segunda-feira, maio 18, 2009

O poder do mental na Libertação

Esta semana que passou andei um pouco ausente do exterior, de facto mergulhei dentro de mim, mas isso provocou-me um mal-estar estranho. Durante a semana houve momentos em que uma conversa do fim-de-semana me veio à mente. Recentemente, na chegada da Primavera propriamente, cortei o cabelo e uma mulher que eu já não via há algum tempo ficou surpreendida, diga-se que é alguém com quem estou muito poucas vezes e que nada sabe de mim pois não somos amigas, apenas nos encontramos num grupo de amigos em comum. Essa mulher disse-me que gostava mais de me ver de cabelo comprido, até aí tudo bem pois tem direito à sua opinião, mesmo se não foi pedida, mas quando lhe respondi que eu gostava mais de cabelo curto, que sentia que esse aspecto tinha mais a ver comigo, responde-me "Não Acho nada! Aquele cabelo é o teu estilo, está mais de acordo com o que és!" Esta parte do seu comentário foi tão absurda que eu fiquei transparente e fiz uma daquelas minhas caretas, quem me conhece sabe do que falo, que ela não teve solução senão dizer "Mas se calhar sou eu que estou errada?" "Se calhar!" respondi-lhe eu. No fim-de-semana não senti que isto me tivesse afectado, mas durante a semana muitas vezes isto me veio à cabeça.

Pensando que é algo que me perturbou fui obrigada a reflectir no porquê de permitir que aquele comentário, vindo de alguém que me é indiferente, isto é, de quem a opinião não tenho muita conta, porque me senti eu assim?
Há algo que me incomoda e sempre incomodou, talvez venha o dia em que isso me seja neutro, mas enquanto não o é tenho de aprender a lidar com isso. Peço vos para me acompanharem neste delírio e no fim, se quiserem, deixem a vossa anotação.

Porque razão temos esse instinto de rotular tudo e de achar algo sobre tudo? Será assim tão difícil manter a mente aberta para que as coisas se revelem como elas verdadeiramente são?
Em cabala aprendi que o mental é um dos primeiros agentes na co-criação da realidade em que vivemos, assim, quando fazemos tantos a prioris sobre os outros estamos a condicionar a sua liberdade de escolher quem e o que querem ser. Será difícil de compreender isso?
Ontem à noite estava a ver um filme dos anos 60 japonês, onde a personagem principal tinha sido condenada à morte, mas por alguma razão estranha não morreu na execução. Depois de longos desvairos onde os executores o tentam convencer de que ele é a pessoa que eles têm de matar, chega ao fim e conclui que ele já não é a pessoa que cometeu os crimes pelos quais está a ser condenado e que, por isso, não deve ser novamente enforcado. Mas todos os outros o querem ver como ele era para que seja tudo mais simples e o possam executar mais uma vez. Imagina as justificações que teriam de dar por não o terem morto? E se isso voltasse a acontecer?
Quantas vezes ao dia fazemos isso? Por exemplo quando compramos uma prenda para alguém já estamos a imaginar a reacção da pessoa a essa nossa oferta? Porquê? Porque não apenas comprar a prenda porque gostamos dela e esperamos que o outro goste também, quantas vezes já vi caras decepcionadas pela minha reacção às prendas, não posso evitar fico neutra pois sinto sempre que estão à espera de uma reacção formatada e eu recuso-me a isso. Claro, isto traz inconvenientes, sou rotulada de mal-educada por uns e interrogado até à exaustão por outros se gostei mesmo. Não há receitas, apenas devemos agir de acordo com o nosso coração e esse é diferente em cada ser.

Voltemos então ao início. Que segurança ilusória nos dá achar que conhecemos os outros e sabemos o que eles irão fazer? Que sentimento de poder temos quando alguém age da forma que esperávamos?
Podemos sempre pensar que os outros não tem consciência do que estão a fazer, que ao esperar uma reacção não sabem que estão a limitar essa alma a uma acção imposta pela sua vontade, mas eu não acredito nisso. Pode não haver a informação activa no mental, mas o emocional sabe perfeitamente o que está a fazer, só que em alguns casos esconde-se por trás de sentimentos como o Amor. Não acredito que aquela mulher me tenha dito aquilo para me limitar as minhas acções, mas creio que os seus sentimentos sabiam perfeitamente o que estavam a fazer, que as suas razões emocionais estão lá, escondidas talvez, mas estão lá!
Quanto a mim, e por este ser um tema que me fala muito, já fiz a minha auto análise para ver em que situações eu ajo assim, sim porque aqui não há santos, todos fazemos coisas erradas e quando uma das outras pessoas nos irrita dessa forma é porque está a espelhar algo que existe em mim, mas que eu prefiro ignorar.
Posto isso, devo dizer que ainda não consegui evitar que em certas alturas isso venha ao de cimo, por exemplo ver alguém a ter uma atitude que não corresponde à pessoa que eu conheço, rotulo imediatamente, não coloco a hipótese de que essa pessoa mudou e eu não conheço essa sua faceta, claro há casos e casos. Há casos em que já presenciei mentiras e não apenas uma questão de perspectiva diferente de acontecimentos, ouvir alguém dizer que fez isto ou aquilo quando sabemos perfeitamente por essa mesma pessoa que não o fez ou que fez isto e aquilo quando foi outra pessoa que o fez, isto é mentir, não questões de visão pessoal. Quando isto me acontece a única forma que tenho de resolver o assunto é sair de cena, evito estar com essa pessoa para lhe dar a liberdade de se tornar em quem quer ser. Passado algum tempo volto a estar com a pessoa e descubro então quem ela é. Acho que esta forma de agir é a melhor que encontrei, pois não preciso de viver sentimentos controversos, de despertar emoções contraditórias em mim e ofereço a liberdade, tão importante neste caminho de auto descoberta, aos outros.

E vós, que achais? Sentem estas coisas que vos contei? Fazem isso com os outros? Sentem que os outros vos fazem isso? Agem como eu ou enfrentam a situação e chamam as coisas pelo que elas são?
Confesso que pela primeira vez estou com muita curiosidade perante as vossas anotações. Sinto que tenho muito para aprender sobre este assunto e só por isso agradeço àquela mulher que achou algo sobre o meu novo look!

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