domingo, novembro 28, 2010

Alegria ganha um guia no seu caminho

As ajudas no caminho são de grande importância, colocarmos esse assunto de lado é um acto imprudente, pois com amigos tudo se faz com mais facilidade.


A ideia de se recriar era ponto assente na mente de Alegria. Parou junto a um riacho que ali se serpenteava e decidiu limpar-se. A caminhada tinha sido longa, penosa até em alguns momentos, principalmente naqueles em que se recordava de como se havia comportado.

Mas o seu coração estava agora mais leve, as mágoas haviam sido limpas à medida que avançara na sua jornada. Enquanto mergulhava os pés na água fria e sentia o alívio de quem depois de um dia de caminho descalça os sapatos e sente o ar a massajá-los, Alegria escutou um pequeno som, indecifrável a uma primeira auscultação.

Por trás de uma pequena rocha algo emitia um som que Alegria compreendeu ser de aflição. Retirou os pés da água e foi inspeccionar. Para sua surpresa, preso num emaranhado de galhos secos estava um belo pássaro que por alguma razão não conseguia chilrar mais alto.

Timidamente, para que ele não se assustasse, Alegria aproximou-se suavemente tocou-lhe. O pássaro revelou através do bater do seu coração a adrenalina que sentia, mas o seu aspecto manteve-se sereno, confiante de que aquela pessoa iria agir correctamente.

Com alguma dificuldade, Alegria retirou-o dos galhos e abriu muito cautelosamente a mão. O pássaro, vendo-se  liberto daquele embaraço fitou o seu salvador e, para espanto de todos, abriu o bico:

«O que deseja o teu coração? Pede-me o que quiseres e assim será realizado.»

Apesar de estar habituado à magia da vida, isto não o salvou de um valente susto e sacudiu a mão num acto instintivo. O pássaro apanhou também um tremendo susto e bateu as asas e voou.

Sentado contra o tronco de um salgueiro, o coração a pular, a respiração ofegante e um tom pálido na face, Alegria começa a rir-se devido à cena hilariante que acabara de acontecer. O pássaro ouvindo os sons do riso retoma também a sua naturalidade e aproxima-se.

«Agora que te revelas pela surpresa do momento, sempre se vêem os Homens melhor quando têm de se defrontar com o desconhecido, vejo que o teu coração está no lugar certo. Pede o que quiseres e tê-lo-ás.»

«Os meus desejos são simples. Caminhar com o coração confiante nos guias que me levam ao meu lugar destinado. Que o meu coração esteja sempre seguro.»

«A segurança no caminho não é algo fácil de atingir. É um passo de cada vez com a certeza no coração de que nada nem ninguém o penetrará para te prejudicar. Para isso, deves munir-te de pessoas bondosas, semelhantes a ti na essência. Mas recorda-te: sempre que esconderes os desejos do teu coração, atrairás pessoas no teu caminho para te prejudicar, pois eles servirão de mola para que busques outra vez a tua verdade.»

Alegria recebeu as palavras e deixou-as a vibrar dentro de si para que assentassem em lugar firme. No final agradeceu e pensou na mulher. Mas o pássaro ainda tinha algo para lhe dizer:

«Devo-te a minha vida. Em sinal do meu apreço estarei sempre ao teu lado a chilrear quando precisares. Que a Luz ilumine os teus passos.»

Na terceira hora de Marte do dia de Sol, S. Gregório, S. Tiago de Marca
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