segunda-feira, dezembro 08, 2008

Nossa Senhora da Conceição - padroeira de Portugal- bom dia para reflectir

Nunca compreendi muito bem porque razão se celebrava a Imaculada Conceição a 8 de Dezembro, até hoje!
Sempre julguei que esta celebração tinha a ver com o facto de ela ter sido mãe sem ser corrompida (um dos dogmas que me fazem afastar da Igreja, mas para agora isso não interessa) e não entendia porque era no mesmo mês em que ela dá à luz, nunca me tinha apercebido que festejávamos neste dia 8 a concepção da Virgem e não de Jesus.
Na verdade 8 de Dezembro é a festa sobre a fecundação de Sant'Ana, é o dia em que Maria desce à Terra para nos dar o Redentor de Todos os Pecados, é o dia em que ela é concebida para, nove meses mais tarde, a 8 de Setembro, dar o seu primeiro sopro neste Mundo Manifestado e com isso poder dar seguimento ao Plano de Deus.
Curiosamente, ou não, neste dia, para muitas das culturas antigas, já se celebrava uma deidade feminina. Para os Maias era o dia de Ixchel, deusa da Lua, do Amor e da gestação, os egípcios festejavam Neith, a deusa criadora de todos os deuses, e os gregos celebravam Astraea, a deusa da Justiça.
Será então mera coincidência este dia ser o dia da celebração da Virgem Maria, mulher que a Igreja construiu para conter em si todas as deidades femininas existentes em todas as culturas antigas? Por que razão passou Maria a conter o papel de todas as mulheres? Sempre me fez, em pequena ainda mais, confusão haver só uma Virgem mas depois ter vários nomes: Nossa Senhora dos Remédios, de Fátima, Conceição, Lourdes... Foi muito tarde na minha vida que compreendi que todos os nomes eram a mesma Entidade, que mudavam de acordo com o lugar da aparição ou com a virtude que representa.

Mas bom, isso são as minhas questões, interrogações...a Igreja fascina-me e ao mesmo tempo repugna-me. Quando penso no início desta Igreja, naquilo que ela pretendia representar, fico empolgada, vendo os valores que ainda hoje, dois mil anos depois, se mantêm. Mas depois penso no jogo de poder, de violência e corrupção moral que ela representa hoje e fico indignada. Mas verdade seja dita, não me é indiferente. Talvez eu seja aquilo a que poderemos chamar uma cristã joanina, preferindo a construção do templo interior seguindo João, do que exterior, seguindo Pedro.
Voltando ao tema... Fiquei deveras admirada com este facto, não sabia que a Igreja dava assim tanta importância a Maria. Compreendo que ela tem um papel importante, mas a mulher sempre foi mal tratada pela Igreja, dai a minha admiração.
Esta data está também associada com a aparição mariana em Lourdes, um dia tenho de lá ir. Esta semana estou a fazer intenções de ir até Fátima...preciso apanhar Ar!

O que me leva às minhas reflexões deste fim-de-semana. No sábado aproveitei o dia todo para arrumar arquivos! Nunca nada funciona tão bem comigo como limpar a casa, (risos) sempre que dou uma faxina geral na casa, dou uma na alma. Pus tudo em ordem e, no fim, banheira cheia, velas laranja e violeta, sal na água e incenso de menta. Uma música no mp3 (ainda Mercury Rev, desde o concerto que não consigo parar de os ouvir), Vinho Mágico (que conclui, lindo, há uma ingenuidade, uma simplicidade nesta história que a torna magnífica!) e um copo de vinho a sério. Não cheguei a grandes conclusões, na verdade também não é importante. Aconteceu o que aconteceu, firmei em mim que não volta a acontecer, que esse tipo de situações não fazem parte da minha vida e assim deverão permanecer.
No entanto, as ilações continuaram a chegar até mim como que por magia. Depois da Salomé ter partilhado o seu estado actual lembrei-me que E. me tinha oferecido um livro com esse título Ser como o Rio que Flui de Paulo Coelho. Este autor exerce sobre mim uma influência bizarra, um dia tenho de o conhecer pessoalmente. O primeiro livro que li dele (risos) Verónica decide morrer e seguiu-lhe Maktub uma oferta, curioso não? A partir dai foi muito mais tarde que Brida veio ter comigo, seguiu-se o Alquimista, O Diário de um Mago, Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei, O Monte Cinco, Onze Minutos e muito recentemente as Valquírias. Tenho mais livros de Paulo Coelho em casa, mas ficam a marinar na estante até ao dia em que estiver pronta para aprender aquela lição. O Zahir já me foi oferecido há 3 anos, por um casal que já nem está junto, mas o livro lá permanece no mesmo lugar à espera que eu me encontre no estado certo, como um bom vinho à espera na adega pelo seu momento.
Foi então que decidi abrir o livro e ver se ali havia algo para mim, agora. Ser como o Rio que flui é uma compilação de histórias da vida do escritor, de contos ou histórias d culturas diferentes e de parábolas. Todos eles tentam transmitir um ensinamento. Passo a transcrever o que me surgiu e que melhor do que Paulo Coelho para concluir as minhas crises?!?

A História do Lápis

Um menino olhava para a avó a escrever uma carta. A certa altura, perguntou:
- Estás a escrever uma história que aconteceu connosco? E, por acaso, é uma história sobre mim?
- Estou a escrever sobre ti, é verdade. No entanto, mais importante do que as palavras é o lápis que estou a usar. Gostava que fosses como ele, quando cresceres.
O menino olhou o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
- Mas é igual a todos os lápis que vi na minha vida!
- Tudo depende do modo como tu olhas para as coisas. Há nele cinco qualidades que, se as conseguires manter, farão de ti uma pessoa sempre em paz no mundo.
A primeira qualidade: tu podes fazer grandes coisas, mas nunca te esquecer que existe uma Mão que guia os teus passos. A esta mão nós chamamos Deus, e Ele deve sempre conduzir-te em direcção à Sua vontade.
A segunda qualidade: de vez em quando, é preciso para de escrever e usar o afia-lápis. Isso faz com que o lápis sofra um bocado, mas deixa-o mais afiado. Portanto, aprende a suportar algumas dores, porque elas farão de ti uma pessoa melhor.
A terceira qualidade: o lápis permite sempre que usemos a borracha para apagar aquilo que está errado. Percebe que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente mau, mas importante para nos mater no caminho da justiça.
A quarta qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou a sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, presta sempre atenção àquilo que acontece dentro de ti.
Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele deixa sempre uma marca. Desta maneira, compreende que tudo o que tu fizeres na vida vai deixar traços, por isso tenta ser consciente de todas as tuas acções.

Num dia de Nossa Senhora Imaculada Conceição e de Gabriel, Regente da Energia de Lua
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