sábado, novembro 20, 2010

Uma limpeza de alma através da Morte

Ísis e Alegria não se entenderam, a Morte pela qual tiveram de passar foi dura demais, e ao invés de se terem unido, foram cada vez mais se distanciando. Porém, através do seu distanciamento, nós aproximamo-nos novamente da sua história.

Eles voltaram ao Grimoire, com a Morte se foram e com ela regressam. Foi uma semana de conclusões, buscas interiores e despertares. Vamos ver como andam estes dois:
As discussões começaram a surgir por tudo e por nada. Ora era Ísis que exercia a língua viperina da crítica  à pessoa que ele era, ora era Alegria que escrutinava a vida espiritual dela. As palavras magoaram, como espadas trespassando a alma de cada um. Quanto mias feridos se sentiam mais ferozes se tornavam, curioso, como nem Ísis, uma iniciada nas Artes, se conseguia afastar de tal egrégora. 

A luta do Ego durou por muito tempo. Chegou a impedir que cada um pudesse exercer a sua função de escolha, pois estas eram tomadas em função do que o outro permitia, ora fosse por um deles proibir o outro de determinadas acções, ora por as escolher serem feitas em função do que iria irritar mais. E nesta onda de enganos, o amor foi passando para o seu oposto e sempre que se olhavam, onde antes havia amor e admiração, havia repulsa e ódio.

Lembravam-se em segredo como tiveram outros sonhos antes de se terem unido, cada um recordava no seu coração a liberdade e alegria que sentiam quando estavam sós. E, ao lado um do outro adormecem, próximos o suficiente para não terem de discutir, e precisamente o suficientemente longe para os seus corpos não se terem de tocar.

«Ó que me metes nojo! Repulsa é o que sinto ao olhar para ti! O que te levou a esse estado? Porque achas que é tarde de mais para parar com isto? Que infelizes são aqueles que não sabem o que é o amor!»  Sons que ecoaram violentamente e acordaram os dois de um sonho demasiado longo.

Assustados, olharam-se e sem mais nem porquê, encontraram-se num longo abraço. As lágrimas foram soltas e as almas limpas, a egrégora foi desfeita. 

Não foram necessárias muitas palavras para explicar e perdoar cada acção, afinal quem deles tinha feito pior ou melhor? Concluíram apenas que se haviam junto cedo de mais, pois havia amor entre eles, o momento não era oportuno e tudo deveria voltar a ser como antes, sós. Num demorado abraço e longo beijo despediram-se, com a esperança no coração de que no dia certo ambos estivessem livres para se reencontrarem.

E cada um seguiu por caminhos diferentes, mas ambos com o objectivo de regressar a casa, reencontrar-se como indivíduo para poder ser marido/mulher, pai/mãe, avó/avô...

E nós? Temos alguma relação que seja assim? Há alguém que só desperta o nosso pior e que por muito que tentemos não o conseguimos evitar? Eu tenho, mas esta semana venci!

Na segunda hora de Mercúrio do dia de Saturno, S. Felix de Valois, S, Edmundo
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