segunda-feira, fevereiro 22, 2010

E hoje temos isto...

...na semana do Dependurado, energia 12, em que muito nos será exigido, deixo-vos com um vídeo. Este excerto é belíssimo, mostra-me aquilo que uma família deve ser (para mim, pois está claro!).

Conseguem ver o Dependurado aqui?


A todos uma excelente semana! Como escolha musical ficamos com The Sacrifice de Lisa Gerrard e Pieter Bourke em The Insider, brilhante filme de Michael Mann e com The Sacrfice de Michael Nyman em The Piano de Jane Campion.

Na segunda hora de Sol do dia de Lua, Santa Margarida de Cortona

domingo, fevereiro 21, 2010

Terá o Juízo sido Final?

Nesta semana do Juízo Final, que teremos nós andado a recapitular? Teremos sido muito severos com os outros? E connosco? Terá esta energia sido usada de forma positiva ou apenas destrutiva?

Vamos ver o que andou o Alegria a fazer:
Alegria caminhava um pouco sorumbático, ainda não se havia perdoado por ter estado tanto tempo entregue aos prazeres da carne. Como iniciado sabia que fosse qual fosse a sua obra deveria ser construída em função do bem comum e nunca para proveito exclusivo de si próprio. que bem poderia ter ele oferecido aos outros permanecendo naquela ilusão durante tanto tempo?

Porém, não podia deixar de sentir que aquele momento havia sido muito proveitoso para si, não conseguia para já ver em que campo, mas que acreditava nisso, lá isso acreditava.
Decidiu, então, começar a julgar as suas atitudes durante aqueles tempos de loucura. Aceder aos seus arquivos para recapitular a história.

Havia entrado numa ilusão, conscientemente, decidira voltar atrás para aprender algo e no fim ficara com a sensação de que não aprendera a lição. Seria mesmo assim? Se não tivesse aprendido a lição não estaria agora com vontade de voltar atrás? Ou teria sido a lição aquilo que ele vivieu?

É certo que a resistência oferecida ao deleite e à satisfação do corpo foi muito pouca, mas por outro lado, havia sido para isso que lá tinha ido, para se entregar à tentação e satisfazer-se.
Teria a lição sido apenas para testar se conseguiria avaliar correctamente a situação e saber sair dela a tempo, isto é, antes que a Torre o obrigasse? Quanto mais se debruçava sobre a hipótese mais ela fazia sentido, ressoando dentro de si como verdade.

Não valia a pena arrepender-se de ter regressado, de se ter entregue e permitido viver aquela ilusão.
Afinal...toda a sua vida como profano tinha sido vivida em ilusão. Era uma herança cultural que tinha recebido, para quê julgar que não saberia identificar uma ilusão quando a visse. Desta forma ganhou nova confiança e sentiu-se rejuvenescido por ter retirado tal peso da sua mente!

Alegria aprendeu que deveria julgar-se com menos severidade...que a ilusão faz parte da vida e em particular da sua vida, do seu percurso. Restava-lhe apenas compreender se houvesse alturas em que quisesse e se permitisse viver essas ilusões.

E assim foi, Alegria descobriu que é muito severo consigo, e nós?

Na primeira hora de Saturno do dia de Sol, S. Maximiano, S. Ângela de Miricia

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Dançando




Para hoje é isto! Dança muita dança bela!

O ano passado reflectíamos sobre isto e isto!

Na primeira hora de Mercúrio do dia de Marte, S. Porfírio, S. Onésimo, Honesto, S. Juliana de Nicomédia

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

O Juízo Final

Depois de termos sido abalados pela Torre, eis que chega o momento de acordar de novo, de renascer das cinzas!

Para esta semana de Entrudo parece que o Cosmo nos está a querer avisar de que grandes mudanças irão ocorrer nos próximos tempos. Parece que é o momento de largarmos as ilusões, as fachadas, o faz-de-conta, pois se o fizermos livremente não custará tanto.
Se quisermos aproveitar ao máximo esta energia, devemos virar os nossos olhos para dentro. Analisar as últimas semanas e ver que parte da nossa vida esteve a ser afectada pela Força e pela Torre. Ao fazê-lo poderemos ter a certeza de que ouviremos o trompete do Anjo anunciador de novos tempos, mostrando-nos a saída deste túnel!

É um óptimo momento para nos julgarmos! Acreditem, não vai ser doce, mas é necessário!

Para animar um pouco e nos dar a força do Fogo necessária para esta tarefa, deixo-vos com Mirah, o álbum é de 2002 Advisory Committee e a música é Light the Match! Espero que gostem!



A todos uma excelente semana com o Juízo Final!

Na primeira hora de Vénus do dia de Lua, S. Jovita, S. Romualdo

domingo, fevereiro 14, 2010

A Torre acabou com a brincadeira!

Na semana antes da Lua Nova em Aquário, que assuntos andámos a reviver? A Torre levou-nos a redefinir prioridades e a escolher novos rumos, terá sido conscientemente ou teremos sido obrigados por ela a desfazermo-nos de tudo o quanto nos é desnecessário?

Vamos ver o que o Alegria andou a fazer, pode ser que nos ajude.

Alegria estava dentro da casa da Mulher. Com ela redescobriu prazeres, sentia-se bem e completo. Todavia, começou a crescer a dúvida de se deveria sair agora ou continuar por mais um tempo a desfrutar tal perfeição.

O seu Ego dizia-lhe que melhor do que aquilo seria difícil de conseguir. Afinal estava a receber simplesmente o merecido. Por que não ficar? Mas a sua mente dizia-lhe que se ali se quedasse seria eternamente apenas aquilo, não haveria evolução.

Na verdade a evolução do seu conhecimento pessoal era o que ele desejava. Ele era o Graal que tão corajosamente buscava. Para isso precisava expor-se com mais frequência a situações diferentes no seu dia-a-dia, só assim se poderia confrontar com as limitações e realizações atingidas.

Mas aquele conforto, aquela satisfação...tudo aquilo era fruto do que ele havia alcançado, merecia mais tempo a desfrutá-lo. E assim decide continuar por mais um tempo com ela.
Os jogos sexuais, as partilhas criativas, os desfrutes carnais foram usados e abusados. Alergia não se permitia aqueles luxos há tempo demais e agora sôfrego deixava-se ir.

Dois ciclos lunares se passaram até que os problemas começaram a surgir. Alegria não conseguia agora largar o leito, a sua energia estava toda canalizada para a descoberta da mulher e em oferecer-lhe cada vez mais prazeres. Aos poucos, a energia criativa de Alegria começou a definhar e a sua razão foi perturbada.

Exausto deita-se a dormir um pouco, apenas o suficiente para se recompor e começar outra vez o que havia interrompido.
No meio do seu sono Alegria tem uma visita. Está no cimo de uma Torre a observar o céu e de repente, uma voz estridente, cujo som magoava os ouvidos.

«O livre arbítrio é para ser usado com sensatez! Não vês no que te estás a transformar? Estás perdido nos jogos de prazeres! Não consegues largar a tempo as tuas realizações, por isso, terei de intervir!»

E com isto, um raio violentíssimo cai sobre Alegria expulsando-o da morada onde estava.

Suado e assustado Alegria acorda na cama da Mulher que o olha com suavidade.

«Tenho de me ir embora!»
«A porta está aberta poderias ter saído quando quisesses! Faz uma boa viagem e regressa sempre que quiseres, mesmo que não seja para superar provas, serás sempre bem-vindo ao meu leito!»

Alegria, ainda assustado, abandona a casa sem olha para trás. Deveria ter sido um herói e saído desta prova com distinção. Deveria ter saído a tempo, mas felizmente que o trovão apenas o tinha atingido em sonho. Pelo menos nisso estivera atento!

Bom, parece que alguns de nós estiveram atentos e “caíram fora” cedo, mas alguns de nós...nem por isso! Recordemos que a Torre apenas entra em acção quando estamos demasiado desviados do caminho, ela funciona como medida correctiva, é um ajuste!
Quanto maior for o nosso apego, maior será o impacto e os danos provocados!

Teremos à nossa frente uma semana de reflexão, Lua Nova em Aquário dando novas oportunidades e o Juízo Final, carta XX.

A todos uma excelente semana e um feliz dia de São valentim

Na primeira hora de Mercúrio do dia de Sol, S. Valentim, S. Cirilo, S. Metódio

sábado, fevereiro 13, 2010

O medo vencido com a Força

Esta partilha vem com um grande atraso, pois ela refere-se à primeira semana de Fevereiro. Espero que ainda se lembrem o que andaram a fazer para poderem colocar em correspondência com a viagem do Alegria.

Vamos ver o que a Força nos trouxe!

Alegria regressou então atrás no espaço, regressou à porta da Mulher e bateu.

«Eis-me aqui humildemente pronto para a tua prova. Tenho andado errante pelo caminho do desejo, mas a marca de sangue na neve levou-me a compreender que és tu quem me deve recolocar no trilho correcto.
Aceito o caminho, leve-me ele onde levar. Por ele morrerei, pois sem ele não há sentido!»

«Entra, mas presta atenção. O chão é composto por quadrados brancos e pretos. Escolhe qual deles deves pisar primeiro, mas escolhe atentamente pois só um te recolocará no trilho certo.»

Alegria olhou para o chão e analisou os tons. Desfocou a sua vista e observou o preto com os olhos da mente.

«Este esconde os prazeres da vida. A busca incessante de prazer que nos leva a negar a integridade interior. Por este tom farei a escolha da vida mundana e nela serei aprisionado. Se a pisar a missão será falhada!»

Interiorizou a experiência no silêncio absoluto do seu ser. Fechou os olhos e contemplou o branco.

«Aqui reside o sossego. Se pisar este quadrado entrarei para um templo de repouso, onde posso desfrutar os prazeres merecidos, sem que estes me aprisionem. O caminho através da luz leva-me ao descanso merecido. É este que piso.»

Alegria elevou o seu olhar e enfrentou a Mulher.

«Seguirei sempre o Graal, por ele estou disposto a morrer, mas se assim for, escolho morrer em integridade e liberdade. Este é o quadrado que escolho pisar!»

E com estas palavras, hirto e de cabeça erguida ao céu, deu um passo e pisou o quadrado branco.

«És sensato Homem! Tens bons treinos e usas as tuas técnicas correctamente. És merecedor de entrar na minha casa e descansar, sem tentações ou ilusões. Não mais temas a Força das Mulheres pois a tua lição foi aprendida! Entra se assim quiseres e descansa, não me temas pois mal algum exercerei.»

Num suspiro que pareceu descarregar toda a ansiedade e preocupações que o abatiam, Alegria entrou e a paz restaurou-se.

Bom, espero que todos aqueles que tenham aceite ir ao passado recente resolver uma situação tenha passado a lição com a mesma distinção com que Alegria o fez.
Compreendamos que nada de errado há em dar um ou dois passos atrás, pois a experiência trar-nos-á aprendizagens importantes para redefinirmos a nossa caminhada.

A todos um excelente dia!

The Tempest


Our revels now are ended. These our actors,
As I foretold you, were all spirits, and
Are melted into air, into thin air:
And like the baseless fabric of this vision,
The cloud-capp'd tow'rs, the gorgeous palaces,
The solemn temples, the great globe itself,
Yea, all which it inherit, shall dissolve,
And, like this insubstantial pageant faded,
Leave not a rack behind. We are such stuff
As dreams are made on; and our little life
Is rounded with a sleep.

The Tempest Act 4, scene 1

Nossos jogos ora cessaram. E os actores,
Como vos pressagiei, eram só espíritos, e
Dissiparam-se no ar, no fino ar:
E como a fábrica sem alicerces desta visão,
As torres com nuvens acima, esplêndidos palácios,
Solenes templos, o próprio globo em si,
Sim, tudo que ele lega, deve dissolver-se,
E, desta insubstancial pompa diluída,
Não resta caibro. Somos o tipo de estofo
De que são feitos os sonhos; e nossa breve vida
É limitada por um sono.

A Tempestade, Acto 4, Cena 1

Na primeira hora de Lua do dia de Saturno, S. Gregório, S. Catarina Rici

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

A Subida

A viagem é longa e solitária. A mochila já foi largada há muito tempo atrás, sigo livre, deixando agora no solo um trilho leve, quase imperceptível.

Ergo a cabeça, arregaço as mangas (bem ao jeito de um temperamento cardinal) e sigo em frente. Escalo a montanha de mim mesma, confiante de que no topo se há-de encontrar a liberdade, a alegria, o amor nos seus estados puros. A energia é tanta quanto os raios de Sol que me inundam o corpo.

Mas quando a Lua chega, quando é ela que me banha o corpo, a energia vai para a raiz, tal como acontece aos vegetais da Natureza, e as dúvidas, os questionamentos, as buscas são mais que muitas. Nunca caminho de noite, pois os pés tornam-se hesitantes e a os olhos alcançam apenas sombras daquilo que é a Verdade.

À noite, recolho-me debaixo de algo que me possa proteger e reconecto-me com a energia quente que reside no ventre da Mãe Terra. Aí fico a lembrar as escolhas feitas, os contratos assinados, os abandonos e as conquistas. Tudo me parece tão vão. Se ao menos eu pudesse apagar tudo isso e começar de novo. Esta é a solução que mais vezes ocupa a minha mente, desviando-me da Verdade.

Não posso começar de novo, pois se assim fosse seria com certeza uma nova pessoa e não esta que à noite precisa de conforto e protecção, qual guerreira que entra em sua casa e se torna mãe, mulher e criança.

Aceitação, como sempre, torna-se o mantra, a chave-mágica para curar a ferida. Aceitar os outros, aceitar as minhas fraquezas e acima de tudo os erros. Compreender que no fundo não há erros, apenas aprendizagens, experiências.

Assim, é com grande alegria que professo estas palavras:

«Abro os meus corpos à mudança que se avizinha. Aceito as experiências que me estão destinadas. Trilho o meu Caminho de braços abertos!»

Na primeira hora de Sol do dia de Júpiter, Nossa Senhora de Lurdes, S. Lázaro

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

O desejo no Uno

Nada do que possamos desejar se encontra fora de nós. Porque nós estamos em tudo e tudo está em nós.

A grande união do Uno serve a felicidade individual de cada um, apesar dela não existir. Se somos todos um quando algum de nós recebe algo estamos todos a receber. Se alguém está feliz ficamos todos felizes. Se alguém experimenta algo novo, a todos é aberta a mesma porta de possibilidade.

Sejamos todos conscientes de que não existe a felicidade alheia e rejubilemos com alegria as conquistas dos outros! Procuremos estar sempre alegres e viver em paz e serenidade, estaremos todos gratos por isso!

A todos uma excelente semana com a Torre! Venham as mudanças!

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Transforma-se o amador na cousa amada,

Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar ?
Em si somente pode descansar,
pois consigo tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,
que, como um acidente em seu sujeito,
assi co a alma minha se conforma,

está no pensamento como ideia:
o vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples busca a forma.

Luís Vaz de Camões

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Desabafos

Gostava de resolver isto. Gostava de ver esta situação terminada. Gostava de poder dizer: ponto final! Caso Arquivado!
Mas não...ainda não foi desta que a lição foi aprendida. Bem pelo contrário, hoje mais do que nunca, senti todo o corpo a dizer: É isso! Força!!!

E todo o corpo vibra e arrepia-se! Há quanto tempo não sentia algo assim? Há quanto tempo? Há tanto que julgava ser impossível sentir desta forma. É como se recantos da minha alma tivessem acordado, como se tivessem ouvido o soar da trombeta do Anjo do Juízo Final a chamar para a missão!!! O Acordar, o Despertar!

E depois os medos acordam ao mesmo tempo! E se...E se...E se...

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Não há duas sem três, será que desta é de vez?

Ora cá temos pela terceira vez este ano, que só ainda passou um mês, a Força para nos orientar!

Já sabemos que o Alegria vai voltar atrás e enfrentar o LEÃO e nós que vamos optar por fazer?

Seja qual for o dilema que estamos a viver, aproveitemos a Força para nos guiar. Ela trar-nos-á a acção, a coragem, a energia necessárias para lidar com a situação. Porém, é conveniente mantermos os olhos bem abertos para dentro, isto é, estarmos conscientes em cada momento da escolha que estamos a fazer.

A Força tem o seu lado menos bom, poderá dar-nos algum autoritarismo na resolução dos dilemas. Por isso, se a situação exigir algum jogo de cintura, lembremo-nos que podemos estar a ser demasiado rígidos, intolerantes para com os outros.

A todos uma excelente semana!

Na segunda hora de Marte do dia de Marte, S. Lourenço, Purificação de Nossa Senhora

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

A Espada da Justiça cai sobre Alegria

Desculpem a demora na publicação da história do Alegria, mas mais um fim-de-semana ausente fez com que não tivesse muito tempo e disponibilidade necessária para o fazer.

Ufa...estas semanas estão a ser uma confusão HEHEHHEEH acho que andamos em círculos à volta de um assunto qualquer que nos estamos a recusar admitir! Mas a Lua cheia em Leão e o Sol em Aquário foram bastante reveladoras!

Vamos ver o que aconteceu ao nosso Amigo!
Enquanto caminhava a imagem da Mulher vinha-lhe à cabeça e Alegria não hesitava. Sabia que havia tomado a decisão correcta, afinal ele fora capaz de ver a ilusão onde se estaria a envolver e compreendera que dali não podia vir nada de útil. Estava mais do que convencido de que agira correctamente!

O seu coração estava aquietado e no lugar certo, até que...

Uma grande tristeza se abateu sobre si, a luz apagou-se e tudo era escuridão. Alegria não conseguia ver onde estava, mas sentia-se muito mal ali. Uma sensação estranha de familiaridade e ao mesmo tempo novidade invadia-lhe o pensamento, o corpo e a alma.
Era como se ali já tivesse estado e, contudo, fosse a primeira vez! Inquietação!

Resolveu realizar o ritual da respiração do Fogo para conseguir sossegar, pois de outra forma sabia que não iria conseguir sair daquela situação.

Desejo foi a palavra que por três vezes ouviu ecoar em si, uma na raiz, outra no plexo solar e outra no coração. DESEJO
Serenamente projectou essa palavra, vã em sentido, apenas letras, numa tela branca na sua mente. DESEJO

As letras foram-se soltando, pulando, aproximando e afastando, até que, de repente, a cara da Mulher surgiu na tela. O pormenor do seu pescoço, os traços definidos dos seus lábios, a suavidade das suas mãos. Alegria estava extasiado. Acalmou o seu plexo sacro que começava a ulular de energia e prosseguiu com a meditação. Mas o plexo solar encolhia!!!

Focou a cara da Mulher e deixou-a brincar como a palavra havia feito. Para seu espanto uma cena completa se formou na tela branca. Alegria deveria estar no início da idade adulta. Estava numa esplanada a contemplar o sol da tarde de um final de dia de Verão. Uma Mulher maravilhosa senta-se na mesa ao lado e olha-o timidamente.
Educadamente sorri e volta os olhos para o horizonte. Mais uma vez é desviado do objecto de observação pela sensação de que alguém o observa, olha para a mesa e a Mulher fecha os seus olhos num movimento doce e convidativo. Alegria estremece de desejo e nesse momento, levanta-se e vai embora.

A cena desaparece e outra surge. Alegria envolvido nos braços de uma Mulher. Ela devora-o com o seu desejo e ele apenas se deixa ir. A cena é dura para Alegria que sente o seu coração a apertar ligeiramente. Treme o olho e a imagem desvanece.

DESEJO este impulso tão mal trabalhado por Alegria. Finalmente o peregrino compreende que tem andado em círculos, que a lição que havia por aprender ainda não fora aprendida. Por se ter deixado levar por várias vezes, nunca analisando os impulsos que o levavam a satisfazer determinados desejos, acabara por se enrolar com pessoas e situações que o haviam perturbado e que, em última análise, o levavam agora a recusar aceder aos seus desejos.

Afinal, havia recusado a experiência não por superioridade e lição aprendida mas por receio e teimosia. Alegria tem de aprender a equilibrar os seus desejos, sabendo destrinçá-los de forma a compreender o que é decisão consciente do momento ou padrões antigos de comportamento.

E faz-se luz! Alegria consegue novamente ver o lugar onde está e para onde quer ir. Voltar atrás e encontrar a Mulher que o convidou a dormir na sua cama, a comer da sua comida e beber da sua bebida. Alegria vai enfrentar os seus Desejos pois para fazer o caminho do Meio ele precisa de tocar as duas beiras da Estrada!

E nós? A que ponto das semanas anteriores deveremos voltar? Que lição julgávamos aprendida? Confesso que como o Alegria o meu plexo solar fica pequeno só de pensar que terei de ir atrás...
Vamos pois a Força está novamente entre nós!

Na segunda hora de Mercúrio do dia de Lua, S. Inácio, S. Brígida, S. Tugen
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