domingo, agosto 31, 2008

Melodia da Semana XVII

Continuo com uma vontade enorme de regressar ao passado e, por isso mesmo, para esta semana escolho uma das bandas que fizeram parte do meu passado, The Cure.
Além deste desejo tenho ainda algumas situações que se repetem, apesar de nada neste Universo acontecer de forma igual duas vezes, a essência é a mesma, portanto há reflexões a serem feitas, ilações a serem retiradas e aprendizagens a serem assimiladas. Será uma semana intensa, pelo menos assim o espero.
A música será Caterpillar Girl do álbum The Top, pois mais uma vez estou em fases de mudança. Com esta melodia espero lembrar durante toda a semana que até a mais linda borboleta vem de uma lagarta gorda e aparentemente feia, que as mudanças necessitam de tempo e que é preciso confiar no processo natural da vida. Caterpillar Girl, que seja então!


Num dia de Sol e de Miguel, de São Raimundo Nonato e de São Gaudêncio

sábado, agosto 30, 2008

Mercúrio e Vénus em Balança

Estamos num período bastante interessante a nível social com Mercúrio, o planeta das comunicações e dos negócios, e a nível pessoal com Vénus, o planeta do Amor e da Beleza, a permanecer em Balança, o signo do equilíbrio, da diplomacia e da justiça. Mercúrio permanecerá neste signo até 4 de Novembro e Vénus ate 23 de Setembro.

Neste período poderemos encontrar nas pessoas a vontade sincera de ultrapassar dificuldades, de resolver situações passadas através da Verdade e da Honestidade. Vamos sentir um desejo por trazer harmonia aos pontos divergentes das nossas relações, na verdade, este será um período em que todos teremos a oportunidade de reduzir o volume da nossa voz individual para podermos ouvir o que os outros têm para dizer. Mercúrio dar-se-á bem com Balança uma vez que este signo pertence ao elemento Ar, cujo planeta dominante é mercúrio, por isso poderemos de facto aproveitar imenso desta conjuntura. Será uma boa altura para expor as nossas opiniões, os nossos desejos mais íntimos, mas sem dramatizações, sem exigências e, acima de tudo, sem exageros. Balança é um signo que nos poderá trazer ponderação, diplomacia, equilíbrio e justeza, qualidades que ao serem aplicadas nos pontos fulcrais desta conjuntura poderão ajudar-nos imenso no caminho da reintegração. Qualquer mudança que desejemos, realizada sob a influência desta conjuntura, será executada sem qualquer conflito. O que é de aproveitar.

Já Vénus, que estará num dos seus signos domiciliários, trar-nos-á um sentimento de beleza e de prazer pela arte como raramente teremos oportunidade de vivenciar. Balança com Vénus confere socialmente um desejo por nos rodearmos de beleza, de harmonia e de coisas bonitas que nos possam inspirar no dia-a-dia. Aproveitemos para nos encher de cultura, para ver exposições ou para longos passeios por belas paisagens para nos inspirarmos para as nossas próprias criações.
Contudo, devemos ter cuidado com um aspecto, esta conjuntura vai aumentar o nosso desejo pelo Amor, e todos nós sabemos como é deliciosos e viciante estar apaixonado, por isso, é melhor ter em mente que nas relações pessoais poderemos estar a criar condições de dependência sem nos apercebermos. Fiquemos atentos aos motivos pelos quais estamos com determinadas pessoas, que sentimentos verdadeiros estão por debaixo das relações, talvez nos apercebamos que há coisas que precisam de mudar, se não quisermos cometer os mesmos erros do passado.

Seja como for, esta é uma altura para aproveitar e deixar sair todo o nosso Amor, mostrarmos um pouco do nosso Templo Interior aos outros e partilhar com eles a nossa essência, sob a influência de Balança nada correrá mal, pois haverá equilíbrio entre o mental e o emocional.

Num dia de Saturno e de Cassiel, do Sagrado Coração de Maria e de Santa Rosa de Lima

sexta-feira, agosto 29, 2008

Oração para benzer a casa

Lembrei-me hoje de partilhar a oração que podem utilizar durante a limpeza da casa, é a que eu utilizo e com a que melhor me tenho sentido. Esta reza foi retirada do livro Tissanas, Mezinhas e Benzeduras de Lubélia Medeiros. O livro contém uma recolha de orações e de benzeduras populares muito interessantes, para alguém como eu que não teve tempo de aprender tudo com a avó, torna-se num compêndio muito rico. Além disso, e como o título indica, contém receitas de chás e de pomadas caseiras que podemos utilizar na cura de determinadas doenças.
Fica aqui então a benzedura para quando estamos a defumar a casa com alecrim e arruda, ou com outras ervas com que nos sintamos bem:


Em louvor do Santíssimo Sacramento do altar,
Esta minha casa eu estou a defumar,
Para que todos os espíritos maus,
Inveja, praga, mau-olhado
E artes diabólicas se hão-de afastar.
E a paz de Jesus nos venha abençoar.
(abrir a porta da rua e dizer três vezes)
Em louvor de São Bento
Sai o mal para fora que entre o Bem para dentro.
Num dia de Vénus e de Anael, de Santa Sabina e de São António de Rivoli

quinta-feira, agosto 28, 2008

Santo Agostinho

Sobre este Santo que se celebra hoje o seu dia de falecimento, apetece-me partilhar o seguinte. Conta-se que certo dia, já depois da sua conversão ao catolicismo, Agostinho andava a passear numa praia e enquanto rezava e se perdia na imensidão do ceú e do mar, uma a uma as eternas perguntas sem respostas invadiam a sua mente. Fazendo largos raciocínios sobre possíveis respostas para descobrir a Verdade Oculta, olhou para baixo e viu uma criança. A criança vinha do mar com água numa concha e colocava-a num buraco na areia. O Santo perguntou-lhe o que estava a fazer e a criança respondeu:
- Estou a tentar colocar toda a água do mar neste buraco.
O Santo compreendeu que era uma resposta às suas preces, Deus estava a falar consigo.

Esta história é-me importante e mais uma vez consigo retirar da vida de um Irmão um ensinamento valioso, não me importa qual a sua religião, importa-me sim qual a sua conduta, que valores o fizeram seguir e tornar-se num bom exemplo de fé e coragem. Santo Agostinho para mim tem muito para ensinar nos seus imensos escritos profundamente influenciados pelo pensamento filosófico.

Deixo ainda algumas frases deste fabuloso pensador que considero interessantes para se reflectir, meditar, orar...

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu fora. Estavas comigo e não eu contigo. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.

Que eu te conheça, ó conhecedor meu! Que eu também te conheça como sou conhecido! Tu, ó força de minha alma, entra dentro dela, ajusta-a a ti, para a teres e possuíres sem mancha nem ruga.

Tens o que oferecer. Não examines o rebanho, não apresentes navios e não atravesses as mais longínquas regiões em busca de perfumes. Procura em teu coração aquilo que Deus gosta.

E uma das melhores:

Eu peço: amai comigo, correi crendo comigo, desejemos a pátria celeste, suspiremos pela pátria do alto, sintamo-nos como peregrinos aqui.

Num dia de Júpiter e de Saquiel

quarta-feira, agosto 27, 2008

Denúncia

Acuso-te, Destino!
A própria abelha às vezes se alimenta
Do mel que fabricou…
E eu leio o que escrevi
Como um notário um testamento alheio.
Esvazio o coração, cuido que me exprimi,
E vou a olhar o poço, e ele continua cheio!

Acuso-te e protesto.
É manifesto
Que existe malvadez ou má vontade!
Com a mais humilíssima humildade,
Requeiro, peço, imploro…
Mas trago às costas esta maldição
De sofrer com razão ou sem razão,
E de não ter alívio nas lágrimas que choro!

Miguel Torga

Depois da viagem pelo Norte Português senti uma enorme vontade de relembrar este autor, que tão bem sabe descrever o nosso país e a nossa cultura. Este poema é escolhido pelo seu significado tão intenso e reflexo de mim.

Num dia de Mercúrio e de Rafael, de Santa Mónica e de São Rufo

terça-feira, agosto 26, 2008

Como saber quando é preciso fazer uma limpeza à casa?

A pedido de um dos leitores venho partilhar aquilo que sei sobre como podemos saber se a nossa casa está a precisar ou não de uma limpeza espiritual. Como já me conhecem, sabem que não é possível dar uma resposta simples e vou divagar um pouco sobre o assunto, aliás por que eu própria preciso de reflectir melhor sobre isto. Desde já um obrigada pelo despertar que me proporcionou esta pergunta.

Eu costumo fazer, como já referi, uma vez por mês no sentido de evitar essa dúvida de saber quando é que devemos ou não fazer uma limpeza. Mas se reflectirmos um pouco vamos chegar a uma conclusão simples, a energia é como a sujidade, entra todos os dias em nossa casa connosco. Todos os dias arrumamos as coisas à nossa volta, aspiramos a cozinha, fazemos a cama, limpamos o pó e aspiramos a casa pelo menos uma vez por semana, porque razão não fazemos o mesmo com a energia? Eu sei, torna-se demasiado exigente fazer tudo e há sempre algo que fica para depois. Mas ... e se conseguíssemos juntar as duas e fazê-las ao mesmo tempo? Acho que vou começar a fazer isso, sempre que limpar a sujidade vou-me relembrar que não é só pó e lixo, mas também más energias que deito fora. Obrigada!

Ao longo deste meu percurso tenho percebido que a energia da casa é um dos aspectos mais importantes na nossa vida, a nossa casa é o nosso santuário, é nele que encontramos o refúgio, a paz, a harmonia necessárias para no dia seguinte continuar a Batalha. É nele que o nosso Anjo Guardião permanece, é nele que nos confessamos e é nele que amamos aquela pessoa especial. É nele que rimos, choramos, falamos com os amigos e bebemos os problemas. É nele que fazemos tudo!!! Tudo!!!

Como poderemos então saber se esse santuário está contaminado, foi a pergunta que me foi feita.
Primeiro analisando as nossas reacções dentro de casa, sentimo-nos bem ou mal? Há muitas zangas? Os convidados gostam de permanecer em nossa casa? As plantas ou os animais, que por vezes são mais sensíveis do que nós, revelam comportamentos diferentes do habitual? As plantas morrem apesar de terem o mesmo cuidado de sempre? Todos estes sinais são indicadores da movimentação da energia na nossa casa e ajudam-nos a ler essa energia que por vezes se torna tão difícil de compreender. Se tudo corre bem, não será necessário, mas se as coisas não estiverem muito bem, é sempre bom uma limpeza.

Se formos mais aventureiros podemos também utilizar o pêndulo para nos dar a informação que necessitamos. Escrevemos num papel a pergunta «A minha casa precisa de uma limpeza espiritual?» e esperamos que o pêndulo responda. Depois pode-se ir ainda mais longe e perguntar sobre a energia em cada divisão para saber se há mudanças que devemos ou não fazer em determinado lugar, perguntar se fulano ou beltrano deixou más energias em nossa casa, enfim, não há limites para o pêndulo. Correcção: há apenas um, as perguntas só podem ser feitas de forma a receber uma resposta - Sim/Não/ Talvez.

Mas, podemos ir ainda mais longe e tentar ficar na mesma sintonia que a casa e esperar que seja ela a responder, dito assim parece ridículo, mas não é. Passo a explicar melhor: eu gosto de andar por casa de olhos meio cerrados, depois de me ter sintonizado com a energia divina, ou seja, visualizando um tubo de luz a descer do Universo e um a subir do centro da Terra, a procurar qual o lugar da minha casa que precisa de atenção. Coloco a mão direita à frente e faço entrar em mim a energia da casa, sinto-a no meu coração e faço-a sair pela mão esquerda de volta à casa. Nas primeiras vezes, não acontece muita coisa, mas estamos a sintonizarmo-nos com a energia que habita a nossa casa, mas com a prática, começamos a receber respostas interessantes.Apesar de existir tanta técnica, acho que o melhor é prevenir as situações e para tal há uma quantidade de pequenas coisas que podemos fazer no dia-a-dia que nos ajudam a manter o nosso Lar em paz e limpo de energias negativas para nós.

Quando entramos em casa limpamos os pés, certo? E que tal ao fazê-lo visualizar toda a energia que não lhe é benéfica, ou às restantes pessoas que habitam a casa, a sair pelos seus pés, a ser varrida no tapete? Claro, isto para mim é possível, porque tenho à porta de casa uma fogueira energética onde arde todo o mal que dele se aproxime, essa fogueira é criada e reforçada no ritual de limpeza da casa mensalmente. Mas podemos visualizar a energia que sai dos nossos pés a entrar num saco do lixo e no fim a subir para o sol, onde será consumido e transformado, alguma coisa temos de fazer senão é uma energia negativa que fica à porta à nossa espera para o dia seguinte. Quando limpo a casa visualizo novamente a energia negativa a desaparecer, acendo uma vela diariamente para o meu Guardião, apenas 5 minutos quando chego a casa, de forma a agradecer a sua protecção, quando me zango dentro de casa, depois de tudo voltar ao normal, vou aspergir os cantos da casa com água consagrada, enfim, há uma quantidade de rotinas que nos ajudam a manter durante mais tempo a harmonia.

Depois, não acumular coisas que não usamos, por exemplo, é também importante pois é uma energia que está estagnada, ter coisas estragadas ou por arranjar, projectos por acabar, tudo isso são acumulações de energia que não está a ser utilizada e por isso torna-se agressiva para nós. Todos os meses é aconselhável fazer uma limpeza aos armários e livrar-se de tudo o que já não usa ou não precisa.Existe ainda uma técnica, que me foi transmitida, muito simples. Colocando numa taça de vidro transparente redonda um punhado de sal com vinagre de vinho branco durante 13 dias essa mistura deve permanecer dentro da nossa casa e ficar intacta, se houver mudanças é sinal de que a casa precisa de ser limpa. Esta técnica é interessante pois com ela podemos constatar coisas diferentes, mas por vezes considero-a difícil de compreender, pois já me aconteceu sentir que está tudo mal em casa e o sal não ter mutações, ou vice-versa. Por isso faço também as minhas técnicas.

A partilha está feita, agora é a vossa vez de experimentar e ver qual das técnicas melhor se adequa a vós e à vossa casa. Estejam sempre à vontade para colocar questões, enquanto for possível responderei, senão for, direi honestamente que não sei.


Num dia de Marte e de Samael, de São Zeferino e de São Liberato

segunda-feira, agosto 25, 2008

A Criança Interior

Não posso deixar esta oportunidade passar, tenho hoje de falar num dos melhores realizadores actuais - Guillermo del Toro, que, como alguém disse, é um dos poucos realizadores que mantém uma inocência e uma ingenuidade puras e nos transmite isso em cada obra. Esta partilha surge devido ao filme Hellboy 2 - O Exército Dourado.

Guillermo del Toro já nos provou, por várias vezes até, ter um mundo interior vasto, onde a fantasia, o horror, o sonho e a magia se combinam numa simbiose perfeita, originando sempre obras diferentes, irreverentes e pungentes, como são exemplo Cronos (1993), Mimic (1997), Nas Costas do Diabo (2001), Blade II (2002), Hellboy (2004) e O Labirinto do Fauno (2006), não nos podemos esquecer também que é este grande artista e visionário que está a cargo da adaptação para cinema de mais um grande livro do mestre Tolkien - O Hobbit.
Muito já foi dito sobre as características deste realizador, mas, e para fundamentar a sua presença neste blog, é preciso demonstrar até onde vai del Toro na sua visão interior sobre a importância de mantermos intactas as nossas crianças interiores, sobre a força que uma criança pode ter e sobre a importância vital que isso pode representar na salvação do nosso Mundo.
As crianças são parte integrante de quase todas as obras do artista, pelo menos da suas mais pessoais, Nas costas do Diabo e em O Labirinto do Fauno, temos como personagens centrais as crianças num ambiente de guerra, onde a sua inocência e pureza é sempre colocada em contrapartida com a crueldade e frieza da guerra e o maniqueísmo dos adultos. Del Toro não quer saber das guerras, o seu interesse é mostrar como as crianças conseguem ver e permanecer num mundo fantástico enquanto os adultos apenas vêem o que os rodeia e por isso lutam pela conquista de território, de poder e de tudo, se ao menos eles pudessem ver o que viam em crianças talvez ai soubessem que isto não é importante.
Esta premissa é mais desenvolvida neste seu recente filme, Hellboy II, aqui é-nos contada uma história dos tempos antigos, naqueles tempos em que o Homem ainda sabia da existência de elfos, gnomos e fadas, onde viviam em harmonia até este começar a sentir desejos insaciáveis de poder. As guerras começaram e isso levou à divisão de territórios, ficando o fantástico confinado ao submundo e o Homem à superfície para poder expandir os seus desejos. A visão que del Toro nos dá dos Homens não é das mais bonitas, aliás como sempre, mas não deixa de ser bastante acertada, exagerada talvez mas muito verdadeira. Nós parecemos nunca estar satisfeitos com nada, se conquistamos isto, a seguir vamos querer aquilo, parece de facto que o nosso coração nunca está completo, que há sempre espaço vazio que necessita ser preenchido a todo o custo. Para mim a resposta é simples, não percebemos que as coisas têm a importância que lhes damos, que todos os dias vencemos batalhas enormes contra nós próprios e que todos os dias alcançamos mais um pedaço da nossa obscuridade, mas isso, como ninguém sabe e não vê, não tem interesse. Que a fonte de satisfação está dentro e nunca no exterior, o Amor Incondicional por tudo e todos é fonte suficiente para preencher o vazio, eu sei o por experiência própria.

Mas voltando às crianças, estas simbolizam nas suas obras exactamente essa vertente, a despreocupação, a fé, a força de acreditar num mundo melhor, que hoje parece estar cada vez mais difícil de conseguir, todos se queixam e criticam aumentando esta corrente mundial de pessimismo. Del Toro, através de um simples plano mostra-nos como é ambíguo viver as nossas crenças, como a cada segundo temos de realizar escolhas que influenciarão o nosso futuro e o dos outros, em pé num néon de hotel, com uma criança no braço direito e uma arma no braço esquerdo, Hellboy vê-se confrontado com a escolha difícil: destruir um último Elemental e com ele toda a esperança de um mundo de fantasia ou perpetuar a destruição dando continuidade a este Homem que parece não saber para onde vai. São estas as escolhas que todos os dias fazemos, destruir a nossa parte interior fantástica ficando cada vez mais adulto de acordo com os padrões da sociedade actual ou dizer não e deixar de ser como todos os outros e fazer aquilo que realmente temos vontade de fazer. Porque nos permitimos diariamente matar mais um pouco da nossa inocência, da nossa pureza, porque deixamos que os amargos dos outros nos poluam a nós? Temos de ter mais consciência no dia-a-dia dessas pequenas escolhas para não nos deixarmos ser influenciados pelo exterior na nossa escolha, Hellboy funciona ao instinto, nós temos de descobrir como melhor funcionamos.

Chegámos ao ponto em que temos de falar da personagem Hellboy e do que ela representa. Filho supremo do Diabo, criado para destruir o mundo, esta criatura foi educada por um humano que o criou exactamente como se fosse uma criança normal como todas as outras, dando a Hellboy esse sentimento de que é como todos os outros, mas infelizmente a sua aparência não o deixa ser como todos os outros, ele é um demónio vermelho e por muito que por dentro seja como os humanos, por fora não é nem nunca será. E para nós isso é tudo o que conta, por muito que queiramos o contrário, a aparência continua a ser muito importante.
Hellboy representa o filho de Deus expulso do Éden, tentado pelo demónio e que tem como única missão destruir este planeta tão belo onde vivemos. Hellboy somos nós, cada um de nós, que dentro de si sabe de onde veio, mas que necessita por demais de sentir que pertence aqui, pois o seu coração tem um vazio que nunca se preencherá a não ser pela religação com o divino, que se torna em algo abstracto ao invés de ser algo real que existe. À medida que vamos crescendo e deixando de ouvir histórias para dormir, referido de forma belíssima no filme, vamos começando a desligar-nos desse mundo fantástico e começando a acreditar cada vez mais neste mundo real dos sentidos e assim o nosso vazio começa a crescer. Começamos a sentirmo-nos cada vez mais desligados da nossa essência e o vazio aumenta e assim sucessivamente, até que um dia acordamos numa vida disfuncional, com um casamento falhado, filhos infelizes, trabalho frustrado, amigos superficiais e pensamos naquilo que nos tornámos. Neste ponto ou temos ainda a criança interior inteira e conseguimos recuperar tudo ou a violação foi demasiada e ela não tem força suficiente para lutar, o que as personagens Johann Krauss e Manning representam muito bem.
Por último temos a representação do Amor por outro como o ponto de equilíbrio necessário para a nossa personalidade. Hellboy e Liz Sherman são o par ideal, ele é a força bruta da Terra e ela do Fogo. Neste episódio temos o amor muito presente, mas mais uma vez del Toro mostra-nos amores pouco conseguidos, martirizados ou impossíveis. A iconização do amor, depois da história de Jesus Cristo que morreu por amor, ficou completamente influenciada e para temos um amor romântico, puro, verdadeiro alguém tem de morrer. Mas sobre isto falarei outro dia.

É assim, que através de um simples filme, podemos conseguir tirar a maior lição de vida, Guillermo del Toro tem vindo a alertar-nos para isto e desta vez fá-lo com mais veemência, não deixem que a vossa criança interior morra, não deixem que as nossas futuras crianças deixem de ser crianças, vamos preservar o mundo fantástico pois ele é real, verdadeiro e basta que nele acreditemos para que tudo seja revelado.
Para terminar esta partilha longa ainda desejo deixar um poema de Miguel Torga, algo que creio rematar o meu ponto de vista de forma pungente.

Pedagogia

Brinca enquanto souberes!
Tudo o que é bom e belo
Se desaprende…
A vida compra e vende
A perdição,
Alheado e feliz,
Brinca no mundo da imaginação,
Que nenhum outro mundo contradiz!

Brinca instintivamente
Como um bicho!
Fura os olhos do tempo,
E à volta do seu pasmo alvar
De cabra-cega tonta,
A saltar e a correr,
Desafronta
O adulto que hás-de ser!

Miguel Torga

Num dia de Lua e de Gabriel, de São Luís de França e de São Gelásio

domingo, agosto 24, 2008

Melodia da Semana XVI

Beautiful Freak do álbum homónimo de Eels é a música que escolho para esta última semana do mês de Agosto. Depois de uma semana muito intensa, onde houve tempo para fazer de tudo um pouco, em que as baterias foram completamente recarregadas pelo contacto directo com o Natural e a Beleza do nosso país, onde se tentaram adivinhar os símbolos escondidos em séculos de tradições, eis que estamos de volta. Com algum tempo ainda para gastar em cultura e em diversão, a escolha recai nesta música por razões óbvias e pessoais.
É bom, de vez em quando, lembrar as origens, relembrar quem somos no fundo, lembrar a história e saber que no fundo somos mais do que isto tudo que tentamos manter durante o dia-a-dia. Esta música lembra-me precisamente tudo isso.
Foi bom ouvi-la em Hellboy II - O Exército Dourado, mais uma obra-prima de Guillermo del Toro depois do mágico e fabuloso O Labirinto do Fauno, onde não se podia enquadrar melhor.

Boa semana para todos!

Num dia de Sol, de Miguel e de São Bartolomeu

sábado, agosto 23, 2008

Simples!

Só há um milagre no mundo: o do renascer da divisão para a totalidade.

Fausset

Num dia de Saturno e de Cassiel, de São Liberato e de Santa Rosa de Lima

sexta-feira, agosto 22, 2008

Ritual para recuperar a saúde

Quem de nós não tem alguém próximo a si que está mal de saúde? Quem não conhece alguém que precise de um empurrãozinho nesta área da saúde? De certo que todos, até nós, em determinado momento precisamos de uma ajudinha na saúde. Como tudo na vida deve ser remediado, eu por exemplo tenho tido uns Invernos muito febris, para ver se evito isso este Verão predispus-me a ir para a praia e perder o meu tempo a ver se ganho algum de maior qualidade no Inverno, todos temos, em determinada altura, de dar atenção ao corpo.
Nas minhas pesquisas encontrei este ritual de tradição egípcia que me pareceu poder responder a algumas preces mais urgentes e de menor gravidade, algo que facilmente poderemos fazer em casa. Este ritual pode ser apenas encarado como uma oração, seja de que forma for, o importante é o pedido e a nossa intenção e atenção com que o fazemos. Pode ainda ser utilizado para simplesmente ajudar na recuperação de alguém após uma intervenção médica.

Materiais necessários: 1 vela azul-claro; incenso de rosa em pó e 1 pastilha de carvão.

1 – Encerramento do Círculo Mágico.
2 – Ritual de Abertura.
3 - Ritual:

Acender a vela azul e queimar o incenso no carvão. Concentrar-se na pessoa que está doente e repetir este encantamento 3 vezes em voz alta e firme:

Eu te invoco Isis,
Deusa da compaixão,
Para que tu libertes … (nome da pessoa doente),
Do mal de que sofre,
Atherneklesia, Athernebouni, Labisachthi,
Chomochoochi Isi Souse Mounte Tintoreo
Iobast Bastai Ribat Chribat Oeresibat,
Que o teu amor e a tua compaixão estejam com …(nome da pessoa doente).
Agradeça à deusa.

4 – Ritual de Encerramento.
5 – Abertura do Círculo Mágico.

Num dia de Vénus, de Anael e da Virgem Santa Rainha

quinta-feira, agosto 21, 2008

Descarregar a energia

Terminámos as técnicas básicas que um mago deve ter dominado para melhor controlar os seus rituais e mais facilmente atingir os seus objectivos.
Contudo apercebo-me agora que não indiquei uma das mais importantes, aquela por onde devia ter começado, a descarga do excesso de energia.
É de extrema importância que o mago saiba que por muito bem direccionada que esteja a sua energia, principalmente quando é invocada para um fim específico, há sempre alguma que fica. Essa energia que fica a mais se ficar dentro do mago pode provar alguns problemas pois todos nós temos uma capacidade limite para a energia estar em equilíbrio e o excesso pode também ser prejudicial. Mas não é só se a energia ficar no mago que pode provocar problemas, recentemente compreendi que até mesmo no nosso espaço sagrado a energia pode ficar em excesso e começar a criar um espaço com demasiado energia, onde corpos mais densos se sintam mal. Para este exemplo um simples cristal basta, colocando um cristal ou uma pedra preciosa qualquer, a energia em excesso, aquela que não é enviada para o objectivo, pode ser captada.
Porém, eu prefiro utilizar a mesma técnica para as duas situações, deixando o cristal para captar a restante da minha própria operação. Quando termino os rituais, depois de abrir o círculo e enviar a energia para o centro do universo de onde a invoquei, visualizo o espaço e a energia que há em mim, se sentir que estão em excesso, centralizo-a e colocando as mãos no chão, envio-a para o centro da Terra, para ajudar a sarar as suas muitas feridas, claro, salvaguardando se assim ela quiser, pois não nos podemos esquecer que também ela é uma entidade viva e que deve ser respeitada sempre!

Num dia de Júpiter e de Saquiel, de São Anastácio e de Santa Joana Francisca de Chantal

quarta-feira, agosto 20, 2008

Transfiguração

A música da semana, a paisagem e a poesia fizeram-me lembrar este poema de Miguel Torga:

Tens agora outro rosto, outra beleza:
Um rosto que é preciso imaginar,
E uma beleza mais furtiva ainda...
Assim te modelaram caprichosas,
Mãos irreais que tornam irreal
O barro que nos foge da retina.
Barro que em ti passou de luz carnal
A bruma feminina...

Mas nesse novo encanto
Te conjuro
Que permaneças.
Distante e preservada na distância.
Olímpica recusa, disfarçada
De terrena promessa
Feita aos olhos tentados e descrentes.
Nenhum mito regressa....
Todas as deusas são mulheres ausentes.

Num dia de Mercúrio e de Rafael, de São Bernardo e de São Leovegildo

terça-feira, agosto 19, 2008

Alterar a consciência

Apesar de estar de férias, não consigo deixar de fazer partilhas, por isso, cá estou todos os dias com algo para partilhar. Quando regressar de férias, verei qual foi a minha sintonia no momento em que agendei estas partilhas.
Hoje, regressemos às técnicas básicas necessárias para realizar magia. Já falei sobre a visualização, a importância de centralizar e equilibrar os nossos centros, a invocação e o envio de poder mágico e de como carregar e conferir poder a um objecto. Hoje falarei sobre como podemos alterar a consciência e qual a sua importância no caminho da magia.
Todos nós, durante o dia, vamos experienciando vários estados de consciência, quer nos apercebamos disso ou não. Por exemplo, quando estamos a conduzir quantas vezes entramos em estado alfa? Principalmente quando estamos a pensar nos problemas do dia-a-dia? Este exemplo serve para demonstrar que afinal não é assim tão difícil alterar a nossa consciência como poderíamos pensar à partida.
Podemos encontrar quatro estados: o beta – o estado normal, aquele que temos durante uma conversa; o alfa – aquele que utilizamos numa meditação ligeira, quando nos concentramos nos nossos devaneios (conduzir, lavar os dentes pela manhã, ouvir uma música…), numa meditação conduzida, quando estamos sonolentos; o teta – meditação profunda, sono médio ou profundo, meditação conduzida complexa e o estado delta – que se revela num sono muito profundo ou quando estamos em coma.
Para os nossos objectivos precisamos de utilizar apenas o estado alfa ou o teta.
A importância deste estado é simples, pois alterar a consciência nada mais é do que estar num corpo relaxado mas num estado receptivo onde a mente está alerta e receptiva a todas as energias subtis, é conseguir alcançar áreas sensíveis jamais alcançadas em estado acordado/consciente.
A forma mais fácil de conseguir atingir este estado é praticar todos os dias a meditação. Criar um espaço e um horário podem ajudar em muito a atingir o nosso objectivo, pois somos um animal de hábitos e o nosso subconsciente reage melhor quando associa determinados objectos, gestos, cores, cheiros, sons, a um determinado objectivo. Digamos que se tiverem um lugar sagrado para realizar a vossa meditação e fizerem sempre o mesmo ritual de início e de fim, a vossa mente estará mais rapidamente pronta para reagir ao que pretendem. Por experiência própria, juntei a este ritual um gesto, que só utilizo quando medito, assim, mesmo que não esteja no meu espaço, nem no meu horário, o meu subconsciente acorda mais facilmente para o meu objectivo.
Como sempre não há receitas melhores ou piores, o importante é experimentar, se não se gostar na próxima acrescenta-se um ingrediente ou retira-se, mas tem de se experimentar para saber qual a que funciona melhor com cada um.

Num dia de Marte e de Samael, de São João Eudes e de São Luís Beltrão

segunda-feira, agosto 18, 2008

Os 4 Evangelistas

O Boi representa a Terra, é o signo Touro, a estabilidade, a paciência, a perseverança e a substância pura. Está ligado a São Lucas, porque o Evangelho de Lucas enfatizou o trabalho de Cristo na Terra.

O Leão representa o Fogo, é o signo Leão, a criação, o espírito encarnado e a ressurreição. Está ligado a São Marcos.

O Anjo representa o Ar, é o signo Aquário, a relação ideal, a busca da verdade, a fraternidade universal e a interação entre o conhecimento perfeito e a perfeita forma. Está ligado a São Mateus, e aparece em forma humana porque São Mateus pôs em destaque a genealogia de Cristo.

Águia representa a Água , é o signo Escorpião. Representa o poder emocional, a morte e a regeneração. Está ligada a São João, visto que o seu interesse especial eram a inspiração e a natureza divina de Cristo.

Num dia de Lua e de Gabriel, de São Lauro e de São Agapito

domingo, agosto 17, 2008

Melodia da Semana XV

Para esta semana escolho uma música roadtrip para me acompanhar na longa viagem que vou fazer. De malas prontas partimos esta semana para uma aventura a dois, pela Natureza, pelos montes, rios, vales, montanhas e estradas portuguesas.
Stufjan Stevens e o seu álbum Seven Swans são, então, a escolha da semana. Este artista tem uma voz particular e com a sua viola compõe melodias muito relaxantes e introspectivas.


The Transfiguration é a música que escolho para esta semana, espero, cheia de aventuras e transformações.


Uma boa semana para todos!

Num dia de Sol e de Miguel e de São Mamede

sábado, agosto 16, 2008

Ritual da Lua Cheia de Agosto

Este ritual é também chamado por Ritual de Comunhão. É um momento de manifestar respeito e agradecimento para com a Mãe Natureza e o Pai do Universo. Este ano, este ritual para mim tem uma força maior, será realizado num sábado com a lua em Aquário numa hora de Lua, no dia de São Roque. Tenho alguns objectivos determinados com este ritual, algo que o ano passado não aconteceu. Este ritual é muito parecido com o Lammas que acabámos de fazer, contudo, hoje percebo a sua diferença, este existe e foi escolhido com um propósito específico. Fico contente por o ter descoberto, caberá a cada um fazer o mesmo, descobrir o mistério que este simples ritual esconde.
  
1 - Fechar o Círculo Mágico.
2 - Ritual de Abertura
3- Ritual:

Acender a vela do ritual (amarela ou laranja).
Colocar o pão sobre o pentagrama, que deverá estar ao meio do altar e envolvido numa coroa de heras.


Controlar a respiração para activar as Energias. Saudar o Oriente flectindo a cabeça.

Dizer:
Senhor da Luz, neste tempo que não é um tempo, neste espaço que não é um espaço, faz descer as tuas Energias sobre este pão, símbolo da Terra e alimento do Corpo, purificando-o e consagrando-o.

Erguer o pão sobre o altar em ofertório e consagração. Comer um pouco do pão e partilhar o resto se houver assistentes.

Colocar o vinho sobre o pentagrama e dizer:
A vinha frutificou, os frutos fermentaram, o espírito manifestou-se. Que esta transformação se manifeste em nós, abrindo-nos as portas do Conhecimento.

Beber um pouco de vinho que deverá ser partilhado se houver assistentes.
Que a memória do passado se transforme em Energia para o futuro, fazendo a ponte entre o manifestado e não manifestado.
Senhor da Luz, faz com que esta comunhão abra as portas do arquivos do meu passado, para que, em consciência, eu possa preparar o meu futuro, cumprindo e realizando o meu projecto neste plano.
Ajuda-me a percorrer o Bom Caminho e a vencer o Bom Combate.

Após o encerramento do ritual, enterrar no campo os restos do pão e do vinho, juntamente com as flores. A coroa de hera poderá ser utilizada em outros rituais e a vela deverá arder até ao fim.

4 - Ritual de Encerramento.
5 - Abertura do Círculo Mágico.

in, Rituais Antigos para um Mundo Novo – Manual de Magia de José Medeiros

Num dia de Saturno e de Cassiel, de Santo Estêvão da Hungria e de São Roque

sexta-feira, agosto 15, 2008

Defeitos ou Qualidades?!? A verdade é que não interessa...

Durante esta semana andei um pouco ocupada a fazer uma análise introspectiva aos meus defeitos e qualidades. Iniciei este exercício por fazer uma lista de cada um, tendo, obviamente, consciência de que nem um, nem outro são no seu absoluto tão lineares e que em determinadas situações um se pode transformar no outro.
Contudo, neste momento, na altura ainda sem saber bem porquê, senti que precisava de fazer este teste ao meu interior.
Quando terminei a lista...fiquei chocada com a pouca quantidade de defeitos que nela aparecia. Sendo uma pessoa consciente de si própria, pensei imediatamente que o meu Ego estava a impedir-me de aceitar todos os meus defeitos, que de alguma forma eu estava a boicotar a tarefa. Nesse momento pensei nos meus amigos. Lembrei-me que em certas alturas precisamos de ver que imagem transmitimos aos outros para saber quem estamos a ser no momento, quem melhor do que os nossos amigos para nos dizer a verdade?
Assim, escrevi um mail e enviei aos meus amigos pedindo-lhes que me dissessem quais eram os meus maiores defeitos segundo os seus pontos de vista, claro. A tarefa não era fácil e bem sei que nem todos terão a coragem para o fazer, não é fácil aceitar que achamos que os nossos amigos têm defeitos, mas o que parecem não perceber é que mesmo com os maiores defeitos, nós não deixamos de ser seus amigos, certo!
A experiência foi de facto muito interessante, não só consegui ver quem são os meus verdadeiros amigos, pois para mim é importante saber que ao meu lado está uma pessoa que me é capaz de dizer tudo, por muito difícil que seja para mim ouvi-lo. Mas de facto o mais interessante foi ver que afinal eu não estava muito errada na minha análise, que tirando dois ou três defeitos, a grande parte estava lá.
Não obstante, o real interesse desta experiência foi perceber e aceitar os meus defeitos. Compreendi que por vezes podemos ser intransigentes com os erros/defeitos dos outros porque nos negamos aceitar que esses são também os nossos erros/defeitos. Agora que foi trazida luz a uma parte obscura da minha alma, espero conseguir ser mais tolerante com os outros, menos exigente com eles e comigo, pois estamos aqui para evoluir e cada um tem o seu ritmo.
A beleza do Amor é exactamente esta, quando sabemos que aquela pessoa tem defeitos, mas que as suas qualidades superam todo o resto e esta foi a minha aprendizagem da semana, mesmo sabendo que os meus verdadeiros amigos sabem que eu tenho defeitos feios, as minhas qualidades são maiores e eles amam-me na mesma. Contudo, convém não esticar muito a corda e tentar melhorar!!!
Como Sócartes disse:

Uma vida não-susceptível de exame não vale a pena ser vivida.
Foi uma experiência excelente e agradeço a todos aqueles que dispensaram uns minutos do seu tempo precioso, de férias ou trabalho, para responder a esta humilde peregrina em busca do seu auto-aperfeiçoamento. A todos eles um muito obrigada!

Num dia de Vénus, de Anael e da Assunção de Nossa Senhora

quinta-feira, agosto 14, 2008

Apologia à Amizade

A todos os que sobreviveram às tempestades do meu mau feitio, às provas loucas que nos surgiram, às más línguas e aos inimigos, para os sobreviventes aqui fica uma pequena homenagem cheia de reconhecimento da vossa bravura e amor incondicional.
A todos Vós, obrigada por estarem ao meu lado. Amo-vos!!!

Num dia de Júpiter e de Saquiel, de São Eusébio e de Santa Atanásia

quarta-feira, agosto 13, 2008

Helena Blavatsky

O egoísmo pessoal é que excita e estimula o homem a abusar de seus conhecimentos e poderes. O egoísmo é um edifício humano, cujas janelas e portas estão sempre escancaradas para que toda espécie de iniquidades entre na alma humana.

in, Doutrina Secreta
Meditação, abstinência em tudo, observação dos deveres morais, pensamentos agradáveis, boas acções e palavras amáveis, como também a boa vontade com todos e o total esquecimento do Eu, são os meios mais eficazes de obter conhecimento e preparar-se para a recepção da sabedoria superior.
in, Ocultismo Prático

Num dia de Mercúrio e de Rafale, de Santo Hipólito e de São Cassiano

terça-feira, agosto 12, 2008

Ritual de Exorcismo e Protecção

Este ritual é uma excelente alternativa ao Ritual do Exorcismo que encontramos no livro de José Medeiros. Todos os anos, no início do Outono, realizo um ritual de exorcismo, i. e., uma limpeza espiritual para me livrar de todos os aspectos negativos que possam estar presos no meu campo energético e em mim. Esse ritual costuma durar três dias, a alternativa que aqui coloco dura sete dias, ou sete meses, dependendo da escolha pessoal que se faça.
Para mim é essencial realizar anualmente um ritual de exorcismo, normalmente até deveria ser feito sempre que iniciamos algo de novo na nossa vida, deveríamos cortar com o Passado para poder encarar o Presente. Este ritual foi encontrado na Net, mas tem já muitas adaptações realizadas por mim, de forma a fazer mais sentido. Este ritual tem um aspecto interessante que é a preparação que a pessoa tem de fazer no dia antes do ritual, no dia antes de fazer os seus pedidos ela começa a enviar a energia para o Universo com a sua intenção, de protecção e de realização. Achei-o de facto interessante.

Momento adequado: durante 7 sextas-feiras ou 7 luas cheias, pode ser no dia 7 de cada mês durante 7 meses.

Material necessário para cada dia: 9 velas cor-de-rosa e 9 velas azuis; hortelã e alecrim para o banho purificador; 7 pregos; 7 alfinetes; 7 agulhas; arruda moída; alecrim moído; essência de Cravo-da-Índia ou Canela; 3 taças pequenas.

No dia anterior ao Ritual, deverá manter-se num estado calmo e purificante, tentando evitar comidas pesadas e estimulantes. Deverá acender as 3 velas cor-de-rosa e azuis de manhã, à tarde e à noite, só indo dormir quando estiverem apagadas. As velas cor-de-rosa são para o Anjo da Guarda e as azuis para o Divino, para o Pai/Mãe do Universo, mentalize tudo aquilo de que se quer livrar.
Antes do ritual tomar o banho com a hortelã e o alecrim, se não puder ser banho, faça chá.

1 – Encerrar o Círculo Mágico
2 – Abertura
3 – Ritual:
Saudar o Oriente e dizer:

Guardiães da Alquimia Real, Mestres da Magia Universal, abro este Ritual pedindo-vos para levarem deste ambiente, dos meus corpos, dos meus chacras, todo o mal por mim criado ou a mim enviado!

Colocar numa taça os sete pregos e um punhado de arruda moída e dizer:

Santos Feiticeiros, Feiticeiros Santos! Livrai-me das maldades, das invejas, dos quebrantos, dos dissabores, dos desencantos, dos perigos, dos inimigos e, principalmente, dos falsos amigos! Que assim seja!
Colocar noutra taça as sete agulhas e o alecrim moído. Dizer:

Santos Justiceiros! Santos companheiros! Vossos nomes vou pronunciar para que o Universo confirme, revitalize vosso poder. Marcus, Lázaro, Cipriano, Jorge, Catarina, Roque, Bento, Helena! Que eu seja poderosa, iluminada, forte, luminosa! Assim, com vossa ajuda, me defenderei das pedras, dos espinhos, dos perigos visíveis e invisíveis, neste e no outro mundo. Por Amor e Glória do Criador!

Numa terceira taça, colocar os sete alfinetes e as sete gotas de essência de canela e dizer:
Seja desfeito todo o Feitiço, mesmo que ele tenha sido feito no Ar, no Fogo, na Terra, no Mar! Ainda que tenha sido tecido noutro ou neste Plano! Que assim seja!
4 – Encerramento
5 – Abertura do Círculo.

Depois do ritual terminado as taças devem ser seladas e enterradas ou lançadas em água corrente. Quando o fizer reze às Entidades que estiveram presentes consigo no ritual e ao seu Anjo da Guarda para o proteger e permanecer consigo a partir de agora. Durante, pelo menos, sete dias não deverá voltar ao lugar onde colocou as taças.

Num dia de Marte e de Samael, de Santo Herculano e de santa Clara de Assis

segunda-feira, agosto 11, 2008

Oração de Gabriel ou da Energia da Lua

Arcanjo Gabriel, Senhor da Energia da Lua, ajudai-me a dissipar as trevas que ocultam o meu passado, a despertar a minha terceira visão e a ver para além do Plano em que me encontro.
Permite-me que passe a porta que separa o Real do Irreal e encontre nos meus Arquivos Mentais a razão da minha vida.
Dá-me Força e Perseverança para percorrer o Bom Caminho.

Que assim seja!

Arcanjo Gabriel, Consolo de Deus, pelos raios da Lua, invoco a tua hoste divina: estende-me as tuas luzes e faz clara a minha senda. Diante do tropeço, soergue-me e diante da perda das minhas energias, ensina-me o caminho de volta.
Que eu possa outra vez sentir o Amor de Deus, apenas contemplando tudo o que me cerca e assim alimentar-me da Energia Universal; que possas reconduzir-me à corrente nutritiva da Energia da Vida.
Seja eu contigo em sintonia agora e para todo o sempre.

Ámen.

Num dia de Lua e de Gabriel, de São Tibúrcio e de Santa Susana

domingo, agosto 10, 2008

Melodia da Semana XIV

This Mess We're in é a escolha musical para esta semana. Continuando na linha da homenagem ao Amor, coloco esta faixa do álbum Stories from the City, Stories from the Sea de PJ Harvey, num dueto maravilhoso com Thom Yorke, o belo e brilhante vocalista de Radiohead.
Este dueto é magnífico, combinando duas vozes poderosas numa única música, PJ e Thom fazem um casamento alquímico com as suas vozes, permitindo que os ouvintes façam um alinhamento dos seus centros energéticos, se assim o desejarem.

Aproveitem, desfrutem esta sintonia entre dois génios da música actual e de duas vozes dotadas de qualidades inexplicáveis.

Num dia de Sol e de Miguel, de São Lourenço e de Santa Filomena

sábado, agosto 09, 2008

O Passado

A Grande Esfinge do Egipto sonha pôr este papel dentro...
Escrevo - e ela aparece-me através da minha mão transparente
E ao canto do papel erguem-se as pirâmides...

Escrevo - perturbo-me de ver o bico da minha pena
Ser o perfil do rei Quéops...
De repente paro...
Escureceu tudo... Caio por um abismo feito de tempo...
Estou soterrado sob as pirâmides a escrever versos à luz clara deste candeeiro
E todo o Egipto me esmaga de alto através dos traços que faço com a pena...

Ouço a Esfinge rir por dentro
O som da minha pena a correr no papel...
Atravessa o eu não poder vê-la uma mão enorme,
Varre tudo para o canto do tecto que fica por detrás de mim,
E sobre o papel onde escrevo, entre ele e a pena que escreve
Jaz o cadáver do rei Queóps, olhando-me com olhos muito abertos,
E entre os nossos olhares que se cruzam corre o Nilo
E uma alegria de barcos embandeirados erra
Numa diagonal difusa Entre mim e o que eu penso...

Funerais do rei Queóps em ouro velho e Mim!...

Fernando Pessoa, in Chuva Oblíqua

Num dia de Saturno e de Cassiel, de Nossa Senhora da Boa Morte e de São Romão

sexta-feira, agosto 08, 2008

Dia do Amor

Esta semana tem sido muito intensa, sinto que a minha alma cresceu ou simplesmente que a minha consciência ampliou e consigo agora contemplar assuntos e situações que até aqui não conseguia.
Os momentos românticos e de intenso amor que tenho vivido também ajudam, pois nada melhor do que a Energia do Verdadeiro Amor para nos conseguir fazer chegar ao estado pretendido. Sinto que de facto o meu chakra do coração se abriu e está a funcionar plenamente, permitindo-me sentir compaixão e estar em sintonia com tudo e todos. Sinto-me muito feliz e com uma capacidade enorme de dar Amor a quem dele precisar.
Porém, estou-me a esquecer de algo fundamental. Outra razão para que as coisas estejam assim tão bem tem a ver com uma experiência que começou há muito tempo atrás numa meditação que utilizo para limpar a aura e os chakras diariamente. Nesta meditação tem-me vindo a ser dado perceber muito sobre o meu funcionamento a níveis mais subtis, é uma meditação simples que sendo feita diariamente ajuda em muito a compreendermos os nossos chakras, pois por muito que se leiam livros a informação só passa a conhecimento quando vivido, pelo menos assim me é dado a viver. Num desses dias, no meu chakra do coração aparece-me o Arcanjo Rafael e ficamos muito tempo a conversar sobre as minhas dores e os meus dilemas. Na altura em que aconteceu tudo me pareceu normal, mas quando fui escrever a meditação no meu livro, é sempre aconselhável fazê-lo pois às vezes recebemos coisas que não percebemos mas com o passar do tempo fazem mais sentido, percebo que me devo ter enganado pois o Arcanjo a quem eu associo este plexo é o Anael. Julguei ter-me equivocado mas a experiência foi-se repetindo e Rafael confirmou que era mesmo ele. Aceitei as coisas como eram e vivi então a máxima em que acredito, todos os livros e nos cursos se diz que do plexo cardíaco Anael é o regente, mas eu vivi algo diferente.

A minha partilha vem no sentido de mostrar como é possível através de uma meditação diária descobrir os Anjos e Arcanjos. Todos os dias, quando faço a minha meditação de alinhamento vou para o meu Jardim de Primavera, um lugar que imagino como sendo o meu local de paz, é um prado verde, com um rio, onde muitas vezes mergulho e nado até a mente acalmar. Junto à margem há uma árvore, este é o local onde me sento e falo com os Anjos, por vezes chamo Rafael, por vezes Miguel, por vezes Jesus, tudo depende do estado de espírito em que me encontro e do conselho que preciso. Aprendi que lhes posso confiar todos os meus segredos sem medo que algum dia estes venham a ser divulgados, a eles posso contar todas as minhas descobertas no campo da magia e, por vezes, eles ajudam-me a encontrar as respostas de algo que me faltava. Tem sido uma partilha muito boa e uma descoberta valiosa, descobri que até as grandes amizades se podem encontrar dentro e não fora, talvez esteja aqui a minha solução.
Se acharem que vos poderá ajudar, criem o vosso espaço de paz e dediquem diariamente um tempo para lá ir conversar com a Entidade que quiserem, pode simplesmente ser alguém que gostam e já cá não está, ou uma pessoa famosa que gostavam de conhecer, seja quem for deverá ser alguém por quem nutrem sentimentos gradáveis, para que a vossa relação cresça saudavelmente.

Num dia de Vénus e de Anael, de São Ciríaco e de São Severo

quinta-feira, agosto 07, 2008

True Love Never Dies



De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

William Shakespeare


Soneto #17

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Às vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.

William Shakespeare


Nosso amor é mar em fúria,
Que se acalma de repente…
Como brisa de Outono,
Envolve e fascina a gente…
Nosso amor é cavalgada
De alazões na amplidão
Colibris em revoada,
Espalhando emoção…

Tempestades de carícias
Emergem de nosso amor,
Tufões de incríveis delícias,
Ondas de fértil sabor…
É um misto instigante
De potência e ternura,
De aromas multicores,
De meiguice e loucura…

Nosso amor é inocente
Qual sorriso de criança,
São grilhões que nos enlaçam
Em amarras de bonança…
Cada abraço é um pedido,
O pedido, uma promessa,
De quem anseia doar-se,
De quem amar sente pressa...

Enfim…
….o nosso amor é assim...

Um viajante do tempo,
Que mescla adoravelmente
O passado e o futuro
Em nosso eterno presente…

Fernando Pessoa

Num dia de Júpiter e de Saquiel, de São Afra e de São Sisto

quarta-feira, agosto 06, 2008

Vénus em Virgem


Ontem foi um dia bizarro, não fiz nada de produtivo o dia todo, apesar de ter estado sempre ocupada. Chegou a noite e estava cansadíssima, devido à noite em claro do dia anterior e a todas as tarefas que realizei durante o dia. Mas, e isso era o mais importante, a 2ª mente estava calada. Hoje a fazer as minhas rotinas diárias, os meus rituais, encontrei talvez uma justificação para o dia de ontem ter sido tão bizarro, sendo que bizarro significa diferente dos dias que tenho passado. Vénus, o planeta que governa as questões amorosas, entrou em Virgem, o signo do pragmatismo. Ontem não houve tempo para grandes aventuras, apenas para realizar a rotina do dia-a-dia.

Parece-me que vamos ter muito para combater neste mês, pois esta conjunção estará activa até 30 de Agosto, altura em que Vénus passará para Balança, dando-nos espaço para voltar a sentir Beleza e Amor. Como já foi referido, será possível durante este mês darmos menos atenção à expressão dos nossos sentimentos e emoções e mais às lides do dia-a-dia, às questões práticas da vida. Contudo, Virgem pode ser mais do que apenas pragmático, gostando de apreciar as coisas boas da vida, os detalhes de um corpo e observar o que lhe é colocado à frente. Estas suas qualidades podem ser aproveitadas, colocando esta energia no campo da criatividade, pois a minúcia de Virgem aliada à Beleza de Vénus, poder-nos-á ajudar a desenvolver a criatividade, tão importante para qualquer caminho. Podem também aproveitar essa minúcia e colocá-la no campo sexual, aproveitando para (re)descobrir o corpo da pessoa amada/desejada.

Não obstante, os relacionamentos vão sofrer durante este período, pois vai haver um excesso de críticas, o olho analítico de Virgem vai estar como sempre apurado. O melhor a fazer é lembrar-nos que as críticas devem ser construtivas e não destrutivas, que nem sempre uma crítica é para nos deitar abaixo, mas muitas vezes para nos elevar a outro patamar, ou quando formos criticar os outros pelas suas falhas, pensar no que podemos dizer também para ajudar o outro a melhorar, se ele assim quiser, óbvio. Este período é excelente para avaliar as relações com os outros, ver o que nos mantém juntos e se é suficientemente forte para aguentar esta fase, não nos podemos esquecer que é necessário regar a plantinha do Amor para que ela cresça, senão das duas uma: ou atrofia no crescimento porque bebe energia de outra fonte, ou morre. É um óptimo período para deitar fora o que nos faz mal ou simplesmente já não faz nada e para cultivar o que realmente interessa.

O Amor e a Paixão vão fluir melhor quando não houver obstáculos na relação. Aproveitem esta fase para usar a qualidade de Virgem, pragmático e diplomata, para resolver questões que vos andam a consumir energia, libertando essa mesma energia para realizar coisas mais produtivas, não esquecendo de controlar a língua afiada.

Num dia de Mercúrio e de Rafael, de São Agapito e de São Justo

terça-feira, agosto 05, 2008

Mais mudanças...outras Verdades


Já vai alta a noite, a lua acaba de entrar em Balança e o sono não vem, apesar disso para mim costumar ser simples, hoje não consigo dormir… Como a Salamandra costuma dizer, hoje é uma noite escura da alma, utilizo este vocábulo apenas por não ter outro para o fazer, como é algo novo para mim ficar a noite em claro, utilizo as referências mais próximas para comparar a minha experiência. Talvez hoje compreenda o que queres dizer Salamandra, talvez hoje a minha alma esteja numa retorta a ver a putrefacção do corpo e a transmutação da alma, como João da Cruz descreveu, não sei se será isso a que te referes, mas é isso que hoje sinto. Não há fantasmas do passado, apenas a segunda mente que não se cala e que eu não consigo fazer calar, aquelas noites que tanto me falaste e me pareciam tão distantes.

Talvez influenciada pelo livro As Valquírias de Paulo Coelho, que li hoje à tarde como se de algo essencial para a minha alma se tratasse, talvez pelo álcool de um bom vinho branco que me fez companhia durante o jantar e noite maravilhosos que passei com a minha alma gémea, talvez apenas a minha necessidade de contactar com algo que já foi e não voltará jamais a ser. Talvez...talvez tanta coisa...
O que sei é que senti uma necessidade enorme de escrever, escrever sobre o meu Dionísio, sobre o meu Samael, sobre o meu Francisco...sobre as Entidades que me ajudam, ajudaram e sempre ajudarão a descobrir o meu futuro, o meu presente e o meu passado.

Os Anjos fazem parte da minha vida, sim, é verdade. Eles estão cá à espera que nós os chamemos para que possam intervir na nossa vida, para que nos possam ajudar nos dilemas do dia-a-dia. Os anjos são as energias que estão à nossa disposição para serem utilizadas na realização da nossa Grande Obra. Eles sempre fizeram parte deste mundo, mas à medida que vamos crescendo, vamos perdendo a coragem para os enfrentar e se aprendi algo hoje foi exactamente isto – eu sinto pavor de ver a cara do meu anjo da guarda. Sempre me considerei uma pessoa corajosa, uma mulher de força e de poder, mas hoje aprendi que tenho medos, muitos medos, afinal sou humana (não que disso duvidasse, mas por vezes a nossa inocência confunde-se com coragem).

Para mim, ver a cara do meu Anjo da Guarda, significa compreender que há uma força exterior a mim que vela por mim e que me ajuda no dia-a-dia. Isso, até hoje era inconcebível. Eu sou a construtora do meu futuro, não há nada nem ninguém que saiba mais do que eu, o meu Anjo é apenas uma extensão da minha consciência mágica, algo que eu crio para me poder desresponsabilizar...tanto erro! Até hoje eu pensava isso, mas esta já não é a minha Verdade Interior.

Hoje aprendi que afinal há algo exterior a mim, a velar por mim e que sabe o que é melhor para mim, afinal eu não estou só! Este Anjo é de facto uma Entidade, com uma existência para além de mim, não é apenas o meu Mestre, o meu Eu Superior, a minha Alma, ele é um Companheiro, um Amigo de Caminho que sempre estará ao meu lado, basta eu querer.
Hoje coloco-me nesta posição de vulnerabilidade por ele! Obrigada por te revelares, obrigada por mostrares a tua cara, mesmo quando eu morria de medo disso, obrigada por estares sempre comigo, mesmo quando eu não acreditava.

Num dia de Marte e de Samael, de São Abel e de São Osvaldo

segunda-feira, agosto 04, 2008

A mente é como um espelho...

A água turva não mostra os peixes ou conchas em baixo; o mesmo faz a mente enublada

Máximas dos Játacas, 185

A mente é como um espelho. Embora a nossa verdadeira natureza seja a deidade, o que vivenciamos agora são os reflexos da mente ordinária. Inimigos, impedimentos, momentos não-auspiciosos – que parecem estar todos fora de nós – são de facto reflexos da nossa própria
negatividade.
Se nunca tivesse visto a sua imagem antes, ao olhar para um espelho, pensaria estar a olhar através de uma janela, encontrando alguém totalmente independente de si. Não reconheceria a conexão. Se visse lá uma pessoa de aspecto horrível, com o rosto sujo e o cabelo desalinhado, poderia sentir aversão. Poderia mesmo tentar limpar a imagem, lavando o espelho. Mas um espelho, como a mente, é um reflector – só mostra você a você mesmo. Somente se pentear o cabelo e lavar o rosto poderá mudar o que viu. Terá que mudar a si próprio, não poderá mudar o espelho.

Chagdud Tulku Rinpoche

Os puros ou impuros erguem-se e caem pelos seus próprios actos; ninguém se purifica através de outrem

Máximas do Dhammapada

Num dia de Lua, de Gabriel e de São Domingos

domingo, agosto 03, 2008

Melodia da Semana XIII

Mais um ciclo semanal que chegou ao fim e outro que se inicia. Contudo, esta semana há uma particularidade diferente, é uma semana muito importante para mim, mais importante do que todas as outras é verdade, mais importante do que tudo!
Esta semana há uma celebração de algo belo, há algo sagrado a ser festejado, algo que se tem mantido vivo e com vigor ao longo de anos, de provas, de mudanças, de interferências, de tudo. Logicamente, algo assim, numa sociedade como a que nós estamos a construir só pode sobreviver se tiver por base um sentimento tão puro e belo como o Amor, só por isso já merece toda a minha atenção e energia.
Em homenagem a este marco de sobrevivência e de independência, deixo a música emblemática, onírica, fantástica de Joe Hisaishi do filme indescritível A Scene at the Sea do maravilhoso, majestoso e seriamente perturbado Takeshi Kitano.

Fica então para desfrutar de um momento de relaxe e de plenitude, em correspondência directa com o acto que celebramos esta semana, Silent Love.

Num dia de Sol e de Miguel, de Santa Lídia e de São Estêvão Mártir

sábado, agosto 02, 2008

Os credos e as religiões

Estava a ler o post anterior e comecei a pensar que ainda não escrevi nada sobre o que são estes Santos do dia que deixo no fim de cada post, sempre escolhidos por uma razão. Ontem em conversar com uma grande amiga percebi que há certos aspectos onde me preciso de definir, clarificar, pois há uma grande misturada de referências, uma amálgama, por assim dizer. Mas o mais importante é que eu preciso de sentir que isso é claro e não apenas porque acontece assim, porque e foi incutido assim.Não me posso considerar Católica, apesar de, como quase todos os Portugueses, ser essa a minha religião de baptismo e ter o meu vocabulário impregnado de referências católicas. Mas, desde muito cedo, que essa Igreja/Religião não me fazia sentido, nunca foi algo com que me identificasse, sempre preferi acreditar numa força unificadora que sentia que também existia em mim. Sempre achei que essa ideia de um Deus exterior e punitivo, não me assentava bem. Hoje em dia, contudo, não consigo deixar de ter algumas referências dessa religião, afinal de contas cresci e continuo a viver num país completamente católico, onde as freguesias têm nomes de Santos, onde em cada esquina há uma Igreja ou uma lenda sobre aparições/visões marianas.
Não obstante, estas referências não me incomodam e lido bem com o facto de apesar de não acreditar e não aceitar os dogmas desta religião, há determinados aspectos que considero úteis e que utilizo. Por exemplo, os Santos do dia que escolho são, quando é possível, os Homens que a meu ver têm uma experiência de vida interessante e que me poderão servir de exemplo. Estes exemplos são retirados da Igreja católica, lá está, apenas porque essa é a religião predominante no nosso país, se eu escolhi nascer aqui foi também para ser influenciada por esta cultura, não me faria sentido ir buscar experiências de budas ou árabes, quando a minha mentalidade e cultura é tão diferente.
Porém, estes homens poderiam ser da religião que bem entendessem, o seu exemplo de vida mostra-me apenas que é possível lutar e dedicar toda uma vida em busca da Verdade. Esta é a razão principal e única pela qual no fim de cada post eu coloco o nome do Santo do dia, por vezes posso fazer um especial sobre esse Santo, apenas por ele me ter ensinado algo mais do que era esperado, como foi o caso de S. Inácio de Loyola. Posto isto, acho que não há contrariedades em mim, tenho perfeita consciência das minhas escolhas, das minhas influências e sei perfeitamente o que pretendo de cada uma.
Posso afirmar sem medo de me estar a iludir ou a enganar que não sou católica, nem pagã; não sou cristã, apesar de acreditar no exemplo de Cristo; não sou isto, nem aquilo; Sou apenas uma peregrina a caminho da Verdade com uma bagagem cheia de referências e com um código de comunicação estereotipado.
Apenas posso dizer que acredito em Deus e nas suas muitas formas de ser, acredito na Deusa e nas suas muitas expressões e acredito nos exemplos dos nossos Irmãos, sejam eles de que credo forem. Mas acima de tudo acredito que falamos todos do mesmo, mas como cada um tenta impor o seu credo, acabamos por achar que uns são Deuses e outros Demónios, outros cristãos e outros pagãos, uns ateus e outros hereges... No dia em que não dermos nome àquilo em que acreditamos, talvez nos consigamos respeitar todos. Até lá, eu digo, Acredito no Amor!

Num dia de Saturno e de Cassiel

Oração a São Inácio de Loyola

Há muito tempo que não escrevo uma oração e na quinta-feira, como era dia deste santo, fui pesquisar a sua história e fiquei surpreendida. Por isso, hoje apetece-me deixar a sua oração. É uma oração simples, mas intensa. Gostei mesmo dela, o que não me acontece com muitas orações. Aqui fica então.
Tomai Senhor, e recebei
Toda minha liberdade,
A minha memória também.
O meu entendimento
E toda minha vontade.
Tudo que tenho e possuo,
Vós me destes com amor.
Todos os dons que me destes,
Com gratidão vos devolvo:
Disponde deles, Senhor,
Segundo vossa vontade.
Dai-me somente
O vosso amor, vossa graça.
Isto me basta,
Nada mais quero pedir.

Num dia de Saturno e de Cassiel, de Nossa Senhora dos Anjos e de São Estêvão Papa

sexta-feira, agosto 01, 2008

Mensagens na poesia

Hoje foi um dia tão especial que nem tenho palavras, ou melhor, não sinto que as minhas palavras cheguem para descrever todas as sensações, maravilhações, revelações, conclusões, emoções, que desde o ritual de ontem tenho sentido. Por isso, e como tem vindo a ser habitual, escolho as palavras de alguns poetas de minha preferência. Se a analise for bem feita, descobrirão as minhas sensações, maravilhações, revelações, conclusões, emoções....have fun!

O Sorriso
Creio que foi o sorriso
O sorriso foi quem abriu a porta
Era um sorriso com muita luz
Lá dentro, apetecia
Entrar nele, tirar a roupa, ficar
Nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
Eugénio de Andrade

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas

Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill
Sempre
Nem te vejo por entre a gelosia;
Nunca no teu olhar o meu repousa;
Nunca te posso ver, e todavia,
Eu não vejo outra cousa!
João de Deus
Destino
Quem disse à estrela o caminho
Que ela há-de seguir no céu?
A fabricar o seu ninho
Como é que a ave aprendeu?
Quem diz à planta «Floresce!»
E ao mudo verme que tece
Sua mortalha de seda
Os fios quem lhos enreda?

Ensinou alguém à abelha
Que no prado anda a zumbir
Se à flor branca ou à vermelha
O seu mel há-de ir pedir?

Que eras tu meu ser, querida,
Teus olhos a minha vida,
Teu amor todo o meu bem...
Ai! não mo disse ninguém.
Como a abelha corre ao prado,
Como no céu gira a estrela,
Como a todo o ente o seu fado
Por instinto se revela,
Eu no teu seio divino
Vim cumprir o meu destino...
Vim, que em ti só sei viver,
Só por ti posso morrer.

Almeida Garrett

Num dia de Vénus e de Anael, de Santa Sofia e de São Macabeu
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