terça-feira, janeiro 13, 2009

Lâmina III

Esta semana saiu A Imperatriz como carta regente, como é a pessoa que o Peregrino deve encontrar depois de o Mago e da Alta Sacerdotisa, eis aqui a minha interpretação pessoal sobre esta lâmina do livro do conhecimento. Mas, antes gostava de relembrar um facto que acho muito interessante e que explica a minha frase anterior.
Nos templos egípcios, quando o profano pretendia entrar na via sagrada, um dos primeiros ensinamentos que lhe faziam, depois de passar as provas da sua iniciação, era colocá-lo numa sala com 22 imagens, onde lhe eram, oralmente, transmitidos os mistérios, segundo os quais deveria durante todo o seu tempo de iniciado meditar. Essas 22 imagens não mais eram do que as lâminas do Tarot.
Depois da sua viagem aos Arquivos, de ter conhecido a sua Sacerdotisa, Guardiã das suas Verdades Interiores, o Peregrino deve estar pronto para enfrentar a Grande Mãe, a Imperatriz, para interiorizar os ensinamentos transmitidos.

Comecemos pelo simbolismo numérico da carta, que nos dará um ponto de partida para compreender o mistério que ela encerra.
O 3 é o resultado da união do 1 com o 2, por isso, é o princípio da actividade com a inteligência, é o resultado do Tempo com o Espaço, surgindo assim a Forma. Esta carta é o somatório do Bastão fértil do Mago com o Vaso húmido da Sacerdotisa, a Virgem. Esta trindade é encontrada em várias culturas e em vários aspectos do nosso dia-a-dia. Na magia representa o princípio, a realização e a adaptação; em alquimia, azoth, incorporação e transmutação; em teologia, Deus, encarnação e redenção; na alma humana, pensamento, amor e acção e na família, o pai, a mãe e o filho. Parece-me então que o ensinamento por detrás desta figura feminina do Tarot tem a ver com as nossas obras, com a realização que vamos executar no campo físico, lembrando-nos assim que só no Amor e através dele poderemos fundamentar as nossas acções. Este Conceito, no seu sentido mais prático, representa o ternário pois ele é o fim e a expressão suprema do amor: dois procuram-se para se tornarem três.
A imagem central é uma figura feminina por tudo o que se acabou de explicar anteriormente. A mulher é a representação da perfeição da Divindade. O 1 fecunda o 2 que dá o 3, que será fecundado e fecundador para dar continuidade à Manifestação da Vida, recomeçando uma nova família. Como diz Papus: «A geração é o mistério pelo qual o espírito se une à matéria; em razão disso, o Divino se torna humano.»

Esta figura feminina tem de ser colocada em paralelo com a anterior, pois elas podem até ser consideradas irmãs, a Sacerdotisa é a Virgem que contém os Mistérios, esta é a Mãe que aplica os mistérios. Uma é a intuição, a outra é a execução. A Imperatriz está geralmente sentada num trono, mas se estiver em pé, deverá ter um pé à vista, geralmente o direito, um à frente do outro, mostrando a acção, a sua capacidade de realizar. Esse trono, ao contrário do da Sacerdotisa está num espaço aberto, ao ar livre, pois esta mulher está ligada ao exterior enquanto que a outra se liga ao interior.
Desta forma, podemos, então, compreender a simbologia que o ceptro, com a esfera e cruz, tem. Pretende-se que represente o símbolo alquímico da Terra, onde tudo é possível, onde as outras esferas se podem manifestar corporeamente. Segurado pela mão esquerda, o consciente, ele revela que esta mulher sabe o que faz, que tem consciência das suas acções e que é fecundadora, criadora. Ela representa a abundância, aquilo a que o Peregrino terá direito se continuar o seu caminho com estabilidade e em harmonia.
Esta Imperatriz não é austera, ela tem um ar até bastante convidativo, representado pelos seus braços abertos ou em forma de abraço. Mais uma vez, ao contrário da sua irmã, que mantinha os braços fechados e um véu sobre a cabeça. O Peregrino quase sente vontade de se sentar aos seus pés e ali permanecer. Ao fazê-lo apercebesse que há um escudo com uma águia e que o chão por debaixo dos pés da mulher está verde e próspero.
O escudo com águia representam os pensamentos, as ideias que a Imperatriz segue, estando representadas por uma águia, não podem deixar dúvidas, ela está a elevar os seus pensamentos aos mais altos níveis de consciência. A águia é geralmente um símbolo de força, grandeza e majestade, adoptado em várias ensígnias reais ou de exércitos. No cristianismo ela representa Cristo e a sua ressureição. Simboliza ainda a capacidade de ver ao longe, de se ter uma visão ampla das situações.

O que nos leva à sua coroa, normalmente envolta de 12 estrelas, ou com 12 pérolas, mostra que a Imperatriz conhece os mistérios do Universo através dos 12 signos zodiacais. Ela integra em si o poder e utiliza-o. Se a cor amarela estiver presente, como no tarot original de Marselha, significa que ela já se domina e utiliza o seu poder feminino para a utilidade de todos, se a cor não existir poderá estar a dar-nos um alerta para o mau uso do nosso poder.
Em verdade, esta carta representa a Grande Mãe, no seu lado mais doce, benevolente, mas também pode representar a Mãe Devoradora, a super protectora, a asfixiante. O princípio desta carta pode ser associado ao signo Touro ou a Gémeos, pois ela é apaixonante, mas ao mesmo tempo intelectual, ela deseja mas ao mesmo tempo racionaliza demais. Além disso, a Imperatriz pode tentar representar o lado feminino da manipulação, da sedução e do uso da força no exterior desmesurado.
Portanto, o que devemos retirar desta lâmina que pode ser tão ambígua?
Quem somos, na verdade, parece-me uma das muitas perguntas que lhe poderemos fazer. Que uso damos ao nosso poder feminino e entenda-se que o homem também tem esse poder feminino, que aquilo a que me refiro não é exclusivo das mulheres. Com a Imperatriz teremos de esclarecer os nossos actos, pois quantas vezes o que realizamos não está de acordo com aquilo qe está dentro de nós? Quantas vezes sentimos algo e mostramos outra coisas completamente diferente? O que nos move afinal neste caminho espiritual?
Na meditação que espero sair para breve, poderão eoncontrar um dos muitos caminhos para chegar até à Grande Mãe e com ela encontrar as respostas para estas perguntas e outras.
Até fiquem com esta refexão:

Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Lavoisier

Assim é a nossa essência, neste caminho de auto-descoberta através do Tarot, não vão perder os vossos defeitos nem criar novas qualidades, mas sim aprender a transmutá-los.

Faz de tua conduta a tua religião. Bhagavad-Gita

Num dia de São Hilário, São Mungo e de Samael, Regente da Energia de Marte
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