terça-feira, julho 21, 2009

A Torre do Prisioneiro


Existe toda uma aura de lenda templária à volta do Castelo de Gisors, em França. A Arquitectura circular deste castelo torna-o peculiar e transmite-nos a ideia do "centro do mundo", ou seja, o lugar onde o céu comunica com a terra, espaço propício a que a alma ascenda ao nível da consciência, onde esta entra em contacto com os arquétipos espirituais. Neste castelo existe uma torre denominada a Torre do Prisioneiro.

Diz a lenda que lá esteve encarcerado Poulain, um cavaleiro amante da Rainha Branca. Deste amor nasceu uma filha que não sobreviveu. Entretanto, o rei, posto ao corrente do caso, mandou encerrar Poulai nessa torre do castelo. O cavaleiro conseguiu evadir-se, mas, ferido, só teve forças para ir morrer nos braços daquela que amava. (...)Nesta lenda do prisioneiro, encontramos, claramente, um substrato simbólico semelhante ao mito de Eros e Psiké. (...) No ciclo do rei Artur, o cavaleiro morreria no momento em que visse o Graal, pois morrer é renascer para uma outra dimensão.

(...)
Hoje em dia, existe uma pressão excessiva para a exterioridade, o que provoca as chamadas patologias do sagrado, segundo a terminologia antropológica. O homem esvazia-se espiritualmente, indo buscar nas paixões da personalidade (sexo sem amor verdadeiro, prestígio, poder material...) consolação para a profunda fome sentimental. (...)

Existe também o caso contrário das pessoas que, sentindo o profundo vazio espiritual e humano reinante na nossa sociedade, buscam o esoterismo mas não se esforçam por senti-lo e vivê-lo à sua medida, continuando a somar conhecimentos para o intelecto. Este, fica muito preenchido, mas a alma continua pobre e sem interioridade, abrindo espaço à superstição. Ora, a vivência esotérica provoca de forma natural o altruísmo e o sentimento de solidariedade para com todo o Cosmos. Por isso, os Templários que estiveram presos em Chinon, na França insculpiram na pedra um coração radiante.
Podemos perguntar-nos se o artista da cela foi mesmo um prisioneiro, ou se se trata de um trabalho realizado de forma deliberada para deixar uma mensagem. Talvez esta última seja um meio de encontrarmos a via para SAIRMOS DA NOSSA PRISÃO INTERIOR. De qualquer modo, as esculturas da Torre do Prisioneiro, em Gisors, transcendem, de longe, o simples testemunho da nostalgia de um homem, como gostariam de fazer acreditar.
Michel Lamy
in Os Templários na formação de Portugal, Paulo Alexandre Loução, Ésquilo

Na primeira hora de Mercúrio do dia de Marte de S. Praxedes, S. Daniel, S. Lourenço de Brindes
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