sexta-feira, outubro 31, 2008

Ritual dos Planos

Bom, cá vou deixar escrito o ritual que se pode realizar hoje, noite das bruxas, em que os dois mundos se tocam e em que as portas se abrem, cuidado, não batam à porta errada, hoje tudo pode acontecer!!!
O ritual tem três momentos diferentes: o primeiro em que pretendemos convidar os Mestres e desencarnados que desejem estar presentes nesta comemoração, atenção nesta noite é apenas um convite que se faz, nunca uma invocação; depois surge o momento de queimar os nossos pedidos e realizar uma meditação sobre este novo ano que começa e por último a comunhão com a Energia Primordial e todos os nossos Irmãos do País da Luz que estiveram presentes de livre vontade, a festa.
Para realizar este ritual necessitamos de uma vela verde, papel onde escrevemos previamente os nossos pedidos de renovação ou de iniciação, pão e vinho para comungarmos da energia.
Depois de se ter encerrado o círculo mágico para nos protegermos das energias que poderiam influenciar o nosso ritual, devemos abrir o círculo para os Elementais e Anjos Guardiães das 4 Portas, invocando a sua presença (este ritual precede sempre os outros e por isso podemos invocar a sua energia).
Depois de sentirmos que estamos protegidos e bem energizados podemos começar o nosso ritual, que foi retirado do livro Rituais Antigos para um Mundo Novo – Manual de Magia de José Medeiros .
Acendemos a vela verde a Oriente e dizemos:

- Nesta noite especial, em que as portas dos planos estão abertas e toda a Magia é possível, convidamos os Irmãos do País da Luz que desejem reunir-se a nós para estarem presentes neste ritual.

Saudamos o Oriente flectindo a cabeça e erguendo os braços.

- Vinde festejar a data mais importante do ciclo, em que nos libertamos do já vivido e prepararemos o Caminho para o próximo ano.
Passai o Círculo, queridos Irmãos, vinde em paz e com muito amor.

Pegar no papel onde se escreveram os desejos/pedidos.

- Trago os símbolos do que me quero libertar inscritos neste papel, que queimarei. Nele escrevi, igualmente, os projectos que me proponho realizar. Ajuda-me, Senhor dos Mundos Subterrâneos, levando e destruindo o que não faz sentido ou não é necessário no meu Caminho e dando-me Força para concretizar o que for útil para a minha realização.

Queimar o papel na chama da vela verde, deitando as cinzas na taça do fogo.

- Senhor do Mundo Subterrâneo, agradeço o teu auxílio.
Agora que me sinto liberta e feliz, pedirei protecção aos Mestres para que este ano que começa esteja cheio de bênçãos e prosperidade.


Saudar o Oriente (símbolo da Luz) e fazer a meditação. Depois de meditar, dizer:

- Senhor do Mundo Subterrâneo, quando nos vieres buscar, guia-nos, ensina-nos e reconforta-nos. Assim renasceremos de novo para a graça da Grande Mãe e do teu Amor. Quando isso acontecer, pedimos-te para reencontrar os nossos companheiros da Roda da Vida, no mesmo lugar e na mesma época, para os reconhecermos e amarmos de novo.

Consagrar o pão e o vinho pela imposição de energia através das mãos.

- Recordemos que sem morte não há vida. Regozijemos em honra dos Mestres, comunguemos e renascemos de novo.

Partilhar o pão e o vinho se houver mais pessoas presentes.

- Na noite da Tradição, em que os Planos se cruzam e as Energias se tocam, o passado é destruído e reordenado para que nasça um novo ciclo.
Aproveitemos a orientação dos Mestres para retomarmos o nosso caminho com Vontade e Segurança.
Pai/Mãe do Universo, Energia Primordial, guia-nos no Bom Caminho e dá-nos Força para vencermos o Bom Combate.


Saudar o Oriente.

O ritual será terminado por uma despedida das Energias que estiveram presentes a nos proteger e por abrir de novo o Círculo para que a energia volte a circular livremente.

Uma última chamada de atenção para o que é o Senhor do Mundo Subterrâneo, pois nada tem a ver com a adorações a energias menos positivas. Os Celtas acreditavam que havia dois deuses gémeos e cada um governada em cada metade do ano. O deus Luminoso governava desde metade do Inverno até ao meio do Verão e o deus da Escuridão que governa o restante tempo. Cada um tinha características distintas mas ambos eram positivos, o deus Azevinho ou do Mundo Subterrâneo, aqui mencionado, representa o declínio da Natureza, o adormecimento e por fim o repouso completo, pode ser associado ao deus Saturno/Cronos, mostra-nos apenas outro lado do ciclo da vida, necessário para que ela aconteça.

Este ritual tem uma energia fabulosa e para quem ainda não se iniciou é sempre um momento fabuloso para o fazer. Se desejarem podem adaptar o ritual e fazê-lo ao vosso jeito, ou na verdade ou em meditação, de qualquer forma, esta noite tem uma Energia que não se deve desaproveitar.
Feliz dia das Bruxas!!!

Num dia de São Quintino e de Anael, Regente da Energia de Vénus, com a lua em crescente e em Sagitário

quinta-feira, outubro 30, 2008

Halloween

Estou em preparação para o dia importante que se avizinha, o famoso dia das Bruxas, o Halloween.
Este dia é tradicionalmente o início do ano celta e como era um início havia o hábito de se livrarem dos velhos vícios, pecados, maus costumes, energias negativas, de fazerem pedidos e desejarem projectos novos para o ano seguinte. Era também o dia em que os desencarnados se poderiam manifestar e estar aqui neste Plano, servia então para reencontros com os Mestres e com os Amigos que se havia perdido, onde se lhes podia pedir conselhos e ajuda.
Actualmente tenta-se manter exactamente esta simbologia, e, curiosamente, para mim é sempre realmente um início de um novo ano, pois a minha iniciação aos rituais ocorreu de facto numa noite de Halloween, por isso este ritual faz muito sentido.
Amanhã, um dia de Vénus o que é excelente, será o dia de realizar o Ritual dos Planos, um ritual onde se pretende queimar/eliminar todos os aspectos negativos da nossa vida/pessoa, iniciar projectos importante para nós, pedir protecção aos Mestres que já partiram e que estes nos abençoem neste novo ano que começa.
Como preparação para um dia onde podemos simplesmente apagar o que não gostamos na nossa vida é importante reflectir sobre o estado actual da nossa vida: o que nos faz feliz, o que não, o que nos esgota, o que nos consome mas nos dá prazer, que tipo de sentimentos preenchem o nosso coração, que tipo de pessoas estão à nossa volta... enfim, reflectir sobre todas as áreas da nossa vida, ver todas as influências no nosso dia-a-dia e verificar o que nos faz bem e o que nos faz menos bem. Só depois de uma verdadeira reflexão/análise, poderemos então começar a desejar eliminar e reprogramar uma nova vida, uma nova pessoa.
É um momento decisivo que o Universo nos oferece todos os Anos, a Roda da Vida gira e ou aproveitamos a oportunidade ou teremos de esperar por outra vez, é simples: ou escolhemos o nosso Caminho ou deixamos que seja o Exterior a fazê-lo!

Num dia de São Serapião, São Claudio e de Saquiel, regente da Energia de Júpiter

quarta-feira, outubro 29, 2008

Baphomet

Esta semana nos meus estudos encontrei finalmente uma explicação lógica sobre este símbolo. Nunca acreditei naquelas explicações de que esta imagem representava o diabo, para refutar esta ideia bastava ver que está associado aos Templários e estes nunca foram adoradores do demónio, ao contrário do que a Igreja tentou e tenta ainda incutir.
Assim, encontrei uma explicação muito completa e vou partilhar, pois creio que já chega de sermos coniventes com esta crença absurda, pois quantos mais acreditarem que assim é mais verdadeiro se torna, está tudo na ideia, o que pensamos criamos.
A este assunto acrescento um outro que me faz muita confusão, um que me deixa com muitas perguntas e, por vezes, me coloca em becos sem daída. Eu não acredito na ideia de que o diabo exista e se me disserem que para haver o Bem tem de haver o Mal, o princípio dos opostos, eu respondo simplesmente que Deus existe e como oposto a isto é não existir, se Deus é, o diabo não é. Acreditar numa força maligna é dar-lhe força para que ela exista e eu não desejo criar um ser maligno, por isso assumo que ela não existe. Aquilo que para mim existe são energias mal utilizadas, são os nossos actos inacabados, os nossos erros, as nossas perversidades. Essas energias podem adquirir uma forma no campo astral e comummente assumem essa imagem de diabo que nós criámos, mas isso não quer dizer que ele exista realmente como uma entidade. Mas talvez um outro dia me debruce mais sobre este tema que dá muita água pelas barbas, por hoje ficamos pela descodificação de Baphomet.

O bode (...) traz na fronte o signo do pentagrama, com a ponta para cima, o que é suficiente para fazer dele um símbolo de luz; faz com as mãos o sinal do ocultismo, e mostra em cima a lua branca de Chesed, e em baixo a lua preta de Geburah. Este sinal exprime o perfeito acordo da misericórdia com a justiça. Um dos seus braços é feminino, o outro é masculino (...) O facho da inteligência que brilha entre os seus chifres é a luz mágica do equilíbrio universal; é também a figura da alma elevada acima da matéria, como a chama está presa ao facho. A cabeça horrenda do animal exprime o horror do pecado (...) O caduceu, que está em lugar do órgão gerador, representa a vida eterna; o ventre coberto de escamas é a água; o círculo que está em cima é a atmosfera; as penas que vêm depois são o emblema do volátil; depois, a humanidade é representada pelos dois seios e os braços andróginos desta esfinge das ciências ocultas.
in, Dogma e Ritual de Alta Magia, Éliphas Lévi

Num dia de São Narciso, São Feliciano e de Rafael, energia de Mercúrio

terça-feira, outubro 28, 2008

2.ª Lição do Mago

O regresso do mago só poderá acontecer com o regresso da inocência
A essência do mago é a transformação.
in, O Caminho do Mago, Deepak Chopra

Num dia de São Simão, São Faro e de Samael, energia de Marte

segunda-feira, outubro 27, 2008

Kether - a Coroa

Depois de finalmente ter escrito uma introdução à Cabala, eis que hoje vem a continuação.
A primeira esfera, aquela de onde descemos e para onde pretendemos retornar, chama-se Kether - a Coroa e situa-se no topo da árvore na coluna do meio e faz parte do triângulo superior.

Kether significa o Princípio fundamental, Deus, se assim lhe quisermos chamar ou simplesmente a Origem, a Energia Primordial. Antes de Kether há o Ain Soph Aur, a Luz Ilimitada, o Nada Absoluto e foi daí que surgiu esta esfera, que engloba em si todas as possibilidades de acontecimentos. Kether é a compilação bruta de todas as qualidades do Nada, no entanto, tudo é apenas possibilidade, isto é, nesta esfera não há forma, não há tempo, nem espaço, há apenas a potencialidade das coisas.
Ela representa a perfeição absoluta de Deus e como para Deus foi necessário criar o Homem para que a Obra fosse possível, para Kether foi necessário construir as restantes esferas para que Deus se pudesse manifestar.

A experiência que poderemos encontrar nesta esfera, a aprendizagem que aqui deveremos realizar, é a de união com o divino, quer seja quando descemos, quer seja quando subimos a Árvore. Nela deveremos meditar sobre a Energia de Deus, é aqui que poderemos encontrar as respostas, é neste esfera que nos Iluminamos.

O Planeta que se lhe associa é Úrano por ser o deus criador do céu, aquele que mantinha os seus filhos enclausurados na terra e que tornou possível a iniciação do mundo, a criação dos deuses e dos reinos. Poderemos ainda fazer várias outras associações a Kether que nos podem ajudar a melhor a compreender, porém, creio que quanto mais elementos associarmos, mais confuso se tornará compreender a essência simples desta Sephira.

No meu dia-a-dia utilizo a energia de Kether quando pretendo invocar Luz. Sempre que vou realizar uma meditação envolvo-me numa bolha de luz protectora, esta luz visualizo-a a ser emanada de Kether directamente para mim. Durante os meus trabalhos de magia, sempre que invoco a Energia Primordial é de lá que a vejo sair, sempre que preciso de me energizar invoco a luz de Kether, a Luz mais neutra que poderemos algum dia experimentar. Em verdade, nesta esfera, sendo que ainda não há materialização, não existe qualquer aspecto negativo, Kether é a única esfera que não tem os opostos, ali reside energia andrógina, ainda não manifestada e por isso pura.

Para quem considerar mais fácil trabalhar com a energia dos anjos, Metraton é o Regente desta esfera, que tem como legião os Serafins. Deixo aqui uma oração que se pode realizar para este Anjo e, claramente, para esta esfera se manifestar para nós.

Anjo Metraton, que formas, com os serafins, a sublime esfera de Luz e de Fogo primordial, dá poder e brilho à chama do meu ser espiritual e mantém vivo o meu desejo ardente de prosseguir na busca da Verdade, e de não me cansar jamais, pois sei que és tu que sopras o alento para manter viva esta chama. Anjo Metraton, que o Fogo Divino possa fazer com que eu nunca seja indiferente aos que vivem junto de mim. Mantém vivo o Fogo, Anjo Metraton e Serafins, nas minhas ideias, nos meus projectos, no meu desejo de prestar serviço, de ser útil a meu próximo. Queimem, Serafins de Kether, todas as escórias, todas as impurezas que meu desejo me atrai, para que nos meus sentimentos não fique nada senão o desejo ardente de me afastar da maldade e da mediocridade dos insensatos. E também, Príncipe do Mundo, dá ao meu corpo o calor necessário para uma boa saúde, pois quero ser útil no trabalho humano que tu me hás-de indicar (ou indicaste). Príncipe Metraton, Serafins de Kether, Senhores e Mestres do domínio infinito do fogo celeste: Aqui, do meu nível Humano, eu vos envio as minhas saudações cheias de AMOR.

Num dia de São Elesbão, São Gonçalo de Lagos e de Gabriel, energia de Lua

domingo, outubro 26, 2008

Melodia da Semana XXIV

Hoje é um dia muito especial, há 32 anos atrás uma das minhas almas gémeas decidiu descer a este Plano e vir-me ajudar a fazer o meu Caminho, fazendo também o seu, claramente. Por todas essas razões estou grata e faço provas disso.

Esta semana teremos dEUS a acompanhar as nossas visitas ao blogue. De uma discografia interessante, opto por uma música do álbum The Ideal Crash, na minha opinião o melhor álbum da banda. A escolha foi difícil pois entre Sister Dew e The Ideal Crash, não é facil optar. No fim o que contou foi a mensagem da música. Portanto cá está mais uma escolha da semana, esta mais do que as outras inspirada na minha história pessoal

A todos uma excelente semana!

Stay by my side, it's over
the ride isn't what I told you
the painkiller-side of this life
is to not look behind it's over

I have been told about longing
a feeling so old, it's dead
I must have been misled
so stay by my side, I'm sorry.

I'm drawing myself the ideal crash
but I know I won't believe me.
There'll be a time you'll leave me.
Stay by my side, it's sexy
the way that we talk about stuff
the way that we laugh with love
the way that we're falling off.

Num dia de São Evaristo, Santa Sabina e de Miguel, energia do Sol.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Dia de Rafael Arcanjo

Rafael está encarregue de curar a terra, e através dele ... A Terra fornece uma residência para o Homem, a quem ele também cura.

Zohar

Hoje é o dia em que se celebra o Arcanjo do Ar, de Mercúrio, o Mensageiro de Deus e o Curandeiro dos Homens. Rafael é um dos Arcanjos que mais próximo sinto de mim e por isso este dia torna-se mais especial.
Para hoje, e porque os mantras trabalham com o Ar, vou partilhar o mantra que uso para me sentir mais próxima de Rafael, aquele que canto quando preciso de cura ou de acalmar a minha mente e ouvir o meu coração.

Om mani padme hum (Oh jóia de lótus)

Deixo aqui o vídeo da música que também oiço para me sintonizar com esta energia linda, que nos envolve numa onda de calor e nos acolhe como se tivéssemos chegado aos braços dos nossos pais e estes nos afagassem a cabeça e beijassem.

Num dia de Rafael Arcanjo, de São Fortunato e de Anael, energia de Vénus

quinta-feira, outubro 23, 2008

Oração aos Anjos de Escorpião

Hoje o Sol entrou em Escorpião e com ele vem a mudança. Este período que se iniciou no Equinócio de Outono é um período de reflexão, de nos recolhermos e questionarmos. É momento de nos virarmos para dentro e hibernar, de mergulhar nas nossas águas interiores e descobrir e limpar os nossos tesouros.
Assim, hoje decidi publicar neste meu espaço a oração que Haziel nos oferece no seu livro dos Anjos da Guarda. É uma oração simples, mas, como as restantes dedicadas aos signos, muito em sintonia com a fase que o Sol em Escorpião representa. Fazer esta oração todos os dias pode nos ajudar a orientar a nossa Caminhada. Espero que gostem e achem útil também.

Anjos das Águas Profundas do meu Espírito, estou emocionada por me encontrar em face da vossa Majestade no meu próprio Interior.
Ajudai-me a dominar as paixões negativas, as que não são orientadas para o céu.
Peço-vos também para inflamarem a minha Vontade, o meu entusiasmo, para que as Águas Internas (as minhas Tendências) não fiquem estagnadas, mas actuantes e fecundas; úteis ao meu progresso espiritual e à minha prosperidade material, para o maior bem do meu próximo e de mim mesmo, na Glória do Mestre do Universo.
ÁMEN

Num dia de São Romano, de São João Capistrano e de Saquiel, energia de Júpiter

quarta-feira, outubro 22, 2008

O Poema dos Dons

Hoje chegou até mim este belo poema que decido partilha. Jorge Luis Borges é um dos meus autores preferidos e, curiosamente, ainda não lhe tinha dedicado nenhum post, fica assim remediada a situação.
Espero que gostem tanto quanto eu gostei!!!

Graças quero dar ao divino
labirinto de efeitos e causas
pela diversidade das criaturas
que formam este singular universo,
pela razão, que não deixará de sonhar
com um plano para o labirinto,
pela face de Helena e a perseverança de Ulisses,
pelo amor, que nos deixa ver os outros
como os vê a divindade,
pelo firme diamante e água solta,
pela álgebra, palácio de precisos cristais,
pelas místicas moedas de Ângelo Silésio,
por Schopenhauer,
que talvez decifrou o universo,
pelo fulgor do fogo,
que nenhum ser humano pode olhar sem assombro antigo,
pelo mogno, o cedro, o sândalo,
pelo pão e o sal,
pelo mistério da rosa
que prodigaliza cor e não a vê,
por certas vésperas e dias de 1955,
pelos duros tropeiros que na planície fustigam os animais e a alva,
pela manhã em Montevidéu,
pela arte da amizade,
pelo último dia de Sócrates,
pelas palavras que no crepúsculo disseram
de uma cruz a outra cruz,
por aquele sonho do Islão que abarcou mil e uma noites,
por aquele outro sonho do inferno,
da torre do fogo que purifica
e das esferas gloriosas,
por Swedenborg,
que conversava com os anjos nas ruas de Londres.
Pelos rios secretos e imemoriais
que convergem em mim,
pelo idioma que, há séculos, falei em Nortúmbria,
pela espada e a harpa dos saxônios,
pelo mar, que é um deserto resplandecente
e uma cifra de coisas que não sabemos
e um epitáfio dos vikings,
pela música verbal da Inglaterra,
pela música verbal da Alemanha,

pelo ouro que reluz nos versos,
pelo inverno épico,
pelo nome de um livro que não li: Gesta Dei per Francos,
por Verlaine, inocente como os pássaros,
pelos prismas de cristal e o peso de bronze,
pelas raias do tigre,
pelas altas torres de
São Francisco e da ilha de Manhattan,
pela manhã no Texas,
por aquele sevilhano que redigiu a Epístola Moral
e cujo nome, como ele houvera
preferido, ignoramos,
por Séneca e Lucano de Córdoba,
que antes do espanhol escreveram
toda a literatura espanhola,
pelo geométrico e bizarro xadrez,
pela tartaruga de Zenão e o mapa de Royce,
pelo odor medicinal do eucalipto,
pela linguagem, que pode simular a sabedoria,
pelo esquecimento, que anula ou modifica o passado,
pelo hábito, que
nos repete e nos confirma como um espelho,
pela manhã, que nos proporciona a ilusão de um começo,
pela noite, sua treva e sua astronomia,
pelo valor e a felicidade dos outros,
pela pátria, sentida nos jasmins
ou numa velha espada,
por Whitmann e Francisco de Assis, que já escreveram o poema,
pelo facto de que o poema é inesgotável
e se confunde com a soma das criaturas
e jamais chegará ao último verso
e varia segundo os homens,
por Francisco Haslam, que pediu perdão aos filhos
por morrer tão devagar,
pelos minutos que precedem o sono,
pelo sono e pela morte,
esses dois tesouros ocultos,
pelos íntimos dons que não enumero,
pela música, misteriosa forma do tempo.

Jorge Luis Borges, in O Outro, O Mesmo

Num dia de Santa Maria Salomé e de Rafael, energia de Mercúrio

terça-feira, outubro 21, 2008

Lima de Freitas em Lisboa e na Regaleira

Ficar sem carro, devido ao pequeno acidente (já resolvido), fez com que redescobrisse o que é andar de transportes públicos, em particular de comboio.
Numa viagem descobri uns azuleijos muito interessantes na estação do Rossio, no túnel que liga esta estação à do metro nos Restauradores em Lisboa, algo simplesmente divinal.
Lima de Freitas é o autor da obra de arte e aconselho seriamente a quem for para aqueles lados um dia dedicar um tempo a observar tal obra, são 14 painéis inspirados nos mitos e lendas de PortoGraal, e acreditem encontrarão uma quantidade de símbolos valiosos para decifrar e meditar sobre este país onde escolhemos nascer.
Lima de Freitas foi um pintor, ilustrador e artista gráfico de Setúbal que merreu há 10 anos, mas também é conhecido pela sua associação ao mundo esotérico. É descrito em SintraVox como:

Personalidade marcante e incontornável da vida cultural e cívica do passado século XX, Lima de Feitas foi o pintor incómodo, o estudioso das tradições imaginais de Portugal, da Europa e do Mundo.

Este artista tinha, obviamente, um gosto muito especial por Sintra, tendo criado uma obra intitulada Montanha da Lua, que eu já utilizei numa partilha aqui feita sobre a Serra da Lua.

Deixo aqui a foto do painel Ulisses e uma outra pintura do artista português. Para quem interessado pode visitar a Quinta da Regaleira e desfrutar desta combinação explosiva, pois a Câmara Municipal de Sintra está a promover um ciclo de comemorações a este pintor fabuloso, marcando a sua morte a 5 de Outubro. A exposição está a decorrer até dia 26 de Outubro, a entrada é de 6€ e as visitas guiadas 10€.

Fica aqui o programa das festas:

De 5 a 26 OUT- Exposição de pintura e obra gráfica
De 11 a 18 OUT- Ciclo de debates
De 24 a 26 OUT- Colóquio internacional “Lima de Freitas - A Emergência do Imaginal”

Para mais informações:

Palácio e Quinta da Regaleira
Rua Barbosa du Bocage
Tel. 21 910 66 50

Num dia de Santa Ursula, de São Gaspar e de Samael, energia de Marte

segunda-feira, outubro 20, 2008

Vénus em Sagitário

Cá está mais um destaque sobre o Céu neste momento. No passado dia 18, Vénus entrou em Sagitário e lá permanecerá até 12 de Novembro. Esta conjuntura é de ordem geral, não influenciando em particular o nosso horóscopo, mas traz uma energia especial aos dias que se seguem.

Depois do período reflexivo de Escorpião é chegado o momento de desfrutar as emoções, de nos deixarmos levar pelo Fogo e ceder às tentações. Sagitário traz a Vénus um lado aventureiro, fazendo-nos alargar as nossas barreiras do prazer e expandindo as nossas emoções, uma perspectiva de explorador do amor e da beleza. Este vai ser um momento de agir, de arriscar, os nossos relacionamentos serão levados a níveis ainda não alcançados, é um óptimo momento para nos livrarmos dos padrões do passado, fazendo as nossas emoções avançar para o nível seguinte de prazer e beleza.

Sagitário é um signo de viagens, de gosto pela aprendizagem, pelo que é diferente. Então, aproveitemos esta conjuntura para alargar os nossos horizontes, para ir mais longe nos nossos desejos, sejamos audazes e exóticos, mas cuidado, não julguemos as situações demasiado levianamente. O fogo de Sagitário pode-nos levar a tomar decisões e fazer juízos de valor demasiado cedo ou tendo em mente padrões novos que ainda não se apliquem. A capacidade espiritual continuará em alta e neste preciso momento em evolução para o nível seguinte, mas se avaliarmos algumas questões antigas já com estes novos padrões poderemos estar a fazer algo errado. Cuidado para que não nos tornemos cegos para com os padrões dos outros.

Uma última chamada de atenção, há uma certa tendência para sobrevalorizar determinadas pessoas que nos são importantes, mas principalmente aquelas que nos vêm oferecer aventura ou iluminação, cuidado, olhos atentos para não se deixarem manipular ou iludir. Pensem se é algo para um longo prazo ou apenas algo de curto prazo, talvez assim consigam avaliar melhor as propostas.

Seja de que forma for, é um excelente momento para o romance, a aprendizagem e a criação de objectos artísticos.

Num dia de São João Câncio, de Santa Iria e de Gabriel, energia de Lua

domingo, outubro 19, 2008

Melodia da Semana XXIV

Mais uma semaninha que começou. Depois de ressacar a ouvir Antony & the Johnsons, começo a preparar-me para o grande concerto do fim de ano. Mercury Rev é a banda que escolho para esta semana com a música do seu novo álbum Snowflake Midnight. Esta banda consegue criar ambientes sonoros espectaculares, misteriosos, envolventes e sedutores, mas muito tranquilizantes.
Snowflake in a hot world é a música da semana, para ver se se consegue manter um pouco de frieza num mundo cada vez mais quente. Para esta semana preciso de isto, calma, segurança e tranquilidade.
Achei engraçado deixar um pouco da letra da música no post da melodia da semana passada, vou voltar a repetir. Fica aqui um pouco da letra desta música. Enjoy!
Snowflake in a hot world
Don't let them get to you
Don't let them tell you
You're all the same

Snowflake in a hot world
Light inside the dark
You lonely little spark
Too frozen to feel
So fleeting and so real
Melting into something...
bigger than you
Melting into someone...
someone new

Snowflake in a hot world
Look around you
At all you've done
And all you've become
You're where you should be
You're where you should be
You're where you should be
Melting into something...
bigger than you
Melting into someone...
someone new

A todos uma óptima semana.

Num dia de São Pedro de Alcântra e de Miguel, energia de Sol

sábado, outubro 18, 2008

Finalmente a Cabala

Há tanto tempo que este assunto está para ser abordado que se torna cada vez mais difícil de o fazer. Contudo, hoje o chamamento foi maior que as minhas dúvidas, que as minhas indecisões e torna-se imperativo que o faça.

A Cabala é um tema que faz parte de mim, desde cedo que me revejo nessa ciência mística, nessa forma regrada de compreender o Universo, por isso devo expressar o que ela representa e significa para mim. Uma das minhas primeiras criações foi um desenho que utilizava na escola, consistia na representação de uma árvore, sem folhas, com umas estrelas douradas à sua volta, chamava-lhe Árvore da Vida. Talvez tivesse visto isso em algum lado e registado, mas é-me difícil de o aceitar, pois em minha casa e no circuito de amigos da família estes assuntos simplesmente não eram, nem são, contemplados. Onde terei ido buscar essa ideia, não sei, mas lembro-me quando ouvi pela primeira vez falar de uma árvore da vida, a minha reacção foi de incredulidade, fui buscar aos baús de recordações uma almofada que fiz na escola com esse desenho e nem queria acreditar que aquilo era real. A minha paixão começou aqui e de tema em tema fui cada vez mais levada para dentro desta matéria, sendo que muitas das coisas que sempre senti, sem justificação lógica para tal, estão justificadas nesta religião que eu gosto de chamar ciência.

A Cabala significa apenas mais uma das muitas chaves a que hoje temos acesso, uma chave que pretende ajudar-nos a abrir as Portas do Conhecimento, aquele que nos fica vedado quando descemos a esta esfera. Etimologicamente a palavra significa tradição, recepção. De facto, ela representa exactamente aquilo que antigamente era feito, o Conhecimento era transmitido oralmente de mestre para discípulo e tornava-se então numa forma de recepção oral do conhecimento místico.

Será correcto dizer que há muitos tipos de Cabala, muitas ramificações de uma única forma de ver o Mundo, daí que muitos tenham uma visão errada sobre esta ciência/religião, hoje badalada pela adesão de figuras conhecidas como Madonna e Britney Spears. Mas a Cabala é também menos complicada do que se tenta mostrar e pode ser dividida em algumas categorias, como: a Oral, transmitida de mestre a discípulo; a Escrita, onde se descreve a estrutura essencial e a natureza do Universo; a Literal, onde se manipulam as letras e o seu valor numérico (gematria); a Simbólica, onde se estudam os símbolos, a Árvore da Vida, e a Prática, utilizada para a Magia Cerimonial.

Para mim as que mais me interessam são a Simbólica e a Prática. Através do estudo da Árvore da Vida conseguimos compreender de forma mais regrada a criação do Universo e compreender os papéis que cada coisa ocupa nesta vastidão e através da Cabala Prática podemos realizar Rituais que nos vão libertando das amarras e das prisões criadas nesta Esfera, tornando-nos mais próximos da Casa do Pai, o que eu acredito ser o fim, o culminar desta viagem.
A Árvore da Vida compõe-se de dez esferas, chamadas Sephira (Sephirot no plural), cada uma delas representa uma das qualidades de Deus, que à medida que se vai aproximando de Malkut, o Reino (Sephira 10, onde nos encontramos), se vai desmembrando em qualidades cada vez mais próximas de nós. O politeísmo representa, para mim, claro, esse mesmo fim. Cada deus que existe tenta mostrar apenas uma parte da totalidade daquilo que o deus representa. Tentar saber o que Deus é, creio ser uma tarefa impossível, aquilo que poderemos alcançar são vislumbres de algo que nem conseguimos identificar muito bem. Por vezes são emoções, por vezes apenas sensações inexplicáveis. Por isso, ao longo da nossa História fomos criando deuses que juntos representavam esse todo, nos mostravam, através de alegorias, essas experiencias. Assim é com a Árvore da Vida.

Mas comecemos pelo início, será melhor…

Deus é o infinito e existe mesmo antes de existir, ele é o nada e o tudo, o que significa isto? Nada, é apenas uma forma vaga que usamos para descrever o indescritível. Mas continuemos. Deus teve uma Vontade, um Desejo, uma ideia e isso criou a primeira Sephira - Kether, a Coroa, o 1.

O 1 é o ponto de energia concentrado, é a força bruta, a condensação de tudo o que é possível, a perfeição absoluta de Deus, mas não é Deus. É nesta esfera que faremos a nossa reintegração com Deus.
Para que o 1 se manifestasse foi preciso surgir a divisão, a polaridade, o positivo e o negativo, cada um numa coluna específica, a da direita e a da esquerda, do Rigor e da Tolerância.

Assim, surgem Chokmah e Binah, a Sabedoria e o Entendimento, o 2 e o 3. Forma-se aquilo que está presente em qualquer Religião, a Trindade - o Pai, a Mãe e o Filho.
Cada uma das Sephira deu origem a mais duas, dividindo-se nas suas duas formas (positivo e negativo), e para cada duas é novamente concentrada numa sephira, na coluna do meio – o equilíbrio. Mostrando que é da mediação feita entre o Rigor e a Tolerância que poderemos encontrar o Equilíbrio.

Essa esferas são Chesed e Geburah, a Misericórdia e a Justiça, o 4 e o 5. Chesed oferece-nos protecção, ensina-nos a recuperar e Geburah dá-nos disciplina, por vezes através do sofrimento de certas provações. Mas estes dois opostos encontram-se em Tiphareth, a Beleza. É nesta esfera que poderemos encontrar a Energia Crística, para compreender a Harmonia entre as coisas e o sentido místico entre o sacrifício e a crucificação.

Depois temos o 7 e o 8, Netzach e Hod, a Vitória e a Glória. Estas duas polaridades de Tiphareth, ensinam-nos a lógica e o discernimento, bem como o gozo da vida. Mas será apenas em Yesod, o Fundamento que viveremos este ensinamento. Esta Sephira está relacionada com a Lua e obviamente com o nosso subconsciente que é a base da nossa personalidade.

Todas as qualidades anteriores são absorvidas no Reino, Malkut, o lugar onde nos encontramos a experimentar tudo isto.

É desta forma plena de regras simples que a Cabala nos transmite o surgimento do Universo. Nos explica o Caminho de regresso e a função de cada coisa na vida. Encontrar esta ciência foi maravilhoso para mim, e, como podem verificar, fica muita coisa por dizer, por explicar e por partilhar. Talvez ganhe coragem e faça um texto sobre cada uma das esferas, sobre as experiencias místicas que poderemos lá encontrar e algumas meditações que nos colocam mais próximos dessas qualidades. Até lá vou continuar a estudar sobre este tema, pois quanto maior for o interesse maior informação aparece, é um mundo que não termina.

Num dia de São Lucas Evangelista e de Cassiel, energia de Saturno

sexta-feira, outubro 17, 2008

Aleister Crowley

É com grande pesar que vejo hoje o trailer do filme sobre um dos magos mais polémicos, sim é verdade, mas também mais inovadores dos nossos tempos. Ainda nos tempos de hoje parece haver uma necessidade de rotular este mago como um adorador da besta. Sim, Crowley intitulava-se como a Besta, o 666, mas as razões pelas quais o fazia há muito que foram explicadas. Na sua seita ele era obrigado a adorar um deus, poderia ser qualquer coisa, até uma cadeira, isto, para uma mente brilhante como Crowley, era um disparate. Na sua forma irreverente de ser, necessária para abalar sistemas caducados, acabou por adoptar a Besta 666 (número do quadrado mágico do Sol, tão simplesmente é esse o significado do número). Isto valeu-lhe como é óbvio, na altura, um rótulo de adorador do diabo, mas isso era na altura, onde as pessoas estavam menos informadas e menos habituadas à tolerância religiosa. Também é verdade que as suas magias tinham muito a ver com este Mundo físico, com o material, utilizando para isso as energias de baixo astral, mas hoje em dia, tempos de maior abertura espiritual, não poderemos compreender que por vezes não acreditar em nada e acreditar fervorosamente em algo estão mais próximo do que parece? Ambos são extremos e os extremos acabam por se tocar, assim, não terá Crowley conseguido atingir a sua iluminação utilizando outros métodos além dos consensuais? Como pode alguém ser considerado satânico, se o seu lema era "O Amor é a lei"
Então, por que teimam em manter esta imagem negra, associada a cultos satânicos de um mago que nos mostrou muito mais do que apenas isso? Para quê?
Vejam só o trailer e digam de vossa justiça se não é revoltante!!! Irei ver o filme, para falar é preciso conhecer, e logo farei um comentário mais aprofundado sobre o tema, até lá, desfrutem destas imagens.


Num dia de São Edviges e de Anael, energia de Vénus

quinta-feira, outubro 16, 2008

1.ª Lição do Mago

O mago está para além dos opostos da luz e da escuridão,
do bem e do mal, do prazer e da dor
Tudo o que o mago vê tem as suas raízes no mundo invisível
A natureza reflecte os estados de espírito do mago
O corpo e a mente podem dormir, mas o mago está sempre desperto
O mago possui o segredo da imortalidade


in O Caminho do Mago, Deepak Chopra

Num dia de Júpiter e de Saquiel, de São Martiniano e de São Galo

quarta-feira, outubro 15, 2008

Um momento mágico

Hoje apetece-me registar a visão absolutamente magnífica que tive de manhã a caminho do trabalho.
Na IC 19, a estrada do inferno para quem vive nos arredores de Lisboa e a utiliza para ir para o trabalho, numa fila não muito longa tive direito a assistir a um amanhecer mágico. À minha frente, sobre o monte da Lua, estava a Mãe, plena na sua majestade, cheia e amarela a marcar a sua presença, a despedir-se de uma noite profunda. Atrás de mim aparecia o Pai, ainda tímido mas já a revelar o seu vigor, num laranja vivo a prenunciar um dia quente, um dia intenso.
Eu, a Filha, no meio dos dois apenas observava e os meus olhos humedeciam-se pela Beleza que estava naquele momento a assistir. Aquele encontro fugaz dos dois amantes eternos é algo que dificilmente se pode assistir, pois é tão rápido que a não ser que estejamos à espera, facilmente nos passa ao lado.
Costumo refilar por ter de me levantar cedo, pois prefiro ficar a dormir e acordar mais tarde, mas hoje apercebi-me do que perco quando o faço.
Ainda agora, que o Pai se deita e a Mãe retorna, sinto a Beleza daquele momento, a Energia positiva que encerrou e que me inundou durante todo o dia. Fiquei muito grata por poder presenciar esse casamento místico.

Num dia de Mercúrio e de Rafael, de Santa Teresa de Jesus

terça-feira, outubro 14, 2008

O Elemento Terra

O elemento Terra é o mais denso de todos, aquele que está mais ligado ao mundo físico. Este elemento é feminino e está associado ao crescimento, é a base da matéria, as raízes que sustentam o nosso corpo. Os rituais que tenham a ver com prosperidade, crescimento de qualquer ordem, estabilidade ou crianças deverão ter como elemento predominante a Terra.
Está também relacionado ao ponto cardeal Norte, ao Arcanjo Uriel, às cores verde e castanho, ao Disco utilizado no altar e ao Sal, os elementais são os gnomos, os duende e os trolles, a carta de Tarot é a Imperatriz, a sephira Malkut, a árvore o freixo e o chakra o Raíz (vermelho). O animal que representa este elemento é o Touro.
Estarmos ligados à Terra é de uma importância vital, uma vez que sem esta ligação as nossas raízes apodrecem, não alimentamos as nossas energia para as actividades do dia-a-dia, somos considerados aéreos pelos outros, somos inseguros, as nossas energias ficam dispersas, podemos ter sensações de assombramentos e ainda sentimo-nos sós.
O símbolo alquímico do triângulo invertido com um traço ao meio, representando a Terra, pode ser utilizado para uma meditação de ligação com o elemento onde a visualização deste símbolo nos leva ao reino do elemento e lá encontraremos a nossa ligação, ou também pode ser utilizado o Touro. Porém, no dia-a-dia podemos realizar algumas actividades mais simples para recarregarmos este elemento, como por exemplo, dançar ou tocar tambores, ouvir sons de repercussão, tratar de animais domésticos ou de jardins ou tocar na terra, de verdade ou apenas mentalmente.
A nossa alimentação também pode incluir alimentos específicos para esse efeito, assim, a batata, a cenoura, o nabo, o milho, a abóbora, a carne vermelha, as sementes, o pão, a massa, o sal e as romãs, são alguns dos alimentos que carregam a energia da Terra necessárias para o nosso organismo.
Seja qual for a acção que escolhamos para nos ligar ao elemento Terra, não nos podemos esquecer de verificar sempre se estamos ou não com falta dele, pois um excesso de Terra também não será prudente. Eu costumo utilizar o mapa astral para contabilizar os elementos que tenho em excesso ou em falta, depois no dia-a-dia vou verificando como me sinto e sempre que estou dispersa, sem concentração, ou a sentir-me isolada, já sei que as minhas baterias estão fracas relativamente a este elemento e faço o que sinto necessário para remediar a situação.

Num dia de Marte e de Samael, de São Calisto e de São Gaudêncio

segunda-feira, outubro 13, 2008

Segue o teu destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis

Num dia de Lua e de Gabriel, de São Eduardo e de São Daniel

domingo, outubro 12, 2008

Melodia da Semana XXIII

O fim-de-semana chegou ao fim, porém a sensação é muito boa. Foi de facto um recarregar de baterias mentais que aconteceu este fim-de-semana, com muito bom cinema, boa comida e bebida e muito boa conversa entre amigos, apesar de fisicamente estar cansada a revitalização interior foi feita. Soube maravilhosamente bem, sinto-me renovada de verdade.
É neste estado que, para mais uma semana rotineira que se aproxima, escolho uma novidade há muito esperada do belo, enigmático, místico, religioso, envolvente, misterioso Antony and the Johnsons. O seu novo EP Another World já saiu e das magníficas músicas que lá poderemos encontrar como Shake That Devil, escolho Another World pois musicalmente tem uma energia fabulosa e a sua mensagem é fortíssima.
Vamos ver como corre esta semana, o que a música me transmitirá e que ensinamentos me esperam.
Transcrevo o início da música apenas pelo prazer que é escrever estas palavras fortíssimas.
I need another place, will there be peace?
I need another world, this one is nearly gone.
still have too many dreams, never seen the light.
I need another world, a place where I can go.
Para todos uma excelente semana.

Num dia de Sol e de Miguel, de Nossa Senhora Aparecida e de São Serafim

sábado, outubro 11, 2008

O Amor

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar.
Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.

Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um.
Fernando Pessoa

Num dia de Saturno e de Cassiel, de Nossa Senhora dos Remédio

sexta-feira, outubro 10, 2008

Os amigos diferentes e as diferenças de amigos

Este fim-de-semana vou estar ausente, vou fazer um retiro cinematográfico. De vez em quando gosto de me ausentar de casa e ir ter com um grupo de amigos que partilham a minha paixão pela 7.ª Arte.
Nem todos temos as mesma opiniões, mas o importante é que nos respeitamos a todos. Claro, há sempre opiniões formadas sobre os gostos de cada um, mas se quero ser respeitada nas minhas escolhas, tenho o dever de respeitar o gosto dos outros. Pode parecer que é uma razão egoísta, mas sinceramente se funciona, se me torna numa pessoa melhor que é capaz de respeitar as diferenças, não será certa?

Enquanto escrevia estas linhas lembrei-me de um assunto engraçado, para o qual não tenho resposta. Por que razão temos grupos de amigos com os quais fazemos determinadas actividades. Há alguns amigos que só vejo nestes encontros cinematográficos, são os amigos do Cinema. Depois tenho outros que só vejo quando tenho encontros Esotéricos. Há alguns dos dois grupos com quem vou a concertos, a espectáculos. Ainda tenho um grupo de amigos em que a nossa união é a música. Todavia, há aqueles que não pertencem a nenhum grupo e estamos juntos várias vezes e falamos de tudo e mais algumas coisas.
É preciso mencionar que eu sou sempre a mesma quando estou com os grupos dferentes, isto é, se estou no cinema não deixo de ser esotérica e se estou no esoterismo não deixo de ser cinéfila, eu sou sempre eu quer esteja onde estiver e com quem estiver.
Então por que razão teremos estas categorias? Bom, é verdade que aqueles que eu considero meus amigos com A, são aqueles que não se encaixam em nenhuma categoria específica, aqueles a quem ligo quando preciso de desabafar, mas se vou ao cinema nunca penso em marcar com alguém do outro grupo, ou se vou a um passeio esotérico, não convido um do cinema.
Talvez sejam apenas os meus amigos que são assim, que não se sentem parte dos meus outros grupos e por isso fazemos apenas aquelas actividades onde temos afinidades. Haverá alguma razão para nos rotularmos assim desta forma tão prática mas estranha? Será só comigo?

Num dia de Vénus e de Anael, de São Francisco de Borja e de São Daniel

quinta-feira, outubro 09, 2008

Agostinho da Silva

Para hoje, que não tenho muito tempo, apetece-me deixar umas quadras de Agostinho da Silva, esse pensador que me coloca em reflexão constante. Escolho algumas, poucas, pois por vezes muita informação é perigoso...Aqui fica, espero que gostem e que reflitam também.

A face oculta da lua
só banha de seu luar
aqueles que não o vendo
o sabem imaginar.
De não ter juízo algum
já tirei dois benefícios
não fazer economias
nem meter-me em sacrifícios.

Não repita coisa alguma
do futuro é o renovo
se faz anos os desfaça
e a tudo nasça de novo.

Talvez seja isto somente
o de mais perfeito ensino
ter homem a liberdade
de se entregar ao destino.

Para tantos existir
é uma queixa pegada
terem de ganhar a vida
quando afinal lhes foi dada.

Num dia de Júpiter e de Saquiel, de São Dionísio e de São Dinis

quarta-feira, outubro 08, 2008

Burn After Reading

Depois do acontecimento de ontem decidi apressar a publicação da minha reflexão sobre o filme mais recente dos Irmãos Coen. Já andava a escrever esta partilha desde segunda, mas ainda não estava satisfeita, por isso fui adiando, mas hoje creio que está pronta para sair e o timing é perfeito.

Os Irmãos Coen têm-nos habituado a filmes repletos de fatalismo e de mensagens onde a predestinação estão sempre a ser postas em causa, onde, na maioria das vezes, as suas personagens são vítimas de acasos absurdos e que acabam por arruinar as suas vidas. Aliás, o tema central de todas as suas obras é exactamente esse, há um acaso que um homem normal tenta aproveitar, mas regra geral, esse acaso acaba por lhe arruinar a vida. Depois do enorme No Country for Old Man, onde o oportunismo de um homem vai pôr em movimento uma quantidade enorme de catástrofes, temos direito a um filme um pouco menos negro, apenas por se esconder debaixo de uma capa fina de comédia mais acessível, mas nem por isso menos profunda. Não entrarei em grandes questões cinematográficas pois os Coen não precisam de qualquer apresentação, basta dizer Fargo e todos saberão de quem falamos, dois irmãos que tecnicamente são perfeitos e que nos deram algumas das obras-primas mais primas do cinema, sendo Miller's Crossing, Barton Fink, O Brother Where Art Thou e No Country for Old Man apenas alguns exemplos.
Aquilo que me interessa e que retirei do filme foram algumas questões que julgo pertinentes e que os realizadores/argumentistas deixaram em aberto para que o público se possa questionar.
O filme começa da melhor forma possível a induz o espectador para aquilo que se vai passar, como se viéssemos do céu somos introduzidos no dia-a-dia de todas as personagens. O plano é-nos dado através da perspectiva de um satélite que se vai aproximando e entra num escritório. O momento que captamos é apenas um momento daquelas vidas, que de uma forma ou de outra se vão cruzar e ficar para sempre ligadas, um momento de vidas com histórias antigas mas que nunca são reveladas, exemplo disso é a personagem Ted que já foi padre mas que por alguma razão, nunca esclarecida, está ali naquele ginásio com aquelas pessoas específicas. A escolha de nos mostrarem apenas um acontecimento daquelas vidas deve-se, no meu entender, que os Coen prendem transmitir, à mensagem. Assim, tudo se resume à personagem Linda que se quer reinventar e que para tal precisa de dinheiro para fazer as suas operações plásticas. Esta personagem passa o filme a falar de pensamentos positivo e de atrair para si o que pretende, acreditando nisso. E de facto, ela é a única que consegue o que pretende. Mas a que custo???

Este é o assunto que quero descortinar, este foi o tema que me deixou em reflexão. Todos nós, sim todos nós, já ouvimos falar do poder da mente, e quem se debruçou mais sobre o assunto sabe que o pensamento é um acto criativo, que basta começar a pensar em algo para lhe dar forma no plano astral o que depois aliado à nossa Vontade Criadora faz com que essa forma astral adquira forma material neste Plano Manifestado. Porém, e foi nisto em particular que fiquei a pensar, teremos todos consciência do mecanismo que está por detrás desses nossos pensamentos? Saberemos até que ponto podemos influenciar os outros com os nossos desejos individuais? O universo, divido em três planos, funciona através da lei do mais fácil, da menor resistência. Isto quer dizer que o Universo accionará os seus mecanismos para nos dar o que pretendemos utilizando o caminho mais direito, aquele que é mais simples e mais rápido. Assim, costumo dar este exemplo chocante, mas nem por isso menos possível, muitas vezes quando desejamos ganhar uma grande quantidade de dinheiro, para ficarmos um pouco mais descansados neste Plano, o que pode simplesmente acontecer é falecer alguém que nos é próximo e dessa pessoa herdarmos a quantidade de dinheiro desejada, através de uma herança ou de um seguro. Por outro lado também é aconselhável não determinarmos muito pormenorizadamente o que pretendemos pois o Universo pode ter uma melhor forma de realizar o que pedimos. Então, perante estas duas situações contrárias, pergunto-me: O que deveremos fazer? Deixamos de ter desejos e de tentar criar as condições na nossa vida que desejamos? Contrariamos o conselho e programamos passo por passo os nossos desejos?

Bom, não me parece nada correcto fazer isso, além de que eu acredito mesmo que devemos ser nós a criar as nossas situações, que é através dos nossos desejos e vontades que poderemos evoluir, mas deixando uma margem de manobra para que o Divino intervenha e nos oriente.
Todavia fico sempre com esta sensação de incerteza, pois uma coisa é certa, nos meus desejos não quero prejudicar ninguém, mas não posso ser responsável pelo que o Universo faz? Ou posso? Afinal ele só concretiza o que eu pedi. Parece-me que este assunto é muito ambíguo e exige talvez mais maturidade para o encarar, mas foi com essa mesma confusão que permaneci depois de ver o filme que dá título a este post.

Vou pôr as minhas ideias em ordem, assentar o que o meu coração disser como correcto e esperar que pela vida fora a Vida me ensine outras perspectivas. Eu acredito que devo atrair para mim, de forma consciente, o que desejo. Nesse meu desejo esclareço sempre que só se pode realizar se não prejudicar algum ser vivo. Se algo acontecer que sai do meu controlo e que pode ter sido originado pela minha Vontade, peço desculpa e fico atenta para que não volte a acontecer. Porém, fica uma pergunta em aberto, não poderei utilizar esta situação para me desresponsabilizar pelo "mal" que possa causar a terceiros, mesmo se não foi intencional?

Os Coen deixam esta pergunta em aberto, quando através de um diálogo absurdo, como muitos outros escritos por eles são, que é mais ou menos isto:

O que aprendemos?
A não voltar a fazer isto.
O que fizemos afinal?
Não tenho a certeza!


Num dia de Mercúrio e de Rafael, de Santa Sira e de Santa Tais

terça-feira, outubro 07, 2008

What the Blip!!!

Bom, hoje tenho uma partilha diferente para fazer... Estava eu a sair de casa para ir trabalhar à tarde quando pensei "Com este tempo ficava era bem no sofá a aproveitar este belo dia de Outono. Bom o melhor é ir um pouco mais cedo porque está a chover e há sempre mais trânsito". Peguei no carro e 30 metros à frente vem um carro ao meu lado, na faixa da esquerda que quer estacionar à minha direita e não vai de modos, vira e pronto, está estacionado! Batemos, como é claro! A chover, piso molhado, o tempo de reacção não foi suficiente e pimba! O meu lado direito para dentro e a porta da esquerda do outro empenada! Até aqui tudo bem, só não acontece a quem não anda na estrada, pelo menos foi o que os condutores mais experientes, que não resistiram a dar o seu palpite, disseram. O senhor sai do carro e eu tenho aquela saída ridícula "Então não me viu?" LOL! Não, viu-me mas apeteceu-lhe perder o seu tempo ali à chuva a brincar aos acidentes. Enfim, é daquelas coisas que nos saiem automaticamente. Automático também foi a resposta dele, no seu alentejano perfeito para a situação: A culpada é a senhôra, atão ê abri o piscã e a senhora nã me deixô estacionari. Eu faço sempre isso, venho da esquerda que é para ficar dereto.
O senhor não quis perceber que estava errado e que a responsabilidade do sinistro era sua, como não queria ser teimosa, decidimos chamar a polícia, não sei bem para quê, mas acho que todos ficamos mais descansados com a autoridade presente. Inutilidades!!! Perda de tempo, é o que é!!! Uma hora e meia depois, duas aulas perdidas e uma tarde perdida para o senhor, chegam as autoridades que nos explicam as duas hipóteses: declaração amigável, em que ninguém se dá por culpado e depois as seguradoras entendem-se, ou auto da polícia que não tem o parecer das autoridades, apenas expõem o que encontraram. O senhor perguntou qual era a diferença ao que o agente responde: o auto da polícia demora mais tempo e envolve multas pelas infrações cometidas. Deveria ter dito coimas, mas tudo bem, é desculpável, afinal segundo ele já era o terceiro acidente e estavam mais seis à espera. Multas? Que multas? - perguntou logo o senhor muito indignado - Eu só estava a estacionari! O senhor agente, com um leve sorriso, a revelar um almoço bem disposto, ou teriam sido os outros acidentes que correram bem e dai a sua alegria evidente, responde-lhe "A do código da estrada que explicita que para estacionar o veículo deve encontrar-se ao meio da faixa ou neste caso à direita. Bom, hora e meia depois de esperar e de perder alguns trocos por não ir trabalhar, afinal o senhor decide que quer a declaração amigável. Não me chateei, mas foi por pouco, pois estivemos ali horas para depois fazer o que poderíamos ter feito desde o início em apenas meia-hora. É como é, não vale a pena perder a paciência com coisas que já aconteceram, aprendemos que para a próxima (oxalá que não haja) resolvem-se as coisas sem a polícia e dá no mesmo.
Sentámo-nos, trocámos os documentos e preenchi a bendita declaração. Peguei no carro, dei meia volta e voltei a estacionar à porta de casa. Peguei nos materiais e como se estivesse a voltar do trabalho entro em casa. Isto foi surreal! A rotina era tal e qual como se tivesse estado a trabalhar, só não cheguei tão cansada e com a garganta a doer.

Como não é uma situação normal decidi fazer uma reflexão a ver o que conseguia imediatamente retirar do acontecimento. Banheira, incenso e música, estava pronta para reflectir.
Primeiro é óbvio que não estava com vontade de sair e poderei ter criado essa situação para não ir trabalhar, mas acabei por chegar a casa às mesmas horas como se estivesse estado a trabalhar, portanto não fui bem sucedida nas minhas vontades. Segundo, há uma outra pessoa envolvida, que segundo ele nem deveria estar ali, veio a casa buscar uma camisola porque tinha frio, esta situação parece-me como é óbvio muito em sintonia para ser um mero acaso. Eu saí mais cedo do que o normal e o senhor veio a casa buscar roupa, ambos saímos da nossa rotina normal, ambos estavamos a provocar isto, maktub! Mas como não posso saber o que do outro lado acontece só posso pensar em mim, continuei a reflectir e, como gosto sempre de pensar no lado posítivo, disse para mim própria que provavelmente foi um acidentezinho que me demorou ali imenso tempo, talvez, para evitar algo muito pior que estivesse para acontecer. E lá fiquei a digerir esta hipótese.
Mas o bizarro não acaba por aqui, o telefone toca era uma amiga com uma voz muito estranha, muito em baixo, queixosa, nem acreditam...despistou-se e partiu o carro todo, sozinha e, graças a deus, não lhe aconteceu nada. Ficámos de boca aberta quando percebemos que nos aconteceu o mesmo, em circunstâncias diferentes mas não deixámos de ter um acidente as duas. A coitada que se queria queixar acabou por ficar como eu a bater mal a pensar na sintonia que tivemos numa coisa muito desagradável. O dia estava a ser bizarro...
Para mim esta notícia foi uma confirmação de que provavelmente o meu acidente foi para prevenir algo mais grave, como o que lhe aconteceu a ela, pelo menos aqui os danos são poucos e o culpado, segundo o que tudo indica é o outro.
Este dia de São Baco está a ser confuso!!!
Chegaram as primeiras chuvas e com elas vêm estes acidentes, é verdade, mas eu prefiro acreditar que não há coincidências e que o meu caminho se cruzou com o de João Paixão para me mostrar algo, ensinar algo ou simplesmente evitar algo, e com o da minha amiga para me alertar para isso mesmo, bolas é coincidência a mais, para ser apenas coincidência.

Num dia de Marte e de Samael

segunda-feira, outubro 06, 2008

Marte em Escorpião

Mais uma conjuntura astrológica muito benéfica que poderemos aproveitar. Desde dia 3 deste mês e apenas até 16 de Novembro, Marte está no signo Escorpião.
Esta conjuntura é excelente para aproveitar e fazer mudanças na nossa vida. Primeiro porque Marte é o regente de Escorpião e isso significa que funcionam muito bem os dois. Como já sabem, escorpião é o signo do questionamento por excelência e Marte o planeta das mudanças. Assim, não vamos apenas fazer mudanças, mas podemos aproveitar para as realizar com consciência, sabendo bem o que pretendemos e porque o pretendemos.

Contudo, nem tudo é um mar de rosas e há, como sempre, provas a serem ultrapassadas. Um dos obstáculos que poderemos encontrar é a obstinação de Marte e a intensidade de Escorpião que juntos farão com que tudo se torne um desafio a ser ultrapassado, onde a nossa resistência não terá limites e a nossa obstinação poderá fazer com que nos envolvamos em lutas desnecessárias. O truque para podermos ultrapassar este aspecto menos bom é manter o nosso coração sereno e fazer sempre a pergunta antes de enfrentar alguma situação "A minha individualidade e expressão estão em perigo?" Se a resposta for afirmativa deveremos lutar pelos nossos interesses, se não passamos ao lado dessa guerra que não nos levará a lado nenhum. É necessário saber que Marte nos impulsionará para a guerra, mas se dermos ouvidos à água do escorpião, tudo correrá bem, se apenas aceitarmos como projectos aqueles que envolvem a nossa Paixão, ultrapassaremos estes dias da melhor forma, dando vazão à energia construtiva de Marte através dos olhos críticos de Escorpião.
Por último, uma chamada de atenção para as relações sexuais que estarão ao rubro com esta conjuntura. É minha opinião que qualquer relação sexual deverá ser saudável, isto é, realizada em prol da união espiritual das pessoas envolvidas, mas com estes dois a coisa pode descambar e passar apenas a ser pura luxúria. Cada um será o juiz das suas acções, aqui fica apenas a chamada de atenção.

Em suma, estamos perante uma excelente oportunidade de mudança, de iniciar projectos em que a nossa paixão esteja presente e de ter relações sexuais fortes, plenas. Vamos aproveitar ao máximo o que nos está a ser colocado à frente.

Num dia de Lua e de Gabriel, de São Bruno e de São Magno

domingo, outubro 05, 2008

Melodia da Semana XXII

A semana foi muito boa, plena em acontecimentos e festividades, foram dias intensos mas produtivos, houve tempo para tudo, apesar de ter estado um pouco adoentada.
A música que foi escolhida não poderia ter sido a melhor pois misturou-se com os posts da semana que foi uma maravilha, creio nunca ter conseguido tal união entre a música e o conteúdo da semana.

Para os sete dias que se seguem, vou escolher mais um artista pouco conhecido da grande maioria das pessoas. Devendra Banhart compõe músicas muito peculiares, muito típicas, onde a mistura de sons é o tema principal. Não é tão inventivo como Nitin Sawhney mas chega a ser tão bom, apenas em campos experimentais diferentes. Pessoalmente gosto dos dois.

De Devendra Banhart escolho a sua música Rejoicing in the Hands que dá também o título do álbum, é uma música poderosa que espero poder levar-me para outros estados de espírito.

Aproveitem a semana.

Num dia de Sol e de Miguel, de São Plácido e de São Socior

sábado, outubro 04, 2008

Dia de São Francisco de Assis

Mais um dia especial que não pretendo deixar passar ao lado. Como já fiz aqui um texto sobre o Mestre, para hoje deixo apenas uma recordação minha, capturada num fotografia...

... e um poema de Alberto Caeiro para a acompanhar.

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...
Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre -
-Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

Alberto Caeiro

Num dia de Saturno, de Cassiel e de Santa Áurea

sexta-feira, outubro 03, 2008

Pensamentos sobre o Equilíbrio

Andava eu nos meus pensamentos com os meus botões quando, de repente, me surge uma pergunta:
O que é afinal o equilíbrio?
Fiquei parada e perplexa pois não me surgiu logo uma resposta. Então pus-me a pensar, tenho um blogue que dedico ao Caminho do Meio, que representa esse Equilíbrio, e não sei o que isso é... Serei uma hipócrita???
Quando tenho questões para as quais pretendo uma resposta tenho por habito utilizar a técnica das perguntas. De pergunta em pergunta vou chegando ao cerne da questão, eliminado o joio e libertando então o trigo. Foi o que fiz.
Primeiro a minha definição, por muito errada que ela esteja, é sempre preciso ser honestos nas nossas respostas, senão não vale a pena. O equilíbrio é conseguir trilhar um caminho directo, recto entre o Rigor e a Tolerância, entre a Razão e o Coração, entre a Acção e a Reflexão, onde cada um dos opostos se encontra em perfeita harmonia e medida. Mas isso é impossível, veio imediatamente esta afirmação na minha mente!
Se os pratos da Balança se encontrarem equilibrados eu não poderei estar viva, pois estou imóvel e a imobilidade é contrária à vida, que se encontra sempre em movimento. Por isso o equilíbrio não pode ser ter a medida igual de Rigor e de Tolerância.
Então nunca encontraremos o equilíbrio? Não, a busca do equilíbrio é como a busca do Graal, é eterna. Estar em equilíbrio significa termos consciência das nossas acções e se hoje agimos com mais Rigor amanhã agiremos com mais Tolerância, se hoje fomos mais racionais a seguir poderemos ser mais emotivos. O equilíbrio é estar sempre atento a provar as nossas acções, pensamentos e desejos para os podermos controlar e para que saiam da forma que desejamos.
Fiquei então mais descansada pois percebi que afinal já era isto que eu fazia, acreditando, porém, que neste Plano poderia experimentar o tão desejado Equilíbrio.
Fica assim, para mim, assente que o equilíbrio é uma busca, é um caminho cheio de curvas, onde terei de me adaptar e ajustar para melhor o poder passar.
Foram uns momentos interessantes de raciocínio, agora vou desfrutar da sensação de paz que este raciocínio me deu.

Num dia de Vénus e de Anael, de São Maximiano e de São Francisco de Borja

quinta-feira, outubro 02, 2008

Dia dos Santos Anjos da Guarda

Hoje não poderíamos deixar este dia passar em branco e uma partilha especial para esta Força que, 24 horas sobre 7 dias por semana, nos acompanha e protege torna-se vital.
Para hoje e para o meu anjinho especial Lelahel deixo uma história pessoal.
A minha avó materna insistiu durante muito tempo ensinar-me a rezar, mas para uma criança como eu era na altura rezar era algo demasiado abstracto e como nunca fui de decorar as coisas, as suas tentativas eram inúteis. Na verdade ainda hoje sou assim, as coisas têm de fazer sentido para que eu as aprenda, senão não vale a pena, a informação simplesmente não entra. É engraçado que decorar significa saber de cor e a expressão antigamente significava saber de coração, em inglês ainda tem esse significado "know by heart", mas hoje em dia esse belo significado em Português perdeu a sua força e saber de cor é simplesmente debitar matéria.
Sendo eu assim, de todas as rezas que a minha avozinha me tentou transmitir, apenas uma ficou, talvez porque fosse a única que eu achasse que fazia sentido, que era algo que eu percebia. Hoje fico triste por não ter tido a capacidade de as aprender, mas o certo é que houve outra senhora que apareceu na minha vida e me foi transmitindo essa tradição, por isso tudo está bem.
A oração tem, obviamente, a ver com o Anjo da Guarda e é uma rima muito simples, mas para mim ainda hoje muito forte.

Anjo da Guarda
Minha Companhia
Guardai a minha Alma
De Noite e de Dia.

Num dia de Júpiter e de Saquiel

quarta-feira, outubro 01, 2008

Antony & The Johnsons

A escolha musical desta semana foi Antony and The Johnsons e hoje, com não consigo aguentar a espera do seu novo álbum, decidi partilhar este teaser em que nos é apresentada a nova música Another World. Ai, esta voz magnífica!!! Deixa-me num estado tão sereno e harmonioso que se pudesse estava sempre a ouvi-la. Ficam também duas outras escolhas para descobrirem este excelente artísta, o mago da voz!


Num dia de Mercúrio e de Rafael, de São Veríssimo e de Santa Máxima

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