sábado, fevereiro 14, 2009

Dia de São Valentim - a sua importância iniciática

Antes de começar o verdadeiro artigo quero desejar-vos a todos um feliz dia do Amor, hoje é de facto um dia especial! Leiam e fiquem a saber porque vos digo isto! Para saber outras informações sobre este dia, aconselho a lerem o lindo texto da Lemniscata, onde nos fala das tradições e nos relembra as várias fases pelas quais esta tradição passou, espreitem aqui. Além disso podem lá encontrar artigos magníficos para oferecerem às pessoas que amam. ;)

Hoje vou falar-vos sobre umas tradições gregas que ocorriam nestes dias, em particular hoje. Já falei nos rituais do mês de Fevereiro que havia vários rituais a serem celebrados nesta altura, mas o que vos ocultei foi que um dos mais importantes era a iniciação órfica que era escondida pela festa Lupercálias em honra do deus Pã.

Pã é um dos deuses mais importantes para os iniciados, ele representa o domínio sobre a natureza, sobre os nossos instintos animalescos, é o domínio de Marte. Os seus cornos são os raios de Sol, (lembram-se dos carneiros na história de Psique que ficavam enfurecidos por os seus cornos estarem quentes do Sol?), a sua parte inferior animalesca é análoga aos nossos instintos básicos e os seus cascos representam as raízes das árvores, a ligação com o interior da terra. Mas enquanto uns andavam a brincar às lupercálias, no meio dos bosques que vão dar a Delfos, outra festa ocorria.

Imaginem-se numa densa floresta, não sabem para o que vão, mas está uma noite bem amena, uma lua cheia radiosa que é encoberta pelas ramagens frondosas dos freixos e dos choupos. O céu, quando vislumbrado, é cristalino. De repente, vêem uma montanha, a luz da lua dá-lhe uma claridade elísia. Vêem as grutas cobertas de heras, ouvem o murmuras das fontes e das ninfas que palpitam sob a frescura da relva. Cheiram agora um cheiro doce a madressilva e, mais à frente, um amargo a louro, de repente uma nuvem oculta a luz e tudo parece tenebroso. Saem uns fachos de luz de várias partes da floresta, à frente de cada fileira de gente há um homem com um capuz e atrás todo o tipo de pessoas vestidas de formas diferentes. Os primeiros são os mistos de Baco, adolescentes, vestidos de longas túnicas de linho, coroados de hera, com taças de madeira cinzelada. A seguir vêm os mistos de Hércules, rapazes vigorosos com túnicas curtas, pernas nuas, uma pele de leão sobre as espáduas descendo até à cintura e coroas de oliveira sobre as suas cabeças. Em seguida, os mistos de Baco Lacerado, com peles de zebras ou de panteras na cintura, faixas vermelhas na cabeça e tirso numa mão. Perto da gruta escondida estão os mistos de Eros subterrâneo e de Aidoneu, que choram copiosos os seus amigos mortos. Por último vêm as moças que se irão iniciar no misto de Dionísio coroadas de narcisos com peplos azulados. Nestas havia duas categorias, as companheiras de Perséfona, que traziam pequenos cofres, urnas e vasos votivos e as amantes místicas de Afrodite.
Todos os iniciados se banhavam antes no rio para se purificarem, vestiam as roupas da sua escola e esqueciam o seu nome de família ou pátria. Escolhendo um novo nome a partir desse dia.

A marcha continua pela clareira e segue até ao monte de Delfos. Aí encontram Orfeu que nos acolhe com o seguinte discurso:

Saúdo-vos a todos que viesteis renascer depois dos sofrimentos na terra, e que renasceis agora. Vinde beber a luz do templo, vós que saís da noite, mistos, mulheres, iniciado. Vós que chorastes, vinde alegrar-vos. Vós que lutasteis, vinde repousar. Evoco o sol dos mortos. É a pura luz de Dionísio, o grande sol dos iniciados. Pelos vossos sofrimentos no passado, pelo esforço que vos trouxe até aqui, sereis vencedores. Se acreditais nas palavras divinas, já sois vencedores. Depois do longo circuito de existências tenebrosas, saireis afinal do círculo doloroso das gerações, e ver-vos-ei como um só corpo, como uma só alma, na luz de Dionísio.

A chispa divina que nos guia está em nós! Torna-se luzeiro no templo, estrela no céu. Assim cresce a luz da verdade. Ouvi a vibração da lira de sete cordas, a lira de Deus: ela move os mundos. Ouvi, e que o som vos atravesse. E as profundezas dos céus se abrirão.

Socorro aos fracos, consolo aos sofredores, esperança a todos. Mas desgraça aos maus, aos profanos. Eles serão confundidos. No êxtase dos Mistérios, cada um vê até ao fundo a alma do outro. Ali os maus são feridos pelo terror, os profanos pela morte. E agora que Dionísio luziu sobre vós, eu invoco Eros celeste, todo-poderoso. Esteja convosco nos vossos amores, nas vossas lágrimas, nas vossas alegrias. Amai! Tudo Amai! Amai a luz, não as trevas. Durante a viagem, lembrai-vos do fim. As almas mostram no seu corpo sideral todos os pecados cometidos na existência como se fossem manchas horríveis. Para limpar essas manchas, elas têm de voltar à terra. Os puros, os fortes, vão para o sol de Dionísio. Agora entoai - Evoé.

Este discurso foi retirado do livro Os Grandes Iniciados de Edouar Schuré, onde aprendi esta linda história que tem por nome a Festa dionisíaca no vale do Tempe.
A minha partilha vem no sentido de vos oferecer a possibilidade de verem neste deus grego algo mais do que o mero deus do vinho, das festas libertinas, mas sim o deus que inspirava à verdadeira libertação. Se quiserem aprofundar o tema posso aconselhar aos mais audazes a obra O Nascimento da Tragédia de Friedrich Nietzsche.

Num dia de São Valentim, São Cirilo, São Metódio e de Cassiel, Regente da Energia de Saturno
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