domingo, setembro 20, 2009

Reflexão com o Diabo III

A semana com o Diabo, carta XV na Rota do Peregrino, foi um pouco conturbada. Alguma falta de energia e alguns bloqueios na comunicação fizeram com que esta semana nos virássemos mesmo para dentro e procurássemos as nossas razões interiores.

Vamos ver o que aconteceu com o Peregrino.
Enquanto caminhava o Peregrino encontrou o Diabo. Parou e enfrentou-o, não recuou, não teve medo. Encheu o peito de ar e acedeu às suas emoções mais fortes de amor, partilha, família e amigos. Sentiu o peito encher-se com essa força, sentiu a paz na sua alma e encarou-o novamente.

O Diabo colocou-o no meio de espadas, aprisionou-o e abandonou-o naquele cenário. O Peregrino aceitou e sentou-se a meditar. Na sua mente surgiram-lhe todas as restrições, todas as vezes em que foi intolerante com as intempéries do caminho. Todas as palavras erradas ditas aos outros, todas as mágoas causadas. Todas as vezes em que permitiu ser usado para fins menos bons. Sentiu a sua raiva vir ao de cimo como se a tivesse a viver agora. A dor encheu-lhe a alma, os remorsos e a tristeza... Novamente se lembrou de quem era e de onde estava, aquilo era apenas mais uma prova. Perdoou-se, compreendeu que fora num tempo diferente e que hoje não agiria da mesma maneira. Inspirou e expirou, regressou ao seu centro e as
espadas caíram simplesmente.

O Peregrino sabia que tinha passado a prova, que a sua Força Interior fora testada e que ele saíra vencedor, porém, porque se sentiria assim, aborrecido, sem força para mais iniciativas. Porque estaria ele a sentir que estagnara no seu caminho espiritual?

Lembrou-se novamente de todas as trocas de energia que fizera com os outros que se cruzaram no seu caminho e compreendeu que foram mais as vezes em que ajudara e trocara energia de forma positiva, do que o contrário. Decidiu analisar que pessoas, momentos, situações ele tinha servido para fazer o mal. Decidiu que era tempo de se estudar, compreender as suas acções passadas para não repetir os erros.

Deitou-se exausto do exercício mental e adormeceu profundamente. Nos seus sonhos imagens estranhas foram aparecendo e o Peregrino foi registando tudo no seu subconsciente, afinal estava tão cansado que seria impossível recordar-se de tudo. Sentiu a crueldade das imagens e bloqueou-as, não era agora altura para mais dor.

Quando acordou apenas se lembrava que havia sonhado coisas importantes, das quais apenas uma imagem lhe surgia. Não se preocupou, pois sabia que assim que pegasse num pincel, numa caneta ou em qualquer outro instrumento criativo, as imagens iriam surgir. Afinal, a prova maior havia sido superada, ele enfrentara o Diabo e saíra vitorioso, aprendera a analisar o seu passado para evitar erros no futuro. O resto só o tempo o diria.

Novamente leve, segue caminho. O sorriso regressa aos seus lábios, o calor ao seu coração e sem se aperceber pega na flauta e começa a tocar uma música. «AH que caminho tão belo!»
Na segunda hora de Saturno do dia de Sol, Dores de Nossa Senhora, S. Eustáquio, S. Socior
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