sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Neptuno (parte 2)

Neptuno (parte 1)

O símbolo de Neptuno corresponde graficamente ao tridente do deus Neptuno, do Rei das marés que tem na mão um tridente. É uma energia muito doce, muito feminina.

Simboliza o amor universal o sentimento colectivo de pertencermos a uma raiz comum. Simboliza a busca do absoluto e do paraíso que cada um sonha alcançar.

Simboliza toda a energia transcendental no sentido emocional do tempo. Nos planetas transpessoais Úrano, Neptuno, e Plutão; Úrano é o primeiro, sendo uma energia mental, eléctrica; Neptuno é uma energia emocional, magnética.

Enquanto que Úrano nos conduz à individualização, Neptuno leva-nos à colectivização. É uma energia colectivista, de fusão, de dispersão. Representa tudo o que é menos visível, menos palpável, menos definível, menos concreto.

É a oitava superior de Vénus. Enquanto Vénus nos vai falar do amor, dos valores pessoais, estéticos e materiais, Neptuno fala-nos do amor incondicional, divino e transpessoal. A nível amoroso e afectivo, onde temos Neptuno será onde a vida nos vai pedir sacrifícios e dádivas incondicionais.

Neptuno é o planeta do sonho, do ideal, da imaginação. Representa a nossa dimensão divina, menos tangível menos palpável. Representa os nossos anseios, o nosso apelo interior, o nosso apelo de transcendência, os nossos sonhos, independentemente de crermos em Deus ou não, ou de termos uma dimensão mística ou religiosa.

Ao longo da vida todos temos uma função psíquica, uma dimensão neptuniana o apelo ao divino, o ideal de transcendência dentro de nós. Quem não tem uma visão mística ou religiosa, projecta esse ideal para outras coisas.

Quando a personalidade vive separada do seu princípio superior, Neptuno amplia os sonhos de grandeza, exacerba os desejos pessoais e leva-nos por excesso, a mistificar os objectivos da nossa projecção. Nesse momento idealizamos o retorno a um paraíso idílico que se revela artificial, enquanto a personalidade não passar pelos respectivos processos de depuração e purificação, nas suas múltiplas facetas.

Todos temos uma dimensão em que acreditamos e projectamos “aquele” ideal e ao atingi-lo, pensamos poder ser felizes. Quando nos desiludimos com um projecto, carreira, ou com uma pessoa, temos que projectar noutra pessoa ou noutro ideal.

A desilusão e a diluição das projecções são a forma pela qual Neptuno nos devolve ao sentido do real. O entendimento e a aceitação deste processo são o resultado da deslocação da consciência individual para uma consciência universal enquadrando a personalidade numa nova relação com o todo.

Quanto mais transcendente for o nosso ideal menos nos desiludimos. Contudo esse processo não se faz sem a abdicação dos interesses pessoais em favor de uma causa maior. Daí que o caminho seja em grande parte dos casos um percurso que envolve perdas e sofrimento; no entanto é também pela desilusão e pela dor que nos vamos libertando do sentimento pessoal de querer fazer sempre as coisas à nossa maneira, isto é, ditadas pela vontade do ego separatista, pois a causa do sofrimento está ancorada numa atitude de isolamento perante o todo.

A ilusão da separação alimenta-se da fuga ao real através de atitudes escapistas, enquanto não houver uma real dissolução do “eu” personalizado, a fuga à realidade não é mais que um processo de alienação de si mesmo ou uma dissolução caótica dominada pelo inconsciente.

A diluição do “eu” só se revela positiva quando um novo nível de consciência mais global e abrangente emerge na totalidade do ser e para que isto aconteça é necessário um processo que envolva a abdicação consciente do “eu” pela via da aceitação e da integração, das partes que constituem o TODO.

Esta integração só é possível quando a personalidade se rende e se coloca ao serviço do plano da alma, deixando assim que esta cumpra os seus desígnios; inspiração criativa, o dom da visualização e da contemplação, dos níveis superiores da realidade sob a forma de sentimento.

O amor, a devoção e a dedicação altruísta ganham a sua verdadeira dimensão na ajuda ao próximo. A dádiva de Neptuno apresenta-se como doação no sentido de uma entrega do “eu” a uma energia superior por amor universal, incondicional.

O “eu” (personalidade) torna-se um canal dessa energia impessoal que se dá sem pedir nada em troca. Através de Neptuno voltamo-nos a conectar com o sagrado, com a dimensão intemporal que existe em cada um de nós.

Era um dia de Júpiter e de S. Paulo Miki, Santa Doroteia e S. Amândio
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