sábado, junho 22, 2013

XXII - Num Dia de Verão

Como quem num dia de Verão abre a porta de casa
E espreita para o calor dos campos com a cara toda,
Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa
Na cara dos meus sentidos,
E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber
Não sei bem como nem o quê...

Mas quem me mandou a mim querer perceber?
Quem me disse que havia que perceber?

Quando o Verão me passa pela cara
A mão leve e quente da sua brisa,
Só tenho que sentir agrado porque é brisa
Ou que sentir desagrado porque é quente,
E de qualquer maneira que eu o sinta,
Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...

in O guardador de rebanhos de Alberto Caeiro

Um dos meus poemas preferidos de Alberto Caeiro. Para hoje, primeiro dia de Verão (finalmente com Sol digno de letra maiúscula) leio e releio estas palavras. Por que o Verão é sentir e o sentir é tudo.

Na primeira hora de Sol de um dia de Saturno e de S. Paulino, S. Tomás Moro e S. Albano
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