração que acendo e que levanto
Chega aos teus pés e como que arrefece.

Chamar-te génio é justo, mas é pouco.
Chamar-te herói, é dar-te um só poder.
Poeta dum império que era louco,
Foste louco a cantar e louco a combater.

Sirva, pois, de poema este respeito
Que te devo e professo,
Única nau do sonho insatisfeito
Que não teve regresso!

Na Gruta de Camões

Tinhas de ser assim:
O primeiro
Encoberto
Da nação.
Tudo ser bruma em ti
E claridade.
O berço,
A vida,
O rastro
E a própria sepultura.
Presente
E ausente
Em cada conjuntura
Do teu destino.
Poeta universal
De Portugal
E homem clandestino


Num dia de Vénus e de Anael, de São Januário e de Santa Constança

quinta-feira, setembro 18, 2008

Crónica da Vida Social dos Ocultistas

Durante as férias li o livro que dá titulo a esta partilha do autor Luís Filipe Sarmento. É um livro que merece um comentário neste local por estar directamente relacionado com aquilo que é a actualidade espiritual neste país, provavelmente sê-lo-á em outros países, mas eu só conheço esta realidade.
Enquanto romance em si, o livro tem algumas lacunas, a história sobre a personagem tem um início fenomenal, mas há medida que se vai desenrolando Guilherme, a personagem principal, vai perdendo carisma e as suas desventuras deixam de capturar a atenção e simpatia do leitor.
Porém, enquanto crónica sobre a nossa sociedade esotérica não poderia ser mais divertido, acutilante e interessante. A mim, este livro trouxe-me um confirmar de várias situações e opiniões que eu já tinha, foi bom verificar que uma pessoa por quem tenho algum apreço partilha das mesmas opiniões que eu.
Através do livro pude constatar que afinal é bem no centro do espiritual que se encontram as pessoas menos espirituais, pois Luís Sarmento mostra-nos uma realidade esotérica bem diferente daquilo que comummente se assume como real.
Mostra-me também que, de facto, o que move todas as sociedades são os interesses, que poucos são aqueles que apenas se buscam a si e que muitos são os que buscam reconhecimento, fama dinheiro, poder e fuga das suas vidinhas sem sabor e ausentes de significado.
O livro conta os ritos pelos quais os iniciados de uma qualquer Ordem têm de passar e o dinheiro que nisso investem, a propósito desse assunto há uma passagem hilariante, onde a escrita compulsiva, ao ritmo dos pensamentos absurdos, mas realistas, que Guilherme tem.
Conta-nos ainda os encontros sociais que acontecem onde a extorsão e abuso de poder estão na ordem de trabalhos.
Enfim, depois de ler este livro fiquei ainda mais convencida que é preciso muito jogo de cintura para enveredar por um caminho esotérico com outras pessoas e nomeadamente em Ordens, Confrarias, Irmandades, what ever.
Foi bom confirmar os meus medos, receios e renitências perante estas supostas Irmandades, Ordens e Confrarias que abundam a nossa sociedade de hoje em dia.
É um livro que aconselho pois através dele poderemos alargar a nossa visão e saber com o que poderemos, ou não, contar quando decidirmos enveredar por esses caminhos. O livro foi oferta de aniversário, obrigada Salamandra.

Num dia de Júpiter e de Saquiel, de São Tomás de Vila Nova e de São José de Cupertino

quarta-feira, setembro 17, 2008

Em reflexão

Para aqueles que crêem, nenhuma explicação é necessária,
para aqueles que não crêem, nenhuma explicação é possível,
mas para os que têm vivências, não há necessidade de convencer ninguém e nem de ser convencido do contrário.

Ser materialista é ter um dogma sem comprovação científica.

A ciência não é o fim, é o meio.

Os sábios possuem muitos porquês e poucas respostas, os "sabidos" possuem muitas respostas e poucos porquês.
Mark W. Baker

Num dia de Mercúrio e de Rafael, de Santa Comba e de São Pedro de Arbués

terça-feira, setembro 16, 2008

Uma noite mágica na Regaleira com os TapaFuros

Finalmente tenho alguma disponibilidade mental, não muita, pois ando muito ocupada mentalmente, para escrever algo sobre o misterioso espectáculo Folia! Tu és isso.
O espectáculo teve lugar nos misteriosos e iniciáticos jardins da Quinta da Regaleira, numa noite de lua cheia, com pessoas muito interessantes.
Às 8 e pouco da noite, depois do Sol se pôr e a lua estar alta, começou a viagem. Esta teve três momentos, actos, distintos. Primeiro somos abordados pela mãe e por Sebastião, o Oculto, que nos acolhem cheios de mistérios mas com muita força e vontade. Nesse momento, em frente ao Palácio, é nos pedido que façamos o primeiro exercício de desapego ao imaginar e sentir todo o Amor que temos por aqueles que amamos, para depois libertar esse sentimento por todo o Mundo, levando a nossa Luz ao lugares onde há obscuridade.

Presos ora somos
Livre seremos
Das amarras do sono
Enfim despertaremos!

Depois deste exercício é-nos oferecido uma vela e começa a peregrinação até à Capela. Aí é invocada a força da Liberdade e é-nos pedido que olhemos ao espelho e vejamos todos os nossos podres, para deles nos libertarmos. Continuando o caminho somos confrontados com os terríveis sete pecados capitais e num percurso, que se quer feito em silêncio meditativo, encontramos as sete estações com representações muito sui generis dos 7 pecados. E chegamos à Fonte d'Abundância. Neste local tão mágico colocamos a vela no altar e mais uma vez somos convidados a nos enfrentarmos com todas as palavra que apodrecem o nosso Mundo, mostrando-nos que todos nós, mesmo aqueles que se julgam mais puros, têm momentos em que nos deixamos apodrecer e apodrecemos o Mundo.
Das entranhas da terra saem os diabos e levam-nos de volta para a nossa prisão. É momento de limpar o ego de todos os medos, de nos preparamos para mergulhar na Terra húmida e escura da Grande Mãe, onde a purificação será realizada.

Um diabo em deus tornar
Todo o mal em bem volver
Morte na boca beijar
Vida outra renascer.

E pelas grutas escuras terminamos o primeiro acto, o momento da consciencialização do que somos, do que fomos e do que queremos ser.

A saída é pela luz e no Portal dos Guardiães começamos o segundo acto, onde somos iniciados, baptizados, ungidos e renomeados.
É feita a coroação ao Imperador e Imperatriz do Quinto Império, apenas se formos capazes de unir em nós essas duas polaridades, apenas se formos capazes de assumir que somos os olhos do Mundo e a canção que a manhã traz. Apenas se nos conseguirmos libertar de nós próprios, de todas as ideias que temos daquilo que somos. Apenas se conseguirmos ter um coração livre e inocente, como o da criança que no Pentecostes é coroada.
Depois do casamento místico tem lugar o bodo, no Terraço dos Mundos Celestes onde a barca da Ilha dos Amores espera ansiosamente para percorrer caminhos nunca antes navegados. E dá-se início ao terceiro e último acto, a festa, a Folia que ficará para sempre em nós.
O pão e o vinho consagrados dão início à loucura, onde os actores extasiados nos levam por caminhos sinuosos e cheios de malícia, as que apenas os ouvidos de uma criança e o seu coração poderão aceitar sem rigor.

Neste momento, o Imperador e a Imperatriz dão-nos conselhos sobre o caminho do meio, aquele que se pretende fazer através da alquimia de tornar a Tolerância e o Rigor um só.

Que palhaços do circo do Senhor,
Sejamos loucos do mais belo siso
Transformando em jogo a nossa dor
E a dádiva das lágrimas em riso.

O Filósofo e o Louco ensinam-nos o caminho, que só pode ser feito caminhando, quem nunca tiver errado que atire então a primeira pedra!
Como não poderia deixar de ser, a festa termina em dança louca medieval, onde todo o público participa e comunga da união que se criou.
Esta noite ficará para sempre gravada na minha alma como uma noite iniciática, onde o meu nome mágico mudou!

Num dia de Marte e de Samael, de São Cornélio e de São Cipriano

segunda-feira, setembro 15, 2008

No Túmulo de Christian Rosenkreutz

O tempo recentemente não é muito, mas sempre há tempo para deixar uma marca, um belo poema do mestre a jeito de recordar a noite iniciática por que passei ontem nos jardins nocturnos da Quinta da Regaleira.

I

Quando, despertos deste sono, a vida,
Soubermos o que somos, e o que foi
Essa queda até corpo, essa descida
Ate à noite que nos a Alma obstrui,

Conheceremos pois toda a escondida
Verdade do que é tudo que há ou flui?
Não: nem na Alma livre é conhecida...
Nem Deus, que nos criou, em Si a inclui

Deus é o Homem de outro Deus maior:
Adam Supremo, também teve Queda;
Também, como foi nosso Criador,

Foi criado, e a Verdade lhe morreu...
De Além o Abismo, Sprito Seu, Lha veda;
Aquém não há no Mundo, Corpo Seu.

II

Mas antes era o Verbo, aqui perdido
Quando a Infinita Luz, já apagada,
Do Caos, chão do Ser, foi levantada
Em Sombra, e o Verbo ausente escurecido.

Mas se a Alma sente a sua forma errada,
Em si que é Sombra, vê enfim luzido
O Verbo deste Mundo, humano e ungido,
Rosa Perfeita, em Deus crucificada.

Então, senhores do limiar dos Céus,
Podemos ir buscar além de Deus
O Segredo do Mestre e o Bem profundo;

Não só de aqui, mas já de nós, despertos,
No sangue actual de Cristo enfim libertos
Do a Deus que morre a geração do Mundo.

III

Ah, mas aqui, onde irreais erramos,
Dormimos o que somos, e a verdade,
Inda que enfim em sonhos a vejamos,
Vemo-la, porque em sonho, em falsidade.

Sombras buscando corpos, se os achamos
Como sentir a sua realidade?
Com mãos de sombra, Sombras, que tocamos?
Nosso toque é ausência e vacuidade.

Quem desta Alma fechada nos liberta?
Sem ver, ouvimos para além da sala
De ser: mas como, aqui, a porta aberta?
.......................................
Calmo na falsa morte a nós exposto,
O Livro ocluso contra o peito posto,
Nosso Pai Rosaecruz conhece e cala.

Fernando Pessoa

Num dia de Lua e de Gabriel, de Nossa Senhora das Dores e de São Domingos Soriano

domingo, setembro 14, 2008

Melodia da Semana XIX

Começa uma semana em cheio, hoje com o espectáculo na Quinta da Regaleira, Folia! Tu és isso..., amanhã com outro tipo de estreia e, enfim, a vida lá vai continuando.
Para esta semana tão plena escolho Dead Can Dance, uma banda que me diz muito, que mexe comigo, que me faz mexer o corpo, que me anima e me deixa pensativa ao mesmo tempo. Para uma semana tão diferente e plena em emoções só poderia escolher uma banda como esta, que me proporcionará a base ou a disposição para fazer tudo isso.

Do álbum homónimo a música é Garden of the Arcane Delights: The Arcane. A escolha é óbvia, será uma música para acompanhar a descida aos meus mundos inferiores, uma música para acompanhar a minha coragem em enfrentar os meus medos e, espero eu, vencê-los e uma música para dar início aos encontros de Tarot que vou iniciar esta semana também.

Hoje é um dia muito especial para mim e mal posso esperar pelo que vai acontecer, pois o teatro tem também a ver com a Santa Cruz e com toda essa tradição. A Santa Cruz foi exaltada por Helena, mãe de Constantino, que depois se tornou na Santa Helena. É de facto um dia muito especial hoje!!!

Num dia de Sol e de Miguel, de Santa Salustia e da Exaltação da Santa Cruz

sábado, setembro 13, 2008

Folia! Tu és isso

A Folia convida-te. Mas tens de estar preparado para te veres ao espelho, sabendo que ele não existe. Tens de estar preparado para veres, intimamente e sem anestesia, aquilo que te desconheces ou pretendes acima de tudo ocultar. Dos outros e, sobretudo, de ti próprio. Tens de estar pronto para visitares todas as mais recônditas possibilidades da vida, da morte e do que há para além de vida e morte. As tuas mais fundas possibilidades, o que és para além de ti mesmo. Tens de estar pronto para te despires. De tudo e de ti próprio. Se quiseres, vem então. Entra connosco neste teatro ilusório e verdadeiro, sisudo e louco, contemplativo e insubmisso, onde te arriscas a tudo, incluindo gozar e sofrer, chorar e rir, perder-te e encontrar-te. Vem, abandona o berço e o túmulo. Pois não nasceste nem morrerás.


TU ÉS ISSO.

Este foi o texto que despertou a minha atenção. Teatro, Ritual, Dança, Comunhão, Festa... Palavras tão poderosas para representar apenas uma coisa - A Arte de Caminhar. O espectáculo está em exibição desde 3 de Julho até 14 de Setembro e, como não podia deixar de ser, estarei presente no dia de fecho, na noite mágica de lua cheia, para comungar de uma energia diferente na enigmática Quinta da Regaleira.
O convite parte da Companhia de Teatro Tapafuros, com o texto de Paulo Borges e a encenação/direcção artística de Rui Mário.
Não há muito mais para dizer, por enquanto, a não ser que está difícil de aguentar a espera e que este espectáculo está envolto em acontecimentos estranhos, desde quase não se conseguirem bilhetes a desistências imprevistas e convidados inesperados. O que será que me aguarda amanhã? Sej ao que for será bem vindo, pois a proposta é ousada e a noite de fecho é sempre de arrombo, não só o espectáculo está melhorado, como as emoções serão outras. Tudo pode acontecer!!!
Até lá deixo-vos com o texto que podem encontrar no site da companhia de Teatro Tapafuros.
«Folia ! Mistério de uma Noite de Pentecostes, agora na nova versão Folia ! Tu és Isso, constitui uma recriação dos momentos fundamentais da Festa do Espírito Santo, desde a sua origem medieval, refundada pela Rainha Santa Isabel, até à actualidade, tal como ainda se celebra no Penedo, nos Açores, no Brasil e nas comunidades de emigrantes americanos.
Tendo conhecido, desde o século XIII ao XVI, uma invulgarmente rápida e vasta expansão, no continente, ilhas e colónias – sendo mesmo celebrada a bordo das naus da Índia - , a Festa foi considerada por Jaime Cortesão, António Quadros, Natália Correia, Lima de Freitas e Agostinho da Silva um dos fenómenos mais específicos e simbolicamente emblemáticos da cultura portuguesa e lusófona e da sua vocação ecuménica e universalista. Desde Jaime Cortesão que os Painéis atribuídos a Nuno Gonçalves, obra maior e paradigmática da arte portuguesa, estão associados ao Culto do Espírito Santo.

Folia ! propõe a recriação em termos contemporâneos da experiência da iniciação e da festa comunitária, associada a uma viagem pelo imaginário mítico, histórico e cultural português. Considerando que a Festa do Espírito Santo, herdeira de formas arcaicas e medievais do "sagrado de transgressão" (Roger Caillois), como as Saturnais, os ritos transmontanos do Solstício de Inverno e a Festa dos Loucos, bem como da experiência da superabundância cósmica e espiritual própria do Pentecostes hebraico e cristão, expressa o "mundo às avessas" e ritualiza uma transformação iniciática da consciência, visa-se renovar essa eficácia operativa nas condições da vida e da mentalidade contemporâneas.
Oferece-se assim um Teatro vivo e operático, que reassume as suas origens no rito iniciático, propondo-se uma profunda interacção entre actores e público em torno dos três acontecimentos fundamentais da Festa: a Libertação dos Presos, a Coroação do Imperador e o Bodo comunitário. Beneficiando das condições oportunas oferecidas pelas estruturas simbólicas da Quinta da Regaleira, a Libertação dos Presos vive-se num percurso em que somos convidados a libertarmo-nos de tudo o que encobre e oprime a nossa natureza somos convidados a libertarmo-nos de tudo o que encobre e oprime a nossa natureza profunda, descendo na terra e nas trevas e ascendendo para a luz (catábase e anábase), a Coroação do Imperador é uma experiência comunitária de reconhecimento da natureza sagrada de todos e de tudo e o Bodo é a comunhão e celebração disso, a Festa da Alegria e da Abundância, onde são vitais o pão e o vinho, a poesia, a música e a dança, culminada com a descida das Línguas de Fogo do Espírito.

Inspirada na leitura de Agostinho da Silva das relações entre a Festa do Espírito Santo, a Ilha dos Amores e o Quinto Império, o texto e a encenação convocam palavras e figuras das obras de Luís de Camões, Padre António Vieira e Fernando Pessoa, além do próprio Agostinho, do teatro vicentino e dos Painéis atribuídos a Nuno Gonçalves.
Folia ! – que se assume como corolário, mas não conclusão, das Comemorações do Centenário do Nascimento de Agostinho da Silva – propõe que as noites de verão na Quinta da Regaleira se tornem ainda mais feéricas e que possamos trazer esse espírito para as nossas vidas, celebrando-as como a quinta-essência deste Mistério de uma Noite de Pentecostes, pois Nós somos Isso !»
Paulo Borges

Num dia de Saturno e de Cassiel, de São Filipe e de São Lourenço Justiniano

sexta-feira, setembro 12, 2008

A Vida

Hoje só me apetece dizer isto:

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos
os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar se ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou contruir um castelo...


Num dia de Vénus e de Anael, de Santa Auta e de São Juvêncio

quinta-feira, setembro 11, 2008

Puxão de Orelha

Hoje aconteceu algo tão maravilhoso que não posso deixar de o referir, primeiro para registar o que aconteceu e depois para agradecer de forma pública pela graça que me foi dada.

Para hoje tinha programado aproveitar a lua em crescente para consagrar uns amuletos para uns familiares, que comprei no Bom Jesus de Braga e ainda andava à espera do momento ideal. Escolhi este dia porque a lua entrava em aquário, lua excelente para realizar rituais que tenham a ver com outras pessoas. Mas havia ainda outra situação pendente.
No Domingo passado, dia de quarto crescente, era o dia ideal para realizar um ritual para pedir prosperidade, que eu tinha agendado fazer, mas nesse dia acordei muito preguiçosa e decidi que não estava muito bem para o realizar. Na altura pensei que poderia fazê-lo depois, mas não tive grande vontade, dado que o tinha realizado há pouco tempo, em Fevereiro, o que não é assim há tanto tempo.
Contudo, hoje quando acordei e comecei a preparar o ritual de consagração, decidi que ia também fazer o da prosperidade, pois afinal a minha situação profissional estava a pedir que eu tomasse medidas.
Tudo se passou dentro da normalidade, nada de excitante ou de decepcionante a assinalar, um ritual normal que senti ter sido produtivo pois deixou-me segura de que tudo se iria passar bem, à semelhança do ritual em si. No fim, contudo, recebi uma prenda tão grande que nem soube como lidar com isso, dentro de mim surgiu um turbilhão de emoções contraditórias e confusas, até para mim. Às pessoas que tiveram de presenciar o acontecimento, mesmo se foi apenas por telefone, um muito obrigada por serem tão compreensivos, pacientes e amigos!
O que me aconteceu foi algo de muito bom, mas que apenas o tempo deixará que se revele, por isso, e mais uma vez, terei de esperar pacientemente. No entanto, foram feitas algumas pequenas mas grandes aprendizagens.
Hoje descobri que ando a perder as minhas energias desnecessariamente, hoje senti que levei mais um puxão de orelhas do Universo, que me mostrou como eu estou a dispersar, como me estou a tornar confusa e complicada. Mas graças aos deuses, quando saímos do Caminho o Universo mostra-nos, primeiro de formas suaves e depois mais evidentemente, que esse não é o Caminho. Assim, hoje experimentei a outra parte da Cabala, ou seja, aquilo em que acreditamos torna-se real, por isso cuidado; uma teoria que eu sei na prática mas que pelos vistos se está a tornar difícil de acreditar, pelo menos no campo profissional. Mais uma prova para superar!
Depois da aprendizagem de hoje, estarei ainda mais atenta para o que se passa na minha vida, isto é, estão coisas boas a acontecer ou más? Que ando a pensar, a dizer ou a fazer para criar essa realidade para mim? Estas são apenas duas das perguntas que vou incluir no fim do dia, quando fizer o meu balanço e me estiver a aconselhar com o Anjo da Guarda.

Num dia de Júpiter e de Saquiel, de São Teodoro e de São Jacinto

quarta-feira, setembro 10, 2008

Oração ao Anjo da Guarda

Ontem partilhei o ritual de União com o Anjo da Guarda, aquele ritual que fará com que conscientemente assumamos uma presença exterior a nós para nos ajudar efectivamente na nossa vida. O ritual que nos ligará de forma consciente à Energia que sempre nos acompanhou e que nos fará vê-lo, em breve partilharei mais rituais para contactar os Anjos. Hoje lembrei-me de colocar a Oração que se aconselha fazer todas as noites como forma de agradecimento, é claro, mais uma vez aquilo que vos deixo deverá ser um meio de trabalho para cada um construir a sua oração, eu pessoalmente prefiro um bom diáologo que todos os dias é diferente, mas que começa e temina da mesma forma, por agradecer e por me despedir com amor. A oração foi retirada do mesmo livro que o ritual Comunicar com o seu Anjo da Guarda de Haziel.


Anjo da Guarda, (nome do anjo da guarda) Irmão mais velho bem-amado, agradeço-te este ar que purificas para vivificar os nossos pulmões, o nosso sangue e vida; agradeço-te estes abundantes alimentos que nos ofereces, sem conta.
Obrigado por este pão que sai do trigo da terra; agradeço-te esta água pura das fontes, estes frutos doces e saborosos.
Obrigado pelas belas nuvens que desenhas no azul do céu e pelas paisagens dos campos verdes e floridos, perfumados.
Obrigado por me dares a Visão que os meus olhos contemplam, graças a Ti.
Obrigado por esta Primavera da minha alma, esta nova esperança jovial que chega do céu, pela Terra e pelo Mar.
Obrigado, Senhor, por iluminares a alma daqueles que não podem ver, para serem curados, e poderem contemplar a majestosa desta, de formas e de cores, que a Natureza, pela bondade dos Criador, oferece à Vista.
Obrigado, Senhor, por me guardares do mal e me permitires escutar, em paz, a Voz dos Homens de Bem, meus Irmãos, o canto dos Pássaros, dos Grilos, o canto da floresta sob o Vento, a expressão de todos os animais, as vozes do Mundo, a melodia da Vida, que osso escutar, graças a ti, que posso apreciar e amar, graças a Ti.
Permite-me, Senhor Anjo Celeste, meu Irmão e meu Guardião (nome do anjo da guarda), tornar-me, guiada por ti, a Voz que canta a Vida.
A Voz que, por ti, oferece alegria, a Voz que traz socorro, que presta serviço, a Voz que ama, que encoraja, a Voz que te fala em nome de todos os que não sabem (ainda) falar-te.
A Voz-Verbo, quer dizer: a Voz que se torna acção real, material, útil, eficaz, na Obra Divina hoje, que é a marcha para o novo Paraíso.

Anjo (nome do anjo da guarda), obrigado pelas energias que pões nas minhas mãos, nos meus músculos, que me permitem efectuar o gesto que salva, o gesto que acaricia, cheio de ternura, o gesto que cura, que cicatriza as feridas do corpo e do espírito; obrigado, Senhor, por este bálsamo miraculoso que apazigua todas as dores, apaga todas as preocupações, apaga, também e para sempre, as nossas faltas, nossos erros e enganos, inconscientes ou conscientes.
Obrigado, Senhor, por me guiares para que eu siga o caminho recto, cheio de luz, sem obstáculos que magoem os meus passos; obrigado pela energia miraculosa que ofereces ao meu pé direito e ao meu pé esquerdo.
Obrigado, Senhor e Irmão, Anjo e Guardião, pelo lar, pela casa onde moro. Obrigado por me teres feito nascer e viver na família, no meio que mereci pela minha acção em vidas passadas; obrigado pelos amigos que arranjaste à minha volta.

Peço-te, Senhor, que confortes, que cure os que sofrem; obrigado por lhes infundires a grande esperança da Idade do Ouro para todos nós, que já está a nascer, pela tua graça e pela graça dos Anjos da Guarda, divinos e únicos intermediários do progresso, da evolução moral e material dos Humanos.

Sim, obrigado Anjo (nome do anjo da guarda) Todo-poderoso, porque tu me amas realmente, e porque eu te amo reverencialmente; porque tu és o meu anjo e eu sou o teu Irmão Humano; e porque hoje a minha oração não é mais um monólogo, mas um diálogo, pela tua presença real aqui.

Agora e sempre. Ámen.

Num dia de Mercúrio, de Rafael e de São Nicolau de Tolentino

terça-feira, setembro 09, 2008

Ritual de União com o Anjo da Guarda

Hoje é um dia especial para mim, e para todos os que nasceram no mesmo dia que eu, hoje é um dos cinco dias do ano e que o nosso anjo da guarda está mais próximo de nós. Como tal decidi marcar este dia por partilhar o ritual de união que realizei com ele. O ritual foi retirado do livro de Haziel Como Comunicar com o seu Anjo da Guarda.
Depois de sentar confortavelmente, controlar a respiração e reflectir por momentos no que se vai fazer, lembre-se que depois de pedir ajuda ao seu anjo ele estará mais activamente na sua vida. Quando preparado dizer:

Adorável (o nome do seu anjo da guarda), meu anjo da guarda e Irmão mais velho venerado, que a tua luz ilumine e fortaleça a minha vontade. Que a tua sabedoria se manifeste em mim e por mim sobre a forma de Amor. Que o Todo Poderoso criador me induza a agir bem, sempre com prudência.
Ajuda-me a penetrar o mistério da tua Divina face, da tua presença sublime.
Abre-me a porta do teu Mundo esplendoroso para que eu encontre o meu caminho no Mundo Humano.

Colocar-se em pé, com a mão esquerda sobre o coração e a mão direita levantada à altura da cabeça dizer:

Tu estás aqui presente, Anjo (nome do anjo da guarda) testemunha das minhas intenções, para aceitar a aliança comigo, para aceitar percorrermos juntos o caminho da minha existência, aqui na Terra.
Espero tornar-me um auxiliar consciente, um nobre instrumento corpóreo, ao serviço da obra divina do mundo.

Sentar-se e dizer:

Sei que a Vida Espiritual deve desenrolar-se em união com a Vida Material e, assim, assumo a minha dupla obrigação de procurar, primeiro, o progresso material (saúde e prosperidade), a fim de realizar:
- Plenamente a minha Vida: poder agir intensa e utilmente.
- Plenamente o meu Amor: poder consagrar-me à minha vocação, poder amar e ser amado.
- Plenamente a minha Morte: conhecer tudo sobre os Mundos Invisíveis.
Procurarei, em seguida, o progresso espiritual, pois com ele devo completar a perfeição natural, a progressão, a evolução para o novo Paraíso.
Adorável (nome do anjo da guarda), eu quero a tua presença para melhor desenvolver as minhas faculdades físicas e o meu poder espiritual, a fim de ajudar sempre o próximo, sem nunca prejudicar ninguém. Quero ter uma acção útil a todos os seres da Criação. Desejo emancipar-me de toda a dependência, mas peço te que me ajudes a ter sempre confiança em mim, para poder agir por mim mesma, de acordo com as altas orientações que, a partir de agora, te peço, formalmente, me sugiras.
Todas as noites, antes de adormecer, reflectirei nas minhas acções do dia, para que, de modo visível ou invisível, possas orientar-me sobre a acção correcta a realizar no dia seguinte. Tu estás presente, e eu vejo-te, Testemunha Espiritual do meu compromisso. Foram as minhas palavras e os meus sentimentos de amor reverente, a mão sobre o coração e os pensamentos vindos sobre a leitura dos textos que tu inspiraste, que abriram teu olhar para este lugar, para mim, para reforçar a minha vontade com o teu Poder, Sábio e benevolente, em todos os dias da minha vida, em todas as circunstâncias, a partir deste momento.
Ámen!

Desfrutar da sensação oferecida pela união que se acaba de realizar.

Terminar o ritual com a leitura em voz alta da exortação do Anjo, que varia de pessoa para pessoa.

Num dia de Marte e de Samael, de Santa Serafina e de São Gregório

segunda-feira, setembro 08, 2008

Livro de Horas

Tenho andado com alguma incapacidade para escrever, não compreendo o que se passa pois tenho tempo e vontade, mas quando chega a hora de escrever, nada me satisfaz. Os estudos estiveram parados e, por isso, não tenho muita informação para partilhar, mas há uma quantidade de reflexões que desejo fazer, mas não as consigo escrever.
Como me habituei a respeitar estas fases, tenho escolhido alguns poemas que me dizem muito, desde as férias pelos vales e motanhas de Portugal que Miguel Torga me faz companhia e, tenho descoberto coisas muito interessantes na sua bibliografia. Hoje deixo este poema, no qual que me revejo imenso!


Aqui, diante de mim,
eu, pecador, me confesso
de ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
que vão ao leme da nau
nesta deriva em que vou.

Me confesso
possesso
de virtudes teologais,
que são três,

e dos pecados mortais,
que são sete,
quando a terra não repete
que são mais.

Me confesso
o dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas,
e o das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
andanças
do mesmo todo.

Me confesso de ser charco
e luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
que atira setas acima
e abaixo da minha altura.

Me confesso de ser tudo
que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.

Me confesso de ser Homem.
De ser o anjo caído
do tal céu que Deus governa;
De ser o monstro saído
do buraco mais fundo da caverna.

Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
para dizer que sou eu
aqui, diante de mim!

Num dia de Lua e de Gabriel, de Santa Regina e de São Adrião

domingo, setembro 07, 2008

Melodia da Semana XVIII

Mais uma semana que chegou ao fim e mais uma que começa. Foi uma semana intensa, cheia de boas conversas com amigos e de aventuras interiores ao som dos bons velhos tempos antigos. Durante esta semana fui aprendendo um pouco mais sobre mim e sobre o ser humano em geral, debati, li , ouvi, assisti e participei em assuntos importantes, que me ajudaram a ultrapassar momentos e fases de uma vida que se quer cheia e intensa de emoções. Foram dias belos mas ao mesmo tempo confusos, foram dias alegres e ao mesmo tempo tristes, foram dias complexos necessários a qualquer mudança. Por tudo isto estou grata!

Assim sendo para esta semana escolho uma música de uma banda bastante intensa e plena de emoções Mogwai, porém, a escolha desta música em particular, Auto Rock, deve-se ao facto de ela estar presente no filme Miami Vice do grande mestre Michael Mann. É um filme que me recorda os tempos antigos, a série televisiva onde Mann era produtor, mas também estes tempos actuais onde tudo se pode tornar confuso mas onde os verdadeiros valores, como o Amor, poderão sempre vencer. A música leva-me a mergulhar nos meus sentimentos mais caóticos, algo que está a ser necessário para agora.
Para esta semana é tudo isso que desejo.

Num dia de Sol e de Miguel, de São Cláudio e de São Grato

sábado, setembro 06, 2008

2 Poemas

Preservação

Chama-se liberdade o bem que sentes,
Águia que pairas sobre as serranias;
Chamam-se tiranias
Os acenos que o mundo
Cá de baixo de faz;
Não desças do teu céu de solidão,
Pomba da verdadeira paz,
Imagem de nenhuma servidão!


Miguel Torga

D. Fernando
Infante de Portugal

Deu-me Deus o seu gládio porque eu faça
A sua santa guerra.
Sagrou-me seu em honra e em desgraça,
Às horas em que um frio vento passa
Por sobre a fria terra.
Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me

A fronte com o olhar;
E esta febre de Além, que me consome,
E este querer grandeza são seu nome
Dentro em mim a vibrar.
E eu vou, e a luz do gládio erguido dá

Em minha face calma.
Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois, venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma.

Fernando Pessoa, in Mensagem

Num dia de Saturno e de Cassiel, de Santa Libânia e de São Eleutério

sexta-feira, setembro 05, 2008

Rotina ou Disciplina?

Hoje apetece-me divagar sobre um aspecto que há algum tempo me andava a ocupar a mente. Quando iniciei este caminho, com mais consciência sobre aquilo que pretendia para mim, deparei-me com uma necessidade pessoal, tornar-me disciplinada.

Porém, havia uma dualidade nesse meu desejo. Dentro de mim eu deseja ser capaz de ter uma higiene diária espiritual, isto é, de conseguir todos os dias meditar, alinhar os meus chakras e desenvolver técnicas básicas de magia. Todavia, sempre que fazia uma agenda com esses compromissos a coisa descambava. Crescia dentro de mim uma dúvida enorme, pois embora desejasse essa rotina diária, não queria que a minha espiritualidade se tornasse numa rotina. O dilema foi crescendo e a mente nunca conseguiu obter uma resposta suficiente para largar o assunto. A dúvida era simples - eu queria ser disciplinada mas sem que aquilo se tornasse parte da rotina, ou seja, sem que fosse mais uma das obrigações a que todos os dias estamos sujeitos.

Larguei o assunto e, ainda por cima de férias, também larguei a disciplina, pois tem sempre de haver um momento de paragem. Tudo na vida é cíclico e depois de muito trabalho é necessário o repouso, depois de muito repouso é necessário o trabalho e por aí fora.

Então, há uns dias atrás a ler um livro que não me recordo agora o nome, descubro a minha resposta, que é bem simples. Por vezes tenho tendência a ponderar demasiado as coisas, algo que até é quase contra-natura a uma carneiro como eu, mas a verdade é que a minha auto-disciplina me ajudou a dominar essa impulsividade e agora sou demasiado ponderada em algumas situações. Enfim, nunca há situações perfeitas, talvez momentos!

A resposta é simples, conforme estava a dizer, enquanto for minha a decisão de realizar aquelas actividades com aquela regularidade, não estou a cair na rotina, pois esta acontece de forma inconsciente, sem que o desejemos; enquanto que a disciplina é algo feito e desejado com consciência do que é pretendido.
Uma resposta tão simples para acalmar a minha mente, uma resposta suficiente para que eu me sinta em paz, sabendo a distinção entre rotina e disciplina.

Num dia de Vénus e de Anael, de São Vitorino e de São Antonino

quinta-feira, setembro 04, 2008

O ponto

Este sinal é a origem e a essência de todos os outros, todos eles partem dele e a ele pretendem chegar. Assim sendo não será difícil de compreender que ele pretende representar a Origem, o ponto de onde tudo começou e para onde tudo pretende convergir. As lojas antigas da Maçonaria expressavam o seu secretismo através do ponto.
O ponto pode ainda representar a vastidão de hipóteses que podem ocorrer, pois um ponto pode tornar-se em qualquer coisa que desejemos, fazer esse exercício pode ser produtivo pois ajuda-nos a compreender o significado deste símbolo que muitas vezes utilizamos e sem dar grande significado.
O ponto que utilizamos todos os dias enquanto escrevemos pode sempre representar de facto o fim, como um início. Quando coloco o ponto final não sei se será o fim do texto ou se virá mais uma frase, parágrafo, ideia a ser exprimida. Isto para chegar à expressão que utilizamos com regularidade ou não, depende de cada um, eu utilizo bastante e muitas vezes deparo-me com a realidade de que não foi bem assim "Pôr um ponto final no assunto!". A partir de hoje tenho de ter consciência que quando professo essas palavras o que na verdade estou a dizer é: "Este assunto acabou por aqui, mas poderá ter continuidade noutros termos, noutras situações." Devemos ter cuidado com a utilização dos símbolos no dia-a-dia, não os devemos profanar, ou seja, retirar-lhes o seu significado sagrado de ensinamento para o desprover de significado.
Meditar sobre o ponto é muito interessante pois ajuda-nos a descobrir quais as ideias, conceitos e filosofias que estão no nosso ponto interior, pois não nos podemos esquecer que tudo o que aplicamos ao exterior aplica-se também ao nosso interior. Nós somos um pequeno Universo dentro de um vasto Universo, dentro de uma enorme galáxia...

Num dia de Júpiter e de Saquiel, de Santa Rosa de Viterbo e de Santa Grata

quarta-feira, setembro 03, 2008

Caminho

Tenho sonhos cruéis; n'alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...

Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...

Porque a dor, esta falta d'harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora,

Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.

Camilo Pessanha, in Clepsidra

Num dia de Mercúrio e de Rafael, de Santa Cândida e de São Gregório Magno

terça-feira, setembro 02, 2008

Desapontamento

Hoje em conversa com uma amiga foi-me sugerido que falasse um pouco sobre o sentimento de desapontamento, a princípio recusei a ideia mas depois achei que poderia de facto ser produtivo, nesta nova etapa, fazê-lo. Contudo, não o farei colocando-me no papel da vítima, não, esse não é nem nunca será o meu papel, pois tudo o que me acontece é da minha responsabilidade, a culpa não é dos outros, eu, pelo menos, não acredito nisso. Quando assumimos a nossa responsabilidade, assumimos também a nossa capacidade de criar o nosso Mundo e isso leva-nos a um questionamento interior constante. As perguntas sobre quem somos, quem queremos ser, onde estamos, onde queremos ir, são a base de qualquer busca espiritual, pois o caminho começa em nós e em nós termina.
As perguntas, porém, podem representar um impasse, algo que nos pode toldar a mente e impedir de seguir o Caminho, podem-se tornar num labirinto indecifrável onde muitas almas já caíram. Mas, recentemente, percebi que quando isso acontece é porque estamos a fazer as perguntas erradas e que basta encará-las de uma outra perspectiva para seguir em frente.
Assim, quando nos sentimos desapontados com algo o que devemos perguntar primeiro não é porquê, por que razão tal pessoa me fez assim ou assado, porque me aconteceu tal desgraça ou infortúnio, mas sim como cheguei a este sentimento, a esta situação, como me permiti aqui chegar.
O desapontamento pressupõe sempre que havia expectativas perante algo, estávamos à espera de um resultado, e não vale a pena dizer que deixamos um espaço de manobra para o que tiver de surgir porque isso é simplesmente treta. Estamos habituados e assim fomos criados a tentar ter tudo sobre o nosso controlo, trabalhamos x número de horas, vamos ao ginásio x número de horas, dormimos x número de horas, comemos x número de calorias e até temos as relações sexuais controladas, durante a semana de determinada forma e ao fim-de-semana de outra mais livre, mas nem por isso menos controlada.
A verdade é esta - estamos sempre à espera de algo do outro, de algo de determinada situação e não damos ponto sem nó e quando o nó não tem a forma que queremos ficamos desapontados.
Então a pergunta só pode ser: o que me levou a esperar isto desta situação? Alguém me prometeu isso? Não, então fui eu própria que provoquei este sentimento de desapontamento, logo, ele não tem razão nenhuma para existir.
Posto isto, e deixando o papel de vítima de lado, podemos então deixar espaço para que a verdadeira fé se revele, aquele que me vai encher o coração de segurança por saber que isto tem uma razão de ser e que, de certo, será para o meu melhor!
Este é mais uma daquelas valiosas aprendizagens, feita a custo de muita refexão e de muito questionamento: quando assumimos controlo da nossa vida e nos deixamos de esperar que os outros tenham pena de nós e que se sintam culpados pelas nossas desgraças, surge uma força interior como nunca assistimos antes, a verdadeira força da Fé, da Esperança e do Amor.
Sobre o desapontamento é o que tenho para dizer, não estou desapontada pois confio e acredito que o melhor está para vir, pelo menos é isso que eu quero para mim e assim será!

Num dia de Marte e de Samael, de Santo Estêvão da Hungria e de São Brocardo

segunda-feira, setembro 01, 2008

Liberdade

– Liberdade, que estais no céu…
Rezava o padre nosso que sabia
A pedir-te, humildemente,
O pão de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

– Liberdade, que estais na terra…
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.
Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.

– Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome
Miguel Torga

Num dia de Lua e de Gabriel, de São Egídio e de São Constâncio
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