sexta-feira, abril 22, 2011

O Louco encontra-se com o Eremita, quem vencerá?

A propósito do lançamento publicado hoje no Tarot da Shin, fiquei a meditar sobre o que significa poder ser Eremita.
Na semana passada um Irmão Mais Velho disse-me:
«Shin, é preciso ter cuidado para não chegar ao fim da viagem e, perante o questionamento sobre o que fizeste com a tua vida, não teres como resposta vivi. Isolarmo-nos do mundo, não é viver.»

Confesso que aquelas palavras, como outras, não fizeram muito sentido, já que sinto que não sou Eremita e que vivo a minha vida de forma consciente de que tudo é uma aprendizagem, interagindo com os outros eu vou aprendendo cada vez mais. 
No entanto, depois deste lançamento fiquei a pensar sobre o assunto e as palavras da semana passada fizeram hoje todo o sentido.

No que diz respeito aos meus rituais, aos meus trabalhos de magia, eu faço tudo sozinha. Tive em tempos um pequeno grupo, mas a divergência do rigor e do sentido das coisas fez com que nos separássemos. Depois disso, esporadicamente, havia pessoas a participar nos meus rituais, mas cheguei à conclusão que os queria mesmo fazer sozinha, ou era sempre a mesma energia ou não valia a pena, já que os resultados energéticos eram muito diferentes. Não é isto ser Eremita?

A história do Esoterismo fala-nos de grandes grupos de pessoas que se unem para ter uma acção social mais forte, mais direccionada e, por isso mesmo, mais eficiente. Estes grandes grupos, fujo deles a sete pés, recordações passadas que, ainda não estando limpas, accionam os medos. Não é isto ser Eremita?

Não acredito que as viagens pessoais de cada um tenham de passar pela inclusão nestas organizações, mas, infelizmente, sinto que a minha tem. Sempre senti que a minha realização passava pela actuação na sociedade de forma activa, talvez por isso tenha seguido a carreira que segui. Tento espiritualmente modificar a consciência das nossas gerações futuras, mostro-lhes caminhos infinitos de possibilidades e de responsabilidade também. Tento mostrares-lhes o papel que poderão e deverão ter na sociedade, mas acima de tudo, na responsabilidade das suas escolhas individuais e na formação do seu ser, já que as idades ainda são tenras. Mas será isso suficiente? Não é isso, apenas uma vertente do meu caminho? E o resto?

Espiritualmente, a verdade é que sinto vontade de fazer parte de algo maior. Sei e compreendo que as minhas acções individuais não têm o efeito que poderiam ter se estivessem envolvidas com um grupo energético maior. É verdade, para mim, que neste aspecto me tornei Eremita. Sim, Irmão Mais Velho, tens razão. Não quero chegar ao fim e pensar nas hipóteses que desperdicei...
Contudo, também sei que o grupo onde pertencerei ainda não apareceu. Assim, resta-me declarar ao Universo que estou pronta para ele, ele que apareça e eu experimentá-lo-ei.

Para mim, vence o Louco, não posso mais esconder-me sobre a capa do medo e da dor das vidas passadas. Desejo conhecer outras verdades e ter uma acção mais efectiva na mudança que está a ocorrer. Há tempos atrás paralisei quando me apercebi que não tinha a menor ideia onde esta sociedade ia parar. Hoje, Sexta-feita Santa, compreendo que o medo era vergonha da minha inércia nestes tempos de mudança. O que estou eu a fazer para contribuir de forma positiva para esta mudança urgente na nossa sociedade? Nada. Estou a hibernar nesta caverna em que se tornou o meu castelo. 

É preciso dar o passo seguinte. Será o convite que me fizeste o que preciso? Não sei. Mas sei que vou experimentar, experimentar todas as experiências que me forem oferecidas, mesmo aquelas que possam pôr em perigo a minha estrutura social. Vou viver, vou viver-me.

Na segunda hora de Lua do dia de Vénus, S. Sotero, S. Caio, S. Senhorinha, S. Teodoro
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