sábado, dezembro 19, 2009

Como aprender com a Morte a escolher com o Coração

Não há de facto nada neste Cosmo que funcione por mero acaso, mais uma vez tudo se encaixa para nos ajudar a melhor compreender as nossas questões pessoais.
Reparem na reflexão conjunta das duas semanas anteriores e digam-me se acreditam mesmo que eu não fiz a da Morte apenas por falta de tempo (e alguma vontade).


Alegria estava perante uma imagem pouco acolhedora, na sua frente estava um esqueleto preto com uma foice na mão que parecia varrer as margens do vale por onde passava, limpando todas as impurezas que nelas se encontravam. Sentia-se encurralado, estava numa esquina mas compreendia que jamais poderia voltar para trás.

A Morte ao dar conta da presença de alguém, olhou para trás e enfrentou Alegria. Este rapidamente pensou que fosse quem fosse aquele ser o poderia de certeza ajudar e com essa bravura inspirou e deu um passo em frente.

Assim que o seu pé direito ficou seguro no chão, Alegria teve um flash e lembrou-se das palavras da Sacerdotisa. Compreendeu que mesmo aquela figura na sua frente estava repleta da mesma energia que o resto, Amor. Também ela vinha do grande caldeirão da Mãe, também ela servia um propósito neste grande Plano que é o Uno, também ela tina a mesma origem - a Fonte.

De tal forma foi a sua certeza que nesse mesmo segundo a Morte desapareceu e se transmuta em Pajem com o Bastão na mão e lhe diz:

«Eu sigo a corrida do cervo com pés ligeiros. Eu sou a liberdade da floresta, o que abre o seu caminho. Alarga o teu grilhão e voa livre!»

Era o momento de largar mais uma vez tudo o que o prendia, Alegria compreendeu isso. Mas como poderia ele saber de coração aquilo que deveria ser liberto? Teria de parar e analisar todo o seu percurso para ouvir o que o coração lhe dizia ou seguiria em frente confiando que no preciso momento tudo lhe seria colocado à frente?

Enquanto pensava nestas questões, observa o Pajem a largar o Bastão e a segurar o Disco de protecção:

«Eu agarro a cabeça do sacrifício e digo as palavras dos ancestrais. Contempla, o sangue na espada é o sinal para que ajas. Não vagueis sem rumo sobre a terra, mas pergunta por que e como andas.»

E então compreendeu que jamais se deve parar para pensar, sentar-se no caminho e reflectir era já um luxo que não poderia ter. Com todo este conhecimento de si próprio era altura de Alegria compreender que é preciso continuar a avançar com fé e olhos abertos, sabendo que os sinais surgirão sempre que precisar deles para escolher. Não precisa parar.

Alegria sentia que agora nada o poderia parar e dentro de si uma Força crescia de forma incrível. Como poderia nunca ter compreendido que tantas reflexões o tinham deixado demasiado tempo em determinados lugares que não valiam a pena.

E com este pensamento na sua frente surge um Cavaleiro que lhe diz:

«Eu sigo a visão do Graal, onde quer que me leve, porque eu estou destinado a encontrá-lo e a manejá-lo. Chamam-me de “Louco” e “Sonhador”, mas eu nasci para esta missão e em seu serviço morrerei.»

De facto não vali a pena pensar que teria sido em vão parar em determinados lugares
pois fora dessa forma que chegara onde estava hoje. Novamente Alegria se sente ridículo por ter pensado em tal barbaridade e deixado de lado algo em que sempre acreditou. Esta dualidade sempre existira dentro de si, uma necessidade de reavaliar constantemente as suas crenças. Sempre que aprendia algo novo por experiência fazia com que essa aprendizagem entrasse em harmonia com as anteriores e caso isso não acontecesse, tudo seria colocado em causa.

Caminhou e entretanto dá consigo perante uma festa enorme. Observou cuidadosamente e compreende que estava a assistir a um casamento, um ritual de união. Quanta alegria e amor havia naquele novo casal que se unira. Alegria felicitou-os de coração e afastou-se para continuar o seu caminho, mas algo que ficara a matutar o pensamento.

Quantas vezes fizera escolhas na sua vida pela segurança que elas lhe ofereciam? Quantas vezes arriscou tudo e seguiu os desejos do seu coração? Sempre que uma escolha se havia colocado à sua frente, Alegria escolhera pelo seguro ou não escolhera de todo, deixando que o tempo levasse as oportunidades.

Sentiu-se triste, apesar de não estar magoado, sentia que havia errado vezes de mais, mas o pior era não ter a certeza se na próxima oportunidade iria escolher de forma diferente. No seu corpo ecoaram as palavras:

«Eu agarro a cabeça do sacrifício e digo as palavras dos ancestrais. Contempla, o sangue na espada é o sinal para que ajas. Não vagueis sem rumo sobre a terra, mas pergunta por que e como andas.»

Por que andava ele? Como andava ele? Seria isso que deveria usar para fazer as suas
escolhas? As pernas começaram a vacilar e Alegria sentiu-se muito inseguro. De repente tem uma visão. Uma imagem linda de uma Santa, era santa Fausta que emanou uma energia tão doce e lhe sussurrou:

«Eu retiro fogo do mais profundo dos rochedos. Eu sou a luz que dança, a lança que canta. O lugar dentro de ti que mais ferido estiver, é o lugar de onde vem o teu maior poder.»

Então seria isso, era essa a sua resposta. Aquilo que mais lhe custasse seria o que deveria fazer. Alegria seguiu em frente, mesmo sem ter a certeza de que aquela seria a resposta. Iria caminhar até ao Graal olhando para a espada sempre que tivesse dúvidas. Se ela sangrasse deveria seguir, senão deveria mudar de rumo.
Que mais lhe estaria reservado? Numa semana em que as festas se iniciam, Alegria estará sozinho ou reencontrará a Sacerdotisa?

Na segunda hora de Sol do dia de Saturno e de Santa Fausta
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