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A Varinha de Condão

O início da semana não está a ser fácil, mas sempre se arranja um tempinho, mesmo que curto, para dedicar aos meus estudos e como resultado hoje a partilha regressa à Magia.

A varinha mágica, comummente chamada de condão, é um instrumento que pertence ao imaginário colectivo. Desde cedo ouvimos falar delas através das histórias infantis, das fadas-madrinhas que com um simples toque da varinha nos ofereciam a realização dos nossos desejos. Recentemente com a saga Harry Potter também pudemos voltar a ver as varinhas em acção, sendo utilizadas para protecção e para realizar fórmulas mágicas.

Historicamente falando, este objecto mágico podia ver-se nas mãos dos antigos faraós egípcios, dos seus sacerdotes, dos Papas, dos Reis, e muitos outros, nem sempre em forma de uma pequena vara mas muitas vezes em forma de cajado ou ceptro. Que simbolismo está por detrás deste objecto?

Em verdade, a vara é utilizada como símbolo de poder, ela pretende representar o poder de mediação que a pessoa que a segura tem entre este mundo visível e o mundo invisível, o que justifica a sua utilização por pessoas “poderosas” ao longo dos tempos, não só mostrava a soberania como também a sua capacidade de mediação.
Hoje em dia, em qualquer corrente de magia, poderemos encontrar vários tipos de varinhas, mas a forma mais comum é a varinha de madeira, com adornos ou simples.
Existem várias teorias quanto à forma de escolher a varinha mágica, uns defendem que deverá ser a varinha a escolher-nos a nós, ou seja, por casualidades encontrarmos a nossa varinha, outros defendem que deverá ser colhida pelo Mago num determinado dia e hora, dependendo da energia que se lhe pretende imprimir.


Eu tenho, neste momento, três varinhas mágicas e cada uma veio ter comigo de formas diferentes, por isso, creio que o mais importante é sentirmo-nos bem e fazer a nossa escolha de acordo com essa consciência. A minha primeira varinha foi apanhada em Sintra, estava cortada no chão e pensei que seria um absurdo retirar de um ramo quando tinha ali no chão tantas e perfeitas para o que pretendia. Na verdade esta história até é muito engraçada, pois a minha cultura sobre ervas e árvores, em geral sobre o campo, é muito reduzida e na altura quando aproveitei a vara julgava que era de uma árvore e afinal era de outra completamente diferente (energeticamente falando, claro, pois eu acho as folhas muito parecidas). Assim, acabei por seguir a corrente de deixar a varinha me escolher, fiquei com uma vara de Lua. A segunda varinha que fiz, foi um amigo que colheu para me oferecer e a terceira, essa sim, já fui num dia próprio colhê-la para ter as energias que eu pretendia. Por isso, acabei por ter três varinhas de condão escolhidas de forma completamente diferente, mas, sinceramente, não vejo qualquer diferença entre elas.

Neste momento convém explicar porque tenho três varinhas e não apenas uma. A vara, num ritual, serve para abrir e fechar o círculo mágico, para canalizar energias para objectos ou simplesmente para ser um complemento energético do mago que preside a cerimónia. A sua energia é masculina e são considerados objectos consagrados ao elemento Ar (em algumas escolas atribui-se ao Fogo, sendo Ar a faca), para mim faz sentido assim pois o Fogo verga a faca e o Ar verga a madeira.
Uma vara será suficiente para a realização de rituais, mas considerando que os objectos são catalisadores da Vontade do Mago, não existe mal nenhum se ele tiver uma vara para cada energia planetária. Por exemplo, os celtas tinhas 13 tipos de varas diferentes, utilizando-as para realizar os trabalhos de cada mês lunar do seu calendário. Eu, neste momento, tenho três, uma é para os trabalhos dedicados à Mãe Lua, outra para os trabalhos de auxílio de caminho, onde utilizo Mercúrio, e a outra é de Saturno para abrir e fechar os círculos das minhas meditações. Falta-me concluir a vara de Sol para os trabalhos dedicados ao Pai e experimentarei outras para ver se os meus objectivos são ou não melhorados pela utilização de varas diferentes.


Em qualquer dos casos a vara é um objecto importante que deverá ser elaborado pelo Mago, não custa assim tanto, acreditem. Há lojas especialistas em objectos ritualistas, mas custam um dinheirão e, afinal, basta ir a um lugar com árvores escolher a energia que se pretende, limpar a vara, fazer um furo na extremidade e colocar lá dentro algo que a torne nossa, especial e única.
Para concluir esta partilha, deixo-vos uma lista de árvores e das suas energias, de acordo com a alquimia, bem como uma lista de objectos que podemos colocar na vara, para lhe conferir poderes especiais.

  • Domingo (Sol) – Oliveira/Loureiro/ Laranjeira/ Limoeiro (ouro)
  • Segunda (Lua) – Choupo/Cana (prata)
  • Terça (Marte) – Pinheiro/Dedaleira (ferro)
  • Quarta (Mercúrio) – Aveleira (cinábrio/mercúrio)
  • Quinta (Júpiter) – Cedro/Eucalipto/Figueira/Nogueira (estanho)
  • Sexta (Vénus) – Sabugueiro/Castanheira/Pereira (cobre)
  • Sábado (Saturno) – Carvalho/Abrunheiro/Marmeleiro/Cipreste (chumbo)

Ou mais simplesmente podem colocar cinza de incenso, terra, uma folha de uma planta e cinza de madeira, conferindo assim à vara mágica os quatro elementos. Também podem colocar algo pessoal, algo que gostem muito. Experimentem, testem, brinquem! Acima de tudo não se esqueçam, esta Arte é para nos tornarmos cada vez melhores e mais felizes, mesmo se nos traz grandes resposabilidades, não deixa de ser uma alegria enorme quando conseguimos dedicar-nos a Ela! Em última análise, os dedos da mão direita, o médio e o indicador, podem substituir a vara, mas acreditem, é bem mais interessante ter o objecto e ser capaz de fazer o que as fadas-madrinhas fazem!!!

Num dia de Santa Catarina, São Mercúrio e de Samael, Regente da Energia de Marte

Comentários

  1. Shin Tau

    Adorei o seu post sobre as Varinhas de Condão. Acho que os conhecimentos que tem nessa área são vastos e importantes. Que o "Mago" ou a "Maga" já existia em si já me tinha apercebido agora fiquei a saber que tambem é Fada Madrinha.
    Embora o meu caminho seja diferente do seu acho o seu lindo.
    Obrigado por partilhar coisas tão naturais e ao mesmo tempo tão fascinantes

    Saudações

    O Viajante

    ResponderEliminar
  2. Shin Tau... muito prazer em conhecê-la.
    Obrigada por ter comentado, e por me ter, assim, concedido a oportunidade de a conhecer, embora virtualmente.

    Por enquanto, ainda só li este post, da varinha de condão, que achei muito bonito e interessante.
    Por acaso... não tenho nenhuma!
    Costumo usar o dedo médio para os mesmos efeitos da varinha de condão.
    Cada bruxa com os seus métodos....!

    Vou cuscar o seu blog todo, com a sua licença!

    Um beijo, um abraço, e muita alegria.

    P.S. - É portuguesa! Fiquei contente por constatar isso. É tão raro receber comentários de pessoas de cá.

    ResponderEliminar
  3. Ola Shin Tau adorei este post sobre a varinha, muito claro e interessante! Como o Viajante eu também percorro um caminho um pouco diferente mas percebo que amamos a Mae e o Pai de maneira semelhante e os intrumentos mágicos, na maior parte das vezes,sao uma extensao de nos mesmas nao é verdade? É uma pena nao ter no Hemisfério Sul o famoso Carvalho! Tenho duas varinhas e uma achei como voce, ela veio a mim a outra ganhei de presente e ela tem um cristal de quartzo na ponta e também uso os dedinhos. Estou um pouco sem tempo e retornando de uma viagem, mas com calma vou ler todas as suas postagens pois gostei imensamente do Grimoire.
    Muita LUZ e HARMONIA em nossos caminhos!!!
    BB

    ResponderEliminar
  4. Gostei muito dessa matéria sobre a varinha, apesar de não ser a minha areá ritualística, pois sou da UMBANDA. O meu preto velho me pediu para fazer um cajado para ele de Marmeleiro, que seria usado pelo mesmo nos seus rituais. Quando fiz uma pesquisa na net, foi aqui que encontrei. Obrigado...

    ResponderEliminar
  5. Olá Ogum

    bem-vindo a esta casa mágica :) espero que voltes a encontrar mais informação útil. Um cajado de marmeleiro deve ser bem poderoso :)
    Obrigada eu!

    ResponderEliminar

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