terça-feira, fevereiro 24, 2009

Carnaval

(Foto retirada do site http://www.viningsgallery.com/featured-artists/fabian-perez/)

Antes de mais espero que quem anda a brincar ao Carnaval se esteja a divertir imenso. Eu deixei de gostar do Carnaval há muito tempo, mas respeito e até gosto de ver as pessoas mascaradas, as brincadeiras parvas e a eterna desculpa "É Carnaval ninguém leva a mal!" fizeram com que esta festa perdesse a sua graça. O crescer também foi um facto, deixei de sentir necessidade de me mascarar, aliás, das últimas vezes foi um drama encontrar uma máscara que gostasse...
Porém, quando era criança, e até fazia essas brincadeiras parvas, adorava estes três dias. Creio que quando somos crianças estamos mais próximos da nossa verdadeira essência, ainda não nos moldámos por completo às regras e etiquetas da sociedade e somos mais puros. Ainda não racionalizamos as coisas e apenas as intuímos, gostamos de nos revelar aos outros de outra forma.
Por tudo isso achei interessante lembrar-me quais eram as máscaras que eu gostava de usar quando era mais nova. Quando o fiz, a surpresa foi por demais interessante, aprendi algo sobre mim. Por isso hoje faço-vos o seguinte desafio, que máscaras usavam quando eram crianças? De que forma elas se adequam a paixões ou a características que ainda hoje revelam? Essa máscara faz parte da vossa essência ou era apenas algo imposto pelos pais?
Eu, todos os Carnavais, e ai da minha mamã que me mascarasse de outra forma, era Sevilhana. Longo vestido branco com bolas vermelhas, olhos pintados de preto, lábios vermelhos, sapato de verniz salto alto, castanholas na mão, expressão determinada na face, paixão nos olhos e muito amor no corpo. Tudo faz sentido, drama, música e dança, eis uma grande faceta da minha alma! E vós? Estou curiosa de saber se sou só eu ou se há mais almas por aí que reflectiram da mesma forma.
Para terminar vou partilhar um ritual que a minha família e amigos faziam na noite de Carnaval. Era uma espécie de coisa tribal, encabeçada pela minha avó e eu nunca soube o porquê desse ritual ou a sua origem, mas depois da meia-noite, lá íamos todos, e eu adorava esta parte, o teatro que se fazia.
Juntávamo-nos no quintal de alguém, construíamos uma maca, colocávamos em cima um espantalho, construído com as roupas de um homem e enchido de ervas, vestíamo-nos de luto e lá íamos pela Amadora fora a gritar e chorar pela morte do defunto. Era impressionante todas as pessoas vinham à janela, umas sorriam, outras ralhavam, algumas desciam e juntavam-se a nós. O cortejo seguia por um bom percurso e terminava sempre à porta da esquadra. Lá vinham os senhores agentes muito preocupados a pensar que havia já zanga e davam de caras com a minha avó num pranto, a descabelar-se toda, e nós atrás com ar sério a chorar. Era um fartote!
Curiosamente depois destas cenas não me lembro de como terminava, lá devia de ir o homem para o caixote mais perto, como isso não fazia parte da minha fantasia, devo ter eliminado, curioso como a mente humana funciona.

Foram bons tempos, sem dúvida! Tirando os ovos podres na cabeça e os balões de água que vinham antes da maldita farinha!

Num dia de São Sérgio, São Pretextado e de Samael, Regente da Energia de Marte
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