domingo, outubro 11, 2009

Reflexão com a Lua III

Nesta semana de Lua o que andou a aprontar o nosso peregrino. Terá conseguido sobreviver à Morte com a ajuda da Lua ou terá cedido e entrado no Mundo dos Mortos.

Vamos ver:

Quando o Peregrino chegou ao fim do precipício não encontrou a Morte, encontrou sim uma deusa egípcia que o acolheu no fim dessa etapa da viagem. Recompondo-se e compreendendo que havia passado por uma nova prova, sentou-se com a deusa e preparou-se para a ouvir.

A tua busca tem sido em função das riquezas espirituais, desejas a Sabedoria e avanças. Chegou a hora de aprender o passo seguinte. A unidade. És trabalhador, pacientemente tens feito as tuas conquistas. Porém, segues um percurso cheio de solidão. O triunfo reside em compreender que nunca estás só. Tudo à tua volta tem vida, tudo está repleto de possibilidades. Alarga a tua visão para a Natureza viva que te cerca. Com ela poderás encontrar muito conhecimento e transformá-lo em sabedoria. Na natureza há tesouros espirituais infindáveis.

A deusa levantou-se e caminhou para longe do Peregrino. Foi então que ele começou a reparar no lugar onde estava. Era escuro e pouco nítido, a Lua estava em quarto minguante e a sua luz não era suficiente, mas conseguia ver a silhuetas, as formas das coisas. E reparou numa forma muito conhecida – a casa da sua infância.

Aproximou-se e entrou. Era exactamente a mesma. Havia festa na casa, a família estava reunida, mas eram todos tão mais novos. De repente reconhece-se no colo da sua mãe. Era o seu baptizado. Estavam todos tão felizes e ele tão tranquilo no colo da sua mãe. Emocionado saiu para apanhar ar. Ao chegar cá fora novamente se vê dentro de outro espaço conhecido, bastante conhecido. O quarto onde viveu quando foi estudar para longe e lembrou-se da solidão que sentia à noite e como desejava o colo da mãe. E assim sucessivamente momentos importantes do seu percurso lhe foram surgindo.

Até que o Rei de Copas o agarrou pelo braço, mesmo no momento em que a sua cabeça começava a cair para o chão em desespero.
Ouve-me com atenção enquanto bebes do meu cálice. Tudo o que viste foi herança familiar. Tudo o que aconteceu foi um sistema de limpeza em acção para chegares onde estás agora – a beber do meu cálice. Com a água da vida que ai está baptizo-te novamente e sabe que a partir de agora começa a tua vida! Não mais responderás pelas acções dos outros senão pelas tuas. Não mais serás utilizado para limpar terreno impuro. Não mais serás dependente. És agora Alegria e por ela responderás! És agora um no todo e todo em ti!
E como que saído de um sonho, o Alegria abriu os olhos e estava no mesmo sítio onde havia conversado com a deusa. Enquanto inspirou profundamente, toda a informação foi assimilada e o Peregrino morto.

Com outros olhos observou o espaço e reparou que a luz da Lua já não o enganaria mais, que as suas ilusões foram necessárias, mas agora ele via através de outro olho!
Na primeira hora de Júpiter do dia de Sol, Nossa Senhora dos Remédios, S. Firmino, S. Quirino, S. Nicásio
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