terça-feira, janeiro 04, 2011

O mental a impor limitações aos sonhos de Alegria

Alegria seguiu o caminho levando consigo apenas os instrumentos que necessitava para poder realizar os rituais em agradecimento às oferendas que o Divino lhe tinha concedido. Estava leve e confiante, o seu coração muito calmo. Sentia-se pronto para recomeçar. Era como se a sua alma tivesse sido renovada. Estava verdadeiramente alegre como nunca tinha estado. A acrescentar a isso, sentia que uma nova paixão se estava a aproximar. Sentia-se sonhador.

Porém, na sua cabeça todas as experiências anteriores eram activadas. Não obstante, Alegria sentia-se corajoso, aventureiro e destemido. Fosse quem fosse a pessoa que estivesse para se atravessar no seu caminho, ele ia dar tudo por tudo para que a experiência resultasse. Depois de uma longa ausência, ele sentia falta do contacto com os outros, principalmente do físico.

Mas os alertas não se calavam, como neons em Tóquio que nunca param. A inquietação mental instalou-se. A dúvida estava lançada. 

«O que poderá ser o pior nessas novas circunstâncias?» Pensava ele. «Talvez a carga negativa das outras experiências que já transporto! Melhor será se eu aprender a limpar as expectativas. Controlar aquilo que são as minhas memórias daquilo que se passa na actualidade.»

«Na verdade, Alegria estás correcto. Quantas vezes a nossa percepção dos acontecimentos é condicionada, limitada até, por lhe acrescentarmos a carga das nossas experiências passadas.Será assim tão difícil fazermos tábua rasa em cada nova experiência?» Respondeu-lhe o Mago, um homem alto e esbelto, que por ali se encontrava há algum tempo, mas Alegria, de tão envolvido nos seus pensamentos, nem se apercebera.  

Depois de recompor do susto, Alegria pensou e respondeu-lhe: «Tens razão. Mas lembrei-me que também poderá não resultar porque até agora nenhuma resultou. Se todas falharam o que me leva a crer que esta possa resultar?»

«Mas quem te disse que por ter acontecido assim antes está condenado a acontecer assim agora? Terás tantas certezas erradas dentro de ti que boicotas a tua própria experiência. Não te diz o teu coração que tudo está bem? Não te sentes feliz com essa renovação? Então porquê pensar demasiado nisso? Joga, aprende as regras e joga. Aposta no teu relacionamento e faz tudo por tudo para que seja sucedido, se mesmo assim falhar, poderás pelo menos ter a consciência tranquila de que tudo foi feito, mas não resultou.»

«Sinto-me agora confuso, não sabendo muito bem onde pôr os pés quando esta sensação me bater à porta. Tenho tempo para meditar e pensar no que fazer. Obrigada pela ajuda.»

«Não te quero deixar partir sem antes levares contigo estas palavras. A tua percepção é a melhor amiga que poderás ter. Confia nos teus sonhos, eles ajudar-te-ão a compreender como agir. Eles falam contigo, se assim quiseres ouvir.»

E com estas palavras no coração, Alegria seguiu caminho. No horizonte levantava-se uma Lua maravilhosa. A Deusa estava deitada esperando que Alegria fizesse o mesmo para lhe poder sussurrar aos ouvidos.

Na terceira hora de Júpiter do dia de Marte, S. Gregório, S. Tito, S. Rigoberto, S. Ângela de Foligno
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