sexta-feira, dezembro 31, 2010

2011 o ano do Dependurado

Esperava uma energia mais animada para este ano que se inicia, mas as coisas nem sempre são como desejamos. 


Foi com alguma resignação que aceitei esta energia como sendo a regente de 2011, poderia ter ido pelo mais simples e numericamente escolhido a carta do Imperador (2+1+1) ou a da Morte (2+11), mas optei por me concentrar e tirar uma carta para este ano...saiu a 12 - O Dependurado.

Assim seja! 
A experiência é uma lanterna dependurada nas costas que apenas ilumina o caminho já percorrido.
Confúcio

2011 parece poder vir a ser ou a continuar a ser um ano de sacrifícios. Porém, estes sacrifícios serão aceites de forma diferente, mesmo que sejam impostos, cada um de nós compreenderá melhor o motivo pelo qual o faz e aceitá-lo-á mais facilmente.
Como diz Saint-Exupéry: Sacrifício não significa nem amputação nem penitência. (...) Ele é uma oferta de nós próprios ao Ser a que recorremos.

Talvez, no meio dessa situação, venhamos a conseguir compreender os paradoxos da nossa existência, os mistérios da nossa vida e de tudo o que nos envolve. É tempo de nos readaptarmos e seguirmos rumando confiantes na nossa intuição. 

Durante este ano podemos contar com muitas provas à nossa capacidade de adaptação, e não restará solução senão o fazer. Talvez no meio desta turbilhão que se adivinha possamos reencontrar o que são as nossas prioridades e redefinirmos o caminho.

O Dependurado deixa-nos um aviso, cuidado com as conversas e contratos deste ano, haverá tendência a sermos teimosos e obstinados. É preciso pormos-nos no outro lado do espelho e analisarmos a situação sobre novas perspectivas. 

Não me parece que venha a ser um ano fácil para aqueles de nós que se mantêm firmes com as suas convicções, com as suas perspectivas e se resignam a aceitar as novidades. Para aqueles que sabem aceitar os desafios da vida, as novidades, será mais simples, mas também esses terão escolhas árduas para realizar.

Os Carneiros serão abençoados com a Estrela, poderão assim esperar um ano com muitas ajudas divinas, fazendo com que o auto-sacrifício do Dependurado seja mais fácil ainda. Sendo estes um dos signos que mais aventureiros são, as mudanças serão todas muito positivas. Porém, é preciso pensar nas metas que se auto-propõem pois estas poderão não se cumprir, deixando-os um pouco frustrados.

Para os Touros, signo que se resigna às adaptações, a energia a influenciar é o Juízo Final como que a confirmar que as mudanças são obrigatórias. Esta carta ajudará os nativos de Touro a conseguirem renovar as suas energias e crenças nas suas capacidades, é o renascer das cinzas. O lado menos bom da coisa pode ter a ver com a tendência de se auto-flagelarem, quer seja pelo que dizem ou pela sensação de responsabilidade que sentem para com alguém ou alguma situação.

Para os Gémeos, os Virgens e os Sagitários a Torre, uma destruição de formas-pensamento. A Torre irá conferir uma carga mais pesada este ano para estes nativos. Será necessária alguma capacidade de reconstrução para saírem das destruições pelas quais poderão passar. O entrave ao avanço terá muito a ver com cargas emocionais antigas que ainda não foram libertas. 

Os Caranguejos e os Leões serão abençoados com os Amantes. Prevêem-se alguns romances amorosos, novas companhias e ligações a serem feitas, talvez ajudas para aprenderem a libertar os seus amores. Ser-lhes-á exigidas muitas escolhas. Por outro lado, poderemos pensar que os sacrifícios exigidos pela energia do ano possam ter a ver com as relações que mantêm com os próximos. Serão momentos decisivos nas forma de Amar e se expressar.

Os Balanças terão como carta ajudante a Temperança. Será desta que aprenderão a agir com mais celeridade nas questões? As mudanças ocorrerão para estes nativos de forma mais calma, parece que lhe será dado o tempo necessário para analisarem todas as saídas possíveis. Ou quem sabe já terão aprendido a aceitar e esperar para ver, transmutando dentro de si as expectativas. Chamada de atenção para a necessidade que pode haver em querer agradar os outros e continuar a relegar a sua escolha, se assim for o Dependurado será mais agressivo. 

Já os Escorpiões terão um ano mais suavizado com a Lua a ajudar. Se o Dependurado nos irá ajudar a todos a aprender a ouvir a nossa intuição, serão estes nativos os mais influenciados nessa questão, pois a Lua transformá-los-á em verdadeiras antenas. É preciso, porém, cuidado para que as adaptações sejam feitas com base na realidade e não na ilusão. 

Os Capricórnios terão um ano em grande! Os sacrifícios são algo com o qual estes nativos lidam bem, aceitam-nos por compreenderem as possibilidades que isso lhes trará, pelo que este ano será como estar em casa. O Mago abençoa-os conferindo a este ano uma carga iniciática importante. Terão todas as condições para começar o tal projecto que andam a adiar há tempos por outras responsabilidades. Muito sucesso este ano para estes nativos, advertência, porém, para não deixar turvar a sua percepção com a loucura da ribalta.

Os Aquarianos terão a soprar para as mudanças, que tanto lhes agrada, a Sacerdotisa ajudando-os a rumar cada vez mais para dentro dos seus conhecimentos. As adaptações deste ano serão suavizadas por esta energia, contudo, é preciso estar atento à possibilidade de recear encontrar o seu Eu. 

Por último, recebem a Morte os nativos de Peixes. Esta carta confirma a necessidade destas pessoas mudarem durante este ano, já que irão ser "forçados" a grandes mudanças externas. É preciso não recear a novidade para que a morte iniciática aconteça.

Sejam que signo forem, contem com muitas transformações na nossa vida, social, profissional e emocionalmente falando. É um ano para evoluirmos no caminho espiritual, com confiança e sem medos, com entrega e sem reservas. 

Desejo para todos nós um coração aberto ao que a vida nos dá, um sorriso nos lábios em todos os momentos e um ombro amigo para ajudar a amparar nos momentos menos fáceis. 

Feliz 2011!

terça-feira, dezembro 28, 2010

Do Isolamento À Libertação

Alegria tinha saído um bocado da sua reclusão,  decidira que devia ir espreitar o céu de Inverno que se aproximava. Subiu até uma pequena ermida que se encontrava no topo daquele monte, apercebeu-se, então, que a caverna onde habitava estava exactamente por baixo daquele lugar sagrado. 

Ao longe começou a ver a silhueta de um cavaleiro que se aproximava. Alegria ficou um pouco impaciente, mas imediatamente associou a sua saída com aquele encontro, teria de ser importante. 

«Bem-vindo Cavaleiro a esta terra onde as formas mudam e os reflexos não são sempre o que parecem. Para conseguires passar por aqui dever-te-ás perguntar: O que é real numa terra de falsas aparências?»

Na mente do Cavaleiro uma mancha negra formou-se e ele recebeu uma imagem que não foi capaz de partilhar. 

«Sou um Cavaleiro de um Reino perdido, mas, não sabendo bem porquê, sinto que nunca serei outra coisa senão cavaleiro. Sou o último dos meus irmão, nem a Morte me levou.»

Alegria segurou uma pedra e respondeu-lhe: «Eu seguro a cabeça do sacrifício e falo as palavras dos nossos ancestrais. Não vagueis buscando sem destino, mas aquieta-te e questiona porque e como andas. Avança com coragem e procura um teste merecedor da tua força. Vem, descansa comigo. Tenho uma fogueira acesa e um caldo quente. Descansa antes de seguires a tua viagem.»
Alegria acolheu o Cavaleiro na sua caverna, ofereceu-lhe comida, calor e um lugar para dormir. Não era luxuoso, mas era acolhedor. Porém, o Cavaleiro começou a agir com alguma arrogância e Alegria não gostava do que via e tinha de ouvir.

«A energia segue o pensamento. Porque te aprisionaste aqui? Não deixes que o orgulho ou o medo do que os outros pensam te mantenha aqui. É um lugar frio, inóspito para alguém viver. Há quanto tempo te auto-flagelas aqui?»

Alegria hesitou. Não queria ser mal-educado, mas aquele à-vontade excessivo deixava-o pouco confortável. Analisou-o e deixou que este continuasse a falar, dando-lhe assim oportunidade de melhor buscar as suas palavras. E eis que se lembrou:

«Disse-te há pouco para não andares a divagar e te aquietares buscando, sim, no teu interior, os como e porquê. É o que faço aqui.»

«Viver longe dos outros, daqueles que te põe à prova é fácil. Estás escondido de tudo e de todos, aqui só te tens a ti e aos teus pensamentos. Mas como a energia segue o pensamento, só vives o que crias. Deverias é viver no meio do Mundo e não fora dele.»

Alegria ficou irritado. Aquele cavaleiro estava a tirá-lo do sério. Quem se julgava ele?!?
Deitaram-se e a conversa ficou a pairar no ar. Aquelas palavras inesperadas deixaram-nos em estado de meditação.

Adormeceram assim que fecharam os olhos, a pedra era dura, mas emanavam um calor agradável.
O Mundo começou a escurecer, os barulhos de quem andava em dança no topo do monte pararam, as vozes  silenciaram-se. Alegria sonhou.
Estava no meio de um ritual na comunidade de Isis. Estavam todos alegres, dançavam e comiam, falavam os homens alto das suas conquistas mesmo neste tempo frio e as mulheres das suas aprendizagens nos templos. 
Uma das sacerdotisas aproximou-se e tocando-lhe nos cabelos revelou:

«Arranja o que está partido.Defende as tuas fronteiras. Lê os sinais do tempo. Recolhe as tuas forças para a tarefa. Não temas o mal de amanhã, mas segue o caminho um dia de cada vez.»

As suas palavras lembraram-lhe as do Cavaleiro e o seu questionamento. Porque não o calará? Estaria ele a duvidar se se devia manter ali? Oh, como estava a ser imprudente. Era óbvio que as palavras o tinham afectado pois estava na hora de seguir em frente. O isolamento estava terminado. Era momento de reencontrar uma comunidade e fazer o que mais prazer lhe dava - aprender em Amor com todos.

«Na vida há muitas batalhas, muitos obstáculos para serem transpostos. Combate comigo e verás que a jornada à tua frente se torna mais fácil. Mostrar-te-ei os teus verdadeiros motivos.» 

Estes foram os últimos pensamentos de Alegria, antes de acordar. Quando abriu os olhos deu com uma imagem pouco acolhedora. O Cavaleiro tinha a espada em riste preparado para o combater. Alegria compreendeu que a batalha que teria de travar era consigo próprio e, por isso, tocou na espada e disse:

«Podes ficar tu aqui. Chegou a minha hora de partir. Não lutarei por algo que não faz sentido. Tu precisas mais disto que eu.»

E assim partiu.Levando apenas consigo os utensílios para os ritos. 

Na segunda hora de Sol do dia de Marte, S. Ursano, Santos Inocentes

segunda-feira, dezembro 27, 2010

E passou o Natal

Meus queridos obrigada a todos pelos desejos aqui deixados e no mail também. O Natal foi um sucesso, conseguimos mudar as tradições e combater a energia de Mercúrio retrógrado. Espero que a vossa festa tenha também sido uma alegria, no seio de quem amam e com o coração a ficar repleto de calor.

Hoje tentarei colocar em dia as lições semanais que estão em atraso deste mês de Dezembro muito preenchido. A Força, O Louco, A Estrela e, nesta semana final de ano, O Mago!

Que melhor energia para o fim do ano poderíamos desejar?!? O Mago oferece-nos um número ilimitado de possibilidades, uma carga energética para começarmos ou terminarmos o que estava por concluir, uma força que vem de cima e de dentro para conseguirmos usar todas as nossas potencialidades. Sim, é assim tão bom!

Como energia sonora trago uma banda que nunca partilhei The Cave Singers com a música Dancing On Our Graves, espero que gostem e que vos dê a pica necessária para agir!

Com estas energias podemos já saber qual foi a carta oculta deste mês - A Força, que curiosamente foi a carta oculta do ano também. Atrevo-me, então, a dizer que este ano, e último mês em particular, foi uma verdadeira luta interior com as forças sombrias dentro de nós. 
Teremos conseguido alcançar o lado da luz que habita em nós ou permitimos que a escuridão se apoderasse? Em questões relacionadas com o Tarot este ano foi muitas vezes influenciado pelas forças da Morte e da Sacerdotisa, saindo ambas cinco vezes durante o ano. Teremos usado estas pequenas mortes para encontrar ainda mais a nossa percepção pura?

Confesso-vos que este ano tive muitas alturas em que o lado negro veio ao de cimo. Nutri emoções que me levaram a sítios escuros dentro de mim, deixei-me, muitas vezes, levar por um ego insuflado, outras pelo razão exagerada. Todavia, considero que as lutas foram todas positivas, venci as maiores batalhas e chego ao fim de um ano com a consciência de que muito há ainda a limpar, cuidar e plantar, mas muito foi já eliminado, transmutado e preparado para receber o que de bom virá em 2011.
E vós? Já fizestes o vosso balanço? Como está o saldo? Consideram também que este ano foi um trabalho árduo sobre o nosso ego?

Na segunda hora de Sol do dia de Lua, S. João Evangelista

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Noite Feliz

Desejo a todos os que acompanham o Grimoire, ao amigos conhecidos e por conhecer, aos faladores e silenciosos, aos participativos e aos misteriosos, a todos os que abrem esta caixa mágica e por ela se deixam tocar e os que não, desejo uma noite em pleno, um Natal muito feliz.

Que desde a mente do Criador desça a Luz até à mente dos Homens. Que desde o coração do Criados desça o Amor ao coração dos Homens. Que a Estrela nos guie. Assim seja!

Na primeira hora de Marte do dia de Vénus, S. Gregório, S. Delfim

terça-feira, dezembro 21, 2010

Solstício de Inverno

Em fase de limpezas, fim de ano é sempre um momento em grande para renovar os utensílios mágicos. Passar a lixa nas varinhas, lavar as taças e os cálices, polir o altar e renovar o sal e a água! Muito trabalhinho e tão pouco tempo disponível...

Será que ainda vou conseguir aparar a relva??? Acho que vou ter de chamar o jardineiro!!!

Na primeira hora de Vénus do dia de Marte, S. Tomé, S. Pedro Canísio

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Little Star

Depois de muitas saudades mortas, almas recuperadas e trabalhado a rodes, chega finalmente o momento de algum descanso e que melhor do que a energia da Estrela para nos banhar nesta semana cheia de festas?!?

As palavras da Estrela são de conforto e de reconhecimento, lembremo-nos sempre delas:
Assim como o coração da estrela eu ofereço a prenda do conhecimento interior. Dentro de ti também há um profundo conhecimento de natureza ancestral. Pega numa qualquer pedra e descobre a história do teu planeta lá contida. Tu és feito da mesma matéria que as estrelas, cheio de potencialidade de vida!
Desejo a todos um despertar belo, que a alegria desta época encha os nossos corações de emoções e que saibamos como as gerir da melhor forma. 

Inspirada pela festa deixo-vos com duas músicas natalícias que gosto particularmente, gostava que ambas fossem cantadas por Aimee Mann, mas, mais uma vez, You're A Mean One, Mr Grinch não o será, fiquemos com Frosty The Snowman pela voz desta excelsa cantora e compositora.

Na terceira hora de Marte do dia de Lua, S. Domingos de Silos, S. Teófilo de Alexandria

terça-feira, dezembro 14, 2010

The Seeker

A encher a barriga de coisas boas e alma de Amor.
Para esta semana temos o Louco como energia e ....porque não? É isso mesmo, vamos fazer loucuras! Eu estou e tu?

A energia sonora The Who? e uma surpresa no final! 'Bora lá contrariar este Mercúrio retrógrado em Capricórnio e sair da linha!!! Com estes macarons eu estou mesmo a sair da linha... :*

Na terceira hora de Mercúrio do dia de Marte, S. Agnelo, S. João da Cruz, S. Espiridião, S. Nicásio, S. Fortunato

domingo, dezembro 12, 2010

Finalmente é hoje!!!

...e o tempo está mesmo bom para isso. Nevoeiro e chuva miudinha!!!!
Ai Sebastião é hoje!!!

Na primeira hora de Saturno do dia de Sol, S. Justino, S. Joana de Chantal

sábado, dezembro 11, 2010

Noite De Saudade

A Noite vem poisando devagar
Sobre a Terra, que inunda de amargura ...
E nem sequer a bênção do luar
A quis tornar divinamente pura ...

Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura ...
E eu oiço a Noite imensa soluçar!
E eu oiço soluçar a Noite escura!

Por que és assim tão escura, assim tão triste?!
É que, talvez, ó Noite, em ti existe
Uma Saudade igual à que eu contenho!

Saudade que eu sei donde me vem ...
Talvez de ti, ó Noite! ... Ou de ninguém! ...
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!!

Florbela Espanca, in Livro de Mágoas

Na terceira hora de Marte do dia de Saturno, S. Dâmaso, S. Franco

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Cupressus sempervirens

O cipreste Cupressus sempervirens, também vulgarmente conhecido como cipreste-comum, cedro-bastardo, ou cipreste-de-Itália, é uma árvore que pode atingir os 30 metros de altura e que na Península Ibérica geralmente não ultrapassa os 20 metros. A forma da copa é variável podendo ser globosa, cónica, irregular, etc., ainda que a mais vulgar seja a de aspecto estreito e compacto, que alguns autores designam por piramidal. 
O cipreste é em geral uma árvore de intensa cor verde. O ritidoma é acinzentado e finamente estriado. As folhas têm um comprimento compreendido entre o 0,5 e 1 milímetro e são opostas de cor verde-escura. As infrutescências, pinhas, têm uma forma globosa elíptica, com o comprimento compreendido entre os 24 e os 43 milímetros e com 8 a 14 escamas. Os frutos originam um número entre as 8 e 20 sementes por escama fértil. As pinhas são deiscentes e podem abrir-se no fim do Outono ou abrem-se poucos anos depois de alcançar a maturação. 
O cipreste é espontâneo na região mediterrânica oriental, mas a sua área natural é mal conhecida porque o cipreste é cultivado desde a antiguidade. Todos os exemplares que vemos no nosso território geográfico são plantados e são muito raros nas regiões onde se desenvolveram de maneira espontânea a partir de exemplares cultivados. O cipreste é considerado uma espécie muito longeva pois conhecem-se exemplares com mais de 500 anos. Com esta idade possuem uma madeira amarela ou amarelo-acastanhada muito apreciada em marcenaria, carpintaria e na confecção de instrumentos musicais. O cipreste é também utilizado pelos países latinos na ornamentação dos cemitérios, devido à sua copa erecta e esguia.

Originário das margens do mar Egeu, o Cipreste é largamente cultivado com fins ornamentais no Sul da Europa. 

Os cones do Cipreste são ricos em polifenóis. Estes compostos pode ajudar-nos nos problemas vasculares, nomeadamente nos casos de insuficiência circulatória nos membros inferiores. As suas propriedades venotónicas e antioxidantes actuam na dinâmica vascular evitando que o sangue fique estagnado e cause o vulgar peso e cansaço nas pernas. 

A acção anti-inflamatória dos flavonóides presentes nos cones, faz com que esta árvore ajude nos problemas de hemorroidal.

O chá de Cipreste regula o sistema respiratório (gripe e tosse), sistema circulatório (varizes, hemorróidas e celulite), sistema hormonal (climatério), e o digestivo (diarréia e desinteria). Alivia os pés cansados e diminui o suor nos pés. 

Coloque 2 colheres de sopa de erva para um litro de água, quando a água ferver, desligue. Tape e deixe a solução abafada cerca de 10 minutos. Em seguida, é só coar e beber de 2 a 3 chávenas ao dia.

Na magia esta árvore também é muito usada. O cipreste é o símbolo da morte. Coroava-se a fronte de Plutão com a sua ramagem. A madeira desta árvore serve para a construção da mesa que se emprega em determinados trabalhos da Arte. Utiliza-se também a madeira para a atirar ao fogo com ervas e drogas, em certas evocações elementais.

É uma árvore associada ao planeta Júpiter, serve, portanto, para todos os trabalhos em que se deseje expansão no mundo exterior.

Era ainda a madeira usada para os sarcófago egípcios, não me recordo se para o exterior ou interior. Diz-se que o caixão, em que Seth ludibriou Osíris a entrar, para depois o cortar em sete partes, era feito de cipreste.
Além disso, é uma árvore bonita e que por ser tão esguia fica muito bem nos cemitérios, fazendo de canal de limpeza.

Na primeira hora de Saturno do dia de Vénus, S. Melquíades, S. Pedro Crisólogo

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Alquimia

A alquimia procura agir sobre as energias primordiais da Vida de forma a purificá-las e a obter a sua potência original. A sua prática conduz a um conhecimento íntimo da Natureza visível e das suas energias invisíveis, Vida e Consciência. 
Esse conhecimento torna acessível ao Homem uma transmutação, uma regeneração iniciática. Depois e só então lhe é aberta a via das transmutações materiais.
Jean Dubuis

Para o Mago é fundamental o conhecimento da alquimia, essa Arte Antiga de profunda sabedoria que nos abre as portas à integração de tudo no todo. É o reconhecimento da matéria que nos leva à reflexão sobre o que está em cima ser igual ao que está em baixo.

Está na altura de começar o meu herbário. Até ao fim de Dezembro é altura para repouso, não devemos apanhar nenhuma erva. Porém, é uma excelente altura para fazer o inventário das ervas que nos faltam para preparar o novo ano. Está na hora de ir para a Serra e mergulhar profundamente no ventre da Mãe, conhecer as plantas e marcar os locais. 

Na primeira hora de Vénus do dia de Júpiter, S. Leocádia, S. Valéria

quarta-feira, dezembro 08, 2010

terça-feira, dezembro 07, 2010

O Hierofante andou a trabalhar na escuridão do mês de Novembro

Ora e sabem que mais este mês de Novembro infindável em aventuras e desventuras teve como energia oculta, aquela que esteve a ser trabalhada nos fornos alquímicos do nosso ser, o Hierofante, o Sumo Sacerdote, o Papa!

Ao que parece todas os incidentes deste mês servirão para nos levar ao encontro do nosso Mestre, aquele que habita dentro de nós ou aquele que está fora de nós. Aqui cada um saberá qual foi a sua resposta.

Andamos de Amante em Amante e encontrámos a Morte. Escolhemos ao que parece de forma errada e foi preciso morrer algo dentro de nós para voltarmos ao trilho da nossa Jornada Heróica pessoal. Encontrámo-nos com o Carro. Finalmente, para o nosso bem, demos de caras com o Eremita e aí tudo mudou. 

Resta-nos, então, recordar que sempre, mas sempre mesmo, tudo acontece para o nosso bem. Quando o bem vem através de experiências dolorosas, é preciso parar e reflectir no que andamos a enviar para o mundo para cocriar a nossa vida.

Seja bem-vindo o Hierofante, mas resta saber se ele nos guiou ou manipulou.

Na primeira hora de Lua do dia de Marte, S. Ambrósio, S. Sabino

segunda-feira, dezembro 06, 2010

In Pace - Finis

Finis de William Hogarth

Declaro-me aposentado.
Terminei. Ponto final.
Resta-me o céu estrelado
E as rosas do meu quintal.

Subi a montanha escura
Da Vida... Enorme ascensão:
Uns quatro metros d’altura
Acima do rés-do-chão.

Lançando um olhar profundo
Dessa altura sobre-humana,
Vi quanto é pequeno o mundo
E grande a miséria humana

Vi a Traição e a Cobiça
Fazendo festins reais
No corpo nu da Justiça,
Às portas dos tribunais.

Belo como um Lacoonte,
Vi um titã nas galés:
Trazia a aurora na fronte
E uma grilheta nos pés.

Cheio de dor e respeito,
Vendo esse herói, perguntei:
- Qual o teu nome? – O Direito.
- Qual o teu carrasco? – A Lei.

Perante o pobre e o humilde,
Vi sempre o Deus Sabaoth
Mandar mais oiro a Rotschild,
Mandar mais esterco a Job.

Vi que a história, um sonho breve,
Na noite imensa e voraz,
Se é tácito quem a escreve,
É Tibério quem a faz.

Vi que o “rei da criação”
Foi, antes de ser o que é,
Lodo, esponja, tubarão,
Réptil, condor, chimpanzé,

E que guarda (são baixezas
Dessa origem que o infama),
Nas mãos o sinal das presas,
Na alma os sinais da lama.

Vi que o Mal do Bem se nutre,
E que o Destino dispôs
Para um Prometeu o abutre,
E para um Cristo um algoz.

Guia-me apenas, distante,
A luz ingénua da Crença,
Vaga nebulosa errante
Nas trevas da noite imensa...

Por isso vim solitário
Envolto, como eremitão,
No rude burel mortuário
Dum panteísta cristão,

Cheio de tédio profundo,
Enclausurar-me afinal,
Longe, bem longe do mundo
No in-pace do meu quintal.

Rodeei-o com segurança
D’altas muralhas sombrias,
Para ter por vizinhança
As nuvens e as cotovias.

Mandei erguê-las, erguê-las
Essas muralhas ao ar,
Para que só as estrelas
Me pudessem ver chorar...

Eu quero ao menos, de rastros,
Nos últimos estertores,
Olhar o céu, e ver astros,
Olhar a terra, e ver flores.

Este exílio a que submeto
Minh’alma nesta clausura,
É como que um lazareto
Às portas da sepultura.

Deixei só a fresta escassa
Por onde caiba à vontade
De fora a mão da Desgraça,
De dentro a mão da Piedade....

Guerra Junqueiro, Poesias Dispersas

Na terceira hora de Marte do dia de Lua, S. Nicolau

domingo, dezembro 05, 2010

Com' uma Força!!!

Depois de uma semana tão intensa em interiorização e recolhimento, chega-nos a Força para sairmos desse fundo onde, por razões diversas, nos colocámos.

A Força durante esta semana não só nos enviará uma energia de acção para que possamos actuar no exterior, ela também pode simplesmente ser uma força de agir dentro de nós. Quando penso nesta carta e visualizo a mulher a agarrar o leão, lembro-me sempre da luta que travamos diariamente com os nossos pequenos defeitos.
Esta carta representa para mim isso mesmo, a luta que temos de travar com os nossos lados menos bons. 

Assim, esta semana seremos forçados a dar atenção e domar o nosso lado mais instintivo, tentemos fazer as coisas usando novas técnicas, experimentemos perspectivas novas.
Dentro desta linha das novidades, esta semana escolho o novo single de PJ Harvey, Written on the forehead do próximo álbum Let England Shake. Esta música é tão diferente do que ela fez até agora que só pode ser inspiradora às novidades que vamos tentar esta semana.

Para todos, excelentes experimentações!

Na terceira hora de Sol do dia de Sol, S. Geraldo, S. Martinho de Dume, S. Sabeu

sábado, dezembro 04, 2010

O isolamento do Eremita


Alegria estava novamente a caminho. Seguia vagarosamente pois as suas forças estavam a começar a desvanecer, mas estava determinado a não parar. 

Enquanto andava pensava nas dependências que tinha, pois neste momento o que mais ansiava era uma boa mesa farta, com uma lareira acesa e uma boa conversa regada de um vinho saboroso. Depois disso, pensou ainda numa cama confortável e numa noite de sono descansado. 

Era inevitável que o seu corpo e o seu espírito almejassem tamanhas comodidades, mas esses desejos não poderia ser satisfeitos, pelo menos, não por enquanto. À sua volta havia apenas terra batida, algumas árvores e nada mais. Ah, como sentia a falta de alguém que o ajudasse a carregar aquele peso que tinha no corpo…

Ao longe, o mais longe que a sua vista conseguia alcançar, descobriu uma sombra. Algo que lhe indicava ser uma entrada. Aproximou-se e para júbilo descobriu uma pequena passagem que dava acesso a uma câmara dentro da terra «Abrigo, finalmente!» pensou ele.

Havia muito tempo que dormia ao frio e a céu aberto, esta noite, pelo menos, poderia sentir novamente o que era ter um tecto a protegê-lo. Essa sensação lembrou-lhe novamente a experiência que tivera recentemente com Isis. E, assim muito facilmente, deu por si a voltar ao passado. Relembrou as noites frias em que se enroscavam um no outro e abraçados adormeciam. Vieram também à sua memória os jantares a dois e com os amigos que davam em casa. Lembrou-se de como gostavam de preparar a árvore de Natal juntos, mas como isso sempre acabava com a construção de uma árvore sui generis. 

E de recordação em recordação, Alegria foi sentido o conforto tomar conta da sua alma e forma. Entretanto, uma sombra começa a tomar forma e Alegria é forçado a sair desse lugar confortável em que estava para retomar a realidade. Do canto direito, sai uma voz profunda e cavernosa, não tivesse ela também um corpo a quem ser associada e poderia dizer-se que era a própria voz da caverna que falava.

«Essas recordações que tão fortemente activas, são por acaso o motor da tua busca? São elas o combustível dos planos que traças no teu novo caminho?»

Alegria compreendeu imediatamente que estava a falar com um Eremita, mas o que ele não sabia é que aquele era O Eremita.

«Tomas-me de surpresa, não sei se sou capaz de te responder imediatamente. Teria de me recordar o que estava a pensar e analisar tudo para ser honesto na minha resposta.»

«A pergunta é simples, apenas foges dela. Tenho cá para mim que tens medo da tua resposta. Largar o passado nunca é fácil, principalmente quando é o único companheiro que temos no caminho. É tão fácil agarrarmo-nos a ele para nos mantermos sãos. Mas o que verdadeiramente tememos é o que está para vir e assim agarram-nos com garras e dentes ao que tivemos. Só que…cada pensamento, recordação, activa um novo trilho na nossa jornada e aparecem, então, as encruzilhadas.»

Alegria sabia que ele estava quase a falar de si próprio, mas não podia deixar de sentir que aquelas palavras encerravam uma aprendizagem importante. O Eremita raramente fala e se este estava a falar ele teria de ouvir atentamente.

«Nessas encruzilhadas tememos as escolhas e paralisamos. Paralisamos pois sabemos, naquele momento tomamos consciência, que temos de escolher entre agarrar a oportunidade nova ou seguir com o peso do passado. Oh, quantos de nós falhamos mais uma e tornamos a Caminhada mais longa por mais uns tempos. Quantas vezes o fiz? Perdi já a conta. Muitas vezes escolhi aquilo que achava que o meu coração desejava. Para depois compreender que era apenas mais um devaneio, uma loucura, uma fuga em frente, uma tentativa de emendar o passado…tudo em vão. Então chega a solidão como única hipótese de consolo. O isolamento para nos conhecermos e depois…as memórias perdem-se, começam a ser criações e acrescentamos um ponto aqui e acolá para que a história fique mais bonita. Quando damos conta, a solidão fez-nos criar um passado completamente novo, que ninguém conhece e que não poderão negar. Aí recriamo-nos e surge, finalmente, a vontade de sair do isolamento. É chegado o meu momento e aqui começa o teu.»

Quase que num transe, provocado pela cadência do seu discurso, Alegria acorda e compreende a verdade. Ele não sabe o que o seu coração quer. A história que o Eremita contou é a sua, sem tirar nem pôr. Ele estava instantes antes a relembrar e a recriar a sua história pessoal, até ser interrompido por este homem misterioso. 

«Tomas o meu lugar?»

«Sim!» responde-lhe sem qualquer tipo de hesitação.


Na segunda hora de Mercúrio do dia de Saturno, S. Barbara, S. João Damasceno

quinta-feira, dezembro 02, 2010

A Solidão

Quando o Inverno chega, torna-se mais fácil ficar virado para dentro. Os dias ficam curtos, o que significa que as noites se tornam longas. À noite sempre foi associada a introspecção. É por natureza silenciosa e quando o barulho pára ouve-se todo o ruído interior que temos acumulado. Tornamo-nos cinzentos como os dias e escuros como a noite.
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Habituámo-nos a estar em constante movimentação, em contacto com uma quantidade, por vezes excessiva, de informação. Ora seja a televisão, o rádio, a internet, os cartazes na rua, a sinalização na estrada, tudo nos preenche com informação. E mesmo quando não estamos atentos ela está a penetrar-nos.
Depois de um dia longo, quem consegue chegar à sua almofada maravilhosa e desligar de tudo o que viveu e absorveu durante o dia? O Inverno é sempre mais difícil para mim, mas este que ainda nem chegou, já me está a pesar.

As noites têm sido longas e o descanso nem sempre o merecido e necessário. Sinto-me muito cansada de tudo e de todos. Convenço-me de que é uma fase, de quando chegares tudo fica mais luminoso, mas tu chegas e eu continuo fora. Fora de mim ou demasiado dentro de mim, isso ainda não percebi.

Felizmente, está a chegar o Natal, essa época maravilhosa em que a Luz e a Partilha, o convívio e a esperança, ocupam o nosso espírito. Este Natal desejo conseguir superar todos os problemas e encarar o que realmente importa: Eu, os Amigos e a Família!

Já quebrei a tradição, passou o dia de Santo de André e a árvore continua na arrecadação à espera que eu tenha a disponibilidade mental para a encontrar. Que lhe dê a atenção necessária para a pôr bonita, com cores especiais como todos os anos, mas este ano, não é como todos os anos...

Na segunda hora de Mercúrio do dia de Júpiter, S. Bebiana, S. Aurélia

quarta-feira, dezembro 01, 2010

A Prisão do Orgulho

Choro, metido na masmorra
do meu nome.
Dia após dia, levanto, sem descanso,
este muro à minha volta;
e à medida que se ergue no céu,
esconde-se em negra sombra
o meu ser verdadeiro.

Este belo muro
é o meu orgulho,
que eu retoco com cal e areia
para evitar a mais leve fenda.

E com este cuidado todo,
perco de vista
o meu ser verdadeiro.

Rabindranath Tagore, in O Coração da Primavera
Tradução de Manuel Simões

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