sexta-feira, janeiro 16, 2009

Desabafos

Há uma certa altura de cada mês em que eu fico num estado de humor diferente do habitual, quem me tem acompanhado já sabe da minha luta para evitar que isso aconteça, mas contra todos os meus esforços, inevitavelmente a mudança ocorre. Nem sempre me ataca da mesma forma, uns meses fico melancólica, outros enervada, outros apática, outros (raros) nem dou por isso. Mas desta vez deu-me uma ira tão forte que fui obrigada a parar e pensar.
A minha reflexão vai no sentido de analisar uma ocorrência que é anormal, algo que contrasta com o resto que se passa na minha vida.
A primeira coisa que constatei foi, seja qual for o estado que predomine nesta altura, o mais importante é perceber que as energias do meu corpo estão ao rubro e que tudo o que é sentido é elevado ao seu expoente máximo. O que me fez pensar que tenho, então, andado muito irritada nestes últimos dias o que, por sua vez, fez com que algumas situações que estão a acontecer à minha volta me tirassem do sério.
Antes de passar a enumerá-las, devo dizer que sei perfeitamente a teoria: que o respeito pelo estado de evolução de cada um deve ser respeitado, que não somos todos iguais e, por isso, não temos de ter as mesmas experiências de vida e que só cada um sabe o que é melhor para si. A teoria está assimilada, porém, torna-se difícil por vezes não sentir as coisas, afinal sou uma mulher e ainda por cima com uma abundância de água enorme.
Todavia, e a minha reflexão é exactamente esta, há ou não há princípios morais, éticos que devem reger todos? Serão esses também diferentes de pessoa para pessoa? Haverá vários graus de expressão desses princípios?
Nestes últimos tempos tenho ficado incomodada com a falta de rigor que algumas pessoas revelaram ao desempenhar determinados papéis. No trabalho foi realizado um grupo de trabalho para reflectir num projecto novo para a escola e, infelizmente, constatei que poucos foram rigorosos no cumprimento das suas funções e não há nada que me tire mais do sério do que isso, neste momento, claro! A falta de rigor de que falo revelou-se na leviandade com que o assunto foi tratado, na falta de humildade em aceitar outros pontos de vista e, até, em assumir erros em alguns casos.

Quando assumimos um papel, seja ele qual for, temos ou não o dever de ser rigorosos, principalmente quando terceiros dependem de nós? Estarei assim tão errada em pensar desta forma? Será que o rigor pode ser visto através de outros ângulos que eu não consigo agora compreender? Haverá de facto vários graus de rigor?
Entenda-se que ao falar de Rigor estou a falar da força, do poder, da energia, do vigor, da valentia, do motivo, da causa; não da Severidade, da intransigência, da obstinação, da rigidez. Será possível que este rigor se manifeste de formas diferentes, em graus maiores ou menores, tornando assim possível que todos sejamos rigorosos nas nossas actividades?
Muitas perguntas foram levantas mas a verdade é que eu sinto que o rigor é o rigor, que poderá existir em graus diferentes mas que esses graus são apenas manifestações do verdadeiro Rigor, como que reflexos dele, sombras e não a sua essência.
Acredito que posso estar a julgar as pessoas em questão, que elas talvez tenham sido rigorosas à sua medida e conta, mas o que eu não consigo engolir é que quando chamadas a um nível superior não sejam humildes o suficiente para aceitar que poderiam ser mais e melhor.
É óbvio que esta reflexão, nesta semana em que estou a trabalhar com a Imperatriz, revela muito sobre mim. Quando há outros dependendo de mim sou sem dúvida a Imperatriz no seu sentido severo, aquela que comanda e dita as regras, não aquela que seduz através dos seus dons e ilude os outros. Na minha meditação (finalmente consegui fazê-la) percebi exactamente isso, a Imperatriz em mim pode ser Severa, mas nunca Manipuladora. Que assim seja sempre é o que desejo.
O desabafo foi feito mas a reflexão não está concluída, ainda há perguntas em aberto, mas como sempre tudo me será dado no meu tempo. Quanto a vós, espero pelos vossos maravilhosos comentário, que me farão crescer, de certeza! Sintam-se à vontade, como sempre, de criticar, apoiar, refutar, complementar...enfim, do que quiserem.

Num dia de São Marcelo, São Berardo e de Anael, Regente da Energia de Vénus

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