quinta-feira, fevereiro 11, 2010

A Subida

A viagem é longa e solitária. A mochila já foi largada há muito tempo atrás, sigo livre, deixando agora no solo um trilho leve, quase imperceptível.

Ergo a cabeça, arregaço as mangas (bem ao jeito de um temperamento cardinal) e sigo em frente. Escalo a montanha de mim mesma, confiante de que no topo se há-de encontrar a liberdade, a alegria, o amor nos seus estados puros. A energia é tanta quanto os raios de Sol que me inundam o corpo.

Mas quando a Lua chega, quando é ela que me banha o corpo, a energia vai para a raiz, tal como acontece aos vegetais da Natureza, e as dúvidas, os questionamentos, as buscas são mais que muitas. Nunca caminho de noite, pois os pés tornam-se hesitantes e a os olhos alcançam apenas sombras daquilo que é a Verdade.

À noite, recolho-me debaixo de algo que me possa proteger e reconecto-me com a energia quente que reside no ventre da Mãe Terra. Aí fico a lembrar as escolhas feitas, os contratos assinados, os abandonos e as conquistas. Tudo me parece tão vão. Se ao menos eu pudesse apagar tudo isso e começar de novo. Esta é a solução que mais vezes ocupa a minha mente, desviando-me da Verdade.

Não posso começar de novo, pois se assim fosse seria com certeza uma nova pessoa e não esta que à noite precisa de conforto e protecção, qual guerreira que entra em sua casa e se torna mãe, mulher e criança.

Aceitação, como sempre, torna-se o mantra, a chave-mágica para curar a ferida. Aceitar os outros, aceitar as minhas fraquezas e acima de tudo os erros. Compreender que no fundo não há erros, apenas aprendizagens, experiências.

Assim, é com grande alegria que professo estas palavras:

«Abro os meus corpos à mudança que se avizinha. Aceito as experiências que me estão destinadas. Trilho o meu Caminho de braços abertos!»

Na primeira hora de Sol do dia de Júpiter, Nossa Senhora de Lurdes, S. Lázaro
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