domingo, junho 05, 2011

Limpar para Fecundar

Determinado a conseguir limpar as suas emoções, Alegria penetrou a floresta para continuar a sua demanda. Foi com grande prazer que começou a ouvir um som conhecido, o som de água a correr, embatendo em pequenas pedras. A sensação de frescura invadiu-o e, guiado pelo desejo, dirigiu-se para lá.

Foi com uma mistura de maravilha e de surpresa que encontrou, junto ao som desejado, três mulheres lindas a banharem-se. Ficou um pouco a observar e, apenas quando elas o desejaram, Alegria foi convidado a entrar na água com elas.

A conversa foi, inicialmente, casual. Apresentações, indicações de onde vinham e o que faziam, nomes, referências. Contudo, após uma silêncio, nada constrangedor, elas revelaram-se. Eram ninfas que ali se encontravam para ajudar os seres da floresta e, há muito tempo, não viam um homem. Alegria aproveitou para desabafar o seu desejo de curar a Mãe e os seus dilemas com os Homens.

Numa espécie de entorpecimento, Alegria foi levado a copular com estas três ninfas, o fascínio que elas lhe causavam, o som da água, o tempo que havia passado desde que partilhara algo com uma mulher, o desejo, não permitiram que tivesse uma escolha diferente. A celebração ocorreu e todos adormeceram por baixo da segurança da sombra que as árvores ofereciam.

Quando despertou, para sua surpresa, elas ainda ali se encontravam. Não obstante, algo havia mudado. Estavam reunidas e pareciam discutir algo. Uma, a mais alta, vira-se para Alegria e questiona-o:

«Como te sentes?»

Ainda abrindo os olhos, retomando o controlo consciente dos seus órgãos, responde que muito bem.

«O que aconteceu hoje e aqui deverá manter-se secreto para todo o sempre. Qualquer menção à nossa existência e localidade poderá provocar um desequilíbrio na Mãe. Já que se mais alguém nos descobrir teremos de desaparecer. Foste abençoado com a nossa energia por seres um curador, mas para te passar essa energia, uma de nós teve de se sacrificar. Levará algum tempo até que Maari recupere a sua originalidade. É que ela entregou-se na totalidade a ti, agora tu tens o dom da vidência. Esta foi a sua oferta. Ela perdeu-a, terá de se isolar para a recuperar, e tu tens o dever de a usar com sapiência. Agora, enche o teu cantil e parte. Afasta-te daqui e nunca mais voltes. Que a Deusa te acompanhe.»

Ainda sem compreender muito bem a profundidade do que lhe havia sido dito, Alegria, automaticamente, obedece. Quando já se encontra afastado o suficiente do lugar sagrado, senta-se e decide reviver o momento em busca de alguma luz, mas foi no gesto simples de se acalmar que compreendeu a situação.

Alegria estava repleto de energia, os seus centros estavam radiantes, a sua luz era enorme. Elas tinham-lhe dado tudo. E ele o que havia ofertado? Uma sacrificara-se para lhe dar algo especial, Alegria nunca se tinha sentido tão responsável. Agora não podia continuar a fugir e evitar as situações, não podia, devia-lhes, no mínimo, isso. 

Não poderia mesmo, continuar a enganar-se. Tinha de vencer esses medos, essas máscaras criadas pelo tempo, tinha de ser mais e melhor. Iria sair da floresta e enfrentar os seus semelhantes, iria partilhar o que lhe haviam dado, iria vencer-se.

Dentro de si tudo estava em ruína. As paredes erigidas pelos sentimentos confusos, pelas más experiências, estavam a ser destruídas. Tudo estava a mudar de lugar, tudo seria possível daí em diante.
Porém, o que Alegria não sabia era que também ele havia dado algo às ninfas...aquela que se sacrificara, tinha conseguido tornar-se Mãe, Alegria fecundara-a.

Na primeira hora de Saturno do dia de Sol, S. Marciano, S. Bonifácio, S. Fernando
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