domingo, outubro 04, 2009

Reflexão com a Morte II

Como já sabem esta semana não foi uma semana muito fácil para mim, porém, algumas coisas começam a compor-se, nem que seja apenas a minha capacidade de compreender que não posso compreender :) Obrigada a todos pelos mimos :*

Na Jornada do Peregrino que terá acontecido? Que lição terá a Morte oferecido a este Viajante que nada nem ninguém pára. Vamos ver.

O Peregrino seguiu em frente, pela ponte que a Rainha de Discos lhe havia oferecido. Confiante do que desejava seguiu. No trilho novo encontrou o prazer de caminhar sozinho, o prazer das suas buscas solitárias. Sozinho pelo caminho ele conseguia mais facilmente encontrar a harmonia com a Natureza que o rodeava e, por conseguinte, a sua própria.

E assim se sentia em paz, amor e entendimento. Aceitar que a sua solidão não era imposta, mas uma escolha, em tempos havia sido um dilema para o Peregrino. Todavia, agora sabia que aquela era a sua escolha, era uma parte importante do Caminhar que reaprendia.

O Peregrino sabia perfeitamente que ao estar só era mais difícil compreender as ilusões que criava, as fantasias irrealistas que a sua mente e ingenuidade fabricavam. Ao estar com outros semelhantes a si ele conseguia as ajudas necessárias, os espelhos para o confrontarem com outras possibilidades. Só, teria na sua frente um caminho mais árduo, com muito esforço da sua parte, mas ele sabia que era capaz.

Ao longo dessa jornada mais trabalhosa ele seria capaz de encontrar todos os seus recursos, a sua criatividade fora trabalhada e era agora algo que ele podia perfeitamente utilizar para resolver qualquer obstáculo que se lhe apresentasse. Ao se aperceber disso sentiu o seu coração encher-se de alegria e paz. Novamente fechou os olhos, inspirou profundamente e sorriu.

Para sua surpresa quando os abriu, novamente a Rainha de Discos se encontrava à sua frente. O Peregrino apanhou um susto, mas rapidamente se recompôs.

«Alegra-me ver que aprendeste a lição. Sabes fazer as tuas escolhas, sabes ouvir o teu corpo! Não obstante estarás tu pronto para a lição seguinte? Lembra-te que a alegria que sentes vem de ti e apenas tu a podes causar.» Dito isto desapareceu.

O Peregrino ficou confuso, mas seguiu o caminho, ainda a pensar em tudo o que tinha ouvido, com um sobrolho meio levantado e um ar de enigma no rosto. Subitamente a ponte começou a abanar e tão fortemente que ele mal teve tempo de se agarrar a algo ou pensar numa saída. A ponte cedeu e o Peregrino caiu pelo precipício abaixo.

Enquanto o seu corpo caía e a Morte se avizinhava como inevitável, a sua mente começou a ter medo, mas lembrando-se das palavras da Rainha, fechou os olhos e entregou-se à experiência. Novamente o seu coração se encheu de alegria e paz, havia feito um caminho bonito e lembrava-se agora de quem fora em tempos e de quem era agora. Estava feliz pelo que fizera, a Morte poderia chegar…

Na segunda hora de Júpiter do dia de Sol, S. Francisco de Assis, S. Áurea

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