quarta-feira, junho 12, 2013

A tentar aceder àquele lugar tranquilo

Ontem instalou-se dentro de mim a tristeza. Aquela tristeza que me tira a luz dos olhos. Hoje se me vissem não os veriam sorrir.

A tristeza chegou e num ápice apoderou-se de toda a Alma. Como o usurpador que se instala no sofá senhor e dono do pedaço, assim se espalhou ela em mim. Deitei-me na esperança de acordar menos pesada, que ela se fosse aos poucos por não ter quem a visse ou sentisse.

Ao acordar ainda sentia este peso em mim, esta tristeza que não tem solução. Julguei que um pouco de humor solucionaria a questão. A tristeza não gosta de gargalhadas e como um vampiro foge do alho assim é ela das gargalhadas.

Mas esta é diferente. É persistente. Não se dissipa com o habitual. Está aqui e faz questão de o mostrar. Assim que paro um pouco as minhas atividades lá vem ela de mansinho, numa gota de água que se forma nos olhos outrora sorridentes.

James O'Hara et Daisy Phillips dans Faun (chor. Sidi Larbi Cherkaoui)

Com este género de tristeza, aprendi que não há nada a fazer, ou melhor, que a única coisa a fazer é abrir-lhe os braços e recebê-la como uma velha amiga há muito tempo não encontrada. Deixá-la falar tudo o que tem para falar. Ouvir bem e anuir a tudo. Nunca conta-argumentar. Aceitar pacificamente o que ela traz. Só depois disso, poderá ela partir de livre vontade, satisfeita com a tarefa que veio cumprir.

Por isso, hoje, eu e a minha tristeza vamos para os Santos Populares abanar os ossos. Vamos brindar muito à dor que ela me traz e com a qual, lhe prometerei, aprender. Vamos dançar até que estejamos uma dentro da outra e não haja mais dualidade mas sim unicidade.

Se a tua tristeza não te larga, aceita-a, abraça-a, dança com ela esta noite. Deixa que ela te diga tudo o que tens para aprender.

Agora na segunda hora de Saturno do dia de Mercúrio
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