segunda-feira, março 23, 2009

Lâmina IV

O Imperador é uma carta que pode somar em si as aprendizagens realizadas nas cartas anteriores. No Mago foram-nos dados os instrumentos, precisamente os quatro instrumentos que nos permitem manobrar os quatro elementos constituintes de toda a matéria física. Na Sacerdotisa, aprendemos a dominar a dualidade que constitui o Universo, a manipular os opostos e, por conseguinte, a dualidade que há em nós, iniciámo-nos. Sendo o Mago e a Sacerdotisa dois pólos da criação, representam o exterior e o interior, o visível e o invisível. Ao fazermos essa aprendizagem, entrámos em sintonia com a nossa força criadora, a Imperatriz, e com ela aprendemos a ligar-nos à fonte de toda a Vida na Terra. Esta carta era o resultado da união do que está fora com o que está dentro.
Será então o momento da avaliação, pois o Imperador é a totalidade do que já foi criado, ele representa o Tetagramaton. A análise que faremos será sobre os símbolos, o número e o ensinamento especial que ela encerra sobre o caminho do meio.

4 é o número da terra, da matéria. É o número da compreensão, do entendimento, do esclarecimento, é o número de um quadrado perfeito. Este número está bastante representado na carta, quer seja nas quatro pernas do cadeirão, quer seja pela forma como as pernas da figura se encontram em forma de quatro. Esta demarcação leva-nos a divagar pela simbologia da própria cruz em si, o equilíbrio, a busca, a conquista, o dominar!
O Escudo com a águia no chão mostra o oposto da Imperatriz, enquanto ela buscava a criação, o Imperador já a alcançou. Este é um dado adquirido, não é preciso buscar pois tudo lhe é oferecido.
O Imperador está a olhar para o lado direito, mais uma vez o oposto da Imperatriz, mostrando-nos a acção, o movimento, o agir. Ele nunca está parado.
Tem um Ceptro na mão direita que revela e ostenta com orgulho pois é um direito adquirido, controlado. O ceptro mostra-nos o poder da decisão que o Imperador tem. Este tem no cimo o símbolo do antimónio indicando o poder, a força vital da terra e da Imperatriz a serem utilizadas na concretização do caminho. A mão que tem na cintura revela-nos que o Caminho é neste mundo, sobre a matéria e nas relações com os outros.
Além desse elemento há uma medalha verde ao peito, para protecção e controlo das suas emoções, o Imperador sabe que para poder comandar, decidir, elas têm de estar protegidas, controladas.

As cores novamente a representarem os quatro elementos que o Imperador tão bem domina.
A simbologia e a numerologia estão decifradas, e agora o que fazer com elas?
O Imperador está no Caminho, para o passar e aceder ao Hierofante, é preciso dominar completamente os quatro elementos. Em nós, esses quatro elementos manifestam-se na forma de pensamentos, percepções, emoções e acções. Estas quatro formas de actuação do Divino têm de estar em harmonia, não podemos deixar que os nossos pensamentos divaguem sem qualquer controlo nosso, não podemos deixar que a nossa vida seja comandada pela percepção ou pela emoção, ou agir impulsivamente sempre. É preciso conhecermo-nos para termos direito ao ceptro de poder. Um Imperador que só oiça a sua emoção, sem analisá-la através dos seus pensamentos ou percepções, terá uma acção descontrolada na matéria. Quantos feiticeiros e feiticeiras vêem os seus feitiços a trazer efeitos colaterais imprevistos devido ao que foi exposto. Sem nos dominarmos não podemos fazer um Caminho do Meio correcto. Para tal é importantíssimo que descubramos os nossos elementos. Saber quais estão em predominância, quais em falta e como eles operam neste corpo físico, lugar onde eles se manifestam.
Nesta carta, urge o conhecimento interior adquirido na Sacerdotisa, urge aplicar a criação da Imperatriz e a Sabedoria do Mago, para que o Imperador se revele na Justiça e no Equilíbrio.

Num dia de São Félix e de Gabriel, Regente da Energia da Lua

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...