sexta-feira, setembro 04, 2009

Dormir aqui e amanhecer em outro lugar, pela Shin Tau

O António Rosa já há algum tempo andou a divulgar um novo espaço com um conceito muito interessante, o Vou de Coletivo! No entanto, ainda não tinha sentido que havia chegado a minha hora para ir de colectivo, até este tema de Setembro, dormir aqui e a amanhecer em outro lugar.

O tema interessou-me, seria o mote perfeito para começar a escrever os meus contos, as minhas histórias, poder dar vida Às Folhas da Shin. Vamos ver como me saiu!
«A noite está calma. O céu tem aquela tonalidade de azul que apenas acontece quando há lua cheia. A Mãe está a olhá-la e ela olha a Mãe. Sorri e fecha os olhos. Puxa suavemente os lençóis e cobre o corpo, não muito, pois faz calor. Todavia, com calor ou frio, Shin não consegue dormir destapada, precisa sempre do conforto do calor, da presença da energia a envolvê-la. Relembra isso e sorri.

Ao fechar os olhos revê na sua memória os acontecimentos do dia e agradece pelas bênçãos recebidas, sente-se grata e ainda mais protegida. A paz começa a invadir o seu corpo e relaxa. Ao seu lado, na mesinha, um candeeiro e uma foto. Em frente a secretária com folhas acabadas de escrever, um livro antigo e canetas espalhadas. As portas do roupeiro fechadas e as cortinas também. A segurança do seu quarto, o reconhecimento do espaço, um dado adquirido, ela sabe mentalmente o lugar de cada objecto. A paz mental começa a chegar e ela relaxa. Os pensamentos voam e ela adormece, na sua cama azul cor de céu nocturno.

Uma luz chega através da janela e incomoda o sono. O olho treme mas insiste em não abrir. Vira-se para o outro lado esperando que passe. Contudo, ao virar-se sente um calafrio a percorrer o seu corpo e busca os lençóis instintivamente. Não os encontra...apalpa e apalpa, mas não os sente. Finalmente encontra algo, frio, duro, redondo, algo que ela não reconhece, pois tudo isto ainda é feito com os olhos fechados.

Relutante decide abri-los e verificar o que era aquela coisa indecifrável. Shin demora ainda um tempo até conseguir levar todo o cenário à sua mente e reagir. Onde está a mesa com o candeeiro e a foto. A secretária, os papéis que escreveu na noite anterior, o roupeiro, os cortinados, a cama azul céu nocturno.

Todo o cenário conhecido havia sido substituído, desaparecera e agora não reconhecia o espaço. Observou e tentou registar outros pontos de referência. A pedra, a escuridão, a humidade e uma gruta. Onde estava? Como havia ali ido parar? Porque estava presa com uma corrente. O que fizera?

Inquieta tentou acalmar-se e dizia para si própria «É tudo um sonho. Acorda! Acorda!». Mas nada acontecia. Em segundos tentou aceder aos seus arquivos e pensar no que sonhara, por onde havia andado e qual a última coisa que fizera. Lembrava-se de ter adormecido na sua cama e olhado a Mãe, mas nada mais. Havia uma imagem na sua mente mas ela não a conseguia agarrar tempo suficiente para a descodificar.

Os seus olhos começaram a viajar no vazio e aquela sensação que tanto tempo conhecera, havia desaparecido, estava em frente ao desconhecido, sem qualquer controlo da sua situação. Aprisionada e perdida, era tudo o que ela conseguia identificar nas suas sensações. O terror invadiu o seu corpo e rendeu-se à prisão.

Na primeira hora de Saturno do dia de Vénus, S. Rosa de Viterbo, S. Grata, S. Marino de Rimini
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