quarta-feira, novembro 19, 2008

Lâmina II

Depois de ter mostrado que deseja iniciar o seu Caminho, de tornar manifestada a sua Vontade pela acção dos 4 elementos, o Peregrino deve encontrar-se com o seu inconsciente, deve sintonizar-se com ele para poder avançar, deve ir aos seus Arquivos e aceder à Informação que lá se encontra.

Este ensinamento só é possível quando se ligar ao seu lado feminino, a Alta Sacerdotisa, ela representa o lado oposto, mas complementar, do Mago, um é acção, o outro é estado, um é força, o outro é forma, um é masculino, o outro é feminino, cada um complementando o outro.
Numerologicamente falando não será difícil de compreender estas analogias. O 1 é o número da unidade, do todo, o 2 será o binário, a dualidade, a fecundidade. Só no 2 se poderá o 1 manifestar, o 2 sai do 1 quando este se multiplica em 2, o 1 é a acção, o 2 a emoção. Ficamos assim perante a nascença da dualidade, da manifestação dos opostos neste percurso iniciático que é o Caminho do Tarot. Esta carta ensina ao Peregrino que tudo na vida têm dois pólos, o positivo e o negativo, é transmitida a segunda chave dos ensinamentos ocultistas: «O movimento da vida consiste na tensão extrema das duas forças (atrair e repelir)».
Nesta carta devemos poder sempre encontrar os seguintes símbolos:

  • Tiara
  • Livro
  • Cor azul-claro
  • 2 Colunas
  • Véu

O nome do Arcano, e a própria imagem que nos é representada, não deixa qualquer dúvida quanto à ligação deste com o Planeta Lua. É de conhecimento comum que as sacerdotisas vestiam um azul-claro, cor que está ligada à Santidade, repare-se que foi essa a cor que a Igreja Católica conseguiu impor que se usasse nas várias representações de Maria, mãe de Jesus, na verdade, actualmente ela é sempre representada vestindo azul-claro. Mas nem sempre é obrigatório encontrar a Sacerdotisa com vestes azuis, a cor pode estar representada noutros espaços na lâmina, mas aí o seu significado será aplicável ao objecto que está caracterizado por essa cor. Por exemplo, se a cor estiver nos véus ou no espaço por detrás da Sacerdotisa, quererá dizer que a Santidade é o local e não a Mulher.
A Sacerdotisa deverá ter sempre consigo uma tiara com três níveis, mostrando-nos os campos de acção que vão ser permitidos aceder, que ela já conquistou e que o Peregrino deverá conquistar, como o mental, físico e anímico. Se a tiara for simples, a Sacerdotisa deverá estar num nível superior a três degraus, tendo estes o mesmo significado.

Além de ter a tiara, deverá estar a segurar o Livro Sagrado, ocultando o que lá está escrito para o Profano não ter acesso fácil. Este livro, tanto representa o Livro Sagrado, com todos os ensinamentos que desejamos alcançar, como o nosso Pessoal, onde tudo se encontra registado. Neste sentido a carta vem complementar o que havia sido dito no Mago, depois de termos consciência de que somos divinos e de como o Mundo funciona, não podemos vacilar e todos os actos que realizamos a Sacerdotisa aponta no seu Livro, tudo, tenha sido alcançado ou não.


Depois de o Peregrino enfrentar a Sacerdotisa, esta decidirá se ele pode passar as duas colunas e entrar no Templo. As duas colunas tentam representar as colunas do Templo de Salomão, Boaz e Jakin, o feminino e o masculino, o branco e o preto, a intuição e a acção, enfim, todas as polaridades existentes. Por trás das colunas encontra-se o véu, símbolo do mistério. Para além da Sacerdotisa encontra-se um mundo desconhecido, terá o Peregrino Coragem para entrar e desviar o Véu passando para o Ouro Lado?
Espiritualmente este Arcano representa a aprendizagem sobre o mundo exterior, sobre como tudo funciona através da lei da atracção e repulsão, que para haver sabedoria tem de haver ignorância, que para haver amor há ódio, luz/trevas, acção/passividade e por aí fora. Mas, ao fazer exactamente essa ligação com o exterior remete-nos para dentro de nós, mostrando-nos que a intuição é a melhor forma de agir, que para julgar esta dualidade o melhor é seguir a nossa percepção interior.


Em suma, a grande aprendizagem que o Peregrino deverá realizar com a Sacerdotisa será a de saber que o verdadeiro conhecimento não provém da percepção dos sentidos: «o espírito que contempla a si mesmo, tem de despertar o conhecimento no íntimo do indivíduo.»
Só depois de ligar o Mago à Sacerdotisa, poderá o Peregrino prosseguir a sua Viagem.

Num dia de Santa Matilde, Santa Isabel da Hungria e de Rafael, Regente da Enegia de Mercúrio

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