sexta-feira, março 06, 2009

Análise da História de Psique II

Bom, depois de termos colocado de lado algumas questões que não interessavam para esta análise, vamos lá ao que interessa. Quando partilhei a história de Eros e Psique disse-vos que eu via Psique como sendo a Alma em busca do seu corpo da sua experiência física, Eros.
Hoje vou explanar essa ideia e esperarei pelos vossos comentários depois. Mas mesmo antes disso tenho de confessar que nunca demorei tanto tempo para criar algo, isto para mim foi um recorde, normalmente a minha parte Carneiro e Sagitário desejam ver o resultado logo, mas com este texto, fui obrigada a fazê-lo aos poucos, só por isso já valeu a pena.

Psique vivia num estado de Graça em casa dos seus pais, a sua Beleza era algo valorizado por todos, ela era um ser quase perfeito. Contudo, chegou um momento em que ela própria se começou a sentir mal e desejou casar-se, mudar de estado, passar por um ritual. Quando a Alma se encontra no seu estado Livre, de perfeição, ela está em casa do Pai, num lugar que ninguém sabe onde é. Mas aos poucos começa a desejar elevar-se mais, ser melhor, mudar o seu estado. Para tal, ela tem de descer à Terra e experienciar um corpo físico para poder mudar a sua forma.
Nesta descida esquecemo-nos do caminho de regresso e para tal precisamos de passar algumas provas ou de forma consciente (realizando uma iniciação) ou de forma inconsciente (aproveitando o que nos vem ter ao caminho).

A primeira prova que Psique teve de passar foi confiar cegamente no seu marido, assim como a Alma tem de confiar cegamente no seu Corpo. Quando um dos dois manda mais, acontece um desequilíbrio em nós, manifestado sobre a forma de doença. A Alma e o Corpo têm de estar em harmonia total! ( A partir de aqui Eros será mencionado como Corpo)
As Irmãs de Psique fizeram o papel de semear a dúvida, fazê-la duvidar da perfeição do seu Corpo, dizendo-lhe que ele era um monstro. Psique deixa-se levar e o Corpo zanga-se e fica magoado, surge a doença.
Psique só te um remédio, procurar a todo o custo reencontrar a Harmonia para poder voltar a ter o seu Corpo e constituir um Ser Único, Perfeito.

Afrodite, a Mãe, vai fazê-la passar pelas mais duras provas, mas estas serão as provas necessárias para Psique mostrar a sua purificação do “pecado” que cometeu.
A primeira prova, separar as sementes, coloca Psique numa posição de inferioridade, ela tem de descer ao solo e de bruços separar as sementes. Primeira lição, aprender a lidar com o elemento Terra, aprender a ser Humilde e aceitar as ajudas dos seres inferiores, representados pelas formigas. Quando a Alma tem consciência da sua importância, tem tendência para se esquecer que a Vida é para ser vivida na Terra, que todas as coisas, por mais pequenas que sejam têm a sua importância.
O grande adversário nesta prova, e que fez Psique pensar em desistir, era o tempo que ela tinha para a realizar. O tempo é algo que nós, enquanto conquistadores incessantes do caminho de regresso, temos tendência para considerar um inimigo e, ainda por cima, para a Alma este conceito é completamente desconhecido, pois ele é apenas terreno. Esta tarefa ensina-nos que com as devidas ajudas (todos as temos) nada é impossível, que o até o tempo é algo que se pode manipular, que precisamos de o tornar nosso amigo, conhecê-lo e domá-lo, que o importante é aceitar os recursos que temos e usá-los para atingir os nossos objectivos.
A segunda tarefa, buscar os fios de ouro dos Carneiros, revela-nos o segundo elemento, o Fogo, e a segunda qualidade da Alma a desenvolver, a Paciência.
Para Psique conseguir encontrar o Fogo sujeitava-se a sofrer ou até mesmo a morrer e é aqui que vem a segunda ajuda, a cana à beira rio. Siringe, amante de Pã, disfarçada de cana mostra a Psique que para chegar ao Fogo precisamos de passar pela Água e esperar pacientemente que nenhum dos dois se anule. Para conseguir este casamento alquímico é preciso saber esperar e observar os indícios à nossa volta, haverá sempre pistas de como o conseguir.
Esta tarefa encerra ainda um outro ensinamento precioso. O Carneiro é um símbolo de acção, de luta, de iniciativa e quando ele revela um perigo para a Alma, eu imagino que só nos poderá querer dizer que nem tudo é uma luta, que não devemos enfrentar os nossos combates e guerras de forma impulsiva. As melhores guerras ganham-se através da estratégia, ouvindo o som das canas que rodeiam o nosso rio interior, às vezes a melhor acção é a não-acção.

Ir buscar água ao Estige é a terceira tarefa que Psique terá de realizar para recuperar o seu estado, finalmente a Água, depois de ter cultivado a humildade e a paciência.
Esta tarefa é simples de interpretar pois ela representa o baptismo, a iniciação. O Estige era o rio onde se alcançava a imortalidade, onde Tétis mergulhou Aquiles para o tornar imortal, deixando apenas o seu famoso calcanhar de fora. Ao ir buscar esta água, Afrodite está a enviar Psique para o caminho da sua imortalidade, o baptismo, além disso Dionísio conta-nos que as promessas feitas no Estige jamais poderão ser quebradas.

A ajuda que Psique recebe da Águia de Zeus mostra-nos que para uma iniciação teremos de estar direccionados para o Divino, para o Alto, para as Grandes Ideias, para a expansão da consciência, que só assim poderemos ser ajudados a voltar à casa do Pai. Que o nosso inimigo será o Dragão não domado, o Fogo destruidor, que a nossa intuição não pode sempre ser seguida que o melhor é sempre pedir a inspiração divina.
A última tarefa, trazer alguma da beleza de Perséfone, coloca Psique perante o maior dilema da Alma, seguir as direcções dadas pela inspiração divina cegamente. A torre, que lhe dá as instruções representa a nossa forma de conversar com o Divino, ela é a nossa fortaleza mas também a nossa escada de Jacob. Ao seguir piamente o que ela lhe disse, Psique veria a sua tarefa concluída com sucesso, mas quase no fim do Caminho, a insegurança no seu merecimento de algo tão bom como o Corpo prevalece e deita tudo a perder. Mas será que deitou mesmo? Esta forma estranha de terminar uma história/ensinamento não pode ter sido deixada ao acaso e a grande lição reside na interpretação desta atitude.

Quem confia piamente na sua intuição, na sua forma de conversar com o Divino, que nunca duvida do que lhe é pedido, quem apenas segue o caminho que lhe traçaram, não está a fazer uso do seu livre arbítrio. Duvidar, questionar e, no caso de Psique, ser insegura, revela que estamos prontos para viver a experiência humana. A Alma só pode experienciar isso neste Plano e, por isso, estes sentimentos não podem ser relegados para o fundo do poço, eles fazem parte do Caminho, fazem parte do Corpo, foi assim que Psique o mereceu de volta, curado e ainda mais apaixonado.

Espero que este texto/desabafo/experiência tenha sido positiva para vós. Lamento que mesmo com tantos cortes, demoras e dúvidas, ele tenha permanecido tão longo. Mas precisava de explanar as ideias para vos trazer aqui.
Um caminho espiritual só pode ser realizado quando respeitarmos e dermos a devida importância ao corpo. A Alma não é mais importante que o Corpo nem o Corpo que a Alma, eles precisam coexistir de forma perfeita, harmoniosa, equilibrada. Só assim dominaremos o Ar!

Num dia de São Olegário, São Marciano, Santa Coleta, Sana Perpétua, Santa Rosa de Viterbo e de Anael, Regente da Energia de Vénus
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...