sexta-feira, janeiro 17, 2014

eye - picture - day

É sempre bom aproveitar os dias de sol no inverno, sair e cheirar o frio.

O cego e a guitarra

por Fernando Pessoa


O ruído vário da rua
Passa alto por mim que sigo.
Vejo: cada coisa é sua
Oiço: cada som é consigo.

Sou como a praia a que invade
Um mar que torna a descer.
Ah, nisto tudo a verdade
É só eu ter que morrer.

Depois de eu cessar, o ruído.
Não, não ajusto nada
Ao meu conceito perdido
Como uma flor na estrada.

Cheguei à janela
Porque ouvi cantar.
É um cego e a guitarra
Que estão a chorar.

Ambos fazem pena,
São uma coisa só
Que anda pelo mundo
A fazer ter dó.

Eu também sou um cego
Cantando na estrada,
A estrada é maior
E não peço nada.

Uma pequena delícia do Pólo Norte, quem o provou guardará para sempre a experiência única que viveu no céu .... da boca!

Era um dia de Sol e de S. Satiro e S. Modesto
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