terça-feira, novembro 27, 2012

Recuperar o domínio sobre mim

O Hierofante, carta que iniciou e conclui o mês de novembro, tem nos mostrado que o Mestre existe dentro de cada um, que, nesta era de Aquário, finalmente nos libertamos da ideia de que a nossa espiritualidade está dependente de um iluminado, que Deus, como fonte de Amor, não se encontra exterior a nós.
Strawberry fields forever de Felicia Simion

Porém, para conseguirmos religar-nos a essa Luz que existe dentro de nós, essa centelha de divindade que todos temos, precisamos de deixar que os outros sejam donos das nossas emoções. Não podemos continuar a permitir que as atitudes, as acções, as palavras, os gestos dos outros nos façam sentir de determinada maneira, seja positiva ou negativamente.

É preciso compreender que nós, e apenas nós, somos donos e senhores das nossas emoções. Se eu ficar triste ou feliz porque alguém me elogia ou critica, é uma opção minha, é uma escolha que faço, permitir que as palavras de alguém me provoquem esta ou aquela emoção. Contudo, também com esta clareza de espírito, eu posso e devo compreender que em qualquer altura eu me posso distanciar dessas palavras e conscientemente determinar o meu estado de espírito.

A escolha é nossa, temos esse poder sobre nós próprios. Essa é uma das armas do livre-arbítrio, decidir como me sentir em relação ao que se passa no exterior. Fora de mim pode estar o mundo em guerra, mas dentro deve sempre permanecer a paz. Fora de mim  pode haver ódio, mas em mim habita apenas amor. E isto não significa que eu estou fora do mundo, não estou alheia a ele e aos seus dramas, apenas não deixo que isso me perturbe a mim.

No estado em que a nossa sociedade está, esta lição tem de ser apreendida, interiorizada...

Na segunda hora de Marte do dia de Marte

segunda-feira, novembro 26, 2012

Cavaleiro de Copas

Hoje é urgente que nos viremos para as nossas emoções, para aquela zona que nos passados dias, semanas, meses ou anos tem sido relegada para segundo plano.
Death and Daring

Hoje é urgente olhar para onde dói e, como um animal, lamber a ferida. Não esquecendo depois de a desinfectar (algum humor para aliviar a dor).

Hoje é urgente deixar de agir mecanicamente e usar da nossa capacidade lógica para esclarecer o assunto que provocou a ferida.

Hoje é urgente olhar e cuidar do nosso coração. Escutemos o que tem para nos dizer.

domingo, novembro 25, 2012

O Espírito

O Espírito ou a Vontade representa a libertação do Eu da Matéria, por isso, está associado ao número 5, que resume o 4, as bases da matéria, com o 1, o Eu. É o número do Hierofante.
O Homem de Vitruvio de Leonardo Da Vinci
Muitas vezes representado pelo pentagrama, que no sentido dos ponteiros do relógio e começando na ponta em cima encontramos o Espírito, a Água, o Fogo, a Terra e o Ar, pretende representar o movimento evolutivo, natural, e do poder do Amor.

Leonardo da Vinci relembrou-nos a sua importância com a ilustração acima representada. Que não nos esqueçamos que se a consciência não nutrir nem libertar a Vontade, caímos nas profundezas dos conflitos da matéria, na quarternidade programada e podemos perder-nos na loucura da autodestruição.

Na segunda hora de Lua do dia de Sol, S. Catarina, S. Mercúrio, S. Anastásia, S. Garcia, S. Alberto

quarta-feira, novembro 21, 2012

3 Espadas

Simple things make all the difference!
Obrigada pelo sorriso que me encheu a alma! Depois de um dia cansativo e de alguma irritação nada melhor que uma mensagem de amor simples assim para nos pôr um sorriso na alma e aquecer o coração. 

Esta mensagem hoje fez todo o sentido, pois a energia do dia fala-nos sobre o medo da rejeição e do abandono. Quem de nós não desiste de algo apenas por ter medo de vir a sofrer depois? Quem de nós nunca teve um instante na vida assim?

Pois é, creio que todos. A mensagem hoje não podia ter sido melhor. O Amor é o que importa e ele vence sempre!

Na segunda hora de Vénus do dia de Mercúrio, Apresentação da Nossa Senhora, S. Columbano

sábado, novembro 17, 2012

Semana da Estrela - uma análise

Há muito tempo que não sentia a necessidade de registar a análise da semana com o Tarot, mas hoje, hoje, apeteceu-me mesmo. Às vezes é preciso pôr por escrito aquilo que vai dentro, talvez chegue mais tarde a fazer sentido. Na maioria das vezes, quando termino de escrever compulsivamente estas análises chego ao fim e tenho a compreensão do que afinal o Arcano Maior me ensinou. Outras, meses ou semanas depois apenas. Vamos ver como corre hoje.
Cut by Zsar Chakian
A Estrela esta semana não nos levou à acção, pediu-nos que parássemos e avaliássemos, primeiro a nossa estrutura material, o campo físico, em seguida o mental e depois o emocional. Só depois dessa avaliação poderemos então desfrutar das bênçãos que ela nos oferece, só assim teremos a Saciedade emocional desejada.

Foi com grande dificuldade que esta semana se passou, mas hoje compreendo os altos e baixos pelos quais atravessei. De facto, a semana pareceu dividida em departamentos distintos, com situações diferentes que proporcionaram emoções diferentes. Contudo, todas elas a acontecerem para me trazer aqui, hoje.

Para qualquer caminhada neste Plano Manifestado há a necessidade de uma estrutura organizada, uma base sólida material que nos sustente. O Peregrino precisa de um terreno sólido para que a caminhada seja mais leve e prazenteira. Traçar assim um percurso para se adquirir a estabilidade financeira necessária é urgente. Contudo, é preciso compreender que esse é um meio, nunca um fim em si. É fácil, principalmente quando as coisas correm bem, esquecermos que determinado objectivo material só existe para nos dar a possibilidade de um objectivo maior, o de crescermos rumo à nossa total realização. E assim se começou a semana, a relembrar o que é importante.

Mas a Princesa de Espadas, presente duas vezes, no dia de Marte e no de Vénus, lembra-nos que na nossa mente há muitos obstáculos. São as crenças, as ideias, as opiniões que vos falei aqui. Estamos tão cheios de conceitos que se torna difícil de acreditar, de largar a espada no momento certo e de a empunhar quando realmente necessário. Ela é a materializadora das ideias. Ela diz-nos que somos capazes de pôr em prática a nossa criatividade. Tendo saído nos dias em que saiu, o ensinamento só nos pode levar a reflectir sobre que batalhas e amores travamos. Urge desenvolver a capacidade de lutar e de amar no momento certo, deixando o medo e a culpa para trás.
Path of Illusions by Zsar Chankian
Na quarta este ensinamento culminou e levou a energia da semana para o campo emocional. Foi assim que a  Estrela nos mostrou que as decisões covardes, hipócritas, a paz assente em resignação só nos conduzem à dor, provocada pela culpa e pelo medo. Tormento a que por vezes cedemos, quase para sentir que no meio desta confusão social ainda estamos vivos, ainda sentimos alguma coisa intensamente. Todavia, em momento algum pode haver paz quando o desejo é recusado. Não há libertação e serenidade quando não há honestidade. As 3 espadas mostraram a dor, a dor que nos impede de seguir em frente. Só sendo honestos connosco, ouvindo e assumindo os desejos e as vontades, pois estas não podem, para mal de muitos de nós, ser controladas, só dessa forma poderemos estar em paz. Se não houver honestidade, ficaremos presos numa das elípticas da espiral. Pois o movimento deste 3 de Espadas ensina-nos que não há paz eterna, constante. Que toda a evolução se faz em curvas e que inevitavelmente voltamos ao ponto de origem. Contudo, cabe a cada um ter aprendido a lição para que quando voltar ao ponto de origem não esteja exactamente na mesma, mas mais evoluído, uma curva acima.
Desta forma, pudemos na quinta nutrir a dor. Assumi-la, enfrentá-la, encará-la no espelho e, por fim, beijá-la, acariciá-la, nutri-la. Ou pelo menos era isso que desejávamos mas não fizemos. O 4 de Copas espelhou-nos o esforço que fazemos para manter a aparência e o desgaste que isso nos traz. Tudo aqui é antinatural, é forçado, é imposto, e para quê? Para continuar na espiral da vida, presos à ilusão, encarcerados em responsabilidades que nos definham a alma? Não, não pode ser. O Amor é libertador, transformador e não existe com condições, condicionamentos. Ele tem vida própria e quanto mais limitações lhe pomos mais certo é de que estamos no caminho para o destruir.
empire State of Mind by Zsar Chankian
A confirmação desse ensinamento é dado hoje com o 10 de Copas que nos mostra que tal é a tensão emocional provocada esta semana pela Estrela que não resta outra solução senão mudar. Mudar porque chegámos ao ponto em que estamos tão cheios por dentro que a energia não cabe mais e por isso explodimos e libertamos, voltando à origem, ao 1, ao Às.

A Estrela perguntou-nos até que ponto estamos prontos para penhorar quem somos em função do que temos. Mostrou-nos durante uma semana o caminho a percorrer para chegar ao Entendimento, à Luz.

E agora, aprendemos?

Na segunda hora de Mercúrio do dia de S. Gregório Taumaturgo

terça-feira, novembro 13, 2012

Enough is enough

E pronto todos chegamos àquele momento em que tudo deixa de fazer sentido, onde parece que a dor chega ao seu ponto máximo e se torna em paz. É apenas uma mudança de vibração.

O eclipse solar com a Lua Nova em Escorpião será muito produtiva para apagar de vez, destruir mesmo, aquilo que já não faz mais sentido.

Chega de gastar energia, pensamentos, dias e horas a pensar como alterar e transmutar o que não pode nem nunca vai fazer sentido além daquele que um dia fez. Não podemos continuar a insistir navegar um barco quando cada um rema para lados diferentes e, mesmo havendo momentos de sincronia, não pretendemos chegar ao mesmo lugar.

Para mim hoje foi o fim de um momento desses. Chega! Estou cansada, esgotada de investir sozinha em algo que já começou a dar sinais de putrefacção há muito tempo. Não sou do tipo de desistir mas já aprendi que tudo o que dá demasiado trabalho e pouco resultado não merece o nosso tempo. Por isso, hoje, eu digo: «Basta!»

Amanhã, aproveitarei a energia da Lua Nova na minha casa 5 e vou ser criativa, aplicar essa minha energia onde ela é necessária, onde de facto precisam de mim e eu deles. Há momentos assim na vida, hoje foi um desses para mim.

Na terceira hora de Marte do dia de Marte, S. Eugénio, S. Estanislau, S. Diogo de Alcalá, S. Brízio

domingo, novembro 11, 2012

A Estrela no caminho da Liberdade

Depois da semana com a Justiça, onde nos foi exigido agir com rectidão, rigor e equilíbrio, chega a Estrela para nos abençoar e dar alguma paz (ou não).
A Estrela é a carta correspondente ao signo de Aquário, ela representa a libertação das ideias, o Amor à humanidade, os grandes ideais e a evolução espiritual. Será que esta semana conseguiremos isso tudo? Bom seria se assim fosse, mas mantenhamos os pés na terra e pensemos no Caminho que ainda temos de fazer.

Será que todas as acções que tomámos na semana da Justiça tiveram por base as crenças, as opiniões, as ideias e os valores que nos levam a chegar mais próximos de quem somos? Já não é a primeira, provavelmente não será a última, que falo sobre não haver certo ou errado, bem ou mal, preto ou branco. Aquilo que existe são circunstâncias, ideias, padrões comportamentais, opções e opiniões que nos levam ou afastam de quem somos na verdade. Perante isso, teremos na semana da Justiça agido de acordo com quem somos ou de acordo com quem queremos ser ou cremos que somos?

Para esta semana com a Estrela precisamos de estar atentos sobre estas condicionamentos, acima de tudo, mentais. É preciso começar a largar as máscaras e aceitar, integrar plenamente quem somos mesmo. O texto anterior de Séneca serve para reflectirmos um pouco mais sobre o assunto. Até que ponto estamos preparados para penhorar quem somos em função daquilo que queremos, mesmo sabendo que isso não nos irá levar a lugar algum.
Desejo a todos que a semana seja cheia de Luz, que a Estrela nos banhe com o seu Amor e que nos mantenha no Caminho do Rigor. Que dentro de nós despertem os cristais adormecidos e nos relembremos que cá dentro há uma centelha divina à espera de se revelar. Lembremos que os planetas que regem esta carta são Úrano e Saturno. Se um nos grita pela liberdade e pela destruição de estruturas obsoletas, o outro exige-nos princípios éticos e sólidos para nos governarmos. É nesta constante dança de reestruturação que conseguiremos chegar à verdade, à nossa verdade.

Na primeira hora de Saturno do dia de Sol, S. Martinho, S. Meno, S. Veranio

Chegou a Estrela

Quantos São os que Sabem Ser Donos de Si Próprios? 
Apenas julgamos comprar aquilo que nos custa dinheiro, enquanto consideramos gratuito o que pagamos com a nossa própria pessoa. Coisas que não quereríamos comprar se em troca devêssemos dar a nossa casa, ou uma quinta de recreio, ou de rendimento, estamos inteiramente dispostos a obtê-las a troco de ansiedades e de perigos, para tal sacrificando a honra, a liberdade, o tempo. A tal ponto é verdade que a nada damos menos valor do que a nós próprios! Façamos, portanto, em todas as nossas decisões e actos, o mesmo que fazemos ao abordar qualquer vendedor: perguntemos o preço da mercadoria que desejamos.
Frequentemente pagamos ao mais alto preço algo por que nada deveríamos dar. Posso indicar-te muitos bens cuja aquisição, mesmo por oferta, nos custa a liberdade: seríamos donos de nós próprios se não fôssemos possuidores de tais bens. 
Deves meditar no que te digo, quer se trate de lucros quer de despesas. «Este objecto vai estragar-se». Ora, é uma coisa exterior; tão facilmente passarás sem ela como passaste antes de a ter. Se tiveste esse objecto bastante tempo, perde-lo depois de saciado; se pouco tempo, perde-lo antes de te habituares a ele. «Ganharás menos dinheiro». E menos preocupações, também. «Será menor o teu crédito». Igualmente será menor a inveja. Atenta em todos esses pretensos bens que nos dão a volta ao juízo e cuja perda nos ocasiona imensas lágrimas: verás que não somos afectados por nenhum prejuízo autêntico, mas apenas pela ideia de um prejuízo. É uma perda que não sentimos, apenas imaginamos. Quem é dono de si próprio não pode perder nada. Mas quantos são os que sabem ser donos de si próprios!?

Séneca, in Cartas a Lucílio

Na primeira hora de Lua do dia de Sol, S. Martinho, S. Meno, S. Veranio
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