terça-feira, novembro 04, 2008

Iniciação ao Tarot

Faz já algum tempo que tenho andado a desejar escrever algo sobre o Tarot, mas depois ponho-me a questionar: Que tenho de novo para dizer sobre este assunto? Aquilo que sei sobre Tarot é tão pessoal que nem sei por onde começar para me exprimir. Mas foi então que surgiu a resposta. Tudo o que escrevo aqui e no meu lugar especial faz parte da minha visão pessoal sobre os assuntos que decido escrever, logo, só assim fará sentido escrever sobre o Tarot, sobre a minha perspectiva do que ele significa e que chave nos oferece.


De facto, para mim, é disso mesmo que o Tarot se trata, uma Chave para a Porta dos Mistérios do Universo. O Tarot surgiu, ou ressurgiu se acreditarmos que o Tarot já vem da época áurea dos egípcios, numa altura em que as várias escolas esotéricas estavam a ser colocadas em questão. Assim, surge a necessidade de encerrar todos os ensinamentos em imagens, à semelhança do que se fez com o Muttus Libber de alquimia, onde o iniciado tem de desvendar as imagens para chegar aos ensinamentos sozinho. Desta forma, protegem-se os mistérios, mas mais ainda se fez quando se utilizou a icnografia da altura, extremamente religiosa, para não levantar suspeitas. Foi desta forma que, a meu ver, apareceu o tarot, o livro de Toth – Mensageiro dos Deuses.

As 22 cartas, os Arcanos Maiores, mostram-nos de forma ordenada o Percurso do Herói, ou por outras palavras, o Caminho do Peregrino. Cada carta, ou lâmina, representa uma das etapas que o Herói tem ou deve percorrer até chegar de volta a Casa do Pai, até atingir o Graal na ilha de Avalon ou simplesmente até se encontrar a si próprio. Os 56 Arcanos Menores são as representações dos dilemas físicos, mundanos, do dia-a-dia. Para o trilho da senda espiritual vamo-nos apenas debruçar, numa primeira fase, sobre as 22 cartas. A progressão da História é feita em ciclos de sete, o número vibracional do Universo, ou seja, de sete em sete o Herói vai mudando de estado e as provas vão sendo de outra substância, dependendo do estado de consciência alcançado, cada ciclo será diferentemente experienciado. As cartas são o Mestre e falaram de forma diferente perante cada Discípulo que lhe seja colocado à frente. Cada um terá como tarefa descobrir as suas verdades, dentro das do Universo, é trazer ao Microcosmo o Macrocosmo de forma consciente.

O primeiro ciclo pode ser encarado como o ciclo do Eu, o da formação do Eu, onde o herói descobre o seu interior, as suas potencialidades, as suas ambições, as regras básicas do esoterismo e onde faz a escolha do seu Caminho. Este ciclo vai do Mago (I) ao Carro (VII).

O segundo ciclo, o ciclo da Construção, é onde começam as provas do Herói, na Justiça (VIII), só depois de se fazer ao Caminho é que as verdadeiras provas começam, será o Iniciado um homem justo ou corrupto? Todo o seu percurso dependerá desta carta. Nesta etapa o Herói depara-se com muitos obstáculos, é um caminho solitário e cheio de exigências, os medos, as dúvidas, as certezas, os egos demolidores, tudo deverá ser eliminado, pois só se o Herói estiver determinado e fizer a sua Morte Simbólica passará por uma segunda iniciação na Arte (XIV).

O último ciclo, o da Realização, é o ciclo que vai levar o Herói ao seu objectivo, ou não. O início deste ciclo é um dos mais fortes, mas também dos mais promissores. Com o Diabo (XV) e a Torre (XVI) o Herói poderá eliminar tudo o que não tiver conseguido fazer nas etapas anteriores e assim prosseguir a sua viagem, com ajuda do seu Anjo da Guarda seguirá e durante algum tempo deixa de existir para ressurgir na carta o Juízo Final (XX) que o leva ao Mundo (XXI). A carta 0 – O Louco, é o peão, aquele que vai representar o Herói, se o colocarmos no início é o instinto, o doido que não vê nada nem ninguém. À medida que formos avançando de estádio o Louco vai mudando e é interessante ver as mudanças que lhe vamos incutindo durante a viagem, uma vez que elas são as nossas próprias mudanças. Quando o Louco é colocado no fim do percurso, representará o Mago, não o do início que trabalha o exterior, mas o Mago como símbolo de Sabedoria e Conhecimento, será o Mestre que nos espera no fim de todos os caminhos.

A parte interessante do tarot é esta mesma, é utilizá-lo como mandalas para meditação, onde através dos símbolos da Sabedoria Antiga, vamos desviando os Véus dos Mistérios. O trabalho neste espaço será exactamente esse, ajudar a descortinar os símbolos de cada carta e deixar as meditações utilizadas para chegar ao Saber. Não se esqueçam nunca que aquilo que vos podemos dar é Informação, esta só se tornará Sabedoria/Conhecimento quando for vivida por vós.

Num dia de São Carlos Barromeu, São Emerico e de Samael, Regente da Energia de Marte
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