(Foto retirada do site http://www.viningsgallery.com/featured-artists/fabian-perez/)
Antes de mais espero que quem anda a brincar ao Carnaval se esteja a divertir imenso. Eu deixei de gostar do Carnaval há muito tempo, mas respeito e até gosto de ver as pessoas mascaradas, as brincadeiras parvas e a eterna desculpa "É Carnaval ninguém leva a mal!" fizeram com que esta festa perdesse a sua graça. O crescer também foi um facto, deixei de sentir necessidade de me mascarar, aliás, das últimas vezes foi um drama encontrar uma máscara que gostasse...
Porém, quando era criança, e até fazia essas brincadeiras parvas, adorava estes três dias. Creio que quando somos crianças estamos mais próximos da nossa verdadeira essência, ainda não nos moldámos por completo às regras e etiquetas da sociedade e somos mais puros. Ainda não racionalizamos as coisas e apenas as intuímos, gostamos de nos revelar aos outros de outra forma.
Por tudo isso achei interessante lembrar-me quais eram as máscaras que eu gostava de usar quando era mais nova. Quando o fiz, a surpresa foi por demais interessante, aprendi algo sobre mim. Por isso hoje faço-vos o seguinte desafio, que máscaras usavam quando eram crianças? De que forma elas se adequam a paixões ou a características que ainda hoje revelam? Essa máscara faz parte da vossa essência ou era apenas algo imposto pelos pais?
Eu, todos os Carnavais, e ai da minha mamã que me mascarasse de outra forma, era Sevilhana. Longo vestido branco com bolas vermelhas, olhos pintados de preto, lábios vermelhos, sapato de verniz salto alto, castanholas na mão, expressão determinada na face, paixão nos olhos e muito amor no corpo. Tudo faz sentido, drama, música e dança, eis uma grande faceta da minha alma! E vós? Estou curiosa de saber se sou só eu ou se há mais almas por aí que reflectiram da mesma forma.
Para terminar vou partilhar um ritual que a minha família e amigos faziam na noite de Carnaval. Era uma espécie de coisa tribal, encabeçada pela minha avó e eu nunca soube o porquê desse ritual ou a sua origem, mas depois da meia-noite, lá íamos todos, e eu adorava esta parte, o teatro que se fazia.
Juntávamo-nos no quintal de alguém, construíamos uma maca, colocávamos em cima um espantalho, construído com as roupas de um homem e enchido de ervas, vestíamo-nos de luto e lá íamos pela Amadora fora a gritar e chorar pela morte do defunto. Era impressionante todas as pessoas vinham à janela, umas sorriam, outras ralhavam, algumas desciam e juntavam-se a nós. O cortejo seguia por um bom percurso e terminava sempre à porta da esquadra. Lá vinham os senhores agentes muito preocupados a pensar que havia já zanga e davam de caras com a minha avó num pranto, a descabelar-se toda, e nós atrás com ar sério a chorar. Era um fartote!
Curiosamente depois destas cenas não me lembro de como terminava, lá devia de ir o homem para o caixote mais perto, como isso não fazia parte da minha fantasia, devo ter eliminado, curioso como a mente humana funciona.
Foram bons tempos, sem dúvida! Tirando os ovos podres na cabeça e os balões de água que vinham antes da maldita farinha!
Num dia de São Sérgio, São Pretextado e de Samael, Regente da Energia de Marte
Porém, quando era criança, e até fazia essas brincadeiras parvas, adorava estes três dias. Creio que quando somos crianças estamos mais próximos da nossa verdadeira essência, ainda não nos moldámos por completo às regras e etiquetas da sociedade e somos mais puros. Ainda não racionalizamos as coisas e apenas as intuímos, gostamos de nos revelar aos outros de outra forma.
Por tudo isso achei interessante lembrar-me quais eram as máscaras que eu gostava de usar quando era mais nova. Quando o fiz, a surpresa foi por demais interessante, aprendi algo sobre mim. Por isso hoje faço-vos o seguinte desafio, que máscaras usavam quando eram crianças? De que forma elas se adequam a paixões ou a características que ainda hoje revelam? Essa máscara faz parte da vossa essência ou era apenas algo imposto pelos pais?
Eu, todos os Carnavais, e ai da minha mamã que me mascarasse de outra forma, era Sevilhana. Longo vestido branco com bolas vermelhas, olhos pintados de preto, lábios vermelhos, sapato de verniz salto alto, castanholas na mão, expressão determinada na face, paixão nos olhos e muito amor no corpo. Tudo faz sentido, drama, música e dança, eis uma grande faceta da minha alma! E vós? Estou curiosa de saber se sou só eu ou se há mais almas por aí que reflectiram da mesma forma.
Para terminar vou partilhar um ritual que a minha família e amigos faziam na noite de Carnaval. Era uma espécie de coisa tribal, encabeçada pela minha avó e eu nunca soube o porquê desse ritual ou a sua origem, mas depois da meia-noite, lá íamos todos, e eu adorava esta parte, o teatro que se fazia.
Juntávamo-nos no quintal de alguém, construíamos uma maca, colocávamos em cima um espantalho, construído com as roupas de um homem e enchido de ervas, vestíamo-nos de luto e lá íamos pela Amadora fora a gritar e chorar pela morte do defunto. Era impressionante todas as pessoas vinham à janela, umas sorriam, outras ralhavam, algumas desciam e juntavam-se a nós. O cortejo seguia por um bom percurso e terminava sempre à porta da esquadra. Lá vinham os senhores agentes muito preocupados a pensar que havia já zanga e davam de caras com a minha avó num pranto, a descabelar-se toda, e nós atrás com ar sério a chorar. Era um fartote!
Curiosamente depois destas cenas não me lembro de como terminava, lá devia de ir o homem para o caixote mais perto, como isso não fazia parte da minha fantasia, devo ter eliminado, curioso como a mente humana funciona.
Foram bons tempos, sem dúvida! Tirando os ovos podres na cabeça e os balões de água que vinham antes da maldita farinha!
Num dia de São Sérgio, São Pretextado e de Samael, Regente da Energia de Marte
Olá Shin Tau
ResponderEliminarPois eu ainda sou pior acho que não me lembro de nenhuma fantasia em especial. Talvez umas roupas velhas que haviam lá em casa vestidas de qualque maneira. De facto mascarei-me muito poucas vezes embora fosse aos bailes e tentasse descobrir quem eram os mascarados/as que se metiam comigo.
O ritual a que a Shin Tau se refere talvez seja o "enterro do entrudo" que simbolizava a passagem da licenciosidade com os seus excessos que se viviam no Carnaval, para a Quaresma que começa na quarta-feira de cinzas é que se pretendia fosse um periodo de recolhimento, reflexão e siêncio.
Lamento não acrescentar grande coisa à sua pesquisa. Talvez eu não goste de me mascarar ou quem sabe de me desmascarar.
Um beijinho
O Viajante
PS. Gosto da sevilhana a sensualidade sempre presente no seu blog
Ehehehe Viajante,
ResponderEliminarpois trouxe-me uma peça fundamental, saber que rito era aquele afinal. Há uns tempos dei aulas a pessoas reformadas em Mafra (precisamente nos bombeiros!) e quando falámos sobre o Carnaval eu disse-lhes que era uma festividade religiosa e todos eles o negaram. Acreditando que como mais velhos eram mais experientes, além de muitos deles serem católicos, deixei essa ideia de lado, porque também não era assim tão importante!
Hoje vem-me confirmar que afinal eu tinha razão. O carnaval marca a entrada da quaresma, daí que nunca seja num dia específico e seja sempre 40 dias antes da Páscoa. (tempo de purificação).
Muito obrigada!!!
Gostei da sua frase final!!! Isto de nos desmascararmos não é simples ;)
Obrigada, obrigada, obrigada!!!
Olá, Shin_Tau!
ResponderEliminarDesculpe pela ausência prolongada, viu?
Quanto à sua iniciação, não me surpreende que tenha recebido essas mensagens para encontrar um mestre. Isso é o mais esperado para alguém que tem os questionamentos que você tem.
Você é de Portugal, não é? Eu faço parte de uma escola que, por enquanto, só existe no Brasil. A vantagem é que estou em contato constante com todos os mestres.
Mas conheço outra escola magnífica que, ao meu ver, você possa ser mais afim. Já ouviu falar de Gnosis?
Não sei se tem em Portugal, mas deve ter sim. Entre nesse site:
http://www.ageacac.org.br/j/index.php?option=com_content&view=article&id=44:sobre-a-ageacac&catid=35:temas&Itemid=56
É a porta de entrada para a Gnosis. Completando a primeira câmara, você vai ser informada de como prosseguir.
Muita paz, minha amiga! Estou torcendo por você em sua caminhada, intuindo muita força e muita luz!
;-)
Olá, Shin Tau
ResponderEliminarObrigada pela visita e pelo apoio.
Vou ficar lá no Jardim, para ajudar na rega.
Um abraço fraterno!
Incontrolável Shin_Tau
ResponderEliminarO que foste desenterrar!
Mas primeiro o desafio. Como sabes não sou (era) muito festivaleira pelo que o Carnaval mais ou menos passava-me ao lado.
Não havia uma máscara em particular que eu gostasse de usar mas lembro-me curiosamente que o importante para mim era que o fato estivesse bem confeccionado e tivesse os devidos acessórios.Isto é, tanto me fazia qual fosse a máscara desde que fosse perfeita..
Não era do género de me mascarar com "qualquer coisa" que se arranjasse lá em casa.A mãe que sempre me topou (e aturou) fez então o fato de Pierrot que usei mais de 3 anos seguidos porque era realmente lindo.Maquilhagem a condizer e assim sim podia sair para o Carnaval.
Ela fez depois aquele fato de palhaço com os botões vermelhos enormes, lembras-te? Mas esse não cheguei a usar, entrei na fase "ermita"..Foi o Nelson o seu orgulhoso desfilador.
E agora uma surpresa: sabes que foi também a mãe quem fez o vestido de sevilhana que tanto gostavas.Esse e os 2 a seguir porque, ao contrário de mim crescia tipo erva daninha...lol
E convencer-te a não o levar para a escola em dias normais com os teis 8 anos, também era complicado. Adoravas o sacana dos vestidos de sevilhana...
Quanto ao desfile lembro-me bem, a avó obrigava-nos a ir porque dizia ela toda a festa tem um fim que devemos chorar e enterrar.
É engraçado que também não me lembro o que acontecia ao defundo, tão morta que estava por chegar a casa e terminar aquele cortejo de doidos e gritos e choro..lembro-me que nessa altura, com cerca de 13/14 anos tinha a certeza absoluta de ter nascido na família errada..Ainda hoje tenho algumas dúvidas...lol
Foi giro relembrar-me destas coisas e dos sentimentos que me provocaram e da pessoa que eu era...
A vida é mesmo um eterno Carnaval, fingimos que somos alguma coisa diferente do que somos para termos alguma alegria..
Muitos Bejos Chica. Olé!!
IdoMind
Oi minha linda amiga
ResponderEliminarOntem escrevi um lindo comentario so que na hora de postar minha conexao caiu rs coisas de internet.
Vamos la de novo :) Tambem nao ligo para carnaval, ja teve seu tempo quando era somente carnaval e rua e clubes bem familiares.
Aceito o seu desafio dizendo (escrevi tao lindo ontem, mas vou tentar refazer)Minha fantasia era quase sempre bailarina, até que num determinado momento pedi a minha moomy que fizesse uma fantasia de bruxa, e esta fantasia com sua variaçoes de ano para ano foi sempre a escolhida! Mas voce me levou a uma sessao nostalgia em lembrar que com 6 anos eu me vesti de rendas de cor lilas e soltei meus cabelos loiros e pedi a minha avo que tirasse uma foto, e toda prosa falei a ela que era uma roupa de bruxa, que as bruxas se vestiam assim e como eu era uma eu queria tirar a foto..rs tenho esta foto ate hoje. Me levou, também, a lembrar que o unico quadro no meu quarto era uma bruxa daquelas bem narigudas mexendo um caldeirao e atras tinha um lindo gato preto com o pelo todo eriçado!!!
Entao minha doce amiga imagino que a paixao ja vem desde moleca, a bruxa daquela epoca ja era minha caracteristica revelada.
Ahh a Sevilhana ja tenho a anos como paixao, dancei flamenco até 2006 infelizmente tive que parar por estar caro demais o curso. Mas assim que puder retornarei (os lindos sapatinhos estao guardados com todo carinho). Ja dançaste o flamenco? é maravilhoso, faz bem para o corpo e para a alma e é tambem uma dança tremendamente sensual rsrsrs ah e a proposito esta foto que voce colocou esta linda!
Bem minha querida imagino que ontem escrevi de uma forma diferente mas com o mesmo significado (gostei mais do jeitinho como escrevi ontem, ohh internet danada) kkkk
Beijos minha linda flor
Que os Deuses te abençoem sempre!!!
)0(
ow esqueci de falar que voce e o Viajante aguçaram minha curiosidade sobre este ritual que sua familia fazia " o enterro do entrudo" gosto destas coisas e sou por demais curiosa em se tratando de determinados assuntos.
ResponderEliminarOntem eu tinha falado mais sobre isso kkkk
beijinhus de novo
Fiquei bastante contente com o vosso feedback!
ResponderEliminarIdoMind,
ontem descobri que afinal quem fazia de morto era o Nando (LOL) e pelos vistos fazia bem pois enganava-nos a todos!!! Por isso ninguém sabia o acontecia ao morto LOL
Caillean,
pois é a bruxinha já lá estava, bonito hein! Quando somos crianças sabemos melhor quem somos, ou seja, a nossa essência!!!
Quanto ao Flamengo nunca dancei, pelo menos em público rkrkrkrkr
Adorei saber que temos também esta paixão em comum (a dança!).
Beijocas para todos e obrigada pela vossa presença!!!
Vocês faziam isso, Amadora fora? Mas que doidos!!! AHAHHAHHAHAHA
ResponderEliminarE agora fiquei a imaginar-te vestida de sevilhana...! Deves ficar bem bonita, mas também não precisas de muito para isso.
Olha, eu nunca liguei muito ao Carmaval, também por imposição familiar. Normalmente, nessa época, nem me deixavam sair de casa. Um bocadito sem graça, né?
Bah!
O teu era bem mais giro!