sexta-feira, novembro 26, 2010

Lâmina VII - O Carro

O Herói começa com esta carta uma nova etapa da sua Jornada.
O sete é um reinício no Caminho, que chega imediatamente a seguir ao momento em que o Herói faz a sua escolha em Os Amantes. Depois de ter aceite a viagem proposta, o Mago/Herói toma as rédeas da sua carruagem e vai em frente na sua escalada evolucional.

Esta ideia de que o Herói começa a sua viagem neste Arcano é-nos oferecida, não só pela própria carruagem, mas também pelo facto de ser a número 7. O sete é o número da espiritualidade por excelência, é o número da evolução humana de acordo com o qual o Homem se encontra sintonizado. Os sete dias da semana, os sete chakras principais, as sete notas musicais, os sete pecados capitais, as sete maravilhas do mundo e por aí fora.

Mas o sete tem ainda um significado oculto, ele representa o heptagrama do Mago, a sua bússola orientadora. É o instrumento de excelência que o Mago usa, que o protege e orienta, é a sua estrela pessoal.

Se fizermos o exercício da decomposição deste número mágico, escolhendo outros números mágicos, encontramos o seguinte:

1+6 - É a vitória, a escolha correcta feita pelo equilíbrio
5+2 - Representa o direito de propriedade
3+4 - O espírito domina a matéria
4+3 - Um misticismo ilusório, as formas valem mais que o princípio

O Herói é puxado por dois cavalos que representam as forças opostas que comandam a acção. É a energia nas suas duas polaridades. Nesta carta a aprendizagem a realizar é dominar a Vontade, depois da escolha é necessário seguir com determinação, pulso firme nas nossas decisões. Reparemos que os cavalos parecem estar a dirigir-se em direcções opostas, são os desejos que devem ser domados, controlados para que o carro siga o caminho do meio.

Na sua mão segura um ceptro, quando este está na mão direita significa que o Herói já tem a capacidade de dirigir a sua vida, conseguindo orientar os cavalos. Está, ainda, a fazê-lo em pé, o que nos mostra que não pode descansar. Esta acção de controlar a carruagem exige do Herói muita atenção e energia, para isso ele precisa de ter já os seus opostos interiores dominados. Quando seguimos, qualquer hesitação, distracção ou deslize pode ser fulcral para o atingir ou não do nosso objectivo.

Nos seus ombros há dois símbolos, duas meias luas, que nos revelam o domínio sobre a esfera emocional que deve existir para se poder rumar no centro. Todavia, este arcano revela-nos pela primeira vez que quando nos colocamos a caminho devemo-nos proteger do mundo exterior. Em qualquer momento da caminhada podemos ser colocados em frente a energias opostas às nossas e a falta de protecção pode ser perigosa.

Reparemos que o Carro está protegido por um dossel, esta protecção é para que o Herói não seja influenciado pelas energias alheias. A protecção assenta em quatro colunas, símbolo evidente dos quatro elementos, mas também dos quatro reinos. Assim, podemos compreender que quando nos determinados a empreender uma Viagem, qualquer protecção será bem-vinda. No cruzamento com outras experiências, o Herói deve aprender, mas isolando-se da energia alheias que o poderão influenciar nas suas escolhas.

Na viagem que nos determinados a realizar vamos encontrar diversidade e polaridades na sua maioria. O contacto com o mundo exterior é uma prova que qualquer Herói tem de passar, defrontar-se com os seus arqui-inimigos e passar provas. Neste Arcano o Herói é forçado a seguir, protegido, controlado e asima de tudo determinado.

A grande mensagem que esta carta nos traz é que devemos viajar com determinação, comandando as energias opostas interiores mas também exteriores.

«Assim como se pode conduzir a si, também pode conduzir as diversas energias que o fazem continuar no caminho.»

Na primeira hora e Júpiter do dia de Vénus, S. Delfina, S. Pedro Alexandrino, S. Conrado
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