domingo, junho 20, 2010

Limpando o Karma com a Justiça


A Sacerdotisa começou a busca da nova Representante da Deusa perante a Comunidade. Porém, a tarefa verificou-se mais difícil do que ela esperava.
A primeira candidata revelou-se ser demasiado materialista para a tarefa. A sua união com o Divino, o seu canal especial estava entupido por desejos de matérias. A segunda era o oposto, ela acreditava ser a encarnação da Deusa! Parecia que o equilíbrio entre estas duas era mais árduo do que previsto.
Com estas dificuldade, Isis deu por si a pensar se estaria a agir cedo demais. Uma semente lançada à Terra antes das sementeiras é um desperdício. Será que a sua saída da comunidade sem ter preparado antes uma candidata conveniente, não seria também uma atitude estéril?
Optou por sair da sua cabana. Lá fora as candidatas continuavam reunidas à espera da sua vez para prestar provas. A reverência foi total, assim que identificaram os tons azuis da Alta-Sacerdotisa. Isis sentiu a energia da adoração como há muito não sentia. E nesse instante, uma das mulheres vestidas de branco lança-se a ela!
A violência do gesto foi tão forte que a poeira do lugar dançou no ar, enquanto a noviça tentava esfaquear a Sacerdotisa. 
Isis mal precisou de se defender pois as mulheres que estavam à sua volta lançaram em sua ajuda. Rapidamente conseguiram desarmá-la e aprisioná-la. Isis, ainda sem assimilar o impacto da acção, lança-se sobre ela e mira-a profundamente na alma, através do olhos. Era incrível o rancor que aquela alma emanava para com ela. Parecia um rancor alimentado durante séculos.
Num leve acenar da mão mandou que a libertassem. A decisão encontrou a população surpresa. Ninguém conseguia compreender bem aquela decisão. Mandava ela libertar alguém que a tentara matar?!? O espanto era geral. Isis num tom neutro e equilibrado, virando a cabeça e falando sobre o ombro direito, esclarece:
«Ela nada mais fez que me mostrar o efeito da minha decisão. Fui imprudente julgando que a Sacerdotisa poderia abandonar a sua posição e perseguir um sonho. Enquanto a Deusa não manifestar a próxima Sacerdotisa, permanecerei aqui. O crime dessa pobre mulher foi única e exclusivamente ter servido aos Deuses para me darem uma mensagem. Libertem-na e que ela siga em paz.»
«Quererão os Deuses que aquela que faz a ponte entre o Divino e a Comunidade se sinta miserável na sua função? Minha Sacerdotisa, não pretendo ser arrogante ou falar de um assunto que não me pertence, mas o meu Amor por ti impele-me a fazê-lo. Vejo tristeza na tua alma, apesar da tua voz estar tranquila. Bem sei que representarás o teu papel, mas não deverá este ser mais do que isso?»
Um dos Druidas mais velhos, que assistia à cena há algum tempo, começou a ordenar a dispersão e a resposta à noviça ficou por ser dada. Isis ficou aliviada que assim tivesse acontecido, pois mais uma vez se sentia perdida, entre aquilo que eram os seus deveres e os seus desejos. Precisava consultar o Sumo Sacerdote, só ele poderia tomar uma decisão.


Assim terminou a semana da Justiça, onde o Karma foi colhido e limpo. Onde as acções tiveram o espelho imediato das suas consequências. A Sacerdotisa viu a sua vida ameaçada, mas compreendeu que era apenas um efeito das suas escolhas. E nós? Conseguimos compreender isso a tempo? 

Na terceira hora de Vénus do dia de Sol, S.  Silvério, S. Macário, S. Bernardo de Claraval
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