terça-feira, maio 25, 2010

Temperar as emoções, fácil ou difícil?

Quando as nossas emoções não são controladas, dominadas, acabamos por ter atitudes que, por vezes, nos levam lugares mais escuros, densos e repugnantes dentro de nós.

Com certeza, tudo o quanto nos acontece nos dirige a oportunidades de crescimento, mas porquê escolher fazer o caminho mais difícil quando há outro tão bem mais fácil, deixando-nos libertos para experiências mais felizes? Porquê insistir em passar de parceiro em parceiro ao invés de acalmar e compreender que é a emoção de desejar, o fogo ardente de se apaixonar, que impele? Resolvendo assim a questão e fazendo o que apetece fazer, não seguindo um impulso, mas satisfazendo uma necessidade.

Hoje escolho falar sobre o desejo, o desejo ardente de possuir algo que, por direito, não é nosso. Como conseguimos controlar esse desejo que se alimenta de fantasias e de sonhos por realizar? Como conseguimos dizer «Basta! Não quero mais este desejo!» quando ele já é tão grande que só basta um estalar de dedos para que se concretize.

Conseguiremos eliminá-lo de dentro quando já está entranhado no nosso mais profundo inconsciente? E uma criança, como consegue ela, ainda pura nas limitações morais da sociedade, como consegue ela controlar esse desejo de ter algo que não é seu?

Será o medo das consequências a última coisa que nos prende de estalar os dedos? Ou serão de facto esses valores morais que a sociedade nos transmitiu, que as aulas de domingo com as freiras nos ensinou e que, em última análise, a escola nos incutiu?

O que existe entre nós e a concretização dos nossos desejos mais escabrosos?

Para aqueles que se dizem senhores de uma consciência moral, seja ela não espiritual ou espiritual, será mais fácil? Será que não têm também esses temores nocturnos, assombramentos com o objecto desejado? 

Para mim, é simples. Em cada momento que sou confrontada com esses desejos que de uma ou outra forma me rumarão a caminhos sinuosos e distantes de quem eu quero ser, escolho ser EU, ser MAIS e resistir. Às vezes torna-se difícil, a preguiça que se instala e não me deixa ir estudar, a tentação de não atender o telefone e ignorar que há um problema por resolver, o desejo de estar só no mundo e não cumprir as minhas responsabilidades, de ficar e ligar-me intimamente a ti, de viver a tua vida e não a minha... 

Mas a Vontade de ser mais e melhor do que fui ontem prevalece sempre que uma dessas tentações se coloca e sempre que estou atenta...

Mas uma pergunta permanece no meu coração...e uma criança? Se para nós é tão duro, como conseguem elas vencer essas tentações? E quando não as vencem que fazer? Oh my son, my son. What have you done?

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