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Lâmina XVII

A jornada pela descoberta dos Arcanos Maiores do Tarot leva-nos hoje à carta seguinte, a Estrela. Depois de um terceiro septenário iniciado com a Temperança, onde nos é indicado o caminho para a consagração, aparece-nos a lição do Diabo e a da Torre. Ambas poderão ser consideradas difíceis, na medida em que nos pedem que sejamos muito mais do que aquilo a que estamos habituados, a lâmina XV leva-nos dentro de nós próprios, ao fundo mais escuro da nossa mente, coração e alma, e quando estamos felicíssimos por termos ultrapassado isso, eis que vem a seguinte e destrói tudo o que construímos. Assim sendo, é perfeitamente compreensível que se pense que estas duas lâminas são das mais difíceis do Tarot (juntando a Morte, fica o trio completo do terror do Tarot), ainda por cima porque estão imediatamente uma a seguir à outra. Mas essa conotação pode ser compreendida principalmente porque sabemos que as mudanças são sempre difíceis de aceitar, temos sempre uma tendência natural para resistir às mudanças. Não obstante, esta lâmina mostra-nos que nem tudo é assim tão linear e na Natureza é sempre assim, depois da Tempestade vem a Bonança, merecida, claro!

A aprendizagem desta carta é simples, porém, às vezes, as coisas mais simples são as mais difíceis de fazer. Esta lâmina vai-nos confirmar ou não se as aprendizagens anteriores foram feitas, se conseguimos perceber que somos parte de uma energia telúrica e que a devemos respeitar, pois sem ela não poderemos fazer o caminho, e também se aceitámos a nossa parte divina. Assim, se na caída da Torre conseguimos ver e aceitar o duplo, então agora a aprendizagem é aceitá-lo como fazendo parte integrante de nós, não uma entidade exterior mas sim completamente interior. Esta carta mostra-nos, ou relembra-nos, de como somos centelhas da luz divina, de como todos descemos de uma estrela e que é essa estrela que nos guia, e que nos espelha como deveremos também ser uma estrela aqui na Terra. Quantas histórias, lendas ou mitos existem que envolvem pessoas perdidas no seu caminho e que aparece uma estrela a brilhar no céu que os guia de volta, a mais conhecida de todas será a do nascimento de Jesus e de como os Reis Magos foram guiados por uma estela até si.

Uma outra será a da Nossa Senhora da Redinha, que ajudou um pescador perdido, nos tempos em que ainda havia água naqueles lados, a chegar a bom porto depois de andar vários dias à deriva, como prova desse acto temos uma capela na Redinha dentro de uma gruta dedicada à Sr.ª da Estrela. O que nos ensinam estas histórias do folclore cristão? Para mim, independentemente de as achar verdadeiras ou falsas, julgo que me ensinam que há sempre esperança, que por mais perdida que me encontre haverá sempre ajuda possível, que acima de mim há sempre uma estrela a guiar-me, basta olhá-la. Contudo, na imagem da carta a mulher não parece ligar às estrelas que estão no céu, agora completamente calmo, pois ela compreendeu que o que está fora está dentro, o que está em cima é igual ao que está em baixo, nada do que ela possa ver naquele céu a deslumbra pois ela sabe que o céu é ela. Contudo a atitude da mulher também pode ser interpretada como total alienação ao que a rodeia, estando apenas concentrada na tarefa que está a fazer. Isto leva-nos à outra fase da carta, a não integração do duplo. Se insistir em ver o divino como algo exterior, nunca poderei concluir a Grande Obra, se me dedicar demais à sua realização sem perceber que o trabalho está a ser dentro de mim próprio, a Obra é inútil. Em guisa de conclusão, esta lâmina é o somatório das experiências das lâminas anteriores. A sua calma, serenidade e tranquilidade, bem como a sua segurança, serão aproveitadas na proporção exacta às aprendizagens interiorizadas. Assim, só poderemos desfrutar da Estrela da Boa Sorte se tivermos o trabalho anterior feito, senão esse trabalho de equilíbrio perfeito entre o telúrico e o divino, que permite a partilha humilde e efectiva com o exterior, nunca será possível.

Num dia de São Casimiro, São Lúcio e de Rafael, Regente de Mercúrio

Comentários

  1. Olá Shin_Tau
    Tive muitas mudanças mas todas elas fáceis de aceitar, pois eu queria essas mudanças.
    Quanto ao trabalho interior estar feito para podermos desfrutar desta Boa estrela, eu acho que o trabalho nunca está feito, acredito que sou uma parte Divina e tenho o Divino em mim, a tarefa para mim consiste em nunca me esquecer disso mas.....sou humana e como humana que sou falho! mas nem por isso deixo de sentir essa Boa estrela se calhar ela vem mais fraquinha (rs)
    beijinho e obrigada pela partilha
    salamandra

    ResponderEliminar
  2. Namasté, Shin Tau!

    Que o Espírito da Esperança brilhe sempre no teu Eu interior e no de todos aqueles que passarem por este espaço de Luz!
    A Estrela brilha para todos nós, mesmo nas noite nubladas ou de nevoeiro, basta que serenemos o nosso coração e esperemos que o céu volte a limpar... e lá estará ela, brilhando para nós!
    Magnífico texto!

    O meu Abraço de Luz!

    ResponderEliminar
  3. Olá Shin Tau

    Mais uma importante lição sobre os arcanos do Tarot que eu tal como as outras vou religiosamente guardar e ler em alturas especiais.
    Pois isto de mudanças está a ficar dificil espero que a minha estrela continue á iluminar as minhas decisões.
    A proposito de estrela sabia que ao que parece a estrela que guiou os Reis Magos não era uma estrela??
    Obrigada por mais esta sua partilha

    Beijinho

    O Viajante

    ResponderEliminar
  4. O teu post dá-me que pensar, como sempre :)! Seremos "pó de estrelas" como dizia o Carl Sagan ou "estrelas" em si mesmas, como dizia o Aleister Crowley? Teriam ambos razão, um deles ou nenhum? Em todo o caso, não há estrela que possa alguma vez brilhar se não for na mais profunda escuridão. Há certas cartas do Tarot que assustam mas as trevas e o abismo fazem parte da luz e da elevação. Por vezes acho que se menospreza o lado negro da existência, evitando-o, rotulando-o de nefasto mas, afinal, quanto menos o aceitarmos, menos o compreenderemos.

    Bjs *****

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