quinta-feira, maio 31, 2012

Escuta coração

Ouve-me por uma vez que seja. 
Serena-te. 
Aquieta-te. Escuta-me. 
Sente-me. Estou aqui.
Sempre estive e sempre estarei. 
Para ti e em ti.

Eu sou o amor. 
Não tenho jogos, 
manipulações, intrigas, 
poder ou credo. 
Existo, ponto. 
Sou, por si só,  
sempre fui e serei. 
Estava aqui desde o primeiro dia e 
permanecerei até ao fim. 
Inalterável
Imutável
Permanente
Eterno
Verdadeiro
Genuíno

Não preciso mais de espaço ou tempo. 
Adquiri o meu lugar dentro de mim e de ti. 
Agora sou ainda mais. 
Agora que sou eu em ti. 
Não existe e nem existirá um nós, 
apenas eu e tu dentro do outro. 
Independentes e dependendo. 
Com tempo marcado mas eternos. 
Divididos e inseparáveis. 
Um elo inquebrável mas solto.

Para ti e em ti.
Sempre estive e sempre estarei.
Sente-me. Estou aqui.
Aquieta-te. Escuta-me.
Serena-te.
Ouve-me por uma vez que seja.

terça-feira, maio 29, 2012

amor, perfeição, encaixe?

Pedranceiro por Daniel Silvestre da Silva

Companheiros?, perguntou Pedranceiro, à espera que o cão lhe lambesse os dedos. Isso também é bom. Convém não esquecer que toda a natureza é uma única e grande irmandade. Todos os choram e sofrem e, por isso, devem sentir empatia uns pelos outros. 
Isso é o que Fraca-Chicha dizia, comentou Batalha, emocionado.

Quem é esse?

Uma amiga que morreu, disse Batalha, baixando a cabeça e pressionando o peito com as mãos. Ainda...Ainda me dói muito.
Na morte, disse Pedranceiro, sensibilizado pela tristeza da criaturinha, todos os bichos são iguais. Não há mais fortes ou mais rápidos, mais tolos ou mais sábios... Todos são iguais, todos silenciosos. A única voz que resta, capaz de falar por eles, é a nossa, a dos que estão vivos. Devemos lembrar-nos dos nossos amigos e pensar "Bem feito."
Porquê "bem feito", Pedranceiro?, perguntou Batalha, O que é que "bem feito" significa?

Quando um pedreiro assenta um bloco entre os outros, disse o homem de pedra, ele tem de encaixar-se com os restantes: nem maior, nem mais pequeno.Tem que ser perfeito. Nós, pequena pedra-de-toque, somos como os blocos, estás a ver? Um amigo, ou um companheiro, como o teu Rifão, é alguém que encaixa connosco e isso é muito bem feito. Só quem trabalha com a pedra pode perceber o quanto é difícil esse trabalho de encaixe. Pode correr mal de tantas maneiras diferentes, as pedras partem-se, inutilizam-se, não servem para nada. É muito triste não servir para nada. Por isso, pequeno Batalha, deves lembrar-te da tua amiga e dizer"bem feito", porque tu e ela encaixaram. Tu e ela serviram. Isso é uma coisa grandiosa. 
in Batalha de David Soares

Hoje partilho convosco um excerto do livro que me tem feito companhia nos últimos tempos e um autor que me preenche o imaginário como nenhum luso faz. Fiquei imediatamente aprisionada pela sua escrita com Os Ossos do Arco-Íris e envolvida para sempre com A conspiração dos antepassadas (os meus dois mestres vistos e recriados pela mente fértil, negra e visceral de David Soares, como poderia ter eu escapado a tal paraíso terreno?!?) David Soares é um autor a manter debaixo de olho, mesmo. 

Este excerto, em particular, fez-me imediatamente encontrar o propósito dos Amantes desta semana. Reflectir sobre o encaixe perfeito nas relações. 

O que significa encaixar? Sempre ouvi dizer que as relações se constroem. Que são feitas de cedências naturais de ambas as partes. Que são os compromissos que a fortalecem. Que o Amor é como uma flor, delicado e, por isso, que deve ser regado e cuidado com muita atenção.

No entanto, neste excerto parece que me falam de encaixe natural, de perfeição, de alma gémea. De Naturezas. Será isso possível? Haverá mesmo um testo para cada panela? Perfeito e sem falhas. Onde tudo flui com naturalidade e a construção que venha a existir é fruto natural da perfeição de dois corpos que se tornaram um?

E nas amizades? Encaixamos naturalmente ou fazemos também cedências? Polimos as nossas imperfeições para encaixarmos melhor com os outros? Ou estaremos apenas rodeados de encaixes perfeitos? 

Penso nisto e a minha alma romântica, idealista, insufla-se. Que utopia esta onde só estaríamos com aquelas pedras que encaixam certeiramente na nossa morada actual. Onde não teríamos de encobrir a nossa natureza. Ocultar a nossa beleza e a nossa fealdade. Onde seríamos, puros, pedras brutas, genuínas...mas...se assim fosse, onde está a aprendizagem, o aperfeiçoamento? Onde está o ensino nesta utopia? Haveria algum crescimento?

Quantas perguntas. quanta dificuldade em compreender aquilo que é incompreensível. Será que também aqui cada um terá a sua forma de fazer? Eu acredito em encaixes perfeitos, naturais, numa relação. Mas há quem acredite em trabalhar a pedra para que se possa encaixar. Estarei eu errada e o outro certo ou vice-versa? 

Em que acreditas tu? Qual a tua experiência de vida neste assunto? Queres dizer-me?

segunda-feira, maio 28, 2012

Escutas o teu coração?

Tenho ouvido muitas vezes, principalmente nos circuitos ditos esotéricos, que eu não oiço o meu coração. 

Durante muito tempo, este assunto ocupou grande parte da minha atenção e energia. Durante muito tempo me questionei sobre o que era isso de escutar o coração. Teria de ficar com aqueles olhinhos de alucinada tipo que se esqueceu onde estacionou a nave e pôr palavras nas emoções que sentia? Ou teria mesmo de imaginar que falava com um coração tipo de peluche que movia os lábios e me dizia o que queria?

O que era isso de ouvir o coração? Com certeza que nenhuma das hipóteses anteriores seria a correcta. Mas como podia eu, eu, não ouvir o meu coração? O estranho era dizerem isso a uma pessoa que é emotiva, que tudo o que vive ou experimenta neste Plano Manifestado é interpretado e sentido pelas emoções. Como era possível?

Foi por volta desta altura que percebi que nem tudo o que os outros nos dizem merece ser escutado, muito menos perder tempo com reflexões resultantes dessas palavras. 

Hoje em dia sei que escuto o meu coração. Sei o que ele me pede, nesta semana dos Amantes. Sei o que ele anseia e pelo que está infinitamente atraído. Não obstante, também sei que no dia do Juízo Final a balança de Osíris será a prova final e o meu coração não poderá pesar mais que a pena que será por ele colocada no outro braço da balança. 

E vós? O que deseja o vosso coração? Conseguem ouvi-lo? E escutam-no sempre?

domingo, maio 27, 2012

Os Amantes

Esta semana recebemos as bênçãos dos Amantes. Para quem quiser saber mais sobre esta energia, basta ir ao menu em cima e aceder à Energia da Semana.

Quando saiu a carta pensei no Amor, naturalmente, e veio-me um filme à cabeça, do sensível e brilhante Wong Kar-wai.
Fiquemos com uma música da banda sonora para nos inspirar!

quinta-feira, maio 17, 2012

There is Love in You

Ser quem somos, por vezes, implica ter de ouvir críticas duras, outras vãs, e opiniões de pessoas que nos são importantes dilacerarem por momentos a nossa alma.
Contudo, o caminho só pode ser mesmo esse. Ser quem somos. Hoje eu sou assim, diferente ou ainda igual ao que fui ontem. Continuo a mesma até esta pele me servir, quando deixar de me ser útil, como a serpente, largo-a e visto-me da cor que mais se aproxima de quem me sinto ser.

Ouvir alguém dizer que se conhece pode parecer muito estranho. Mas é verdade. Eu conheço-me. Sei como ajo perante as situações que me são colocadas à frente. Sei quando perco o controlo e me deixo ir pelos instintos. Sei o processo químico que ocorre dentro de mim. Reconheço-o. Às vezes resisto-lhe. Outras não. Sei perfeitamente como me sinto. E por o saber tão bem, tenho parecido tão louca aos olhos de tantos. Tenho ouvido um pouco de tudo. Tenho guardado algumas pérolas e retirado algum carvão que se foi instalando dentro de mim. Está na hora de deixar o fogo brilhar. Uma vez mais, antes da sua extinção. 

É na aceitação de quem somos, hoje, agora, neste momento em que vivo, que podemos chegar a alguma serenidade na via. Eu sou aquela que sou. Imperfeita, cheia de contradições, com vícios e tentações. Mas uma lutadora, que acredita na força do Amor. Que acredita no Ser Humano. Que tem fé. Que se conhece e por isso se aperfeiçoa a cada dia vivido.

Sou uma guerreira e sempre o fui. Só eu sei que batalhas devo ou não travar. Só eu sei quando e onde erguer a minha espada. Só eu, pois só eu sou quem sou. És quem és, nunca o esqueças!

sábado, maio 05, 2012

A Melhor Maneira de Viajar é Sentir

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.

Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
Mais análogo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,
E fora d'Ele há só Ele, e Tudo para Ele é pouco.

Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro soturno.

Sursum corda! Erguei as almas! Toda a Matéria é Espírito,

Porque Matéria e Espírito são apenas nomes confusos
Dados à grande sombra que ensopa o Exterior em sonho
E funde em Noite e Mistério o Universo Excessivo!
Sursum corda! Na noite acordo, o silêncio é grande,
As coisas, de braços cruzados sobre o peito, reparam

Com uma tristeza nobre para os meus olhos abertos
Que as vê como vagos vultos noturnos na noite negra.
Sursum corda! Acordo na noite e sinto-me diverso.
Todo o Mundo com a sua forma visível do costume
Jaz no fundo dum poço e faz um ruído confuso,

Escuto-o, e no meu coração um grande pasmo soluça.

Sursum corda! ó Terra, jardim suspenso, berço
Que embala a Alma dispersa da humanidade sucessiva!
Mãe verde e florida todos os anos recente,
Todos os anos vernal, estival, outonal, hiemal,
Todos os anos celebrando às mancheias as festas de Adônis
Num rito anterior a todas as significações,
Num grande culto em tumulto pelas montanhas e os vales!
Grande coração pulsando no peito nu dos vulcões,
Grande voz acordando em cataratas e mares,
Grande bacante ébria do Movimento e da Mudança,
Em cio de vegetação e florescência rompendo
Teu próprio corpo de terra e rochas, teu corpo submisso
A tua própria vontade transtornadora e eterna!
Mãe carinhosa e unânime dos ventos, dos mares, dos prados,
Vertiginosa mãe dos vendavais e ciclones,
Mãe caprichosa que faz vegetar e secar,
Que perturba as próprias estações e confunde
Num beijo imaterial os sóis e as chuvas e os ventos!

Sursum corda! Reparo para ti e todo eu sou um hino!
Tudo em mim como um satélite da tua dinâmica intima
Volteia serpenteando, ficando como um anel
Nevoento, de sensações reminescidas e vagas,
Em torno ao teu vulto interno, túrgido e fervoroso.
Ocupa de toda a tua força e de todo o teu poder quente
Meu coração a ti aberto!
Como uma espada traspassando meu ser erguido e extático,
Intersecciona com meu sangue, com a minha pele e os meus nervos,
Teu movimento contínuo, contíguo a ti própria sempre,

Sou um monte confuso de forças cheias de infinito
Tendendo em todas as direções para todos os lados do espaço,
A Vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une
E faz com que todas as forças que raivam dentro de mim
Não passem de mim, nem quebrem meu ser, não partam meu corpo,
Não me arremessem, como uma bomba de Espírito que estoira
Em sangue e carne e alma espiritualizados para entre as estrelas,
Para além dos sóis de outros sistemas e dos astros remotos.

Tudo o que há dentro de mim tende a voltar a ser tudo.
Tudo o que há dentro de mim tende a despejar-me no chão,
No vasto chão supremo que não está em cima nem embaixo
Mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos
Por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais.

Sou uma chama ascendendo, mas ascendo para baixo e para cima,
Ascendo para todos os lados ao mesmo tempo, sou um globo
De chamas explosivas buscando Deus e queimando
A crosta dos meus sentidos, o muro da minha lógica,
A minha inteligência limitadora e gelada.

Sou uma grande máquina movida por grandes correias
De que só vejo a parte que pega nos meus tambores,
O resto vai para além dos astros, passa para além dos sóis,
E nunca parece chegar ao tambor donde parte...

Meu corpo é um centro dum volante estupendo e infinito
Em marcha sempre vertiginosamente em torno de si,
Cruzando-se em todas as direções com outros volantes,
Que se entrepenetram e misturam, porque isto não é no espaço
Mas não sei onde espacial de uma outra maneira-Deus.

Dentro de mim estão presos e atados ao chao
Todos os movimentos que compõem o universo,
A fúria minuciosa e dos átomos,
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos,
A espuma furiosa de todos os rios, que se precipitam,

A chuva com pedras atiradas de catapultas
De enormes exércitos de anões escondidos no céu.

Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma.
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode,
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge,
Sê com todo o meu corpo todo o universo e a vida,
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes,
Risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos,
Sobrevive-me em minha vida em todas as direções!

Álvaro de Campos, in "Poemas"

quarta-feira, maio 02, 2012

De Serpentes e Dragões

The English word "dragon" derives from Greek δράκων (drákōn), "dragon, serpent of huge size, water-snake", which probably comes from the verb δρακεῖν (drakeîn) "to see clearly".[1]
 retirado da Wikipédia 1/5/2012 pelas 21:15

Ando às voltas com as serpentes e a terra das serpentes, Ofíúsa. Ontem falaram-me dos dragões da série Game of Thrones e de repente fez-se Luz: os dragões nada mais são do que derivados de serpentes!!!


Uma vez mais nas pesquisas encontro a Idade Média como altura em que houve mudança de algo que era, até ali, 

comummente aceite. Ao que parece foi a partir dessa Idade das Trevas que os dragões ganharam pernas e asas. Foi a partir daí que se separaram da serpente e se ligaram aos lagartos. 

Tanto a serpente como o dragão são associados à água, vivendo perto de rios ou lagos, mas também dentro da terra, isto é, em cavernas ou num covil. É essa proximidade com o feminino que os torna tão importantes neste estudo actual. A água e a terra são elementos femininos, associados à Deusa. Dessa forma, tanto o dragão como a serpente, que entram e saem livremente do seu ventre, que se alimentam da sua emoção, são símbolos da sabedoria suprema. Será por isso que ambos estão hoje em dia tão mal conotados?

Como podem dois símbolos de sabedoria serem adversários do Homem? Tanto um quanto o outro são vistos como perigosos, certo! até aí compreendemos bem. Mas depois, por que há-de ser visto como um inimigo? 
Não entendo....mesmo! 

Para concluir diz-se que o dragão só eclode quando na presença de um coração puro, com boas intenções e nobre sentido de justiça. 


Na primeira hora de Júpiter do dia de Mercúrio

terça-feira, maio 01, 2012

Ritual da Fecundidade

Hoje é o dia do amor universal. O Grande Deus uniu-se à Grande Mãe, para que a Terra seja mais próspera e feliz.
Benditos os que se uniram em nome do Grande Deus para celebrar a vida. É o Amor que faz mover as marés, faz girar a Grande Roda do Universo e origina a Vida.
O Amor é o Fogo da Taça e a Força da Vida.
O Sol renascerá no Oriente e iluminará de novo o carvalho, o freixo e o espinheiro.
Pelo Amor invocamos o Verão. Que o Grande Deus traga a fecundidade à Terra e a riqueza às gentes.

in Rituais Antigos para um Mundo Novo - Manual de Magia, José Medeiros





Que o Amor reine sempre entre nós. Que as uniões que fazemos sejam sempre no sentido de nos elevar ao Deus/Deusa que habita em nós. Que neste recomeço usemos a força da Mãe, o fogo do Pai para nos limpar e rejuvenescer, e consigamos tecer a teia da nossa nova vida.

Que o Pau de Maio seja próspero e vigoroso.

Num dia de Santa Catarina de Sena e de São Eutrópio
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