segunda-feira, janeiro 21, 2013

A entrega

Parece que o senso comum sempre tem alguma Verdade escondida: quando se chega ao fundo do poço a única solução é subir. Poderão alguns contradizer o ditado popular e argumentar que permanecer no poço também é uma hipótese. Pois bem, é um cenário possível. Mas reparemos: ficar dentro do poço pode significar não ver a Luz do Sol, tão essencial para o nosso bem-estar, alimento do corpo anímico. Sem a Luz do Sol podemos ensandecer. E ainda há outra questão. Se o poço  tiver água podemos contar com a putrefacção do corpo. Apodrecimento, mesmo! Portanto, loucura e podridão é o que nos resta se permanecermos no poço...
well of souls by ~karezoid
Não há mesmo outra solução senão a de começar a subir. Desejar a Luz na nossa Vida. Subir em direcção à realização pessoal. Porém, essa subida nem sempre é fácil. Às vezes não há escadas, não há corda, não há mãos que nos puxem. Às vezes decidimos que temos de subir esse poço às custas de muita dor, chegamos a ferir as mãos e pernas na escalada. Criamos nódoas negras no corpo dos tombos que damos. Mas há outras, há outras vezes em que nos lembramos que nem tudo tem de ser sofrimento. Que as penas são criadas por egos descuidados. É nessas alturas que a fé, a Verdade que vem de dentro, a Luz interior, a Chama Violeta, reaparece. São esses momentos de entrega completa em que sabemos ou melhor, por não sabemos mais o que fazer, é que nos rendemos nas mãos daquele em quem acreditamos. Relembramos que há forças divinas que podem cuidar de nós, nutrir-nos e acarinhar-nos. É o momento da aceitação da nossa condição micro nesta estrutura macro.

Nestes últimos tempos, tenho tentado experimentar um modelo novo - deixar de controlar as coisas ao mais pequeno detalhe. Confesso que não tem sido nada fácil. Deixar de organizar o dia. Traçar objectivos. Pensar em termos do que pretendo para o futuro. Enfim, a organização a que me habituei nestes últimos anos para poder cocriar a minha vida. E que tão bem me serviu até ao momento.
Mas não reconheço este poço. Nunca estive aqui e por isso não sei onde estão as pedras salientes onde me posso agarrar na escalada. Confio no Espírito que me sussurra ao ouvido o passo a dar. Onde pôr a minha mão para subir. Mas esta escalada exige uma entrega cega. Pois uma hesitação, uma dúvida que seja pode significar não dar o passo correcto e cair.

Só libertando o coração do medo, da dúvida, da angustia, do desejo, da dor... só libertando e confiando que tudo se irá compor de forma a que possamos voltar ao Caminho do Meio, só dessa forma podemos seguir daqui em diante.

Eu confio, e tu?

Na segunda hora de Mercúrio do dia de Lua, S. Inês, S. Públio, S. Ciro, S. Avito, S. Epifânio, S. Frutuoso
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