terça-feira, maio 31, 2011

A cura do nosso Mundo

Qual seria, então, o próximo passo a dar? Caminharia ele agora, com esta nova consciência, continuamente pelo meio da floresta, isolado dos seus semelhantes? Ou seria corajoso o suficiente para se lançar na estrada batida e encontrar os seus semelhantes?

Alegria não foi capaz de uma escolha diferente, sentia o seu coração a chamar pela paz e isolamento da Natureza. Era como se a Mãe o invocasse, pedindo urgentes mimos. É que Alegria não se limitava a caminhar pelo meio dos bosques e florestas. Ele curava cada espaço por onde andava e essa cura era tão urgente. O seu coração ficava meio negro quando pensava no que os seus irmãos faziam a esta nossa casa comum, como cada gesto irreflectido condenava a nossa Mãe a uma morte prematura. Quanto mais adultos, piores se tornavam. E, assim, descobriu mais um motivo pelo qual preferia o isolamento. Havia tanto que ainda o incomodava nos outros, mas sabia, de coração, que nunca os poderia forçar a mudar. Dessa forma, só lhe restava ser ele o curador da Mãe, só, mas fiel aos seus princípios.

Cada vez que Alegria punha um pé na terra, era como se uma festa começasse. Com toda a energia, alegria e vida típicas do início de uma qualquer celebração. A terra amava-o e ele amava-a. Ambos se celebravam num gesto de respeito e carinho. Ele tratava-a com respeito e ela devolvia-lhe amor.
Por outro lado, Alegria sabia que só ele não seria suficiente. Para já estava a remediar, mas o importante era atacar onde esta doença começava. A reeducação dos seus irmãos era inevitável, mas ele ainda tinha ressentimento no coração e, por isso, nunca conseguiria passar a mensagem sem condicionamento. O que haveria ele de fazer?

No segundo seguinte a esse pensamento, Alegria recebe um sinal. De um carvalho, lindo, ancestral, cai uma folha, verde-esmeralda, com uma forma pouco tradicional, olhando de determinada perspectiva, poderíamos mesmo vislumbrar a forma de um coração. Alegria pegou-a e sorriu. A vitória seria possível, teria apenas de ter alguma paciência. Como sempre, a mensagem era simples, elevar os pensamentos. Embrenhado nos seus medos e dúvidas, Alegria cocria um mundo de preocupações, um número ilimitado de ramificações são criados quando ele pensa em todas essas questões, tornando aquilo que seria um caminho recto, numa longa árvore com múltiplas raízes. 

Para limpar o seu coração das manifestações terrenas de emoções maiores, bastava começar por limpar a sua mente. Sempre que ela entrasse em divagações, criando novelos de ideias, Alegria colocaria a mão sobre o peito, sintonizar-se-ia com o batimento cardíaco e ouviria apenas a paz, o alinhamento musical que é apenas seu.

A demanda pelo Graal continuaria, mantendo a Taça pura, nada lhe faltaria. Era necessário uma cura a si próprio e, com estes pensamentos puros, simples, avança para o meio da Mãe, buscando a cura mas oferecendo-a ao mesmo tempo.

Na primeira hora de Mercúrio do dia de Marte, Visitação de Nossa Senhora, S. Petronilha, S. Ubaldo
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