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Sobre a Morte

«Que mais deve ser a nossa vida senão uma contínua série de começos, de dolorosas incursões no desconhecido. Saindo das margens da consciência para o mistério daquilo em que ainda não nos transformámos, excepto em sonhos que a partir daí explodem e dão à luz a fragrância de ilhas que ainda não vimos nas horas em que estamos acordados, do mesmo modo que, às vezes, em viagem, os primeiros ramos floridos da terra que encontramos batem de encontro à quilha, mesmo no escuro, dias antes de surgir a verdadeira terra, a que vem ao nosso encontro.
Tornei-me mas corajoso com a idade, finalmente preparado para todas as mudanças que devemos suportar, quando dolorosamente permitimos que os nossos membros adquiram uma nova forma, quando abandonamos a crosta da nossa carne e deixamos a árvore irromper, ou a traça ou o pássaro nos troca pelo ar. O que é a morte senão a recusa de crescer e sofrer a mudança?»

Uma Vida Imaginária, David Malouf

Na segunda hora de Lua do dia de Marte, S. João Clímaco

Comentários

  1. Sou nova por aqui, achei seu espaço muito lindo, profundo e reflexivo. Espero continuar com o blog por aqui o tempo necessário para novas viagens psíquicas. Um abraço.

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  2. Olá Sheila

    sê muito bem-vinda e sente-te sempre à vontade para voltar mais vezes :)

    Já dei um pulo no teu espaço e depois com mais calma farei alguns comentários :)

    até lá beijocas

    ResponderEliminar

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